Algarismo Romano

Você sabe por que os brasileiros, de um modo geral, têm tanta dificuldade com o latim? A Explicação é simples:

A BNCC brasileira (Base Nacional Comum Curricular), geralmente introduz o ensino do latim, a partir do 4º ou 5º ano de ensino fundamental, ainda assim, de forma superficial. Provavelmente vem daí a explicação e a dificuldade dos brasileiros com a língua latina e, dentro dela, é claro, os algarismos romanos.

Vejam este exemplo prático, acontecido recentemente:

Dia desses, um colega do “Face” publicou uma foto de um belo prédio do centro da cidade de São Paulo, justamente o prédio da foto desta publicação: O belo edifício da Rua Florêncio de Abreu, esquina com a Ladeira da Constituição. O objetivo dele era mostrar como um prédio antigo, bem restaurado, fica bonito, charmoso, etc.

Imaginem a surpresa dele quando, em vez de falar da beleza do prédio em si, a maioria ficou discutindo qual era o número que aparecia em algarismos romanos na sua fachada, ou seja: MDCCCXCVII. (saiu cada disparate!).

Gente, a cultura romana (lê-se latina) é a base da nossa, temos de aprender mais sobre ela, praticar mais, falar mais, pois muito dela faz parte do nosso dia a dia, aí incluído os algarismos romanos (relógio, índice, datas, etc.). Mas, ao que parece, não é isso que está acontecendo e a prova disso foi essa ingênua publicação.

Os números romanos, como quase tudo nesta vida, são resultado de uma evolução. Historicamente, o consenso é que eles evoluíram diretamente dos símbolos de contagem etruscos que, por sua vez, adaptaram as letras de um alfabeto grego, embora, originalmente, eles não usavam letras do alfabeto, mas sim talhas (marcas em madeira ou osso) que depois foram graficamente adaptadas às sete letras, cujos símbolos são facilmente identificados pelos dedos polegar e indicador (de ambas as mãos), como o “V”, por exemplo, (número 5). Inicialmente esse número era representado pela mão aberta (cinco dedos), mas posteriormente, com o uso das letras, ele passou a ser indicado pelos dedos polegar e indicador abertos e inclinados (de qualquer uma das mãos), formando a letra “V”, propriamente dita.

A seguir as sete letras utilizadas no alfabeto e os seus respectivos valores:

I = 1 unus (um) = um dedo indicador na vertical;

V = 5 Quinque (cinco) = polegar e indicador abertos;

X = 10 Decem (dez) = dois indicadores em “x”;

L = 50 Quinquaginta (cinquenta) = Indicador esquerdo na vertical” e polegar, da mesma mão, na horizontal;

C = 100 Centum (cem) = indicador da mão esquerda e polegar em arco;

D = 500 Quingenti (quinhentos) = Indicador esquerdo na vertical, com o indicador mais o polegar direito em arco e encostado no indicador esquerdo; e

M = 1000 Mille (mil) = os dois indicadores em arco, encostados em suas pontas.

Bem, o fato é que eles passaram a utilizar estas sete letras ao invés de números e não conheciam o zero, fazendo uma combinação com essas letras, adicionando ou diminuindo, conforme a necessidade. Por exemplo: para escrever 300, utilizavam CCC (letra “C” três vezes), mas para escrever 400, utilizavam as letras “C” e “D” (100 subtraído de 500).

Então, vamos traduzir o número que consta na fachada do prédio (MDCCCXCVII):

            M = 1000;

            DCCC = 800 (500+100+100+100);

            XC = 90 (-10+100); e

            VII = 7 (5+1+1).

Portanto, a inscrição no prédio em pauta indica o número 1897 (provavelmente o ano da sua construção). Aliás, esse período (por volta de 1890), foi considerado o período “de ouro” das mais belas construções paulistas.

Que a paz esteja com todos. 

Darci Men.

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