A história das palavras é a história do próprio homem!
Ditados populares, também chamados de provérbios, existem desde os primórdios da humanidade e atravessaram gerações. São frases curtas, muitas vezes rimadas ou com sonoridade forte, que possuem origens folclóricas ou de “etimologias populares”.
Alguns ditados são frutos de lendas, acontecimentos marcantes ou fatos inusitados, outros, provém de ensinamentos de grandes pensadores, mas tem aqueles de origem incerta e que simplesmente surgem no seio da sociedade.
Eles estão tão presentes no nosso dia a dia e quase nem notamos que os estamos usando, mas, é interessante ver com mais atenção as suas origens e o seu significado, pois, quase sempre, nos transmitem conselhos, sabedoria, contam histórias e por aí vai.
Então, venha comigo e veja a seguir uma coletânea, especialmente organizada em ordem alfabética:
– A dar com pau: (algo grande ou forçado).
Uma versão simplista é aquela que fala de grande violência, ou seja: uma surra com um pedaço de pau. Mas existe outra versão que remonta a época da escravidão negra: quando os escravos se recusavam a comer, seus algozes amarravam um pau atravessado em sua boca e despejavam grande quantidade de sopa e angu no estômago do infeliz.
– A toque de caixa: (fazer rápido e compassado).
O nome “caixa” vem do instrumento musical que é de origem árabe, mas o ditado, este vem do “tambor militar” que marcava e, muitas vezes, apressava o passo dos soldados.
– A voz do povo é a voz de Deus: (o povo acima de tudo).
Na Grécia antiga, quando um orador não era ouvido devido à turba enlouquecida e era obrigado a calar-se, dizia-se que foram os Deuses e não o povo que o fizeram parar.
– Abraço de tamanduá: (abraço perigoso).
O tamanduá parece inofensivo com aquele rostinho meigo, mas o seu abraço com suas enormes unhas, pode ser perigoso.
– Acabar em pizza: (um problema sério que termina sem solução).
É atribuído ao comentarista esportivo Milton Peruzzi. O Palmeiras estava em uma crise terrível e seus dirigentes, depois de horas e horas discutindo, resolveram comer alguma coisa. Alguém preparou uma quantidade enorme de pizzas e foi aí que Peruzzi publicou: “A crise do Palmeiras terminou em Pizza”.
– Afogar o ganso: (fazer sexo).
Sua origem é incerta e muitas vezes debatida, mas, segundo a tradição popular, vem dos chineses que costumavam usar gansos para satisfazerem suas necessidades sexuais. Na hora “H” colocava-se a cabeça do ganso na água, assim eles tinham mais espasmos anais.
– Agora a Inês é morta: (Algo tardio que não volta mais).
Dona Inês de Castro foi morta por questões políticas, por ordem do rei português D. Afonso IV. Ela era de uma família de políticos rivais ao rei e mantinha um romance com o príncipe herdeiro D. Pedro, depois D. Pedro I de Portugal (não confundir com D. Pedro I do Brasil). Este, quando assumiu o trono, exigiu que Dona Inês fosse coroada rainha postumamente. O povo então comentou: “Agora a Inês é morta”.
– Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura: (algo que parece frágil, mas…).
Estudiosos apontam que vem da antiga Roma, de um poema de Ovídio: “quid magis est durum saxo? Quid mollius unda? Dura tamem molli saxa cavantur aqua (O que é mais duro que uma pedra? O que é mais mole que a água? Contudo, a água mole cava a pedra dura).
– Amigo da onça: (O falso amigo).
Ditado que ficou famoso com a revista “O Cruzeiro”, do Rio de Janeiro, que publicava regularmente charges do “Amigo da Onça” (um falso amigo). Mas também tem quem diga que o ditado vem de um Carioca que se dizia caçador e contou uma mentira em público, dizendo que assustou uma onça só com o grito. O “amigo” o desmentiu, ele então, falou: “Você é meu amigo ou amigo da onça?”.
– Andar a toa: (não fazer nada).
Sua origem é atribuída aos marinheiros, pois a tal de “toa”, nada mais é que a corda em que se reboca outra embarcação. Portanto, os marinheiros do navio rebocado, não têm nada a fazer a não ser observar e “ficar à toa”.
– Antes só do que mal acompanhado: (evitar má companhia).
Remonta aos provérbios antigos e não se conhece algum fato específico que lhe tenha dado origem. Da mesma forma e, na mesma linha de pensamento, vem o ditado: “diga-me com quem andas e lhe direi quem és”.
– Arranca rabo: (briga feia).
Sua origem é fruto de debates, mas a versão mais aceita é que vem das antigas batalhas militares, especialmente as egípcias, quando os guerreiros tinham o costume de arrancar os rabos dos cavalos dos inimigos, como troféu de guerra.
– Ave de mau agouro: (algo que traz desgraças ou más notícias).
A antiga Roma copiou da cultura Etrusca a arte dos augúrios. Nestes rituais, certos pássaros, como o meiro ou o corvo, por exemplo, eram considerados de mau agouro.
– Bicho de sete cabeças: (algo difícil).
Na mitologia Grega existe a lenda da Deusa Hidra de Lerna, que é um monstro com sete cabeças que ao serem cortadas, nascem novamente.
– Bode expiatório: (assumir culpa de outro).
Vem de uma passagem Bíblica e do dia da expiação: neste dia os Judeus escolhiam dois bodes, um era sacrificado e o outro carregava todos os pecados dos fiéis.
– Calcanhar de Aquiles: (um ponto fraco).
Remonta a mitologia grega. Segundo a lenda, o calcanhar era o único ponto fraco de Aquiles e ele foi morto justamente com uma flechada neste local.
– Casa da mãe Joana: (lugar aberto, onde todos podem entrar).
Joana era a rainha de Nápoles e condessa de Provença, (1326/1382), mas também reinou em Avignon (atual França). Foi ela que liberou os bordéis de Avignon e, dizem que teria escrito: “Que tenha uma porta onde todos entrarão, sem restrições”. Isto ficou conhecido como o “paço da rainha Joana”, mais tarde “casa da mãe Joana”.
– Chato de galocha: (alguém insuportável).
O parasita chato é difícil de suportar e as galochas (botas de borracha para não molhar os sapatos) também. Assim, alguém com chato e com galochas…
– Chegar de mãos abanando: (ir a uma festa sem levar presentes).
Uma das hipóteses é que vem da época da imigração europeia no Brasil. Quando um imigrante chegava sem as suas ferramentas, dizia-se que ele veio de “mãos abanando”, pois não veio para trabalhar, mas para passear.
– Cheio de nove horas: (pessoa com excesso de zelo ou manias estravagantes).
A versão mais aceita remonda ao século XIX quando o horário das nove da noite era o horário oficial de se recolher, mas a maioria sempre estendia um pouco mais. Quando alguém exigia o cumprimento do horário, era taxado de “cheio de nove horas”.
– Chorar as pitangas: (lamentar ou queixar-se de algo).
A frase foi desvirtuada, pois, embora a fruta “pitanga”, também seja avermelhada, dizem que o correto é: “Chorar até os olhos ficar igual a Pyrang” (fruta vermelha em tupi-guarani).
– Chutar o balde: (acabar rapidamente com uma situação).
Existem controvérsias, mas a versão mais aceita é que vem dos antigos enforcamentos. Quando não se tinha uma forca apropriada, colocava-se o sentenciado de pé em cima de um balde, com a boca para baixo e mantinha-se a corda da forca o mais esticada possível. Quando o balde era chutado, o coitado não tinha mais onde se sustentar e acabava enforcado.
– Colocar panos quentes: (encobrir ou acobertar algo grave).
Antigamente a febre alta era tratada com a aplicação de panos aquecidos, mas isso, quase sempre, só servia para remediar a situação.
– Com a corda toda: (algo ágil).
Teve origem nos brinquedos antigos que não usavam pilhas, mas cordas e quando se aplicava a corda toda, eles ficavam bem mais rápidos.
– Com o rei na barriga: (alguém que se acha importante).
Na época dos reinados, quando as rainhas ficavam grávidas, elas se mostravam orgulhosas e eram tratadas com muito esmero, afinal, elas tinham um futuro rei na barriga.
– Comer com os olhos: (Ver algo gostoso, mas sem acesso a ele).
Também é da época da Roma antiga. Nas cerimônias fúnebres, era costume preparar um banquete todo especial, mas as pessoas vivas não podiam usufruir dele, ou seja: só podiam “comer com os olhos”.
– Como sardinha em lata: (algo apertado ou espremido).
As sardinhas (peixe original da Sardenha, na Itália), são colocadas em latas, com molhos diversos, muito bem apertados. Daí a comparação.
– Conto do vigário: (armação para ludibriar alguém).
Existem questionamentos a respeito: uma das versões fala-se em um malandro com uma mala, carregando grande fortuna da igreja, por ordem do vigário. Ele pede para alguém guardá-la em local seguro, até que consiga reforços para transportar tanto valor, mas pede dinheiro emprestado para alguma necessidade urgente. Claro, na mala, não tinha nada de valor dentro. Mas, a versão mais aceita é aquela em que um rico fazendeiro doou uma linda santa para uma cidade com duas igrejas. Foi então que um dos vigários sugeriu deixar o burrinho que transportava a santa decidir em qual igreja ela ficaria. Só ele sabia, mas aquele burrinho pertencia ao sacristão da sua igreja. (Adivinhe para onde o burrinho foi?).
– Cor de burro quando foge: (cor indefinida).
É um termo desvirtuado, já que o correto é: corra de burro quando foge. (um burro quando está fugindo é perigoso).
– Corda no Pescoço: (situação urgente e desesperadora).
Remonta à época dos enforcamentos. A situação se tornava desesperadora quando o sentenciado só era anistiado quando já estava com a corda no pescoço.
– Corredor polonês: (ficar encurralado).
A expressão remonta às punições corporais dos militares poloneses do século XVIII, onde o punido passava entre duas fileiras de soldados com chicotes/varas.
– Custar os olhos da cara: (custar caro).
Remonta ao século XIV quando o espanhol Diego de Almagro perdeu um dos seus olhos em uma batalha contra os incas. Ele teria dito: “Defender os interesses da Coroa Espanhola me custou um olho da cara”.
– Dar com o burro n’água: (uma grande perda ou decepção).
Na época colonial, quando se usava os tropeiros para transportar cargas diversas, muitas vezes eles usavam trilhas improvisadas para cortar caminho e, consequentemente, acontecia do burro de carga se atolar, onde perdia-se toda a sua carga.
– De cabo a rabo: (do início ao fim).
Estudiosos apontam que a sua origem vem dos navegantes portugueses. Eles se vangloriavam de conhecer toda a costa africana, da cidade do Cabo à cidade de Rabah, no Marrocos.
– Do arco da velha: (Coisa antiga, velha).
A crendice popular de Portugal acreditava que o Arco Iris era o objeto mais antigo do mundo e que ele era responsável por transportar a água de um lugar para o outro.
– De pequenino é que se torce o pepino: (ensinar ou moldar quando ainda é pequeno).
Não deixa de ser uma parábola: os pepinos quando ainda pequeninos precisam ser podados para se desenvolverem plenamente. Da mesma forma, uma criança precisa ser educada quando pequena, pois nessa altura da vida é mais fácil de se moldar o seu caráter e a sua educação.
– Dor de Cotovelo: (inveja).
Literalmente uma dor de cotovelo, pois vem do sujeito que perdeu a sua amada para um rival e ficou com os cotovelos doendo de tanto ficar no balcão do bar tomando todas e, é claro, com inveja do seu rival.
– Elefante branco: (algo bonito, nobre, mas que não serve para nada).
Contam que a sua origem vem no antigo reino do Sião (atual Tailândia). O Rei presenteava alguém com um elefante branco (uma grande honraria), mas como o bicho era sagrado, não podia trabalhar, ser vendido e muito menos morto e ainda tinha que ser tratado como um Deus (um grande problema para o presenteado).
– Eles que são brancos que se entendam: (Não interferir).
Segundo a tradição popular, vem do século XVIII, quando Dom Luiz de Vasconcelos, vice-rei do Brasil, repreendeu um soldado por ter maltratado uns meninos de cor. O soldado teria respondido: “Majestade, não fiz nada de mal, deixe-os para lá, eles que são da mesma cor que se entendam”.
– Em terra de cego, quem tem um olho é rei: (às vezes, pouco também é muito).
Estudiosos apontam que teve origem na mitologia grega, mas a popularidade desse ditado é atribuído a Erasmo de Roterdã que publicou a frase em sua obra Adagia (uma coletânea de provérbios gregos-romanos).
– Enfiou o pé na jaca: (uma trapalhada).
O correto seria: enfiou o pé no jacá (uma espécie de balaio que era amarrado nos cavalos para transportar coisas diversas). O peão quando tomava “umas” e ia montar o cavalo, ao invés de colocar o pé no estribo, colocava no jacá e levava o maior tombo.
– Entrar com o pé direito: (uma superstição).
Essa superstição teve origem na Roma antiga, cuja palavra esquerda era sinônima de algo sinistro.
– Erro Crasso: (cometer um erro bobo, mas devastador).
O cônsul Marco Licínio Crasso era membro do famoso triunvirato que governava a República Romana (Júlio Cesar, Pompeu e Crasso). Ele foi designado em 53 a. C. para atacar os antigos Partas (atual Irã). Só que ele foi confiante demais e desrespeitou várias regras fundamentais. Resultado: perdeu a batalha e todo o seu exército foi destruído. Embora não exista confirmação, fala-se que ele foi morto com ouro derretido despejado em sua garganta.
– Espírito de porco: (alguém ou algo inconveniente).
Também tem controvérsias a respeito, mas a versão mais aceita vem da escravidão negra no Brasil. Os escravos africanos não gostavam de abater os suínos, pois acreditavam que os espíritos deles veriam atormentá-los durante a noite.
– Estar de paquete: (estar menstruada).
Na época imperial brasileira existia uma embarcação inglesa que tinha este nome e ele vinha ao Rio de janeiro mensalmente e com muita regularidade. Quando ele aportava com sua bandeira vermelha da Inglaterra, todos gritavam: chegou o paquete: daí a alusão à menstruação feminina.
– Farinha do mesmo saco: (pessoas ou coisas, separadas por ser ruins).
Antigamente, quando se separavam a farinha boa da farinha ruim, sempre tinha alguém que dizia: “cuidado para não colocar farinha boa no saco da farinha ruim”.
– Favas contadas: (uma coisa certa).
Nos mosteiros medievais usava-se as sementes de favas como forma de votação (era fácil de usá-las e contá-las): a fava branca significava sim e a preta não.
– Fazer uma Vaquinha: (juntar algum dinheiro).
É atribuído ao time de futebol Vasco da Gama, do Rio de Janeiro que, nos primórdios, não pagava extras aos jogadores em caso de vitória. Então os torcedores faziam as coletas para premiar os jogadores, geralmente com pedidos dentro dos números do jogo do bicho. O número da vaca (25 mil réis), era o donativo mais comum e cobiçado, “uma vaquinha”.
– Fechar a sete chaves: (guardar em um lugar seguro).
No século XII, o tesouro real português era guardado em um enorme baú com 4 fechaduras e sete chaves.
– Ficar a ver navios: (Perder alguma coisa importante.)
Quando o rei português Dom Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, o seu corpo nunca foi encontrado, mas a sua morte ocasionou o domínio espanhol do território português. O povo, então, costumava se reunir no porto do Alto de Santa Catarina, na esperança de que o Navio do Rei retornasse e libertasse Portugal daquele domínio.
– Fila indiana: (andar um atrás do outro).
Tem origem nos índios norte-americanos. Eles assim faziam para não deixar pegadas, ou seja: os que vinham atrás, pisavam no mesmo lugar que o da frente e o último simplesmente apagava os sinais.
– Fim da picada: (algo ruim, sem saída).
A picada é uma faixa de terra limpa no mato virgem e tem como objetivo delimitar as “queimadas”, evitando, assim, que o fogo se alastre. Também existe a picada para se transitar no meio da mata virgem. Portanto, o fim da picada, sempre é ruim, tanto para o fogo como para quem nela transitar.
– Gatos pingados: (pouca gente).
Não deixa de ser uma metáfora. Ela compara um público pequeno e insignificante de um evento qualquer, com a quantidade de gatos molhados e pingando d’água (gato detesta água).
– Ir para a cucuia: (morrer ou sumir).
Remonta ao Rio de Janeiro do século XX. Na época foi construído um cemitério no bairro da Cacuia. A partir de então, o termo “ir pra Cacuia” (mais tarde cucuia), era sinônimo de ter morrido.
– Jurar de pés juntos: (atestar algo, sob juramento).
Também é da época na inquisição e da idade média, quando os acusados eram torturados com as mãos e os pés amarrados bem juntinhos e sempre acabavam confessando algo.
– Mais vale um pássaro na mão do que dois voando: (Melhor se garantir com pouco).
Era lema dos antigos caçadores.
– Maria vai com as outras: (Não ter pensamentos e atitudes próprias).
Na época da corte Portuguesa e de Dona Maria I (A rainha louca, que era avó de D. Pedro I, do Brasil). Naquele estado, ela só saia para caminhar escoltada por numerosas damas de companhia. E o povo comentava: “Lá vai a Dona Maria, vai com as outras”.
– Matar cachorro a grito: (situação desesperadora).
A frase remete ao desespero de alguém ter de fazer algo impossível, como matar um cachorro com um grito. Existe uma tese de que os cães escutam sons inaudíveis para os humanos. Portanto, segundo essa tese, seria possível matar um cachorro com um grito estridente.
– Motorista barbeiro: (péssimo motorista).
Os legítimos barbeiros da antiguidade eram péssimos cirurgiões (daí a comparação com os maus motoristas), pois além de barbeiros, propriamente dito, (cortar barba e cabelo), eles também faziam pequenas cirurgias, tais como: extrair dentes, calos, verrugas, fazer sangrias e procedimentos correlatados, mas eram péssimos nisso, pois tinham pouquíssimos conhecimentos médicos e, via de regra, dava problemas.
– Mudar água para vinho: (mudar algo radicalmente).
Remonta ao primeiro milagre de Cristo. Em uma festa de casamento o vinho acabou e Cristo transformou água em vinho.
– Não entendi patavina: (Não entender nada).
Outro ditado que vem da antiga Roma. O historiador Tito Lívia era da cidade de Patavium (hoje Pádova, Itália). O problema é que ele tinha um péssimo sotaque latino e ninguém entendia direito o que ele falava. E sempre que discursava alguém dizia: “Não entendi patavina nenhuma”.
– Negócio da China: (algo lucrativo).
Remete a época de Marco Polo, quando ele trouxe grandes riquezas do país asiático.
– Nhenhenhém: (falar demais).
Nhe’ë, quer dizer “falar”, na língua Tupi-Guarani. Os índios não entendiam o que os portugueses falavam e um dizia para o outro: só “nhenhenhém”.
– O apressado come cru: (não ter paciência).
Antigamente não se tinha fornos elétricos e muito menos de micro-ondas e os alimentos demoravam bem mais tempo do que atualmente para ficarem prontos e sempre tinha o apressadinho que acabava comendo cru.
– O pior cego é o que não quer ver: (alguém que não consegue ver algo obvio).
Circula na Internet a falsa alegação que o ditado teria origem em 1647 quando o Dr. Paul D`Argenrt, teria feito um transplante de córnea pioneiro em um aldeão na cidade de Nines, na França, e o aldeão teria ficado horrorizado com o mundo que passou a enxergar (isso não procede porque o primeiro transplante desse tipo só ocorreu muitos anos depois). A verdade é que esse é um conceito moral antigo sobre a ignorância deliberada. Uma incrível metáfora significando que a pior forma de cegueira não é a física, mas sim a recusa consciente de alguém enxergar a realidade.
– Onde Judas perdeu as botas: (lugar distante, inacessível).
Judas teria recebido 30 moedas de ouro para denunciar Cristo. Depois ele se arrependeu e se suicidou. Só que o fez descalço e sem as moedas. Então todos saíram a procura de suas botas achando que eram nelas que ele teria colocado as moedas, mas, ao que se sabe, ninguém encontrou as botas e tampouco as moedas.
– Pagar o pato: (alguém assumir um problema do outro).
Existe uma versão simplista de um jogo popular na península ibérica, quando um pato era destinado a ser assado após o jogo. Ele era amarrado em um mastro e quem perdia o jogo ou a aposta, era obrigado a pagar por ele. Mas a tradição popular registra outra versão de uma história portuguesa: o vendedor de patos recebeu a proposta de uma mulher de fazer sexo em troca do animal. O marido não sabia disso e, além de traído, ainda pagou pelo pato.
– Para inglês ver: (Algo figurado).
Estudiosos apontam que vem da época do império, por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. A lei foi promulgada, mas…
– Paredes tem ouvidos: (sempre tem alguém ouvindo).
Dizem que vem de um ditado Persa: “As paredes têm ratos e os ratos têm ouvidos”
– Passar a mão na cabeça: (ignorar pequenos erros)
Existia um costume judaico de abençoar os cristãos novos, passando a mão em suas cabeças.
– Picar a mula: (sair de cena rapidamente).
Expressão utilizada pelos antigos peões que usavam as esporas para fazer o cavalo correr ou sair rapidamente.
– Pomo da discórdia: (algo que é motivo de disputa).
Uma das hipóteses é que tem origem na mitologia grega e na Guerra de Tróia. A Deusa da discórdia colocou a maçã de ouro “para a mais linda mulher”. O problema foi descobrir qual era a mais linda.
– Pôr a mão no fogo: (testemunhar ou demonstrar confiança em alguém).
Outro ditado que, supõe-se, tem origem na inquisição. Para alguém confessar, o inquisidor dizia: “Confesse ou vamos fazer o teste de pôr a mão no fogo, se ela queimar é porque você é culpado”, portanto, pôr a mão no fogo por alguém é algo extraordinário.
– Puxa-saco: (pessoa que faz de tudo para agradar alguém).
Surgiu no meio militar. Em campanhas ou treinamentos, os soldados são obrigados a transportar seus próprios suprimentos, geralmente em grandes sacos, mas sempre tem aquele que, para agradar algum superior, leva o seu e o saco do outro também.
– Queimar as pestanas: (pensar bastante).
Uma versão simplista dá conta que a pessoa que pensa muito esquenta demais a cabeça, a ponto de “queimar as pestanas”. Mas a versão mais aceita remete à época em que não existia luz elétrica. A iluminação noturna das casas era feita com velas ou lamparinas e é com elas que as pessoas faziam suas leituras e trabalhos noturnos. Essa iluminação era muito deficiente, obrigando a pessoa a chegar bem perto da luz para enxergar direito e, muitas vezes, isso causava a queima das pestanas.
– Quem não tem cão caça com gato: (Se não pode fazer de uma maneira, faça como puder).
Outro caso de distorção, pois o correto é: “quem não tem cão caça como gato” (o gato sempre caça sozinho).
– Quem tem boca vai a Roma: (perguntando se, chega a qualquer lugar).
Dizem que o correto seria: “Quem tem boca, vaia Roma” (uma alusão ao fato de a Roma antiga ser a senhora do mundo, o que incomodava muita gente). Na verdade, o ditado tem o sentido daquilo que está escrito, pois Roma era, realmente, a senhora do mundo e tinha estradas em sua direção em quase todo o mundo conhecido. Então, perguntando-se, se ia tranquilamente a Roma.
– Rasgar seda: (elogiar demais).
A seda era o tecido mais nobre e caro que existia, mas também tinham as imitações. Alguém ao perceber a imitação fazia elogios muito superior ao normal, com o objetivo da repercussão contrária, ou seja: rasgava a seda no sentido figurado.
– Rodar a baiana: (brigar, revidar).
Nos antigos carnavais do Rio de Janeiro, alguns foliões costumavam incomodar as moças que participavam dos bailes e os capoeiristas resolveram acabar com isso: fantasiados de baianas, eles ficavam observando e, quando pegavam um malandro incomodando alguma moça, aplicavam nele o golpe das pernas no ar, ou seja: “rodavam a baiana” em cima dele.
– Salvo pelo gongo: (Salvo na última hora).
Existe uma versão que isso vem da Europa medieval, pois acontecia, com certa frequência, a doença da catalepsia (morte aparente). Então o “morto” era enterrado com um fino cordão amarrado em seu pulso que ligava a um gongo ou sino no lado externo. Se ele acordasse depois de enterrado acabava acionando o gongo e alguém o retirava de lá. Mas existe outra versão, bem mais simples: as lutas de boxes (o gongo salva o boxeador que está prestes a ser nocauteado).
– Sangria desatada: (algo grave, urgente).
Antigamente, a maioria dos feridos de guerra recebiam apenas ataduras em seus ferimentos. (Se desatasse essa atadura, o soldado morria de hemorragia).
– Santinha de pau oco: (algo que parece bom, mas não é).
Na época do Brasil colônia, os portugueses aplicavam altas taxas de impostos sobre as pedras preciosas. Os contrabandistas, visando fugir dos impostos, transportavam as pedras em santinhos de madeira, que eram ocas por dentro.
– Segurar vela: (assistir um namoro).
Segundo a tradição popular, vem da idade média, onde não tinha iluminação elétrica nas casas e o termo francês “tenir la chandelle” (segurar a vela), era sinônimo do empregado ou escravo encarregado de ficar iluminando um ambiente. Às vezes, embora de costas, ele permanecia no quarto enquanto seus patrões faziam sexo. (imagine o desconforto do sujeito da vela).
– Sem eira nem beira: (alguém sem status).
A hipótese mais aceita é que vem dos telhados das casas portuguesas: uma casa com eira e beira era de alguém rico, com posses. Já as casas dos pobres não tinha nada disso.
– Sem papas na língua: (alguém que fala demais ou fala sem pensar).
Fala-se que vem do espanhol: “No tener pepitas em la léngua” (não tem papas na língua). Uma alusão as galinhas que têm pequenas protuberâncias na língua que as impede de cacarejar o tempo todo.
– Tapar o sol com a peneira: (negar algo certo ou com grande evidência).
Na época áurea do cultivo do café, quando se usavam enormes peneiras para separar os grãos de café das folhas e detritos, também se usava essas peneiras, com um pedaço de pano, para proteger-se do sol forte. Só que isto era desajeitado e praticamente não servia para quase nada.
– Testa de ferro: (alguém que assume as coisas no lugar de outro).
Estudiosos apontam que na idade média, o Duque Emanuele Felisberto de Savóia tinha a cabeça dura igual a ferro e era conhecido pelo apelido de “testa de ferro”. Certa vez, ele foi designado, apenas nas aparências, como o rei de Chipre e de Jerusalém. Foi aí que o seu apelido ficou famoso.
– Tirar o cavalo da chuva: (desistir de algo).
Antigamente se usava o cavalo para tudo. Quando, em uma visita, o sujeito tirava o cavalo da chuva, significava que ele ia demorar. Portanto, era comum o bom anfitrião dizer ao visitante: “pode tirar o seu cavalo da chuva, porque você não vai embora tão cedo”.
– Tomar uma Canjebrina: (tomar uma cachaça, uma pinga).
Diz a lenda que a tal Canjebrina, que gostava de uma cachaça como poucos, assim como o seu marido, eram funcionários da corte imperial brasileira. O problema é que o marido, além das suas funções normais, também era amante da rainha. Canjebrina, então, teria liquidado o sujeito por isso e acabou sentenciada a morte por seu crime. Sua história comoveu a população e ela virou uma espécie de santa dos cachaceiros.
– Tudo como dantes, no quartel de D’Abrantes: (nada mudou)
No início do século 19, Portugal foi tomado pelas forças de Napoleão, mas como a família real portuguesa tinha fugido para o Brasil, praticamente não mudou por lá.
– Vá se queixar ao bispo: (não ter a quem reclamar).
Na época da colonização brasileira era necessário povoar o território e foi autorizado aos jovens terem relações sexuais antes do casamento. Alguns espertinhos não assumiam os filhos e as moças iam reclamar ao Bispo, mas…
– Vai tomar banho: (uma forma de xingamento).
A versão mais aceita é que o ditado vem do romance de Gilberto Freyre “Casa Grande e Senzala”. Quando ele escreveu que os índios não suportavam o cheiro dos portugueses, que usavam muitas roupas e não tomavam banho.
– Ver o passarinho verde: (alguém apaixonado).
Diz a lenda que um rapaz era apaixonado por uma moça e a paixão era recíproca, mas os pais dela não aprovavam o namoro. Ele, então, conseguiu adestrar um periquito verde para levar recados de amor até a janela da sua amada, driblando assim a vigilância dos familiares dela. Portando, “ver o passarinho verde” tornou-se sinônimo de estar apaixonado.
Que a paz esteja com todos.
Darci Men.







