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Dia Internacional das Mulheres

Dia Internacional das Mulheres - greve das mulheres

RESISTÊNCIA E LUTA DAS TRABALHADORAS

por Elaine Zaragosa

O Dia Internacional da Mulher comemora no ano de 2010, os cem anos de sua celebração. Embora existam controvérsias entre pesquisadores a respeito da origem do 8 de março, esta data simboliza a luta de 129 operárias têxteis de uma fábrica de tecido em Nova York, que morreram carbonizadas por seus patrões após reivindicarem melhores condições de vida e trabalho.

Sensibilizada com a situação dessas mulheres, Clara Zetkin, propôs em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres, na Dinamarca, o Dia Internacional da Mulher.

Clara Zetkin, sempre lutou para que a questão feminina fosse assunto de debate dentro do movimento operário. Lutou entre outras coisas, pelo sufrágio feminino, por melhores condições de trabalho das mulheres nas fábricas e, principalmente, por uma organização específica das operárias. Por esse motivo, a questão das mulheres existe apenas para as mulheres do proletariado, da pequeno-burguesia e da intelectualidade.

Segundo Clara, as mulheres da alta burguesia podem desenvolver as suas habilidades e individualidades livremente, se assim quiserem. E quando são submissas ao marido o são apenas economicamente, então quer lutar contra o homem de sua classe. A mulher pequeno-burguesa quer alcançar a liberdade econômica, por isso tem aspirações feministas.

Por seu lado, as intelectuais não são mais do que proletárias mentais. Buscam além da libertação econômica, a espiritual e a cultural. Para Clara Zetkin, a questão feminina surge a partir da necessidade de exploração do capital que busca força de trabalho mais barata e surge a partir daí a mulher proletária. Esta não tem como desenvolver a sua individualidade e a sua subjetividade. A sua luta não pode ser contra o homem de sua classe, pelo contrário, a sua luta deve ser junto ao homem de sua classe e contra a sociedade capitalista. O objetivo final de sua luta não é obter a possibilidade de concorrência com o homem.

Clara tira destas suas reflexões, algumas ideias para a organização política das mulheres trabalhadores e da pequeno-burguesia intelectualizada. A principal delas é a seguinte: na luta das mulheres a importância prioritária deve ser dada a questões que permitam unificá-la ao movimento operário, desenvolvendo assim a consciência de classe das trabalhadoras.

Ainda hoje, cem anos depois, as mulheres continuam sofrendo com as opressões. Sendo tratadas como objetos sexuais, vitimadas pela violência doméstica, são elas, as maiores vítimas da crise econômica.

Segundo dados oficiais de órgãos como ONU, OIT, UNICEF e Banco Mundial, as mulheres somam 70% dos 1,3 bilhões de pobres absolutos do mundo; o trabalho não remunerado da mulher no lar representa um terço da produção econômica mundial (ONU). Das mulheres em idade de trabalhar (fora do lar), apenas o fazem 54% contra 80% dos homens (OIT). As mulheres desempenham a maior parte dos trabalhos mal pagos e menos protegidos (OIT). As mulheres ganham entre 20% e 30% menos que os homens (OIT). No nível da educação, 2/3 dos 876 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Ao cumprir os 18 anos as garotas têm em média 4,4 anos menos de educação que os homens da mesma idade. Dos 121 milhões de crianças não escolarizadas no mundo, 65 milhões são meninas. (ONU, Unicef).

No nível da saúde, a cada ano morrem no mundo mais de meio milhão de mulheres como consequência da gravidez e do parto, o que está diretamente relacionado ao nível de pobreza.

dia-internacional-da-mulherNos países coloniais e semicoloniais, a taxa de mortalidade materna é de 1 a cada 48 partos. Em países europeus, como a Espanha, morrem 3,9 mulheres a cada 100 mil. Na Espanha 98% das mulheres recebem assistência durante a gravidez e o parto. Nos países coloniais e semicoloniais 35% das mulheres não recebem atenção pré-natal; quase 50% dão à luz sem assistência especializada.

As últimas estatísticas indicam que há mais mulheres que homens infectadas pelo vírus HIV. Mulheres trabalhadoras e pobres continuarão morrendo, enquanto as clínicas clandestinas ganham fortunas graças à legislação repressiva que impede que o aborto seja realizado nos hospitais de forma gratuita e nas melhores condições médicas.

E esta deplorável situação chega à sua máxima expressão quando vemos os dados sobre a violência contra a mulher. A cada ano, pelo menos 2 milhões de meninas entre 5 e 10 anos são vendidas e compradas no mundo como escravas sexuais. A cada duas horas, uma mulher é apunhalada, apedrejada, estrangulada ou queimada viva para “salvar” a honra da família.

Situações como essas, evidenciam que não somente o 8 de março, mas cotidianamente, a luta das mulheres seja lembrada como uma luta de toda a classe trabalhadora por melhores condições de vida, trabalho e dignidade a todos.

Fontes: Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) – Secretaria Internacional da Mulher

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BBB 2010: A imagem da mulher no reality show

BBB 2010: A imagem da Mulher no reality show - La Lunna

Iniciou-se há alguns dias mais uma edição do Big Brother Brasil.

Por dez anos, a televisão brasileira explora as relações humanas numa casa cercada de câmeras e microfones por todos os lados. Assistidos e ouvidos por milhões de telespectadores brasileiros, atentos e atônitos, a saga de ilustres desconhecidos que fazem de tudo pelos seus 15 minutos de fama e alguns milhões de reais.

Construindo um mundo artificial onde se ignora qualquer tipo de valor, esse programa pretende desfocar os verdadeiros problemas que atingem o nosso país e o mundo, por exemplo, as grandes enchentes do mês de janeiro, e neste ano, o grande desastre ocorrido no Haiti. Milhões de pessoas perderam suas vidas, suas famílias, seus lares e sua dignidade.

O fenômeno midiático Big Brother Brasil é mais um aspecto da degeneração da imagem feminina, pois, dentro desse contexto, as mulheres se apresentam como fúteis e efêmeras e sem nenhuma preocupação com a intelectualidade ou culturalização. O reality show embute no imaginário coletivo um padrão estético de beleza que passa a ser almejado por uma parcela significativa das mulheres brasileiras.

Grande parte dessas mulheres ao final desse programa recebe convites para posar nua, participar de programas de auditório ou se transformar em chacotas da televisão brasileira, como é o caso da Sabrina Sato no programa Pânico. Salvo raríssimas exceções, a fama dessas mulheres dura somente enquanto não surgem outros “brothers”.

Em praticamente todas as edições existe a criação de personagens fundamentais para a trama, por exemplo, o Don Juan, a garota frágil que se apaixona, o atleta e outros tantos. Como se não bastasse, sob a égide da inclusão social, a produção do programa passou a contratar personagens homossexuais.

Servindo simplesmente como objeto sexual, a exploração do corpo feminino nos reality shows, representada nos banhos de chuveiro e piscina e também nas festas da casa, demonstra que não existe preocupação da mídia com a humanização dessas mulheres. Servindo mais uma vez como objetos de deleite e sendo descartadas sem piedade quando não interessam mais.

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La Lunna – Retrospectiva 2009: A Luta Continua

La Lunna - Retrospectiva 2009: A Luta Continua

Encerramos o ano de 2009 com uma certeza: a luta das mulheres trabalhadoras continua! Tivemos vitórias importantes, mas não podemos esquecer que vivemos sob o sistema capitalista e nele é impossível a total emancipação da mulher ou o triunfo de todos os oprimidos. 

Primeiramente, no que se refere aos  conquistados pelas mulheres, a Constituição Federal estabelece no seu art. 5º, inciso I que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Sabemos que isso nem sempre se cumpre e que as mulheres precisam definitivamente lutar por melhores condições de trabalho, saúde e direitos políticos.

Falamos sobre um tema muito polêmico, o aborto. O direito de a mulher decidir sobre o próprio corpo, não quer dizer utilizar o aborto como método indiscriminado.

Basta lembrar o caso da jovem de nove anos que apresentou uma gravidez como resultado de estupros seguidos que sofreu de seu padrasto, violência a que foi submetida desde os seis anos de idade. A moral cristã, por sua vez, contra o aborto da jovem, defendeu os valores que julgam corretos, como defender a vida de um inocente. E a garota? Quem defendeu a sua vida e inocência perdida?

Detalhe de Be_a_woman_by_PtiteCocci.

Continuamos dizendo que a crise econômica atinge cada vez mais as mulheres e homens da classe trabalhadora, retirando direitos e negando oportunidades. Mascarando-se sob o pretexto da geração de mais empregos, com baixos salários e condições de trabalho precarizadas.

A mulher como objeto sexual, pensado e utilizado como mercadoria. Segundo o site “Brasil de fato”, a cada segundo, aproximadamente oito mulheres e meninas no mundo caem nas redes internacionais do tráfico de pessoas. Números da Organização Internacional do Trabalho mostram que, anualmente, quase um milhão de pessoas são traficadas no mundo. A maioria é usada para a exploração sexual. 98% são mulheres.

A situação não é diferente com as mulheres lésbicas, colocadas ao último plano da discriminação, são invisíveis à sociedade e a busca por seus direitos está apenas no início.

Quanto à liberdade ao prazer, a mulher ainda tem muito que conquistar. É preciso ter consciência do próprio corpo e enterrar de vez valores que foram pregados durante anos, como a oportuna constatação de que o homem sente mais vontade de sexo que as mulheres. Lamentavelmente, a educação que seria um dos meios para resolver as desigualdades, também é afetada pelo machismo e a exploração.

Falamos da situação das professoras, que com a mesma formação dos homens recebem salários diferenciados.

A mulher negra triplamente oprimida, sendo utilizada como cartão-postal de oferecimento sexual, e mão de obra barata. Surgindo a necessidade de políticas de Estado e medidas efetivas para combater o racismo.

Encerramos com o artigo sobre uma estudante de turismo que foi agredida na faculdade em que estudava por usar uma roupa muito curta. Será que se fosse uma “atriz”, agiriam dessa forma?

Enfim, todos os direitos que conquistamos ainda não são suficientes para viver de maneira digna. Ser verdadeiramente mulher, um ser político de opiniões, desejos e vontades.

Que em 2010 a nossa luta continue!

por Elaine Zaragosa

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La Lunna 8 – MULHERES NEGRAS, A TRIPLA OPRESSÃO: GÊNERO, RAÇA E CLASSE

 No dia 20 de novembro comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do Quilombo Palmares. Além de todas as questões relacionadas ao povo negro, devemos dar especial atenção às mulheres negras. Expostas a uma tripla opressão, as mulheres negras sofrem com o gênero por ser mulher, com a raça por ser negra e, principalmente, com a classe, por pertencer à sociedade capitalista, que oprime e inferioriza a mulher negra.

 

As mulheres negras compõem um grande exército de reserva na sociedade capitalista. Segundo dados do IPEA, são as últimas na escala de renda, as primeiras a serem demitidas, alvo prioritário de violência social, sendo usadas como produto/mercadoria barata. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor. Em comparação às outras mulheres, são as que ingressam mais precocemente no mercado de trabalho, geralmente em profissões que não exigem qualificação técnica ou intelectual. O número de mulheres negras que trabalham como domésticas é sempre maior do que o de mulheres brancas.

 

Além da discriminação no mercado de trabalho, a saúde da mulher negra sofre algumas particularidades, como por exemplo, a anemia falciforme, uma doença hereditária, muito comum nas mulheres negras, originária da África, que se espalhou pelas Américas com o tráfico de escravos. Além da anemia falciforme, outras doenças que afetam particularmente as mulheres negras são os miomas uterinos e a hipertensão arterial. Isso ocorre devido a não inclusão do item raça nos prontuários médicos, o não diagnóstico precoce da anemia falciforme e, principalmente, pela falta de campanhas sobre a saúde da população negra.

 

Os meios de comunicação também contribuem para a desvalorização da mulher negra. A sua imagem geralmente é de símbolo sexual, ignorando toda a manifestação cultural, religiosa e artística da comunidade negra. O Brasil é uma das principais rotas do turismo sexual e do tráfico internacional de mulheres, onde meninas, jovens e mulheres não-brancas, especialmente das regiões norte e nordeste do país, são alvos fundamentais da indústria internacional do sexo. A manipulação da identidade cultural, étnica e racial dessas mulheres é o elemento constitutivo do sexy marketing que suporta o aliciamento e a exploração sexual dessas mulheres.

 

Como vimos as mulheres negras, são as maiores vítimas das desigualdades sociais, da violência, da pobreza, da baixa escolaridade e da divulgação de sua imagem como mercadoria. É importante que essa data seja vista como um passo na construção de uma sociedade onde as diferenças raciais, assim como as de gênero e classe sejam erradicadas e não precise haver datas especiais para lembrarmos que é fundamental aceitar as diferenças.

 

MULHERES NEGRAS, A TRIPLA OPRESSÃO: GÊNERO, RAÇA E CLASSE 

por Elaine Zaragosa

 

Fontes: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada); Gelédes.org.br; IBGE.gov.br; PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio); mulheresnegras.org.


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La Lunna – A situação da mulher trabalhadora da educação

O mito da mulher educadora como aquela que é “naturalmente” paciente e amorosa, responsável por criar e educar, sobrevive ao longo da história. Mas, ao mesmo tempo, examinando a realidade, constatamos que as coisas não acontecessem bem assim. A categoria dos profissionais da educação é composta majoritariamente por mulheres, sendo que no ensino pré-escolar no Brasil é de 94,8%, no ensino fundamental e médio é de 92,6% e no ensino superior as mulheres são minorias. A situação das mulheres trabalhadoras da educação passa por uma dupla opressão: a desvalorização da mulher e a desvalorização do magistério.

Na rede estadual, as professoras têm os mais baixos salários, muitas vezes possuindo mais escolaridade que os homens, segundo dados do IBGE (2008), para as mulheres que possuem nível superior completo, o rendimento é cerca de 60% do rendimento dos homens, indicando que mesmo com grau de escolaridade mais elevado as discrepâncias salariais entre homens e mulheres não diminuem. O mesmo ocorre com a questão do trabalho doméstico que a mulher tem que desempenhar depois de um dia exaustivo de trabalho sem nenhuma remuneração. É muito comum nas redes estadual e municipal, a mulher acumular dois ou três cargos para que o salário seja melhor. A Síndrome de burnout é frequente entre as professoras estaduais, a cada ano aumenta o número de licenças médicas causadas por doenças psicológicas adquiridas no local de trabalho.

 

Assim como a situação dos trabalhadores em geral, as mulheres, profissionais da educação, precisam lutar por uma escola pública de qualidade, melhores salários e condições de trabalho. Mas onde as trabalhadoras da educação poderiam garantir estes direitos? Os sindicatos, por sua própria estrutura burocrática, sempre foram um meio de propagação do machismo, tornando-se privilégio dos homens serem os membros de direção, dirigentes de mesa, os que dão a palavra. Para que este quadro se modifique, é importante ganhar a consciência das mulheres para a sua opressão, somente assim, a mesma sentirá vontade de se organizar e lutar pelos seus direitos como ser político.

 

Nesse sentido, é necessário construir um movimento de mulheres que abarque todas estas reivindicações, tanto das trabalhadoras da educação quanto das demais trabalhadoras. Um movimento que faça a mulher perceber que o capitalismo, apoiado na desigualdade entre gêneros, utiliza a mulher como mão de obra barata, como exército de reserva para prolongar a opressão e evitar o avanço da conscientização.

Fontes: IBGE e Neoliberalismo e crise da educação pública (Ilaese – Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos).

 

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La Lunna – A liberdade sexual feminina

La Lunna

As questões sobre a sexualidade feminina têm aspectos diferentes em cada época histórica. É inegável que tivemos muitos avanços na manifestação da sexualidade da mulher, principalmente com o surgimento da pílula anticoncepcional. Houve uma verdadeira revolução sexual, permitindo que o sexo não tivesse um único fim, mas que também fosse uma prática prazerosa. Mas será que as mulheres exercem a sua sexualidade livremente?

 

A moral burguesa e a igreja pregam a ideia de que o sexo serve apenas para a procriação, não sendo privilégio da mulher sentir qualquer tipo de prazer, isso estaria reservado somente às mulheres de “vida fácil”. Domesticada desde a infância a desempenhar o papel de esposa e rainha do lar, a mulher, durante muito tempo, não pôde conhecer seu corpo, satisfazer seus desejos ou escolher o seu parceiro sexual. Em algumas sociedades, até hoje, cultiva-se a prática de mutilação do clitóris em mulheres e crianças a partir de 5 anos de idade. Esse ato causa inúmeras consequências à saúde da mulher como choque cardíaco, hemorragias, sangramentos e complicações em órgãos vizinhos, fora as repercussões mentais como depressão, ansiedade e angústia.

 

Atualmente, ainda existe muito preconceito com relação ao comportamento sexual das mulheres. Muitas são chamadas de promíscuas e devassas por não terem um parceiro fixo ou por não enxergarem a sexualidade como um tabu. Não se trata de obter prazer a qualquer custo e sim de ter a liberdade de escolher se quer fazer sexo ou não, de exigir a camisinha e de ter uma relação que não necessariamente esteja vinculada à relação amorosa, mas, principalmente, de conhecer o próprio corpo através da masturbação, sem culpa e com autossatisfação sexual.

 

A erotização do corpo da mulher transmitida nos dias atuais, nas letras de funk, nas roupas e danças, demonstra que o corpo feminino passou a ter valor de mercado. Paralelo a isso, o imperialismo promove a imagem da mulher executiva como modelo de emancipação. Exemplo disso é o famoso seriado de televisão Sex and the city, tido como principal programa de liberação sexual feminina. A série trata da vida de mulheres consumistas e padronizadas no estereótipo de beleza que procuram pelo homem ideal. Imagem que não chega nem perto da nossa sociedade, onde a minoria são executivas independentes.

 

A busca de direitos de igualdade entre os sexos passa necessariamente pela liberdade sexual. Os movimentos feministas devem dar combate cotidiano a todo tipo de opressão, inclusive a sexual. A mulher tem direito de sentir prazer e não se sentir culpada por isso.

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La Lunna – Pelo direito de ser lésbica

La Lunna

Se as mulheres em geral não tiveram todas as suas reivindicações atendidas, a situação é ainda pior para as mulheres lésbicas. Estas sim são consideradas seres invisíveis na sociedade, ficando sempre à margem das discussões e fora das estatísticas.

Vivendo o preconceito em todas as esferas da vida – social, econômica e política –, ainda são vítimas da violência mental e sexual. Muitas famílias, ao descobrirem que as filhas são lésbicas, querem impor um comportamento heterossexual como “normalização” da prática sexual do indivíduo.

A cada 15 segundos, uma mulher é espancada por um homem no Brasil. Cerca de uma em cada cinco brasileiras (19%) declara espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência por parte de algum homem. Mas quantas delas são lésbicas? Não existem dados oficiais sobre violência contra mulheres lésbicas, aumentando a sua invisibilidade.

Isso se deve, em primeiro lugar, ao próprio sistema educacional que limita o assunto “sexualidade” à reprodução humana. Não existem educadores preparados para o tema, e o grau de homofobia nas escolas ainda é muito grande, não existindo políticas específicas para trabalhar o problema.

A saúde pública também não está preparada para atender as mulheres lésbicas. Dificilmente falam de prevenção e não indicam os métodos anticoncepcionais adequados, tratando muitas delas como mulheres que não mantém uma vida sexual ativa e sadia. As próprias lésbicas, muitas vezes, não assumem publicamente sua sexualidade por medo de serem reprimidas ou por acharem que sofrerão de alguma doença. E como se não bastasse, muitos homens também não respeitam o relacionamento entre lésbicas, tratando-as somente como um fetiche para a realização de suas fantasias sexuais.

A situação das mulheres lésbicas se torna mais drástica quando ela é combinada com a exploração capitalista, ou seja, quando são as mulheres da classe trabalhadora que precisam afirmar a sua sexualidade. As mulheres da burguesia podem exercer a sua sexualidade com mais autonomia, pois devido às suas condições econômicas podem frequentar bares e outros lugares específicos para homossexuais, enquanto as lésbicas da classe trabalhadora sofrem preconceitos muito maiores.

Creio que a única saída para combater a discriminação e a homofobia seja cobrar do governo que realmente haja um serviço público de qualidade, onde as diferenças de raça, gênero e preferência sexual sejam respeitadas.

A luta pela construção de um verdadeiro socialismo passa pela aceitação das diferenças, onde todos poderão expressar a sua sexualidade livremente, sem opressão e discriminação. Enquanto isso não acontece, é necessário que tenhamos políticas públicas que assegurem a punição e impeçam os atos de violência contra mulheres, lésbicas e trabalhadoras.

 

Fonte: www.violenciamulher.org.br


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La Lunna – A mulher como mercadoria

Desde a infância, a mulher tem seu papel pré-determinado na sociedade. Somos educadas para sermos dóceis, sensíveis, delicadas e sempre na condição de submissas ao sexo masculino. Sempre foram nossas as funções da maternidade, do cuidado com os filhos e com a casa e a obediência ao marido. Enquanto que para o homem foram dadas as tarefas externas e a independência sexual permitida e estimulada.

A ditadura da beleza imposta pela sociedade burguesa reduz as mulheres a simples mercadorias, objetos de consumo.

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Paralelo a isso, surge a supervalorização de um padrão estético, reduzindo a mulher a seu corpo. A ditadura da beleza imposta pela sociedade burguesa reduz as mulheres a simples mercadorias, objetos de consumo. Os meios de comunicação em geral exigem que a mulher tenha o mesmo estereótipo das grandes modelos, ou seja, cabelos lisos, um corpo malhado e bronzeado, o que não representa, de fato, a população brasileira.

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A busca desenfreada para alcançar esse padrão de beleza estimula o consumo de produtos, favorecendo o lucro de clínicas de estética, academias, cosméticos, entre outros. Sem falar nos distúrbios alimentares como bulimia, anorexia e depressões, em geral causadas pela frustração de não alcançar a imagem ditada pela mídia.

A mercantilização do corpo da mulher é expressa de forma mais violenta no tráfico de mulheres, movimentando um mercado altamente lucrativo. Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho –, o tráfico internacional de mulheres movimenta US$ 32 bilhões por ano e escraviza um milhão de mulheres para atividades sexuais, principalmente em países da Europa como Espanha, Holanda, Itália, Suíça, Alemanha e França1.

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A imagem da mulher tratada como objeto sexual é tida como algo natural, estando sempre estampada em comerciais de carros do ano e garrafas de cerveja. Imagem inalcançável para a maioria das mulheres brasileiras, que mesmo não dispondo da renda necessária, gastam uma fortuna para atender ao padrão de beleza divulgado.

É necessário que haja um combate cotidiano a esses estereótipos, desmistificando a imagem da mulher como mulher sexual, valorizando a mulher como ela é, um ser que pensa e age sobre o mundo. Lembrando que as mulheres já conquistaram direitos nos espaços público e privado, índices mais altos de escolaridade e participação significativa no mercado de trabalho.

 

1 Fonte: OIT (Organização Internacional do Trabalho).

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La Lunna – Por que defender a descriminalização do aborto?

Segundo o Ministério da Saúde, o índice de abortos no Brasil é de 31% e cerca de 250 mil mulheres são internadas anualmente em hospitais da rede pública de saúde para fazer raspagem na região do útero após um aborto inseguro.

La Lunna

Centenas de mulheres morrem anualmente no Brasil, por provocarem o aborto em condições precárias, sendo a 4ª causa de mortalidade entre gestantes1. Estes são os dados oficiais, mas estima-se que esses índices sejam bem maiores que os divulgados.

A discussão sobre a legalização do aborto sempre foi algo polêmico, pois envolve aspectos morais, religiosos e teóricos, obscurecendo ideologicamente a sua verdadeira causa. A maioria das mulheres que praticam o aborto precariamente são pobres, ou seja, abortam porque não possuem as condições de sustentar um filho.

Os meios de comunicação e as campanhas antiaborto não falam que o aborto inseguro também é uma questão de classe, ou seja, os abortos praticados pelas mulheres burguesas, nas clínicas, com plenas condições de higiene e médicos competentes não são computados, são contra o aborto, mas a favor da clandestinidade.

A Igreja Católica, com o discurso de defesa à vida, tem total controle sobre a sexualidade da mulher, colocando a maternidade como obrigação universal, reservando às mulheres somente duas opções: a negação da sexualidade ou um filho a cada ano. E as que mais sofrem são as mulheres da classe trabalhadora, pois elas são o maior alvo das opressões.

Defender a descriminalização do aborto não significa incentivar as mulheres a não serem mães, significa que essa decisão cabe a cada mulher e que a maternidade não pode ser posta como uma obrigação. Não se trata de defender o aborto como método anticoncepcional, mas na prática ele continua ocorrendo, mulheres continuam morrendo ano após ano, e a via penal não resolve o problema. As políticas públicas atuais não são eficazes, pois não evitam os abortos clandestinos, revelando o descaso com a saúde pública.

Enquanto o governo não der condições para as mulheres sustentarem seus filhos, oferecendo acesso aos métodos anticoncepcionais, assistência médica pública de qualidade, escolas integrais, alimentação saudável e, principalmente, salário digno, esses abortos continuarão ocorrendo de forma assombrosa.

1. Fontes: Ministério da Saúde e Católicas pelo Direito de Decidir.

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