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Se eu fosse para o céu

Chave do céu

Nietzsche, que foi um filósofo consagrado, costumava dizer: “O fato não existe. O que existe é a versão do fato”.

Assim, dia desses, fiquei matutando: Se eu fosse para o céu, o que eu faria?

Mas será que eu mereço ir para o céu? Eu acho que sim, afinal, nunca fiz mal a ninguém, sou cumpridor das leis, bom pai, bom amigo e por aí vai. Apesar de, quando garoto, ter matado alguns passarinhos, isto é, não foram alguns, foram muitos, mas na época quase tudo era pecado, mas matar passarinhos não!

O que eu estou tentando dizer é que o fato em si e o seu conceito de pecado depende da época, do “ângulo” de quem vê e daqueles que tem o poder de julgar o que é certo ou errado. Vou esclarecer melhor:
Nietsche mini saia
Certa vez, em plena aula de religião, o padre me colocou de castigo por olhar as pernas da professora. Era época da minissaia e a professora que, diga-se de passagem, era um deslumbramento, gostava de andar na moda.

Aí eu não me contive e olhei mesmo. Se bem que, devo confessar, eu forcei um pouco a barra e deixei a régua cair para ter um ângulo melhor de visão, mas, e daí? Eu era um macho, isto é, um “machinho”, mas macho, e aquele belo par de pernas pertencia a uma bela fêmea. Portanto, o instinto natural é que me guiou. Que culpa eu tive?

Contei este episódio porque ele mostra como Nietzsche estava certo e, também, a título de comparação, ou seja, olhar as pernocas da professora era pecado, tanto que fui punido, mas nunca ninguém me criticou por matar passarinhos, pelo contrário, da mesma forma que hoje matamos os mosquitos da dengue porque são uma praga, naquela época, o excesso de pássaros destruía as plantações e era considerado uma praga.

Então, eu era uma espécie de “xerife dos sertões”, sempre com o estilingue em um bolso e a munição em outro, ou seja, um herói, não um vilão.

Bem, vamos supor que eu vá para o céu e não se fale mais nisso. A questão agora é que eu teria que passar pelo “Homem da chave”, ele mesmo: São Pedro. O dono das chaves do céu, o príncipe dos apóstolos, o primeiro papa, o protetor dos pescadores e das viúvas, o fazedor de chuvas e sei lá quantos títulos mais.

Então, como eu sou um cara precavido e terei que passar por uma entrevista com o “Homem”, tenho que conhecê-lo melhor:

Seu verdadeiro nome não era Pedro, mas Simão. Pedro vem do grego Petros (pedra) e não passa de um apelido, provavelmente vem de uma passagem bíblica quando Jesus afirmou: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja…”.

Provavelmente vem daí também seu título de primeiro papa, em que, numa passagem bíblica, ele recebeu o título de porteiro do céu, quando Jesus teria afirmado: “Eu te darei as chaves do reino dos céus”.

Ao que consta, sua morte foi mais terrível que a do próprio Cristo, pois foi crucificado de cabeça para baixo pelos soldados do imperador romano Nero, por volta do ano 67/69 da nossa era. Dizem, também, que foi enterrado onde é hoje o Vaticano.

O título de protetor dos pescadores é porque ele foi um deles, apesar de não ter sido bem um pescador. O mais correto seria dizer que ele foi um empresário da pesca, já que possuía uma frota de barcos pesqueiros.

Só não sei por que ele é também conhecido como o protetor das viúvas. Nada de pensar besteiras, apenas curiosidade, se alguém souber me conte.

Já disse que sou um cara precavido, e outra preocupação minha é: Será que tem fila para falar com o “Homem”?

Eu detesto filas! Muitas vezes, deixo de fazer alguma coisa para não ter que enfrentar uma.

Ora, minha preocupação não é nenhum absurdo, basta examinar alguns números: segundo os matemáticos, morrem por hora cerca de 6.200 pessoas, mais de 160.000 por dia e mais de 54 milhões por ano. Se é como dizem, que todos devem passar pelo crivo dele, imaginem o tamanho do seu trabalho!

Bem, vamos imaginar a melhor das hipóteses, que não vai ter fila nenhuma e o “Homem” estará me esperando sentadinho naquela poltrona de nuvem, toda branquinha, confortável e aveludada, com aquela enorme chave pendurada em sua cintura.

Então, ele vai me dizer simplesmente:

— Bem-vindo ao céu, em que posso lhe ser útil?

Aí, eu agradeceria a boa acolhida e tal, e diria:

— Sr. Pedro, se não for pedir muito, gostaria de uma audiência com o “Chefe”.

Ele, com toda certeza, me responderia:

— O “Chefe” é muito ocupado, fale comigo.

Eu, como sou meio abusado e, também, porque estou “necessitado”, insistiria:

— Sr. Pedro, com o devido respeito, devo insistir. Sem desmerecer a sua autoridade que, até onde sei, é uma espécie de subchefe, o que eu tenho a dizer é muito importante e necessita ser levado diretamente ao “Chefe”.

Vamos imaginar novamente a melhor das hipóteses, e ele, meio contrariado, vai dizer:

— Está bem, vou dar um jeito. Mas seja breve, pois, como já disse, ele é muito ocupado.

E lá vou eu, todo humilde, embaraçado e trêmulo, na presença do Todo-Poderoso, expor o meu problema:

— Senhor, insisti em lhe falar porque o meu problema é muito grave e, também, porque me disseram que o Senhor é brasileiro. Então – continuaria eu todo receoso, mas firme –, como o Senhor deve saber muito bem, a “terrinha” é maravilhosa, linda por natureza, não tem catástrofes naturais, tem espaço e terra fértil de sobra, um povo acolhedor e ordeiro, isto é, tem algumas exceções e aqueles que não gostam de trabalhar, outros são malandros etc. e tal, mas, em que pese essa dificuldade, isso não é o maior dos problemas, tanto é que, não é sobre isso que quero lhe falar…

Pois é, Senhor – continuaria, firme e esperançoso –, o grande problema da “terrinha” são os políticos! Eles estão destruindo toda essa maravilha e é sobre isso que vim lhe falar. Assim, se o Senhor é mesmo brasileiro, peço-lhe, humildemente, para iluminar a mente do nosso povo, fazendo com que tenham mais atenção ao elegerem os políticos e, se não for pedir muito, poderia nos dar uma mãozinha e ajudar a nos livrarmos dos políticos desonestos. Só isso, Senhor. Obrigado!

Será que ele vai me atender? Espero que sim, do contrário, estaremos perdidos…

Que a paz esteja com todos.

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Uma história de amor na Proclamação da República

Proclamacao da republica detalhe

Recebi de um amigo a seguinte mensagem: “Você que gosta da história da Roma Antiga, saiba que o dia 15 de novembro não se comemora só a Proclamação da República do Brasil, mas também se comemora o dia da Deusa Etrusco-Romana Ferônia, que era a Deusa dos Bosques e Florestas. Pelo menos uma vez te ‘passei a perna’, duvido que você já soubesse disso!”

Então, para não “passar em branco” o desafio dele, escrevi-lhe o texto que vou transcrever abaixo:

“Meu caríssimo, desta vez você me deu uma ‘feroniada’. Confesso, eu nunca tinha visto nem ouvido falar da tal de Ferônia, mas e daí? Que importância isso tem? Já que você tocou no assunto da Proclamação da República, você sabia que uma história de amor foi decisiva para a programação da nossa República?

Não? Então eu vou lhe contar:

Acontece que, por volta de 1883, quando o Marechal Deodoro prestava serviços no Rio Grande do Sul, ele conheceu uma viúva muito bela chamada Maria Adelaide, a Baronesa do Triunfo, e por ela se apaixonou.

Só que ela preferiu o gaúcho Gaspar Silveira e uma rivalidade histórica foi criada entre o Marechal Deodoro e o seu rival.

Ambos seguiram seus caminhos, O Marechal, é claro, sem o seu amor, mas a referida rivalidade entre os dois ‘machos’ persistiu e, sempre que podiam, um ‘cutucava’ o outro, enfim, tornaram-se inimigos declarados.

Em 1889, na época da Proclamação, o Marechal Deodoro tinha a mais alta patente do Exército e, tinha também, muita influência e prestígio nos meios militares; e o Gaspar Silveira, por sua vez, era um influente político da Corte.

Quando os militares do quartel da Praça da Aclamação se amotinaram (na atual Praça da República, no Rio de Janeiro), os interessados na mudança do governo, ou seja: a Igreja Católica, os militares, os cafeicultores, os maçons, entre outros, todos descontentes com a Monarquia, por um motivo ou por outro, viram uma oportunidade de efetivar o golpe militar, mas, para tanto, eles precisavam do apoio do Marechal Deodoro.

O problema é que o Marechal era um monarquista e, até então, não se envolvera nessa questão. Os tais ‘interessados’ tinham que achar uma maneira de ele mudar de lado e viram em sua rivalidade com o Gaspar Silveira, a essa altura já notória e pública, uma forma disso se concretizar.

Então fizeram chegar aos ouvidos do Marechal uma informação de que seu ‘querido’ rival seria o próximo Presidente do Conselho de Ministros (praticamente quem governava), em substituição ao Visconde de Ouro Preto (outro ‘querido’ inimigo do Marechal), e o pior: Que já estava pronta a ordem de prisão dele.

O que de fato aconteceu?

Nunca se comprovou se essas informações que o Marechal recebeu eram verdadeiras ou não, mas o fato é que ela surtiu o efeito desejado pelos republicanos, pois o velho Marechal, mesmo doente, no dia 15/11/1889, montou em seu cavalo e foi até a Praça da Aclamação (onde estavam os amotinados) e, em um gesto teatral, ainda montado em seu cavalo, retirou o seu chapéu militar e gritou: Viva a República! (Esta cena ficaria imortalizada no quadro de Benedito Calixto).

"Proclamação da República" de Benedito Calixto - 1893
“Proclamação da República” (1893). Óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Outro fato interessante é que este gesto ficou conhecido na história como o da Proclamação da República, quando na verdade foi apenas uma demonstração da adesão do Marechal à causa republicana.

A Proclamação propriamente dita ocorreu no dia seguinte quando o Marechal assumiu a presidência do governo provisório. Provisório mesmo, porque seu primeiro ato foi determinar um referendo popular para que o povo aprovasse ou não, por meio de voto, a nova forma de governo.

E, mais interessante ainda, esse governo provisório ‘só’ durou 104 anos, porque somente em 1993 ocorreu o plebiscito referendando, definitivamente, essa forma de governo (este é o Brasil!).

Portanto, diante destes fatos, podemos dizer que o Marechal Deodoro foi mais ou menos ‘usado’ e impulsionado pelo seu coração apaixonado.

Você sabia disso, meu caro?”

Que a Paz esteja com todos,

Darci Men.

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O mico

Mico

Quando se fala em mico, logo vem à mente o mico-leão-dourado, aquele bichinho simpático e belo das florestas brasileiras.

Mas o que eu quero falar aqui é no sentido pejorativo, ou seja: “pagar um mico”, um vexame, uma cena cômica, cafona ou coisa parecida.

Quem já não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Certamente você que está lendo já passou! Nessas horas dá vontade de cavar um buraco no chão e enfiar-se nele! Mas ao invés de lamentações dessas ocorrências, vamos rir delas que é bem melhor.

Hino Nacional às avessas

Vanusa - Hino NacionalA cantora Vanusa que o diga, quando, em março de 2009, foi convidada a cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo, nunca imaginou o mico que pagaria. Acabou cantando o Hino de “trás pra frente”. Ela alegou que foi um medicamento… Será?

Inspetor atrapalhado

No banco onde eu trabalhava tinha um inspetor que era conhecido por sua arrogância.

Certa vez ele foi designado para inspecionar uma agência no interior do estado de São Paulo. Chegou à agência bem cedo, segurou sua credencial na mão direita no estilo dos agentes do FBI e foi dizendo para o gerente da agência:

– Sou inspetor e vou fazer uma auditoria na agência, vamos começar conferindo o dinheiro no cofre.

Imagem: http://likeanerd.pop.com.br/technobabbling-inspetor-bugiganga/.

O gerente acompanhou-o até o cofre e colocou todo o dinheiro que estava lá em cima da mesa.

Depois de mais de uma hora contando, o inspetor falou ao gerente:

– Me traga o A-536. [Planilha que registrava a entrada e saída de dinheiro da agência.]

O gerente, mostrando surpresa, perguntou:

– A-536? O que é isso?

O inspetor ficou uma fera:

– “O que é isso” digo eu! Você, um gerente do Banco Mercantil de São Paulo, não sabe o que é o A-536?

O gerente, meio atrapalhado, respondeu:

– Nunca fui gerente do Banco Mercantil, sou gerente do Banco Moreira Salles e já faz mais de cinco anos.

Só aí ambos entenderam que o atrapalhado inspetor tinha entrado na agência do banco errado.

Futebol ou balé

Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/com-rendimento-ruim-jogador-e-punido-e-obrigado-a-treinar-fantasiado-de-fada/?cHash=4d3c969df3af46a8fb163ca5b230345f.

Mico mesmo pagou o Jairo, jogador do Figueirense, de Santa Catarina.

Ele foi eleito o pior jogador do “rachão” e teve que comparecer ao treino seguinte com um deslumbrante vestido cor-de-rosa.

Égua assanhada

Certa vez eu e meus irmãos fomos almoçar na casa da minha mãe. Conversa vai, conversa vem, toma uma cervejinha aqui e tantas outras ali, ficamos naquela “descompressão” de não-sei-o-que-fazer, até que alguém viu uma égua pastando tranquilamente em um terreno ao lado, comentando: “Será que é mansa?”

http://ranchosaomiguel.com/wordpress/?p=1314

Eu, todo metido, fui conferir. A princípio ela foi dócil e deixou-se acariciar, mas foi só virar as costas e a danada deu-me uma tremenda mordida nas nádegas deixando meu precioso traseiro todo dolorido.

Tive de sentar de lado por um bom tempo, mas o pior foram as gozações que duram até hoje, fato que ficou conhecido como a “mordida da égua assanhada”.

Minhas mulheres

Antes de vocês pensarem besteiras eu já vou explicando que “minhas mulheres” são minha esposa, minhas duas filhas e minhas três netas.

Bem, elas são especialistas em pagar micos, alguns exemplos:

Dia desses, a minha neta Giulia, de oito anos, voltou da escola toda nervosa:

Fonte: http://mulher.net/2012/10/09/como-introduzir-a-mesada-para-os-filhos/

– Vó, a tia da cantina foi grosseira comigo, eu falei com ela com toda a educação “Tia, a senhora poderia fazer o favor de trocar essa moeda de 50 centavos por outra de 1 real?” Ela respondeu “Você tá doida menina”.

Outro mico espetacular pagou minha esposa Angélica.

No dia 26.01.2010 eu tinha saído bem cedo e quando voltei encontrei-a tomando o café da manhã, nem a tinha cumprimentado pelo seu aniversário que acontecia naquele dia, quando a vi assustada e mais branca do que neve, até que ela falou:

– Pai – há muito tempo ela costuma me chamar de “pai” –, engoli a ponte!

Por um instante fiquei imaginando ela engolindo a Ponte Espraiada, aquela da região do Morumbi, até que ela explicou:

– Engoli a prótese dentária, aquela que o dentista acabou de fixar. E agora?

Fonte: http://www.ndnucleodiagnostico.med.br/servico/raiox#ad-image-1

Resultado: ela foi a um pronto-socorro público ao lado da nossa casa, e a médica tirou uma radiografia e ficou apavorada, foi transportada de ambulância até outro hospital público, retornou de ambulância sem ser atendida e só foi resolver o problema no final do dia no hospital do convênio através de uma endoscopia.

No dia seguinte a caixa de entrada de seu e-mail estava lotada de gozações, e o mínimo que a chamaram foi de “engolidora de pontes”.

Mas hilariante mesmo foi o mico da Aline, minha filha. Na última quarta-feira ela foi convidada para um happy hour, do Citibank, onde trabalha. Ela estava toda empolgada e dizendo que era um local “chique”, com comidas e bebidas de vários países e por aí afora.

Para quem não sabe, happy hour é uma tradição americana que se espalhou pelo mundo e nada mais é que uma festa de fim de expediente para descontrair. A tradução é “hora feliz”, mas não foi nada feliz para a Aline.

Ela não queria dirigir com o sapato de salto alto, então botou uma Havaiana nos pés e foi embora, esquecendo os sapatos em casa.

Quando se deu conta, estava em plena festa, vestida com traje social e de Havaiana.

Fonte: http://www.elo7.com.br/havaianas-tradicional-azul-com-swarovski/dp/2BFC4B

Teve que aguentar todo tipo de gozações e passar o tempo todo escondendo os pés. Era só um fotógrafo chegar por perto e ela já advertia:

– Só do joelho para cima.

Claro que teve quem não obedeceu, e o fato foi devidamente registrado para entrar nos anais daquela comunidade como “A cinderela de havaianas”.

Relatado por Darci Men.

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O Reino do Faz de Conta

O Reino do Faz de Conta

Escrito por Darci Men
Disse certa vez um sábio: “Honestidade é dizer a verdade aos outros e integridade é dizer a verdade a si mesmo”.

O “mundo” do faz de conta como difusão cultural do entretenimento, tanto na área infanto-juvenil como para adultos, é de significativa importância para a nossa “fuga” do dia a dia e consequentemente para o nosso bem estar.

O problema é quando esse faz de conta se transporta para a realidade!

Pois é, nós brasileiros temos em nossa realidade muitos faz de conta. Um verdadeiro “reino do faz de conta”. A coisa está tão “aculturada” que a maioria dos brasileiros simplesmente pensa assim: Deixa para lá, Deus é Brasileiro, deixa como está para ver como fica.

Neste “reino”, o rei ainda é o Lula, por “baixo do pano”, mas ainda é. Os duques, arquiduques e “corriolas” afins, são os ministros, deputados e senadores da base aliada. Como todo reino que se prese tem intrigas palacianas, traições, engodos, toma lá da cá, é dando que se recebe e por aí vai.

Mas não é só na “corte” que se vê essa fantasia, senão vejamos:

O caso da política: Alardeiam que o Brasil é um país democrático e o seu povo suficientemente politizado para eleger diretamente desde o Presidente da República até o Vereador. No “reino” do faz de conta não é bem assim. Ora, a maioria do povo vota por impulso, no mais “simpático” e “falador” ou no “herói fajuto de plantão”, geralmente um sindicalista demagogo, pastor salvador de almas, atleta ou artista aposentado, um folclórico
índio não sei das “quantas” e até um simpático palhaço analfabeto. Se você sair por aí perguntando, a maioria não saberia dizer quem é o atual vice Presidente da República, nem tampouco em qual deputado ou vereador votou na última eleição. Isto é povo politizado para tamanha responsabilidade?

Teoricamente é o Presidente da República quem escolhe seus ministros e colaboradores diretos, portanto, também teoricamente, deveria saber e tornar-se responsável por tudo que eles fazem. No “reino” do Faz de conta nada disso vale! O caso “mensalão” explica tudo, não preciso dizer mais nada. Aliás, a respeito do “Rei” Lula, eu entendo que ele deveria figurar no famoso livro Guinnes de Recordes, pela sua “amnésia seletiva”. Será que já não o colocaramJustitia (Themis) lá? Se não o fizeram é uma tremenda injustiça!

A Justiça Eleitoral chegou a fazer propaganda que no Brasil político com ficha suja não pode exercer cargo público. Claro que no “reino” do faz de conta isso não acontece. Ora, basta examinar o nosso congresso.

O caso da Justiça Criminal e Civil não é diferente. A Justiça precisa ser integra e ágil para proteger o cidadão. Mas no “reino” do faz de conta rico e politico raramente pagam pelos  seus crimes. O bandido tem tantos privilégios que o cidadão honesto fica se perguntando se  não é melhor “mudar de lado”. A burocracia e a morosidade na justiça brasileira são tantas que o cidadão só recorre a ela em último caso. Pois é, faz de conta…

Na Economia o governo alardeia quase diariamente que a economia vai bem. Novamente temos um tremendo faz de conta, basta ver os indicativos econômicos: O Brasil está com a maior inflação dos últimos sete anos e não cresce como outros países em desenvolvimento. Nossos empresários perdem competitividade dia a dia com a economia globalizada, e o principal entrave é o “reino” do faz de conta: Ineficiência da infraestrutura, corrupção correndo solta e os aos altos custos de impostos para sustentar a inchada, burocrática, ineficiente e corrupta máquina estatal.

O último levantamento do IBGE sobre o cadastro de terras mostra como é esse “reino”. Constataram que os imóveis rurais cadastrados somam 9,1 milhões de quilômetros quadrados. Ora, o Brasil todo tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Como pode? Será que o Brasil invadiu terras estrangeiras ou já inventaram o “sobrado de terra”? Nada disso! É corrupção pura e simples deste fantástico “reino” do faz de conta. Acontece que os “grileiros”
invadem terras do estado ou reservas florestais e os legalizam com falsificações e subornos. O papel falsificado é colocado em uma caixa ou gaveta com grilos dentro e eles se incumbem de envelhecê-los para parecer autênticos. Os grilinhos dão umas mordidelas aqui e ali, um xixizinho acolá e pronto, o papel vai parecer que tem mais de um século. Daí o termo “grileiro”.

Por favor, não confunda com “posseiro”. Este, ao contrário do que indica o nome não quer dizer que tem a posse. No “reino”, o “posseiro” geralmente é um pobre coitado que invade um terreno para plantar seu “feijãozinho” para comer. A primeira coisa que ele faz é furar um poço para beber água. E daí o termo “posseiro”, de fazer poço e não de tomar posse.

É, faz de conta.

Na educação, no meu entender, a coisa é mais feia ainda, basta prestar atenção naquela propaganda governamental: “Educação, um direito do cidadão”. As Universidades públicas são para poucos, as particulares caras e de má qualidade. Na escola fundamental, que é importantíssima, os políticos constroem escolas apenas para dizer que construíram e com isso amealhar mais votos e suas preciosas comissões. Esquecem ou fingem esquecer a “estrutura” dessas escolas. O resultado é uma lástima, os professores são maus pagos, a qualidade do ensino idem. Quem pode e até aquele que não pode, paga escola particular. Que direito é Esse? É ou não é um faz de conta?

Poderia aqui citar outras áreas, como da saúde por exemplo. Mas nem preciso me estender. É tudo igual…

Mas repito, é só o governo que é responsável por isso? Claro que não! Afinal foi o povo “politizado” quem os elegeu e nosso povo tem o “Reino” que merece!

Outro faz de conta monumental é afirmar que o povo brasileiro é trabalhador. Como disse Arnaldo Jabor em sua crônica “O Brasileiro Merece”: “Mentira, a maioria do povo brasileiro é preguiçoso por excelência”. Infelizmente tenho que concordar com ele. No meu entender, trabalhador não tem só que trabalhar, mas também preocupar-se com seu trabalho, com a qualidade do que está fazendo e, principalmente, do fruto que esse trabalho vai render.

No “reino” a maioria não está nem aí. É só precisar de um tempo para ir ao médico e já falta o dia inteiro ou vários dias. Quantos vivem sem trabalhar? É bolsa disso, bolsa daquilo e por aí vai.

CarnivalOutro exemplo é o feriadão de Carnaval. Deveria ser um feriado para o povo participar da mais tradicional festa brasileira. Ora, sejamos honestos, a grande maioria não está nem aí para o carnaval, o que todos querem mesmo é o feriadão para passear, participar de eventos especiais, etc. Essa maioria não participa do carnaval, quando muito dão uma olhadela na televisão ou simplesmente procuram saber qual escola de samba ganhou.

Alguns “privilegiados” e até os “mortais” dão um jeitinho de prolongar esse feriadão. Os funcionários públicos, por exemplo, recorre ao chamado “ponto facultativo”, deveria chamar-se “ponto fecundativo”, parece que dá cria! Os políticos então, já emendam a semana toda e mais um pouco e tem ainda a ousadia de chamar isso de recesso parlamentar… Será que esses “trabalhadores” estão preocupados que o serviço público é uma m…? Que seus serviços estão atrasados anos a fio? Que isso prejudica toda a população? Claro que não! No “reino” do faz de conta é: Deixa para lá, Deus é Brasileiro…

Pois é caro leitor, se você é honesto e integro e não faz parte dessa maioria, parabéns, para os demais, melhor fazer de conta que este texto é uma peça de entretenimento ou que sou um lunático, estressado e pessimista alheio à sociedade e tudo que está escrito não é verdadeiro, apenas um… Faz de conta.

Que a paz esteja com todos.

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PORTUJURÊS

Portujurês,Darci Men

Escrito por Darci Men

Você caro leitor, fala e escreve o Português? Espero que sim! Afinal, estamos no Brasil, cuja língua oficial é o Português.

Então me responda, você conhece os termos: “sodalício”, “axiológico”, “crivo”, “probatório”, “vértice”, “patrono”, “exordial”, “colendo”, “subsunção”, “vênia” e “infirmar”?

Não? Você deve estar se perguntando: “Que raio de língua é essa?” Eu respondo com uma única palavra: PORTUJURÊS!

Estas palavras foram ditas pelos Ministros do STJ durante o julgamento do “Mensalão”. Claro que são palavras da Língua Portuguesa, mas a questão é por que a comunidade do Judiciário insiste tanto em usar termos que ninguém usa, só eles! Chegamos ao absurdo de manter um tradutor de plantão para informar o que foi dito no tribunal. Qual o objetivo disso? Eis a questão!

Você deve estar se perguntando: “Mas Darci, esta não é hora de criticar o STJ que nunca em sua história teve tanto prestígio já que foram capazes de condenar gente da poderosa máquina do governo e, nunca em sua história, tantos brasileiros acompanharam um julgamento.”

Sim, é verdade, e devemos “tirar o chapéu” para o STF, com exceção de dois Ministros, que só faltaram colocar a estrela do PT em suas sagradas togas, o Tribunal, como um todo, foi fantástico, com destaque absoluto para o Ministro Joaquim Barbosa.

Assim, se o Tribunal foi ótimo, perdeu uma excelente oportunidade de marcar mais um ponto e em ter deixado de lado o chamado “Portujurês”, eu explico por que: Ora, o julgamento é público e nada mais justo e correto que o público entenda o que foi dito e julgado!

Nos tribunais regionais e distritais acontece a mesma coisa! Quem ainda não se deparou com um despacho do judiciário e ficou se perguntando: “Qual foi a decisão? O que ele quis dizer?”

Então eu volto a perguntar: Por que tudo isso? Qual o objetivo?

Portanto, eu acho que os Sodalícios, Patronos e Meirinhos deveriam ter a subsunção que ser egrécio e colendo não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não se infirmar? Com a devida vênia, acho isso totalmente axiológico.

 

TRADUZINDO A ÚLTIMA PARTE:

Portanto, eu acho que os Tribunais, Advogados e Oficiais de Justiça deveriam aceitar que ser distinto e altamente respeitável não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não diminuir sua autoridade? Com a devida permissão, acho isso totalmente incontestável.

Que a paz esteja com todos!

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ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

uma mulher no trono papal

Segundo a Mitologia Grega, a primeira mulher veio ao mundo como castigo dos Deuses. Chamava-se Pandora e junto com ela veio a famosa caixa que não poderia ser aberta… mas ela abriu e, consequentemente, trouxe inúmeras desgraças.

Não ficou claro se ela abriu só a caixa ou “abriu mais alguma coisa”, mas o recado machista ficou bem definido…

Também relacionado à Grécia Antiga, vem outro exemplo de machismo:

Segundo os historiadores, em 393 d. C., o Imperador romano Teodósio (347-395), que era cristão, aboliu os Jogos Olímpicos que já existiam há mais de um milênio. Apesar de tais Jogos serem exclusivos dos homens, ele alegou que o evento estava ligado ao paganismo, exaltava o corpo humano e atentava contra a masculinidade.

Outro exemplo de machismo ocorreu na Idade das trevas, mais precisamente por volta de 855 da nossa era.

Segundo a lenda, uma jovem de nome Joana ou Joanne, extremamente inteligente e culta, teria chegado ao Papado com o nome de João VII.

Na época era proibido as mulheres estudarem, então ela “vestiu-se” de homem e foi galgando todos os cargos da Igreja: Monge, Padre, Bispo, Cardeal e finalmente Papa.

Certamente ela era muito inteligente senão não teria chegado aonde chegou. Mas, acima de tudo, ela era um ser humano e uma mulher e como tal acabou se apaixonando por um guarda suíço do Vaticano e dando suas “furunfadas”, acabou por engravidar.

Claro que ela escondeu isso enquanto pôde, mas um dia em uma das intermináveis e cansativas procissões, acabou dando a luz ao bebê em plena rua.

Resultado: a pobre coitada acabou amarrada ao rabo de um cavalo e arrastada até a morte.

Em outra ocasião, em 1859, quando Charles Darwin publicou o seu famoso trabalho “A Origem das Espécies”, sugerindo que o homem descendia dos macacos, foi um verdadeiro alvoroço. A Igreja queria “crucificá-lo” e mesmo a sociedade científica demorou em aceitar suas ideias.

Um de seus colegas, para ironizá-lo, teria dito: “Se ele afirmasse que a mulher descende de um macaco, ‘vá lá’, mas dizer que o homem descende do macaco é demais.”

O que eles não sabiam, e sabemos agora, é que descendemos de poeira estelar e bactérias há “trocentos” bilhões de anos atrás. Mas ainda tem gente que não acredita nisso e é perfeitamente normal que isso ocorra. É difícil alterar os ensinamentos “aculturados” durante anos e anos.

Estes fatos históricos, sendo totalmente verdadeiros ou não, demonstram como tem sido machista a humanidade. Resquícios desse machismo ainda existem em todos nós e é manifestado de várias maneiras.

Assim, cresci aprendendo que o homem, ou seja, o “cabra macho”, não chora, não lava louças, em sua casa quem manda é ele e por aí vai…

Dia desses a minha mulher veio com a seguinte conversa:

— Você tem que fazer o exame da próstata e já marquei com o médico.

Aquilo foi uma terrível notícia, eu sabia que tinha que fazê-lo, mas sabe como é: homem que é homem… Então respondi a ela:

— O que?! Ir lá para o cara meter o dedo no meu “fiofó”? Nem pensar!

Então, como na minha casa quem manda sou eu, adivinhe: fui!

Mas considerando aquele ditado que diz: Integridade é dizer a verdade a si mesmo e Honestidade é dizer a verdade aos outros, e como esse assunto é de interesse geral, vou contar como foi.

Já na véspera quando falei aos amigos a minha terrível missão, começaram as gozações:

— Relaxa, você vai acabar gostando e pedir para voltar – Disse um.

— Trate de levar um espelho retrovisor, nunca se sabe o que o médico vai enfiar lá… – disse outro.

— Cara, isto é como aquela peça de teatro: Trair e coçar, é só começar! – Afirmou outro. E tantas outras piadinhas do gênero.

No fatídico dia fiquei pensando: “Darci, você já passou por tantas situações difíceis nessa vida, não é um mísero dedinho que vai te assustar. Mas e se for um ‘dedão’?”

Bem, lá fui eu e, é claro, levei minha mulher, pois precisava de um apoio moral nesse assustador momento.

O simpático Doutor, já com idade avançada, lá pelos seus 60 anos ou mais, começou com inúmeras perguntas. Fiquei pensando: “Por que tantas perguntas? Por que ele não vai logo aos ‘finalmentes’ e acaba logo com essa agonia de uma vez?”

Depois de inúmeras anotações, ele encostou-se à cadeira, fez uma pausa “estratégica” que parecia uma eternidade, olhou-me fixamente e disse:

— Bem, pelo que você me disse, sua saúde é ótima, então o que o senhor vem fazer em meu humilde consultório em uma tarde de sexta-feira, tão linda e ensolarada? – E já dando a resposta completou com um sorriso maroto: — Já sei! Quer experimentar o meu dedo? Já que está aqui, vamos para a sala ao lado.

Lá chegando já foi dando ordens:

— Deita aí na cama e baixe as calças.

Nessa altura dos acontecimentos, não aguentando mais, falei:

— Doutor, me deixa ver direito essa tua mão, afinal, cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém!

— Não se preocupe – respondeu ele, mostrando-me as suas mãos e continuando: — Veja, são pequenas e não tem nenhum anel ou aliança, vai ser moleza!

— É moleza porque não é no seu! – eu respondi.

Minha mulher que estava na sala ao lado ouvindo a conversa perguntou:

— Posso assistir?

Respondemos em coro:

— Nãaaao!!

A partir daí recuso-me a contar detalhes, mas dá para imaginar…

Depois dessa a época do machismo “já era”. Será?

Pois é, “assim caminha a humanidade”.

Que a paz esteja com todos.

Darci Men

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Sua Majestade, O Computador

Computador antigo

Escrito por Darci Men

“A maior chance de uma catástrofe humana de grandes proporções acontecer não está em eventos da natureza, tais como: enchentes, vulcões, meteoros e etc., nem nas previsões apocalípticas do incrível povo Maia e nem ainda de uma guerra nuclear. A grande catástrofe seria uma pane generalizada dos computadores.”

Li por acaso esta frase de autoria de um tal de Russev, um búlgaro que se apresentou como um parente distante da nossa presidente Dilma Rousseff.

A princípio pensei comigo: “Este cara está doido! Computador basta desligar da tomada e fica mais ‘murcho’ que pau de velho, quer dizer, depende do velho…!”

computador antigo

Mas será isso mesmo? Pensando melhor, o problema está no contrário disso, ou seja, quando ele deixa de funcionar ou funciona mal!

Logo me lembrei do famoso “Bug do Milênio”: a passagem do ano 1999 para 2000.

Na época, os computadores tinham pouco espaço para armazenar dados e os programadores usavam as datas com apenas seis dígitos, assim: dd/mm/aa e aí estava o problema, já que o ano 2000 terminava em “00”, mais os anos 1800, 1900 e etc. também, então, como os computadores iriam identificar a data correta?

A questão quase chegou a um pânico generalizado, todas as empresas e governos de todo o mundo começaram uma corrida contra o tempo para reprogramar seus computadores.

Para alegria dos programadores de plantão, foram gastos milhões e milhões de dólares nessa tarefa.

Mesmo assim, as previsões eram catastróficas: alardeavam panes generalizadas nos setores de energia, telefones, bolsas de valores, bancos, aviões caindo e por aí vai…

Eu mesmo tive que pagar a minha parte: na madrugada do dia 01/01/2000, dia do meu aniversário, quando todos comemoravam um réveillon especial da passagem do milênio, eu, e mais uma centena de funcionários fazíamos testes e mais testes nos computadores.

Felizmente tudo deu certo, mas ficou o alerta.

Dia desses, já no final do expediente, estava eu atrasado com os serviços do dia, “trocentas” coisas para fazer e inúmeras contas para pagar via internet, quando a energia deu uma “piscadela”.

Foi o suficiente para o computador desligar e, mesmo com a volta da energia, não queria “abrir” novamente.

Depois de inúmeras tentativas a paciência se esgotou e tive vontade de dar um belo pontapé naquela caixa preta insensível, mas não podia fazer isso, dependia dele!

Cheguei a lembrar de uma frase que minhas netinhas costumam falar nessas horas: “Meu amor, minha vida, minha privada entupida.” 

Aquilo era um pesadelo, estava quase desistindo quando fiz uma última e desesperada tentativa: olhei fixamente para aquela caixa preta, com seus leds “piscolando”, passei a mão carinhosamente sobre seu dorso gelado e falei, quase suplicando:

— Magnânima Majestade, ajude esse seu servo flagelado, funcione, por favor!

E não é que o danado atendeu as minhas preces e voltou a funcionar.

Que a paz esteja com todos e que fiquem livres da tirania dos computadores.

Amém.

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A morte do meu pior inimigo

A morte do meu pior inimigo, por Darci Men

por Darci Men

Estávamos reunidos naquele hotel para um workshop de quatro dias.

Éramos ao todo 20 pessoas, todos gerentes de várias empresas áreas e o objetivo era discutir temas relacionados ao nosso cargo, tais como: Liderança, Relacionamento Interpessoal, Produtividade e coisas do gênero.

No segundo dia, logo pela manhã, encontramos afixado na entrada do auditório o seguinte comunicado:

“LAMENTAMOS COMUNICAR QUE FALECEU HOJE UMA PESSOA MUITO PRÓXIMA A TODOS NÓS. PORTANTO TODOS DEVEM PERMANECER EM SILÊNCIO NO AUDITÓRIO E AGUARDAR INSTRUÇÕES”.

Entre todos os presentes a pergunta era:

— Quem morreu? Alguém sabe alguma coisa?

Ninguém sabia! O tempo foi passando e a ansiedade de todos aumentando, pairava no ar aquele clima tenso, preocupado e até desesperado de uns.

Só depois de 30 minutos entrou um dos monitores e quase um tumulto se formou, todos perguntando ao mesmo tempo:

— O que aconteceu? Quem Morreu?

O monitor então falou:

— Calma pessoal, vocês logo saberão. O caixão está na sala ao lado. Vocês poderão vê-lo, mas a visitação será efetuada de um em um para evitar tumulto. 

Assim foi feito e aquela espera parecia uma eternidade, cada um que retornava
daquela sala voltava em silêncio e com o semblante “pesado” como se tivesse sido atingido pela mais grave tragédia.

Por mais que os outros perguntassem, nenhum deles falava o que tinha visto, aumentando ainda mais a ansiedade dos demais.

Fui um dos últimos a entrar naquela sala. O clima era de “arrepiar”: a sala quase na penumbra, só com as luzes das velas, o ar impregnado com o odor das velas e o perfume de flores e um som ambiente com uma música funesta dava aquela sensação característica dos velórios.

O caixão de uma cor marrom escura bem no centro da sala, apoiado por suportes ornamentados, estava fechado e com apenas um grande visor em sua cabeceira, estava cercado por diversos pedestais com velas acessas e, em todo canto da sala, enormes corroas e
vasos de flores.

Confesso que “gelei”, mas fui em frente e quando olhei pelo visor do caixão a enorme surpresa: dentro do caixão estava o meu próprio rosto, fechei os olhos e abri novamente, apesar da pouca luz, não havia dúvidas, era eu.

Voltei o corpo e na minha cabeça várias perguntas: “Estou morto? Estou sonhando?”.

Naquela altura dos acontecimentos, fiquei sem saber o que fazer e virei para os lados procurando ajuda de alguém, mas estava sozinho naquela sala. Queria olhar novamente dentro daquele caixão, mas alguma coisa me impedia.

Depois de algum tempo criei coragem e olhei novamente e só então é que compreendi: naquele visor, ao invés de um vidro transparente, existia um espelho.

Ao sair da sala um monitor me orientou a retornar ao auditório e não contar a
ninguém o que tinha visto.

Depois do retorno do último visitante ao “defunto” é que nos foi esclarecido o motivo de tudo aquilo, ou seja:

— O OBJETIVO DESTA ENCENAÇÃO É PARA VOCÊS REFLETIREM E NUNCA ESQUECEREM QUE O PIOR INIMIGO DE VOCÊS NÃO É O SEU CHEFE, SEU PATRÃO, SEU VIZINHO, O MOTORISTA DO CARRO AO LADO OU QUALQUER OUTRA PESSOA. O SEU PIOR INIMIGO É VOCÊ MESMO, PORTANTO DEIXE PARA SEMPRE NAQUELE CAIXÃO O SEU LADO NEGATIVO.

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A sombra do burro

A sombra do burro
Relatado por Darci Men

Demóstenes (384-322 a. C.) foi o maior orador ateniense.

Certa vez, promovendo uma assembleia pública em Atenas para tratar de altos interesses da pátria, Demóstenes viu-se em apuros pela turba impaciente, que fazia menção de retirar-se sem ouvi-lo.

Então, elevando a voz, disse que tinha uma história interessante a contar. Obteve, assim, silêncio e atenção, e começou:

— Certo jovem, precisando ir de sua casa até Megara durante o verão, alugou um burro, mas, antes de sair, o sol ficou a pino, muito quente, tanto o moço como o dono do animal alugado, queriam usar à sombra do burro e começaram a discutir quem ficaria com o lugar. Dizia o dono do animal que apenas alugara o burro e não sua sombra, e o outro afirmava que, quando pagou o aluguel do burro, pagara também o de sua sombra, pois tudo quanto pertencia ao burro lhe fora alugado com ele…

A esta altura, Demóstenes levantou-se e fez menção de retirar-se.

A multidão logo protestou desejosa de ouvir o resto da história. Foi então que o prodigioso orador, erguendo-se em toda a sua altura, encarou com firmeza o auditório, dizendo:

— Atenienses! Que espécie de homens sois que insistem em saber a história da sombra de um burro e recusas tomar conhecimento dos fatos mais graves que vos dizem respeito?

Só então pôde fazer o discurso que pretendia, para um auditório envergonhado e atento, que, afinal, ficou sem saber o fim da história da sombra do burro.

Até hoje os oradores usam deste expediente quando necessitam atenção da plateia.

Algo parecido aconteceu comigo.

Certa vez fui designado para dar uma palestra sobre segurança patrimonial e pessoal para funcionários de agências do Banco onde trabalhava.

Acontece que o organizador do evento designou-me para falar após a palestra do Professor Marins, um catedrático em comunicação e o homem foi fantástico, e no “Cofee Break” (parada para o café) que seguiu a sua apresentação todos comentavam a sua atuação.

Aí percebi a “roubada” em que tinha entrado: tinha de falar de um assunto chato, não era especialista nisso e falaria logo após aquele show do Professor Marins, e fiquei pensando: “Tenho que apresentar alguma coisa especial ou estou perdido!”

Por sorte lembrei-me de algo que tinha visto nos jornais da época e acabei “salvando o dia”, comecei a palestra nos seguintes termos:

“Pessoal, falar de segurança após esse show do Professor Marins, me fez sentir como o 8º marido da Elizabeth Taylor na noite de núpcias, ele deve ter pensado: ‘O que vou fazer agora para satisfazer essa mulher!’”

Todos aplaudiram e a partir daí tudo ficou mais fácil e no final da palestra o próprio Professor Marins fez questão de me cumprimentar.

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