São Paulo, 2051

Visões de 2051

Em uma São Paulo sufocada pelo calor, pela fumaça e pelo colapso climático gradual, Miguel e Caio sobrevivem em um apartamento adaptado na base da gambiarra: água racionada, energia pirata, plantas morrendo em garrafas PET e um ventilador que gira como se estivesse cansado de existir.

Enquanto o governo insiste que o “Evento Climático Crítico” está sob controle, o relacionamento dos dois se desgasta silenciosamente após nove anos juntos. Sem traição, sem violência, sem grandes explosões emocionais — apenas a exaustão produzida pela sobrevivência contínua.

Entre sirenes climáticas, drones sanitários e banhos refrigerados compartilhados como luxo raro, “Horário de Racionamento” é um conto brasilpunk melancólico sobre intimidade, desgaste afetivo e o lento abandono do futuro.

Final da série

Camiseta Lobo

Duas semanas antes da mudança, Marcelo e Clara continuam dividindo o mesmo apartamento, o mesmo sofá e os mesmos silêncios. Sem brigas, sem traição, sem explosões dramáticas — apenas o desgaste lento de um amor que já não consegue mais sustentar o futuro.

Enquanto caixas se acumulam na sala e objetos começam a parecer provisórios, os dois tentam sobreviver aos últimos pequenos rituais da intimidade: um filme no cinema, pratos lavados automaticamente, café acabado, episódios de uma série que talvez nunca terminem.

Entre luzes de televisão, garoa paulistana e o zumbido cansado da geladeira, “Final da Série” é um conto sobre o luto silencioso das relações que acabam sem ódio, sobre os fantasmas deixados nos objetos e sobre as delicadezas que sobrevivem mesmo depois do amor.

Apartamento 63

Após um despejo traumático, Marcelo deixa para trás mais do que móveis e dívidas em um pequeno apartamento de São Paulo. Quando novos moradores se mudam para o local, começam a ouvir passos no corredor, o som de gelo sendo retirado da geladeira durante a madrugada e a ver um vulto fumando na sacada, deitado em uma velha rede. Aos poucos, percebem que talvez algumas pessoas não consigam ir embora completamente — porque certos lugares aprendem a sentir saudade.

Falta 1 mês.

Um relacionamento de quase dez anos chega ao fim, mas não de repente: os dois escolhem treze meses para se despedir, agora falta só um. Entre recaídas, silêncios e memórias, a história revela a delicadeza de amar mesmo sabendo que o fim já está marcado.

O Homem Que Colecionava Fins

Após decidir parar de fumar, Marcelo guarda a última bituca de cigarro como símbolo do fim de uma versão de si mesmo. Aos poucos, sua casa se transforma em um mausoléu emocional, cheio de objetos, mensagens e pequenas relíquias de amores, despedidas e futuros que nunca aconteceram. Entre paredes pintadas com esperança, janelas carregadas de memória e silêncios domésticos, ele percebe que não estava preservando lembranças — estava tentando impedir o luto. Em uma madrugada chuvosa, cercado por caixas de memórias mortas, Marcelo finalmente entende que sente saudade não apenas de alguém, mas do homem que ele era dentro daquela casa. Um conto melancólico e intimista sobre amor, memória, perda e a difícil arte de deixar o vento entrar novamente.