VIRTUDE

O que é virtude?

Existe várias definições, mas o conceito de virtude, para os pensadores, é a qualidade moral que constitui o ser humano do bem, desde que dentro de certos requisitos, tais como: paciência, justiça, honestidade e coragem.

Não confundir com a locução prepositiva: “em virtude de” ou equivalente, pois isso é outra coisa…

A palavra “virtude”, vem do latim virtus (força) e, aparentemente parece algo simples, mas não é!

Daí a pergunta: Por que o seu conceito é tão discutido entre pensadores, filósofos e estudiosos?

Para começar, não podemos esquecer que o ato de pensar é que diferencia os seres humanos dos demais animais, daí a procura pelo “o porquê das coisas”.

Esse é o caso da palavra virtude, cujo conceito de alguém virtuoso depende da época e das circunstâncias em que ele está inserido. Na antiguidade, por exemplo, era de alguém de boa índole, com excelência moral e intelectual, mas, sobretudo, de alguém belo e forte. No entanto, em tempos mais modernos esse conceito começou a mudar e tem quem defende que essa palavra deve se caracterizar por todas as qualidades positivas de um ser humano, em relação a sua conduta, mas não necessariamente alguém belo e forte!

Contudo, examinando com maior atenção, podemos concluir que o ser humano, assim caracterizado, mesmo excluindo os itens de beleza e força, mas com toda essa perfeição, não existe! Daí advindo tantos debates sobre o tema.

Embora a perfeição pareça inalcançável, pensadores como Aristóteles (384-322 a.C.), buscaram tornar a virtude prática através do conceito de equilíbrio. Assim, Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, apresentou o argumento que a virtude é o “justo-meio”, em latim, virtus in medio (a virtude está no meio), ou seja: o equilíbrio entre dois extremos (falta e excesso). Para ele, a virtude não é uma matemática, mas o ponto de equilíbrio adequado para cada situação. Por exemplo: a virtude da coragem está no meio, entre a covardia (falta) e a imprudência (excesso).

Eu, pessoalmente, me incluo nessa linha de pensamento, pois a própria natureza nos ensina que a virtude está no equilíbrio.

Quase na mesma época, Zenão de Cicio (334-262 a.C.) fundou o estoicismo, do grego Stoa (pórtico ou corredor coberto), que era o local em que ele, mais ou menos em 300 a.C., lecionava. Portanto, estoicos eram os filósofos ou estudantes do pórtico.

Para os estoicos, a prática da virtude era o caminho para um estado de plenitude de uma vida bem-vivida, baseada em quatro pilares básicos: 1) a sabedoria prática (Phronesis); 2) a coragem (Andreia); 3) a justiça (Dikaiosyne); e 4) a temperança/moderação (Sophrosyne), desde que todas elas estivessem em harmonia com a natureza.

A escola do estoicismo contou com grandes pensadores e filósofos, entre eles Sêneca (4 a.C. a 65 d.C.), Epiteto (50-138 d.C.), mas o seu maior expoente “da era imperial” foi o imperador romano Marco Aurélio (161 a 180 d.C.), que governou Roma em um período muito difícil, com muitas guerras, crises internas, epidemias e outras coisas mais. No entanto, ele é mais lembrado por sua obra literária do que pelo seu governo. Suas Meditações, escritas em grego e em um compendio de 12 livros, com reflexões curtas e baseados no pensamento estoico, é uma das obras filosóficas mais debatidas e estudadas em todos os tempos, inclusive aparecendo com grande constância nas modernas redes sociais.

Para ele a base ética estoica é a vida de acordo com a natureza e a razão. Quando o imperador escreveu a sua obra, ele se referia à preservação da própria sanidade e integridade moral frente ao caos social e não tinha o mesmo objetivo de outros pensadores, ou seja: a ambição da divulgação e da publicação dos seus pensamentos, mas ele o fazia mais para referências pessoais, como se fossem auto conselhos que ele registrava depois de duras reflexões. Portanto, ele jamais imaginou que seus pensamentos um dia, no mundo moderno, se tornariam ferramentas de autoajuda e de “guru” de redes sociais.

Entre seus inúmeros pensamentos, podemos destacar: “tudo que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo que vemos é uma perspectiva, não a verdade”, ou outra bastante atual: O objetivo da vida não é estar do lado da maioria, mas escapar de se encontrar na fileira dos loucos”. Suas reflexões sobre dever, resiliência e virtude eram a tônica dos seus textos.

Para ele a virtude não era teoria, mas prática diária, ou seja: enfrentar problemas com coragem e responsabilidade, tratar as demais pessoas com justiça, evitar excessos e pensar antes de agir.

E você, caro leitor, o que pensa disso tudo?

Darci Men.

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