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O jogo de tênis (Aposto que você não sabia!)

Se você sempre quis saber por que os pontos nas partidas de tênis são marcados em 15, 30 e 40, a resposta não é nada simples. Vejamos:

Acontece que o precursor original desse jogo era praticado em grandes saguões no interior dos castelos, em uma quadra retangular, demarcada com linhas que atravessavam de um lado para o outro.

Naquela época, os jogadores sacavam de um lado, acertando a bola acima da rede e contra a parede, não contra um adversário, e sempre dentro da demarcada quadra.

E o público? Bem, a “galera” assistia às partidas do lado oposto dessa parede.

As linhas horizontais da quadra dividiam-se em quatro faixas paralelas de 15 polegadas cada, em ambos os lados da rede. Cada vez que um jogador fazia um ponto, avançava uma faixa, aproximando-se gradualmente do centro da quadra.

A partida, é claro, começava na linha de zero polegada e avançava para 15, 30 e finalmente para 45 polegadas, quando então se declarava o final da partida e o vencedor.

Mas, você deve estar se perguntando: atualmente marcam-se os pontos em 15, 30 e 40 e não 15, 30 e 45. Por que a diferença?

Simples: alguém percebeu que a última linha estava demasiadamente próxima à rede e o último serviço foi recuado para a linha de 40 polegadas e, assim, acabou ficando e prevalecendo depois para o sistema de pontos. Coisas da tradição…

Embora o jogo tenha se tornado um esporte ao ar livre, praticado em quadras de grama ou saibro, ainda hoje utiliza esse sistema de pontuação.

Outra pergunta que você deve estar fazendo: por que esse jogo se chama tênis? Ele deriva do nome do calçado?

Nada disso! É justamente o contrário. Ninguém sabe exatamente de onde vem o nome, mas, especula-se que deriva do termo usado pelos franceses quando jogavam a bola e gritavam: “Tenez!” (algo como: “Segura aí!” ou “Pega essa bola!”).

O que se sabe efetivamente sobre isso é que, em 1874, resolveu-se fazer o primeiro torneio de tênis, em Wimbledon, Inglaterra, onde estabeleceram-se as principais regras e que foi a base para os torneios atuais.

Quanto ao calçado, é isso mesmo que você está pensando: seu nome deriva dos calçados que se usavam antigamente para jogar tênis.

Que a paz esteja com todos.

Darci Men

Meus livros publicados:

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A FORÇA DO EQUILÍBRIO

silhouette of man standing near body of water
Mantendo o equilíbrio.

Quando duas pessoas se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: duas delas são o que cada uma vê em si mesma, mais duas, o que cada uma vê na outra e, finalmente mais duas, que é o que cada uma realmente é.

Essa citação, atribuída a William James, ilustra bem como pode se tornar difícil o relacionamento entre duas pessoas, principalmente quando esse relacionamento envolve conflitos entre as partes.

É isso mesmo! Afinal, quando você vai falar com alguém, por mais que o conheça, você nunca vai saber com qual deles está falando. Multiplique isso por outras variantes, tais como: o estado emocional de cada um, antecedentes desse relacionamento etc. O risco de um “choque” com consequências graves é bem grande.

Aí cabe outra citação famosa: segundo Aristóteles, tratando-se de relacionamentos, o melhor caminho é o do meio, do bom senso e do equilíbrio. Não estou aqui dizendo para abdicarem de seus direitos nem tampouco se alguém tem ou não razão, mas sobre a maneira como se deve “abordar esses conflitos”, é sobre isso a que me refiro! Normalmente, não são as pessoas que nos ofendem, somos nós que nos ofendemos com o que as pessoas dizem. Afinal, todos conhecem aquele ditado: quem fala o que quer, acaba ouvindo o que não quer.

No mundo moderno, muito mais que antigamente, o equilíbrio emocional, não só nos relacionamentos, mas em toda a vida em si, é fundamental.  William Shakespeare nos ensinou: são as regras da vida, é melhor obedecê-las ou ficará à margem dela.

No mundo atual trabalhamos demais, gastamos demais, assumimos tarefas demais e, em contrapartida, reduzimos demais nossos valores, ou seja: aprendemos a sobreviver, mas não a viver; dominamos muitas coisas, mas não o preconceito; aprendemos a apressar tudo, mas não a esperar; sabemos muitas coisas, mas pouquíssimo sobre humildade; damos muito valor a bens materiais e muito pouco ao amor; enfim, construímos muros ao invés de pontes. O que estou tentando dizer é que esta é a “era” do sou mais eu, dane-se o outro, dois ou mais empregos, vários divórcios, casa chique e lares despedaçados.

Segundo uma crônica de Arnaldo Jabor, já um pouco velha, mas bem atual, no mundo em que vivemos, a maioria das pessoas são como um caminhão de lixo: andam por aí carregadas de porcarias, cheias de frustrações, raiva, traumas e desapontamentos. Esse caminhão vive tão cheio que a tendência é descarregar tudo na primeira pessoa que aparece pela frente; portanto, é necessário ter cuidado para que todo esse lixo não caia na sua própria cabeça.

O fato é que essas pessoas, conscientemente ou não, nutrem a inútil ideia de que são superiores às demais, quando, na realidade, todos somos pequenos. Geralmente essas pessoas agem assim porque é confortável, porque ser humilde requer esforço e caráter. Sócrates já ensinava: o início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Uma frase atribuída a ele ficou famosa: “Todo o meu saber é saber que nada sei”.

Eu, particularmente, tenho uma tática: olho sempre para o céu, para que ele me lembre de como sou pequeno. Certamente vai ter quem não concorde comigo e vai dizer: Nada disso, “meu”, o mundo é dos espertos! Ou, como ficou famoso aquele antigo comercial do Gérson, jogador da Copa de 1970: o importante é tirar vantagem em tudo, certo?

Errado! Na minha modesta opinião, esse pensamento está muitíssimo errado! No entanto, caro leitor, deixo para você concordar ou não comigo, mas peço que, antes de esgotar sua reflexão, busque a razão.

silhouette of man standing near body of water
“Olho sempre para o céu, para que ele me lembre de como sou pequeno.”
Photo by brenoanp on Pexels.com

Então, na próxima vez em que for resolver um conflito qualquer, pense nisso tudo e vá “desarmado”: perdoar não anula o passado, mas, certamente, vai engrandecer o futuro.

Que a paz esteja com todos.

Darci Men

Meus livros na Amazon:

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A ARTE E A VIDA

A profissão de ator, de artista, nem sempre é reconhecida devidamente, mas o fato é que de ator e de artista todos nós temos um pouco. Vejamos:

Quando perguntaram ao ex-presidente americano Ronald Reagan como ele poderia ser presidente dos EUA sendo apenas um ator de cinema, um artista, ele respondeu: “O que eu imagino é como alguém pode ser presidente dos EUA sem ser um ator, um artista”.

Ronald Reagan deixou a Casa Branca como um dos mais queridos e respeitados presidentes americanos. Ele deu um “show” na presidência, disseram os jornais.

O grande segredo da Disney – o que pouca gente sabe – é que todos os funcionários são registrados como atores e não numa função específica.

Assim, lá, você não é um pipoqueiro. Você é um ator fazendo o papel do melhor pipoqueiro do mundo. Você não é uma garçonete. Você é uma atriz fazendo o papel de melhor garçonete do mundo. E assim por diante.

Com esse tipo de contrato, a Disney pode exigir de seus funcionários um comportamento exemplar e atitudes de perfeição, atenção aos detalhes, postura própria, uniformização adequada e até o uso ou não de barba, bigode, cabelos compridos, fantasias etc.

Isso mostra que todos nós, onde quer que estejamos, temos que ser artistas para desempenhar bons papéis, fazer sucesso e ter um público fiel.

Assim, você, que nunca pensou nisso, mas certamente, sabendo ou não, com mais ou com menos intensidade, age como artista.

Procure aprimorar o seu papel, o mais perfeito possível, e dê um show!

Certamente “seu público” vai aplaudi-lo em pé!

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O Exemplo de Superação

Dia desses, vi um comentário em uma rede social que me chamou a atenção.

Em um tom de revolta, a pessoa escreveu: “esse nosso governador é um lobo em pele de cordeiro”.

Sem entrar no mérito da questão propriamente dita, fiquei pensando: por que tanto se usa essa expressão? O que ela tem de tão especial?

Se isso virou algo tão comum, o seu suposto autor não tinha nada de comum!

Essa frase é inspirada em uma fábula, de mesmo nome, atribuída ao escritor e pensador grego Esopo, que viveu por volta de 600 anos antes de Cristo.

Então, quem acha que o passado é coisa de velho, está certo, mas não existe o novo sem o velho! Essa bela fábula prova isso…

Mas, afinal, quem foi Esopo?

Vamos falar um pouco dele, pois ele o fez por merecer:

O cara é um belo exemplo de superação, já que tinha tudo para ser um nada!

Para começar, era escravo, gago e tinha uma aparência horrível: era corcunda e tinha o rosto deformado.

Resumindo: só tinha a sua mente brilhante e com ela deixou um legado fabuloso para toda a humanidade.

Tornou-se célebre a ponto de ser citado por grandes pensadores da Antiguidade, tais como Homero, Plutarco, Planudio, Apolônio e tantos outros, sendo o primeiro a criar fábulas em que os animais “adquirem vida humana” (falam, erram, brigam, amam etc.).

Onde você acha que alguns dos grandes nomes desse tipo de literatura se inspiraram?

Foi no passado!

Escritores como Fontaine, Walt Disney, Monteiro Lobato e tantos outros se inspiraram justamente nas obras de Esopo!

Há quem afirme que o próprio Cristo teria se inspirado em uma de suas obras: no Novo Testamento, encontramos uma de suas parábolas: “pelle sub agnina latitat mens saepe lupina” (sob a pele de ovelhas, muitas vezes se esconde uma mente de lobo).

Além da parábola, você certamente conhece ou ouviu falar de algumas de suas obras: A cigarra e a formiga, Os ovos da galinha de ouro, O rato da cidade e o rato do campo, O cavalo e o burro e várias outras.

Portanto, se olhar para o futuro é uma obrigação, então conhecer o passado torna-se uma necessidade.

Confira as obras do autor dessa crônica nos links abaixo:
https://clubedeautores.com.br/livros/autores/darci-men

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A BATALHA DA MADRUGADA

Naquela madrugada, eu dormia como um anjo e me imaginava no melhor dos mundos.
Repentinamente, tudo mudou!
Acordei com minha esposa me sacudindo, quer dizer, acho que acordei. Bem, leia mais e vai entender…
– Pai, acorda, pai… – dizia ela naquele seu jeito todo especial de me chamar.
– O que foi? – respondi eu, bocejando e tentando entender o que estava acontecendo.
– Levanta daí – insistiu ela –, tem um rato na casa.
Pensei comigo mesmo “Então é isso! Só me faltava essa! Levantar agora para ir atrás de um mísero ratinho invasor? Que chance eu tenho de pegar um ratinho em plena noite?”.
Fiquei indeciso por algum tempo: “Levantar ou não levantar, eis a questão!”.
Não levantei, porém a consciência pesou e fiquei pensando “Está certo!”, continuei raciocinando, “Ele invadiu meu território e minha propriedade. Mas, pensando bem, e, até onde sei, ainda não existe nenhuma associação de ratos do tipo MRST (Movimento dos Ratos Sem Teto). Portanto, deve ser um ‘desgarrado’ qualquer que perdeu o rumo e foi parar justo na minha casa”.
Confesso que estava indeciso sobre o que fazer, mas aquela cama quentinha e aconchegante falou mais alto, então eu me ajeitei melhor na cama e falei:
– Deixa o bichinho em paz e venha dormir, ir atrás dele a esta hora da noite é perda de tempo. Ele é muito esperto e não vamos conseguir pegá-lo. Amanhã nós colocamos uma armadilha ou coisa parecida.
Ela continuou insistindo:
– Vamos, levanta daí! Eu não consigo dormir com um rato circulando por aí.
Fiquei com dor na consciência e quase levantei, mas, novamente, a danada da cama quentinha falou mais alto.
Ela insistiu mais algumas vezes até que desistiu, quer dizer, desistiu de mim, não do rato! Ouvi-a arrastando móveis pra lá e pra cá à caça do bichinho.
Mais uma vez, a consciência pesou e eu já estava levantando quando pairou um estranho silêncio. Recuei e fiquei tentando ouvir algo que me informasse o que estava acontecendo, até que soou o inconfundível ruído do telefone discando (naquela época, os telefones tinham um barulhento disco de chamada).
Foi então que pensei “O que ela vai fazer agora? Chamar a polícia?”. Não, logo concluí. “Deve ser outra coisa… Será que já existem empresas especializadas em caçar ratos na madrugada ao estilo daquele filme ‘Os caça-fantasmas’?”
Por um instante, imaginei um furgão estacionando em frente à minha casa, com as sirenes ligadas e enormes letreiros escritos “Caça ratos. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta”. Ou seria: o seu rato de volta?
Não era nada disso! Ela ligou para irmã, que morava ao lado. Ouvi-a dizendo:
– Venha me ajudar, tem um rato aqui em casa, e o preguiçoso do meu marido não quer nem saber.
Fiquei pensando “Não acredito! Ela foi incomodar a irmã essa hora da noite. Duvido que ela venha ajudá-la”.
Queimei a língua! Não demorou quase nada e a irmã chegou.
“E agora?”, pensei comigo mesmo, “Vou dar uma de ‘João sem braço’ e assistir de camarote pra ver o que acontece. Vai ser divertido ver como elas vão caçar o bichinho”. Por um breve momento, lembrei-me daquele slogan dos sindicalistas: as irmãs unidas, jamais serão vencidas…
Ouvi a conversa delas na cozinha e, por um instante, me veio à mente aquelas cenas de filmes de guerra em que os generais discutem a estratégia da batalha:
– Eu fico com essa vassoura e você com o rodo. Eu vou lá afugentá-lo e, quando ele sair, você o acerta, tubo bem?
– Claro! – respondeu a outra, toda confiante. – Aqui ele só passa se for por cima do meu cadáver!
Nessa altura, lembrei-me ainda da Primeira Guerra Mundial, quando, na Batalha de Verdun, o general francês Pétain disse uma frase que ficou famosa: “On ne passe pas” (Aqui não se passa).
Bem, tive de admitir: o estado de confiança das duas “guerreiras” era impressionante! Não sei se era meu estado sonolento, mas juraria ter ouvido o rufar dos tambores e a marcha dos soldados em direção à terrível batalha! E que batalha!
– Olha ele ali! Pega! Acerta ele! – Gritava uma e os canhões não paravam de cuspir fogo, quer dizer, os rodos não paravam de bater aqui e acolá: plá, pam, pum, vaaap…
– Droga, você deixou o danado escapar! – gritava a outra – Cuidado! Está atrás de você!
Até que algo pesado caiu e um silêncio sepulcral tomou conta do recinto. Fiquei pensando “O que aconteceu agora? Intervenho ou não? Vão acabar destruindo a minha casa!”.
Não tive resposta e pensei “Será que elas liquidaram o bichinho?”. Por um instante, imaginei as duas guerreiras em uma emocionante cena ao lado do corpo inerte do infeliz…
E que cena mais comovente… Digna de colocar o cinema de Hollywood no chinelo. Juro que vi as duas guerreiras, com os peitos estufados, em posição de sentido e fazendo a continência, prestando, assim, as últimas homenagens ao valoroso inimigo morto.
Dei com os burros n’água e não foi nada disso! O barulho que eu tinha ouvido não foi o de uma cacetada certeira, como eu tinha imaginado, mas apenas o de um velho móvel que caiu. Quanto ao silêncio, não passou de uma pequena pausa para recobrar as forças. Não demorou muito e ouvi uma delas chamando a outra para retomar a batalha:
– Vamos! O que você está esperando?
– Tô cansada! – respondeu a outra – Me deixa tomar um fôlego.
Senti que o ânimo já não era mais o mesmo, pois aquela trégua não estava no script. “Acho que desistiram!”, pensei comigo mesmo, “Finalmente vou poder dormir”.
Enganei-me novamente! Mal tive tempo de respirar e a batalha voltou com mais intensidade ainda!
Eram móveis arrastados de um lado pra outro, pancadaria aqui e acolá, gritos estridentes e sons horripilantes. Os canhões, ou melhor, as “vassouras voadoras” a todo vapor: plá, pam, pum, vaaap…
De repente, ouvi um potente grito de guerra. Ou seria um grito de pavor? Fiquei na dúvida! Em qualquer caso, eu garanto: era de fazer inveja àqueles filmes de Alfred Hitchcock! “O que será que aconteceu agora?”, fiquei me perguntando. Logo descobri…
– Que foi? – perguntou uma delas – Acertou ele?
– Não, sua tonta! – respondeu a outra, toda chateada – Não vê que eu acertei o meu próprio pé!
Fiquei imaginando a cena, em câmara lenta, em um desses televisores de alta resolução:
Primeiro, aparece o ratinho voando sobre o pé dela. Era possível observar suas perninhas e seu enorme rabo balançando no ar e o seu olhar de terror vendo o rodo passar a milímetros da sua cabeça, indo acertar em cheio o dorso do pé da infeliz. O impacto foi tão grande, que o rodo chegou a rodopiar em seu próprio eixo, parecendo uma hélice de avião sendo ligada. Enquanto isso, a guerreira olhava desesperada para o seu próprio pé, não acreditando no que tinha acontecido! Nesse exato instante, a câmera foca no rosto dela e a expressão de dor e raiva ao mesmo tempo é assustadora! Seu grito ecoa tão forte que a imagem treme e fica desfocada. Meu Deus, que garganta!
– Para mim, chega! – comentou a pobre coitada, massageando o dolorido pé ferido.
Enquanto isso, eu criticava a mim mesmo, pois já imaginava que algo assim aconteceria. Mas, e o rato? O que teria acontecido com ele? Fiquei me perguntando.
Não tive resposta. Depois de raciocinar um pouco, concluí que ele tinha fugido. No entanto, pela ferocidade das duas guerreiras, o bichinho deve estar correndo até agora!
Elas alardearam por aí que tinham vencido a batalha, mas eu acho que o ratinho deve estar dizendo a mesma coisa, porém, com toda certeza, ele vai pensar duas vezes antes de invadir meu território porque na minha casa as irmãs unidas, jamais serão vencidas…
Fim

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OS LARÁPIOS

Falar dos “desmandos” dos políticos já está ficando meio repetitivo, mas, dia desses, vi na internet uma frase que me chamou a atenção. Dizia ela:

Esses políticos larápios, corruptos e nepotistas, além de nos roubar, ainda nos fazem pagar vultosos salários aos seus “chegados”.

Pois é, o conceito dos políticos está tão baixo, que basta pronunciar essas palavras e a primeira coisa que vem à mente dos brasileiros é que tem político envolvido.

Claro! E não poderia ser diferente… Com tantos políticos “passando” a mão no nosso rico dinheirinho, você poderia pensar que essas expressões são verde e amarelas.

Nada disso! Embora por aqui elas tenham encontrado um lugar fértil, a questão é: de onde vêm esses termos?

Os historiadores contam que essas expressões vêm de longe, senão vejamos:

Começamos pela palavra larápio (ladrão, gatuno, pilantra).

Apesar de haver quem conteste, a maioria dos historiadores afirmam que essa palavra vem da Roma Antiga, onde um pretor (juiz) sempre dava ganho de causa para quem o favorecia com os melhores presentes.

Seu nome era Lucius Aulicus Rufilus Appius e assinava as suas injustas sentenças abreviadamente, assim: L. A. R. Appius, ou seja: Larapius.

Agora vamos falar de corrupção (corromper, deteriorar)

Infelizmente essa palavra é que está mais “em moda” neste infeliz país, mas, como as outras, vem de muito longe…

Os antigos romanos já empregavam o advérbio corrupte (corromper, arruinar).

No entanto, por aqui, a corrupção chegou a tal ponto que um estudo da Fiesp apontou o custo disso em aproximadamente dois por cento do PIB. A CNI publicou algo mais alarmante ainda: segundo ela, para cada um real desviado pela corrupção, para a nossa economia custa três reais.

Precisa falar mais?

Agora vamos falar do nepotismo (usar o poder em favor de parentes e amigos).

Por incrível que possa parecer, a palavra “nepotismo” vem do latim “nepos”, que quer dizer: neto ou descendente.

Embora o termo já estivesse sendo utilizado na Roma Antiga (sempre a Roma), ele “criou fama” na época da Renascença, quando os papas tinham grandes poderes e, é claro, “deitaram e rolaram”.

Pra se ter ideia, eles distribuíam cargos “à torta e à direita”, vendiam indulgências, tomavam propriedades dos “infiéis” e tantas outras “barbaridades”.

A coisa chegou a tal ponto que teve um papa que deu o barrete cardinalício a dois sobrinhos e outro nomeou um cardeal, “seu chegado”, com 14 anos de idade.

Nesse item, e por aqui na “terrinha”, a coisa começou no dia do descobrimento do Brasil e, pasmem, ficou muito bem documentado:

Pouca gente sabe ou prestou atenção, mas no final da carta de Caminha ele pede ao rei um emprego para um sobrinho.

Interessante notar que essa atitude do “gajo” acabou por criar outro termo famoso por aqui, ou seja: o pistolão, de “epistola” (carta), ou carta de apresentação.

Pois então, minha gente, para mim, como brasileiro, fica difícil e doloroso dizer isso, mas uma boa parcela dos nossos cidadãos e, principalmente, a maioria dos nossos políticos, não passam de larápios, corruptos e nepotistas.

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PALAVRA RICA

Nós brasileiros, além do futebol e do samba, gostamos de usar palavras no dia a dia que deixam os acadêmicos da língua portuguesa de “cabelo em pé”.

            Certo dia enviei para o meu irmão J. Men um texto para ele “apreciar”. Ele deu o seu “parecer”, usando os seguintes termos:

– “Puta merda” hermanito. Você manda bem mesmo! (Na época ele trabalhava na Argentina e vivia utilizando termos portenhos).

            Dois dias depois ele mandou-me outro e-mail, usando um “tom” conciliador, que dizia:

– “Hermano”. Percebi que cometi uma gafe contigo, ainda mais com a tua veia de escritor! Usei a expressão “puta merda”, mas foi no sentido bom, de exclamação, de indicação: como quem diz, “que beleza!”, e não no sentido literal da palavra. Fiquei com isso na consciência e para corrigir a minha falha, envio-lhe algo a respeito.

            Assim, mandou-me um texto que não sei se é de sua autoria, mas vou reproduzir porque achei interessante:

A palavra mais rica da língua portuguesa.

            A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra “merda” (nem o Aurélio definiu bem). Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um “coringa” da língua portuguesa, senão vejamos:

1) Como indicação geográfica:

            a) Onde mesmo fica essa merda?

            b) Vá à merda!

            c) Vou embora dessa merda.

2) Como substantivo qualificativo:

            Você é um merda!

3) Como auxiliar quantitativo:

            Trabalho pra caramba e não ganho merda nenhuma!

4) Como indicador de especialização profissional:

            Ele só faz merda.

5) Como indicativo de MBA:

            Ele faz muita merda.

6) Como sinônimo de covarde:

            Seu merda.

7) Como questionamento dirigido:

            Fez merda, né?

8) Como indicador visual:

            Não se enxerga merda nenhuma!

9) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:

            Porque você não vai à merda?

10) Como especulação de conhecimento ou surpresa:

            Que merda é essa?

11) Como constatação da situação financeira de um indivíduo:

            Ele está na merda!

12) Como indicador de ressentimento:

            Não ganhei merda nenhuma!

13) Como indicador de admiração ou rejeição:

            Puta merda!

14) Como indicador de espécie:

            O que esse merda pensa que é?

15) Como indicador de continuidade:

            To na mesma merda de sempre.

16) Como indicador de desordem:

            Ta tudo uma merda!

17) Como constatação científica dos resultados da alquimia:

            Tudo o que ele toca vira merda!

18) Como resultado aplicativo:

            Deu merda.

19) Como indicador de performance esportiva:

            O São Paulo não está jogando merda nenhuma!

20) Como constatação negativa:

            Que merda!

21) Como classificação literária:

            “Êita” textinho de merda!

22) Como qualificação de governo:

            Nosso governo só faz merda!

23) Como situação de orgulho ou “metidez”:

            Ela se acha… E não é merda nenhuma!

24) A última (até que enfim), mas a mais clara aplicação, ou seja: como indicação de ocupação:

            Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo merda nenhuma!

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SOMOS TODOS ALIENADOS?

Saturnália

(Escrito por Darci Men)

Jingle bells, jingle bells, acabou o papel…

Brincadeira à parte, mas, quando falamos de Natal, temos de respeitar o costume e a crença de cada um, mas, inevitavelmente, fica a pergunta:

– O que efetivamente comemoramos no Natal?

– Ora – você me responderia –, todo mundo sabe que no Natal comemoramos o nascimento de Jesus Cristo!

– Certo! Isto é o que todos dizem. Mas seria isso mesmo?

Deixando de lado as crenças religiosas, os costumes e os apelos comerciais e analisando friamente a questão, chegamos à conclusão de que quase tudo nesse evento deu-se por algum interesse religioso ou comercial. Vejamos:

A data de 25 de dezembro

Não existe nenhuma prova concreta do nascimento de Jesus Cristo nesta data. Uns falam que foi em abril, outros que foi em janeiro, mas ninguém sabe efetivamente a data correta.

Na verdade, 25 de dezembro marca o solstício de inverno, em que se realizava uma grande festa pagã, ou seja, o nascimento anual do Deus Sol (a Saturnália, como era conhecida).

Foi o Papa Júlio I, no ano 350 d.C., quem proclamou o dia 25 de dezembro como data oficial do nascimento de Jesus Cristo. A ideia era substituir a festa pagã por outra cristã. Deu certo!

Os presentes

Existe quem prega que o costume de presentear no Natal veio dos Três Reis Magos que teriam presenteado o menino Jesus logo após o seu nascimento.

Errado! Os três reis, que alguns chamam de simples astrólogos, realmente teriam presenteado Jesus Cristo, mas com outro objetivo, ou seja, como súditos de um rei (um costume normal da época). O fato é que eles acreditavam que a profecia tinha se cumprido e Jesus seria o futuro “Rei dos Judeus”.

Na verdade, o costume de se presentear veio do próprio Papai Noel, que nunca se chamou Noel, mas Nicolau. São Nicolau, por volta de 280 d.C., era bispo de Mira (atual Turquia) e tinha o costume de presentear os pobres no final de cada ano (nada a ver com o advento do nascimento de Cristo).

O nome Papai Noel, ou outro qualquer, assim como o fato de se presentear no Natal, foi criado por pessoas ou entidades interessadas na propagação do evento.

As músicas

A maioria das músicas de Natal foram criadas ou adaptadas com objetivos nitidamente comerciais ou religiosos.

O maior exemplo é a mais famosa delas: o Jingle Bells (Batem os sinos).

Originalmente, essa música foi criada como uma canção para o Dia de Ação de Graças e chamava-se One Horse Open Sleigh (Andar na neve com um trenó puxado por um cavalo).

É interessante ver a tradução do seu refrão original e perceber que não tinha nada a ver com o Natal:

Batem os sinos, batem os sinos

Batem por todo o caminho.

Ó! Que divertido é passear

Num trenó aberto de um cavalo…

Então: você gosta do Natal? Acha importante a confraternização? Os presentes? O espírito natalino?

Ótimo! Continue com a tradição e festeje muito, mas faça isso porque você quer e gosta de fazer, não seja um alienado que faz as coisas porque outros fazem ou porque alguém, alguma entidade ou um belo comercial qualquer lhe mandou fazer.

F E L I Z   N A T A L

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A divina proporção

erro

Dia desses, estava baixando alguns aplicativos em meu computador quando, de repente, como que saindo do nada, na tela do computador apareceu uma lacônica mensagem: erro 1618.

Xinguei quem fez isso, já que não entendia o porquê de tão lacônico e indecifrável recado, e me perguntei: Por que tanta “frieza” com os pobres usuários? E, principalmente, por que não colocam logo qual é o problema, ao invés do lacônico “erro 1618”?

Depois que passou a raiva, fiquei pensando no que fazer, mas aquele número não me saia da cabeça, como se ele não me fosse estranho, fiquei com aquela impressão de já o ter visto em algum lugar, mas não lembrava onde.

Depois de várias tentativas sem sucesso e sem outra opção, abri um site de pesquisa e alguém que já tinha passado por isso, me esclareceu. Era algo tão bobo e simples que me deixou mais irritado ainda, logo soltei mais alguns palavrões – que não vou citar aqui em respeito ao leitor. Esse erro é quando o Windows Installer tenta instalar mais de um programa de uma só vez. Só isso!

Mas aí descobri também porque esse número não me era estranho e fiquei me perguntando: Como não me lembrei disso antes?

Esse número é muito famoso entre os matemáticos, mais precisamente 1,618, pois nada mais é que o número da divina proporção. Ele também é conhecido por outros nomes, tais como: a sequência de Fibonacci, proporção áurea, número de ouro, razão áurea e tantos outros.

Assim que me lembrei da divina proporção, também me veio à mente o nome de alguém que, em minha opinião, era uma das mentes mais brilhantes que já conheci: o Professor Cardoso.

Ele era professor de matemática, mas não se contentava em ensinar só a sua matéria, tudo deveria ter uma explicação mais detalhada, ou seja, o porquê das coisas.

Cardoso, apesar do nome português, era descendente de japoneses e, a exemplo da maioria dos nisseis, era do tipo caladão, mas quando começava a falar todos prestavam atenção, pois sua brilhante sabedoria era notória e extrapolava os muros daquela escola.

Ele era relaxado com suas roupas e aparência pessoal: cabelos desalinhados, sempre com uma calça jeans surrada e uma camiseta de algodão já desbotada pelo tempo. Usava sapatos de couro que há muito tempo pediam uma engraxada e o seu cinto estava tão velho que dava sinais de que iria romper-se a qualquer momento.

Lembro-me bem de sua forma de entrar na sala de aula, pois ele nunca dizia “bom dia” ou “boa noite”, limitava-se a fazer um breve aceno com a mão. O gozado nisso tudo é que todos respondiam da mesma forma, como que saudando um grande herói que entrava.

Sua conduta era sempre a mesma e começava com ele circulando pela sala de aula, de um lado para outro, em absoluto silencio, com as mãos cruzadas atrás, bem ao estilo de Napoleão Bonaparte. Seus passos eram bem largos e firmes, onde o toc-toc dos saltos de couro dos seus sapatos ecoava como um alerta para avisar a todos: a aula vai começar!

Certa vez, estávamos estudando álgebra e uma aluna comentou:

— Professor, eu detesto matemática, se eu descobrisse qual homem a inventou, eu…

O professor Cardoso parou imediatamente o que estava fazendo, foi até a cadeira da aluna e, ora olhando para ela, ora olhando para os demais alunos, começou uma das aulas mais interessantes que eu tive a oportunidade de assistir. Foi naquele dia que comecei a entender o porquê da matemática e não simplesmente a decorar fórmulas.

Claro que agora, após tantos anos, não vou lembrar-me dos detalhes, mas a forma teatral e competente como ele ministrou aquela aula marcou profundamente a todos que ali estavam e, consequentemente, estimulou a curiosidade e facilitou a maneira como todos gravaram tão importante conhecimento.

Vou tentar reproduzir aquela aula, porque, como já disse, foi uma das mais interessantes que já tive.

O professor Cardoso gostava de fazer aquele suspense antes de falar e, sem desviar o olhar da aluna, ficou sem dizer nada por um bom tempo, com aqueles seus olhos “puxados”, mas penetrantes, deixando a pobre coitada toda desconsertada. Ela deve ter-se perguntado “O que eu fiz de errado?” Até que ele, falando alto para que toda a classe ouvisse, perguntou-lhe:

— Quem foi que lhe disse que foi o homem que inventou a matemática? – E já dando a resposta, continuou: – O homem só inventou os símbolos para poder entender a matemática. A matemática foi inventada pela natureza e está em tudo ao seu redor, inclusive em você mesma!

Em seguida, o professor voltou ao seu magistral silêncio, provavelmente para que todos refletissem sobre o que ele acabara de falar. Só se ouvia o toc-toc de seus sapatos enquanto ele circulava pela sala, ora olhando fixamente para um, ora para outro, até que voltou a falar:

— Nós, que vivemos no mundo moderno, somos “bichos de cidade”, praticamente não interagimos com a natureza, mas nem sempre foi assim: antigamente, esta interação era quase completa e foi observando a natureza que o homem começou a perceber a necessidade de entender a matemática.

Após mais uma pequena pausa:

— Vejam, por exemplo, a chamada divina proporção ou proporção áurea, cuja abreviatura é PHI – não confundam com PI, que é outra coisa. O PHI tem esta abreviatura em homenagem ao escultor e construtor Phidias ou Fídias, que usou estas proporções no famoso Partenon Grego. Essa proporção é representada, matematicamente, pelo número 1,618 – arredondado, já que é um número irracional. Esse número, em um retângulo, por exemplo, é o resultado da divisão do lado maior pelo menor.

Esta proporção não é chamada de “divina” por acaso – continuou ele –, ela está presente em inúmeras criações da natureza, desde uma simples concha marítima (Nautilus), numa copa de uma árvore, nos frutos dela: pinha, girassol… nas ondas do oceano, nos átomos, no DNA, na refração da luz, nas vibrações sonoras, nos furacões, nas espirais das galáxias, na população das abelhas de uma colmeia, no corpo humano e em tantas outras coisas.

free-golden-ratio-scheme-vectorAssim – prosseguiu –, a humanidade usa essa proporção como sinônimo de beleza e de perfeição e, copiando a natureza, a utiliza em inúmeras aplicações, tais como: na arquitetura: Partenon, Pirâmides do Egito, Edifício nas Nações Unidas, Igrejas, etc., na pintura: Mona Lisa, Santa Ceia… na música: 5ª Sinfonia de Beethoven… na literatura: Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões… e tantas outras. Até o seu cartão de banco usa essas proporções!

Depois de mais um de seus magistrais silêncios e tantos outros toc-toc dos seus saltos, ele continuou:

— Os pensadores da Antiguidade começaram a criar símbolos para poder entender e registrar tudo isso, ou seja, a simples quantidade de ovelhas, as distâncias, o valor de algo, mas principalmente as proporções da natureza. Pitágoras, por exemplo, descobriu que um dos mais antigos símbolos da humanidade, o pentagrama, era uma proporção divina. Na ocasião, ele descobriu muito mais e teria afirmado: “Tudo é número, pois a natureza segue padrões matemáticos”.

Outro exemplo que merece registro é o Homem Vitruviano – tem este nome em homenagem ao arquiteto romano Marco Vitruvio –, em que Leonardo da Vinci mostra a divina proporção no corpo humano. Galileu Galilei também teria afirmado: “A matemática é o alfabeto no qual Deus escreveu o universo”.

O professor Cardoso esperou algum tempo, como que aguardando alguma pergunta, mas todos naquela sala de aula estavam em absoluto silêncio. Ele então continuou:

— Já Leonardo de Pisa, mais conhecido como Fibonacci, usou um dos mais elementares dons da natureza, que é a procriação, para ilustrar sua tese da sequência matemática. Ele mostrou em seu livro Liber Abaci, publicado em 1202, a proporção divina na criação de coelhos: é sabido que um coelho é capaz de procriar no segundo mês de vida, assim, Fibonacci mostrou que, no primeiro mês, temos um casal de coelhos, no segundo mês, teremos dois casais de coelhos, no terceiro mês, três casais de coelhos, no quarto mês, cinco casais de coelhos, no quinto mês, oito casais de coelhos e assim sucessivamente, ou seja, a quantidade do mês seguinte será sempre a soma dos dois números anteriores: 1, 2, 3, 5, 8, 13…

Esta sequência – continuou ele de forma teatral – ficou mundialmente conhecida como a sequência de Fibonacci e é utilizada até hoje no mercado financeiro, na ciência da computação, em teoria de jogos, em configurações biológicas e tantas outras aplicações.

Já o monge franciscano Luca Pacioli, por sua vez, conhecido como o pai da contabilidade moderna, publicou em 1494 um livro em que, num dos capítulos, está a parte que o deixou famoso: o Tractatus de computis et scripturis (Contabilidade de dupla entrada ou Método das partidas dobradas). Este esquema é a base da contabilidade utilizada até hoje, ele prevê, em linguagem bem simplista, que nada se extingue (um bem, um valor, etc.), mas apenas muda de lugar ou de forma, quer dizer, é o princípio de débito e do crédito, do ativo e do passivo e assim sucessivamente: sai de um lugar e entra em outro.

Agora – continuou ele –, vocês devem estar se perguntando: o que tem a ver contabilidade com a matemática e a proporção divina? Tem tudo a ver! Se examinarmos um balanço ou balancete qualquer, notamos que o total do débito é sempre igual ao do crédito. E sabem por quê? Porque foi copiado da natureza! Vou explicar melhor. Existem registros históricos da utilização desse esquema desde os antigos fenícios e egípcios e, pasmem, também foi copiado da natureza. Ora, é só observar com mais atenção, na natureza nada se extingue, apenas muda de forma ou de lugar: uma semente se transforma em uma árvore, quando ela morre se transforma em alimento para outra planta. O mesmo acontece com a água do mar que evapora até as nuvens, cai em forma de chuva, filtra na terra até os rios e volta para o mar e assim por diante. Sai de um lugar e entra em outro, às vezes modificado, mas nunca extinto.

O professor fez mais uma de suas pausas e, quando todos achavam que tinha terminado, ele voltou com tudo:

— Não acabou não! Tem mais. Muito mais! É preciso entender o fundamento disso tudo e, tanto Fibonacci quanto Pacioli, dois dos principais ícones da matemática, devem grande parte de seus conhecimentos a um pensador “das arábias”. Na verdade, esta pessoa da qual estou falando não era árabe, pois nasceu por volta de 750 d.C., em Khwarizmi (Khiva), atual Uzbequistão, mas ficou famoso quando era membro de uma entidade persa chamada Casa da Sabedoria. Seu nome completo era (respirem fundo) Muhammad Abu Abdullah Ibn Musa Al Khwarizmi (ufa!). Ele foi matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo, escritor e tantas outras coisas mais.

Para saber melhor de quem estamos falando, ele ficou conhecido como o fundador da álgebra. Aliás, o nome álgebra vem de al-jabr, uma de suas operações utilizada para resolver equações quadráticas. O próprio nome do algoritmo vem de Algoritmi, uma espécie de apelido latino do dito cujo (também, com um nome desses!), sem contar que o próprio termo algarismo também vem desse “apelido”. Pois é, o dito cujo, cuja sabedoria inspirou tantos outros homens ilustres, simplesmente baseava suas pesquisas no comportamento da natureza… Pois é, pessoal. – Continuou ele, agora mais pausadamente: – Depois de tudo isso que eu lhes falei, ao invés de dizer que o homem inventou a matemática, fica mais correto dizer que a matemática inventou o homem.

Agora que eu já disse tudo sobre a divina proporção, só tenho que agradecer, uma vez mais, ao professor Cardoso e falar igual às minhas netinhas: “Valeu, Prô!”. Mas ainda não passou a raiva daquele programador!