OS LARÁPIOS

Falar dos “desmandos” dos políticos já está ficando meio repetitivo, mas, dia desses, vi na internet uma frase que me chamou a atenção. Dizia ela:

Esses políticos larápios, corruptos e nepotistas, além de nos roubar, ainda nos fazem pagar vultosos salários aos seus “chegados”.

Pois é, o conceito dos políticos está tão baixo, que basta pronunciar essas palavras e a primeira coisa que vem à mente dos brasileiros é que tem político envolvido.

Claro! E não poderia ser diferente… Com tantos políticos “passando” a mão no nosso rico dinheirinho, você poderia pensar que essas expressões são verde e amarelas.

Nada disso! Embora por aqui elas tenham encontrado um lugar fértil, a questão é: de onde vêm esses termos?

Os historiadores contam que essas expressões vêm de longe, senão vejamos:

Começamos pela palavra larápio (ladrão, gatuno, pilantra).

Apesar de haver quem conteste, a maioria dos historiadores afirmam que essa palavra vem da Roma Antiga, onde um pretor (juiz) sempre dava ganho de causa para quem o favorecia com os melhores presentes.

Seu nome era Lucius Aulicus Rufilus Appius e assinava as suas injustas sentenças abreviadamente, assim: L. A. R. Appius, ou seja: Larapius.

Agora vamos falar de corrupção (corromper, deteriorar)

Infelizmente essa palavra é que está mais “em moda” neste infeliz país, mas, como as outras, vem de muito longe…

Os antigos romanos já empregavam o advérbio corrupte (corromper, arruinar).

No entanto, por aqui, a corrupção chegou a tal ponto que um estudo da Fiesp apontou o custo disso em aproximadamente dois por cento do PIB. A CNI publicou algo mais alarmante ainda: segundo ela, para cada um real desviado pela corrupção, para a nossa economia custa três reais.

Precisa falar mais?

Agora vamos falar do nepotismo (usar o poder em favor de parentes e amigos).

Por incrível que possa parecer, a palavra “nepotismo” vem do latim “nepos”, que quer dizer: neto ou descendente.

Embora o termo já estivesse sendo utilizado na Roma Antiga (sempre a Roma), ele “criou fama” na época da Renascença, quando os papas tinham grandes poderes e, é claro, “deitaram e rolaram”.

Pra se ter ideia, eles distribuíam cargos “à torta e à direita”, vendiam indulgências, tomavam propriedades dos “infiéis” e tantas outras “barbaridades”.

A coisa chegou a tal ponto que teve um papa que deu o barrete cardinalício a dois sobrinhos e outro nomeou um cardeal, “seu chegado”, com 14 anos de idade.

Nesse item, e por aqui na “terrinha”, a coisa começou no dia do descobrimento do Brasil e, pasmem, ficou muito bem documentado:

Pouca gente sabe ou prestou atenção, mas no final da carta de Caminha ele pede ao rei um emprego para um sobrinho.

Interessante notar que essa atitude do “gajo” acabou por criar outro termo famoso por aqui, ou seja: o pistolão, de “epistola” (carta), ou carta de apresentação.

Pois então, minha gente, para mim, como brasileiro, fica difícil e doloroso dizer isso, mas uma boa parcela dos nossos cidadãos e, principalmente, a maioria dos nossos políticos, não passam de larápios, corruptos e nepotistas.

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Cadeia de Eventos: Urgente! 5 – Lava Jato e Protestos

cadeia

O Brasil na conjuntura política atual

(Ou, por que a situação saiu do controle – Cadeia de Eventos Urgente 05 – Lava Jato e Protestos)

No Dia Internacional das Mulheres do ano de 2015, a presidenta do país veio a público dizer as boas-novas que tratavam da legislação sobre o feminicídio, e, nesse dia, foi vaiada, xingada de vaca, vagabunda, piranha, ameaçada de morte ao som de panelas por pessoas que sequer ouviram o que ela tinha a dizer.

Essas pessoas foram apoiadas por outras também descontentes com o governo atual, com a presidenta, com a vida e com seu partido. Semeadores de ódio brotaram das profundezas pútridas da raiva irracional e uniram-se com os sempre corretos e donos da razão, sommeliers, gourmets, empresários, advogados, a elite dominante e seus filhos, os coxinhas, e tomou conta das ruas, com direito a transporte gratuito e policiais como amigos – e não mais como inimigos; como é o comum em aglomerações de populares. Tudo lindo e tudo belo desde que não se use vermelho.

Tudo isso e muito mais na nossa edição sem muita edição e sem censura, essa edição do Cadeia de Eventos conta com a  presença de Thiago Miani, Bruno Urbanavicius e Diogo Lima. Conteúdo inadequado para crianças e pessoas sensíveis, coxinhas, eleitores do Jair Bolsonaro e afins.

Links:

Brasil visto de fora

Impitimá da Dilma, por que não?

Lista do Janot

Vermelho não pode

Manifestação dos coxinhas

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Abraço e divirta-se!

Cadeia de Eventos: Urgente! 4 – Presto Manifesto

Cadeia de Eventos Urgente 4 – Presto Manifesto

Reunindo a equipe do Dimensão Nerd, Thiago “serial101” convida Vinícius Schiavini, Edson Oliveira, Malcontux, Ricardo Pinheiro e O Cão que Atenta para falar do assunto que mobilizou o Brasil dentro e fora do universo digital.

Falando sobre São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, o grupo tenta descobrir as causas e avaliar como isso vai terminar. Dito isso, comente o que você acha do movimento, se apoia a causa e qual seu pedido para melhorar o país.

 

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O Reino do Faz de Conta

O Reino do Faz de Conta

Escrito por Darci Men
Disse certa vez um sábio: “Honestidade é dizer a verdade aos outros e integridade é dizer a verdade a si mesmo”.

O “mundo” do faz de conta como difusão cultural do entretenimento, tanto na área infanto-juvenil como para adultos, é de significativa importância para a nossa “fuga” do dia a dia e consequentemente para o nosso bem estar.

O problema é quando esse faz de conta se transporta para a realidade!

Pois é, nós brasileiros temos em nossa realidade muitos faz de conta. Um verdadeiro “reino do faz de conta”. A coisa está tão “aculturada” que a maioria dos brasileiros simplesmente pensa assim: Deixa para lá, Deus é Brasileiro, deixa como está para ver como fica.

Neste “reino”, o rei ainda é o Lula, por “baixo do pano”, mas ainda é. Os duques, arquiduques e “corriolas” afins, são os ministros, deputados e senadores da base aliada. Como todo reino que se prese tem intrigas palacianas, traições, engodos, toma lá da cá, é dando que se recebe e por aí vai.

Mas não é só na “corte” que se vê essa fantasia, senão vejamos:

O caso da política: Alardeiam que o Brasil é um país democrático e o seu povo suficientemente politizado para eleger diretamente desde o Presidente da República até o Vereador. No “reino” do faz de conta não é bem assim. Ora, a maioria do povo vota por impulso, no mais “simpático” e “falador” ou no “herói fajuto de plantão”, geralmente um sindicalista demagogo, pastor salvador de almas, atleta ou artista aposentado, um folclórico
índio não sei das “quantas” e até um simpático palhaço analfabeto. Se você sair por aí perguntando, a maioria não saberia dizer quem é o atual vice Presidente da República, nem tampouco em qual deputado ou vereador votou na última eleição. Isto é povo politizado para tamanha responsabilidade?

Teoricamente é o Presidente da República quem escolhe seus ministros e colaboradores diretos, portanto, também teoricamente, deveria saber e tornar-se responsável por tudo que eles fazem. No “reino” do Faz de conta nada disso vale! O caso “mensalão” explica tudo, não preciso dizer mais nada. Aliás, a respeito do “Rei” Lula, eu entendo que ele deveria figurar no famoso livro Guinnes de Recordes, pela sua “amnésia seletiva”. Será que já não o colocaramJustitia (Themis) lá? Se não o fizeram é uma tremenda injustiça!

A Justiça Eleitoral chegou a fazer propaganda que no Brasil político com ficha suja não pode exercer cargo público. Claro que no “reino” do faz de conta isso não acontece. Ora, basta examinar o nosso congresso.

O caso da Justiça Criminal e Civil não é diferente. A Justiça precisa ser integra e ágil para proteger o cidadão. Mas no “reino” do faz de conta rico e politico raramente pagam pelos  seus crimes. O bandido tem tantos privilégios que o cidadão honesto fica se perguntando se  não é melhor “mudar de lado”. A burocracia e a morosidade na justiça brasileira são tantas que o cidadão só recorre a ela em último caso. Pois é, faz de conta…

Na Economia o governo alardeia quase diariamente que a economia vai bem. Novamente temos um tremendo faz de conta, basta ver os indicativos econômicos: O Brasil está com a maior inflação dos últimos sete anos e não cresce como outros países em desenvolvimento. Nossos empresários perdem competitividade dia a dia com a economia globalizada, e o principal entrave é o “reino” do faz de conta: Ineficiência da infraestrutura, corrupção correndo solta e os aos altos custos de impostos para sustentar a inchada, burocrática, ineficiente e corrupta máquina estatal.

O último levantamento do IBGE sobre o cadastro de terras mostra como é esse “reino”. Constataram que os imóveis rurais cadastrados somam 9,1 milhões de quilômetros quadrados. Ora, o Brasil todo tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Como pode? Será que o Brasil invadiu terras estrangeiras ou já inventaram o “sobrado de terra”? Nada disso! É corrupção pura e simples deste fantástico “reino” do faz de conta. Acontece que os “grileiros”
invadem terras do estado ou reservas florestais e os legalizam com falsificações e subornos. O papel falsificado é colocado em uma caixa ou gaveta com grilos dentro e eles se incumbem de envelhecê-los para parecer autênticos. Os grilinhos dão umas mordidelas aqui e ali, um xixizinho acolá e pronto, o papel vai parecer que tem mais de um século. Daí o termo “grileiro”.

Por favor, não confunda com “posseiro”. Este, ao contrário do que indica o nome não quer dizer que tem a posse. No “reino”, o “posseiro” geralmente é um pobre coitado que invade um terreno para plantar seu “feijãozinho” para comer. A primeira coisa que ele faz é furar um poço para beber água. E daí o termo “posseiro”, de fazer poço e não de tomar posse.

É, faz de conta.

Na educação, no meu entender, a coisa é mais feia ainda, basta prestar atenção naquela propaganda governamental: “Educação, um direito do cidadão”. As Universidades públicas são para poucos, as particulares caras e de má qualidade. Na escola fundamental, que é importantíssima, os políticos constroem escolas apenas para dizer que construíram e com isso amealhar mais votos e suas preciosas comissões. Esquecem ou fingem esquecer a “estrutura” dessas escolas. O resultado é uma lástima, os professores são maus pagos, a qualidade do ensino idem. Quem pode e até aquele que não pode, paga escola particular. Que direito é Esse? É ou não é um faz de conta?

Poderia aqui citar outras áreas, como da saúde por exemplo. Mas nem preciso me estender. É tudo igual…

Mas repito, é só o governo que é responsável por isso? Claro que não! Afinal foi o povo “politizado” quem os elegeu e nosso povo tem o “Reino” que merece!

Outro faz de conta monumental é afirmar que o povo brasileiro é trabalhador. Como disse Arnaldo Jabor em sua crônica “O Brasileiro Merece”: “Mentira, a maioria do povo brasileiro é preguiçoso por excelência”. Infelizmente tenho que concordar com ele. No meu entender, trabalhador não tem só que trabalhar, mas também preocupar-se com seu trabalho, com a qualidade do que está fazendo e, principalmente, do fruto que esse trabalho vai render.

No “reino” a maioria não está nem aí. É só precisar de um tempo para ir ao médico e já falta o dia inteiro ou vários dias. Quantos vivem sem trabalhar? É bolsa disso, bolsa daquilo e por aí vai.

CarnivalOutro exemplo é o feriadão de Carnaval. Deveria ser um feriado para o povo participar da mais tradicional festa brasileira. Ora, sejamos honestos, a grande maioria não está nem aí para o carnaval, o que todos querem mesmo é o feriadão para passear, participar de eventos especiais, etc. Essa maioria não participa do carnaval, quando muito dão uma olhadela na televisão ou simplesmente procuram saber qual escola de samba ganhou.

Alguns “privilegiados” e até os “mortais” dão um jeitinho de prolongar esse feriadão. Os funcionários públicos, por exemplo, recorre ao chamado “ponto facultativo”, deveria chamar-se “ponto fecundativo”, parece que dá cria! Os políticos então, já emendam a semana toda e mais um pouco e tem ainda a ousadia de chamar isso de recesso parlamentar… Será que esses “trabalhadores” estão preocupados que o serviço público é uma m…? Que seus serviços estão atrasados anos a fio? Que isso prejudica toda a população? Claro que não! No “reino” do faz de conta é: Deixa para lá, Deus é Brasileiro…

Pois é caro leitor, se você é honesto e integro e não faz parte dessa maioria, parabéns, para os demais, melhor fazer de conta que este texto é uma peça de entretenimento ou que sou um lunático, estressado e pessimista alheio à sociedade e tudo que está escrito não é verdadeiro, apenas um… Faz de conta.

Que a paz esteja com todos.

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Maria Louca

Maria Louca, por Darci Men

Escrito por Darci Men

Sentado na varanda da sua velha casa, em uma cadeira improvisada e amarrada com cipó da floresta, seu Nhonhô, como é conhecido por todos da região, apreciava o “vai e vem” de máquinas, caminhões e pessoas em direção as obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em plena floresta Amazônica.

Seu Nhonhô é o típico “barranqueiro”, como são conhecidos os moradores das margens dos rios amazônicos, mas com uma particularidade única: em uma região inóspita, onde a expectativa de vida é de, no máximo, 60 anos, aquele senhor ainda lúcido tem o dobro ou mais disso.

Ninguém, nem mesmo ele, sabe direito sua idade, quando lhe perguntaram se tem algum documento para ver sua idade, o velho ancião respondeu:

— Não tem não, sinhô. Perdi quando era moço, minha canoa aborcou – virou – no Rio Mamoré, perto do Forte.

Com o corpo “arcado” pelo tempo, a pele enrugada e as mãos trêmulas, mas com uma lucidez de fazer inveja às pessoas que o rodeavam, ele comentava com seu sotaque único e uma voz rouca e cansada:

— Apois pessoar, tanta bandaieira assim eu só vi nos tempo da “Maria Louca”. – Aponta o seu dedo trêmulo para um capão de mato e continua: — Ela vinha por aquele córgo – riacho –, toda cheia de trique-trique e não tinha arma viva que não parava pra ver ela passá, até o prégo – macaco prego – parava de brinca na castanhera – Castanheira (árvore típica da região).

As pessoas presentes se entreolharam, como se perguntando: “Quem é essa tal de Maria Louca?” Alguém logo esclareceu:

— Não se trata de D. Maria I, mãe de D. João VI, que também tinha esse apelido, nem tampouco de uma mulher. Maria Louca, ou Mad Maria, na versão mais sofisticada do escritor Márcio de Souza e também de uma mini-série da Rede Globo, era o apelido das locomotivas da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Esse apelido, que no sul do Brasil é carinhoso (Maria Fumaça), lá é pejorativo mesmo, devido às grandes dificuldades encontradas para a construção e operação da estrada e, principalmente, ao grande número de mortes na sua construção, gerando também outros apelidos, tais como: Estrada da Morte, Estrada do Diabo e assim por diante.

Demonstrando a incrível lucidez daquele ancião, que ouvia atentamente a conversa, ele comentou:

— Esta floresta não é de brincadeira seu moço, já venceu muita gente grande e continua braba. Meu pai, que era um caboclo valente e conhecia essa mata como ninguém, morreu quando abria picada – caminho no meio do mato – para a Estrada da Maria Louca.

Alguém logo perguntou:

— Ele morreu de malária, seu Nhonhô ?

Milhares de trabalhadores morreram disso na época da construção da estrada.

— Não, sinhô. – respondeu o ancião — Uma onça pegô ele, mas ela morreu primeiro! – afirmando com orgulho: — Meu pai furô ela todinha com a faca.

Ouvindo essas histórias e vendo o atual abandono dessa estrada, vem a pergunta: “O que levou o governo brasileiro a gastar milhões em uma obra ‘faraônica’, ‘ligando o nada a lugar nenhum’ (estima-se que na época foram gastos o equivalente a 28 toneladas de ouro), ao custo de tantas vidas e considerada uma das maiores do mundo para a época, inclusive comparada com a construção do Canal do Panamá?”

A resposta parece simples: Questão econômica. Mas foi só isso?

Na época, praticamente todo transporte da região era efetuado através dos rios, mas naquele local especificamente existia um problema: as grandes cachoeiras do Rio Madeira (onde atualmente estão em construção as Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio).

Isto inviabilizava o transporte fluvial de um produto com alto preço no mercado internacional e abundante na região, o látex (ou borracha).

Era necessário encontrar uma maneira de transportar essa riqueza e, em 1.867, o Imperador D. Pedro II criou uma comissão para estudar a viabilidade de construir a estrada que foi logo descartada devido as dificuldades.

Mais de cinco anos depois, uma empresa inglesa, a Public Works, assumiu o “risco” de fazê-la, mas devido as dificuldades, principalmente as doenças, abandonou o projeto menos de um ano depois, sem construir um metro sequer.

O contrato foi transferido para outra empresa inglesa, a Reed Bross. E Co., que também não construiu nada e a questão foi parar nos tribunais, anulando-se o contrato em janeiro de 1877.

No ano seguinte, em 1878, novo contrato foi firmado com a empresa americana Phillip e Thomas Collins, que criou a Madeira Mamoré Railway, especialmente para construir a estrada. No mesmo ano, a empresa teve um de seus navios a vapor naufragado, o Metrópolis, matando 80 pessoas e perdendo todo o material que transportava.

No ano seguinte, o próprio Collins foi atacado por índios e sobreviveu por pura sorte; sua empresa faliu com apenas sete quilômetros de trilhos assentados. Tudo foi abandonado novamente.

Nesse período ocorreu a guerra entre a Bolívia e o Chile, tendo a primeira perdido o temad mariarritório que dava aceso ao Oceano Pacífico, passando a depender do transporte fluvial para o Oceano Atlântico através dos rios amazônicos: Mamoré, Madeira e Amazonas. Mas as já mencionadas cachoeiras do Rio Madeira eram o grande problema, sem contar a floresta densa, os índios, as doenças e, principalmente, os conflitos com os brasileiros da fronteira.

Em 1.899 ocorreu a chamada Revolução Acreana e, para evitar uma guerra de maiores proporções, os governos brasileiro e boliviano assinaram em 17.11.1903, o “Tratado de Petrópolis”, tendo o governo boliviano cedido o território do Acre que lhe pertencia em troca do governo brasileiro construir a Estrada de Ferro de 366 km, ligando Guajará-Mirim, no Rio Mamoré, ao Porto de Santo Antonio, no Rio Madeira (Atual Porto Velho).

A concorrência para o novo contrato foi vencida pelo engenheiro brasileiro Joaquim Catramby, que nada mais era que um “testa de ferro” do mega investidor americano Percival Farguar, este, um polêmico empresário com vários projetos no Brasil e no mundo.

A obra foi alardeada no mundo inteiro como o mais ambicioso projeto do século, mas acabou sendo ofuscada pela construção do Canal do Panamá, que foi efetuada na mesma época.

A construção da estrada durou de 1.909 à 1912, envolvendo mais de 20.000 trabalhadores do mundo inteiro.

Nesse período ocorreram greves, tumultos e muitas mortes (mais de 1.500, sem contar os desaparecidos), intrigas palacianas entre o empresário Faguar e o ministro Juvenal de Castro, do então presidente Marechal Hermes da Fonseca (contrário a construção da estrada) e muitos gastos que levaram à falência da Companhia. (Esse período é demonstrado na minissérie Mad Maria, da Globo).

Mais incrível ainda: assim que a estrada ficou pronta, o preço da borracha despencou, a Bolívia encontrou outro caminho via Argentina, o canal do Panamá passou a operar e fazer concorrência e a operação da ferrovia (o mais ambicioso projeto do século) tornou-se deficitária.

Em julho de 1931, o governo brasileiro assumiu o controle da Ferrovia e, em 1966, depois de 54 anos de prejuízos, foi desativada e substituída por uma rodovia e todo o seu acervo abandonado.

Em 1972 a maior parte desse acervo foi vendida como sucata para uma empresa de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

Realmente a Maria Louca merece o apelido que ganhou. Hilariante, não acham?

Seu Nhonhô, em sua simplicidade, falou uma grande verdade: a Floresta Amazônica não é para brincadeiras e já derrubou muita “gente grande”, que o digam Henry Ford (Fodlândia), Daniel Ludwig (Projeto Jari), Percival Farguar, entre outros que a desafiaram e perderam, sem contar os governos do Brasil, que investiu milhões em troca de um monte de ferro velho e da Bolívia que cedeu território em troca de nada.

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Eleições 2010 – Blogagem Coletiva

eleições

Olá! Ano passado falamos sobre o Brasil, em uma blogagem coletiva muito interessante!

No ano da Copa somos convidados a participar do processo mais democrático.

Venho aqui propor uma blogagem coletiva que trate das eleições entre os dia 2 de outubro de 2010 (um dia antes do primeiro turno) a 30 de outubro de 2010 (um dia antes do segundo turno, para os locais onde haverá segundo turno).

Pode falar do seu candidato favovito, candidato passado, candidato futuro, sobre porque não votar, sobre a “obrigatoriedade” do voto, sobre tudo relacionado a eleições.

As regras são:

+Tenha um blog.

Vale música, vídeo, textos, xingar, fazer piada, poesia e até podcast!

+Comente aqui nesse post, colocando o seu nome e o endereço do blog na parte de assinatura do comentário além de qualquer informação adicional sobre o tipo do blog em poucas palavras e o twitter, caso queira.

+Cole algum banner desses em seu blog e o link desse post aqui para divulgar a blogagem coletiva:

120×60:

blogagem coletiva

125×125

eleições-blogagem-coletiva

234×60:

eleições

Tem que  ser algo relacionado às eleições dos seguintes cargos:

+Deputado Estadual;

+Governador;

+Deputado Federal;

+Senador;

+Presidente;

+EU vou colocar a lista dos blogs participantes aqui mesmo! As 5 postagens mais interessantes vão ser colocadas em destaque no Artigo Especial após o dia 15, mas todos que se candidatarem a participar já vão ganhar um link aqui!

E não se esqueçam de, no dia da Blogagem Coletiva: Eleições 2010 (2 de outubro de 2010), visitar os outros colegas blogueiros e comentar em seus posts.

Vamos incentivar a união e a discussão!

Abraço e dúvidas basta entrar em contato!

Blog Participante – Tipo – Responsável.

www.cachorrosolitario.com – Variedades – Diogo – @cachorrosoh

cadeiadeeventos.blogspot.com – Podcast – Diogo – @diogocscooby

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O bacalhau e a paella

bacalhau

Certos fatos históricos a gente aprende na escola de uma maneira e mais tarde descobrimos que está cheio de erros. O caso do “descobrimento” do Brasil é um deles, senão vejamos:

O primeiro erro histórico é que, tecnicamente, o Brasil não foi descoberto. Uma terra só pode ser descoberta se não for habitada. E aqui (e na América como um todo) existiam inúmeras nações indígenas, em diversos graus de cultura e desenvolvimento. O certo é dizer que o Brasil, foi achado, encontrado (invadido ou ocupado) pelos europeus.

O segundo erro dá conta de que nosso querido Pedro Álvares não foi o primeiro europeu a pisar nessa terra. Na verdade, nem o segundo e nem o terceiro.

Comprovadamente, o primeiro europeu a pisar em nosso solo, foi o português Duarte Pacheco Pereira, que aportou em algum ponto entre o Pará e o Maranhão, em 1498 (esse fato foi revelado recentemente pelos portugueses). E, meses antes de Pedro Álvares chegar aqui, o espanhol Vicente Pinzón esteve no que é hoje o Ceará, em janeiro de 1500 (dizem que também esteve no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, mas historiadores acham que é improvável). E, neste mesmo ano, outro espanhol, Diogo de Lepe, esteve na foz do Amazonas.

Tudo isto está plenamente documentado, não são lendas. Mas, por tradição, ninguém vai tomar de Pedro Álvares a chancela de ser o primeiro a achar as novas terras a oeste da África, mesmo sabendo que o nosso velho “Pedrão”, no máximo, é o responsável pelo achado da Bahia… Mas, certamente, ele não tem culpa nenhuma da “axé music”, nunca mandou ninguém “sair do chão”, nem “jogar as mãozinhas para o alto”.

O terceiro erro está no próprio nome do gajo. Quem esteve no Brasil foi o fidalgo português Pedro Álvares de Gouveia. Ela só teria “Cabral” no nome a partir de 1515. Eu explico: naquele tempo, só o filho primogênito tinha o direito ao sobrenome do pai. A razão disto era evitar brigas e o enfraquecimento do poder familiar. No caso do clã Cabral, caberia ao primogênito o sobrenome, o título de senhor de Belmonte e as propriedades da família. O filho mais velho era João Fernandes Cabral e só com sua morte, em 1515, o nome, o título e as terras passaram para o filho homem seguinte, Pedro Álvares.

Vocês poderiam perguntar: “Mas porque a gente não aprendeu isso na escola?”, e eu candidamente responderia: “Sei lá!”. Como não entendo o motivo destes fatos ainda permanecerem ocultos das aulas de História do Brasil. Numa visão “eurocêntrica”, ou seja, centrada na Europa, na civilização branca, que deteve por muito tempo a cunha de “História Oficial”, era preferível dizer que estava “descobrindo” novas terras para serem colonizadas e “cristianizadas”.

CaravelasOs três navegantes europeus que aqui estiveram antes da famosa chegada de 22 de abril de 1500 não puderam divulgar suas descobertas por conta do Tratado de Tordesilhas, já que o português Duarte encontrou terras na parte espanhola da América do Sul e os espanhóis Pinzón e Lepe acreditaram terem avistado terras na banda portuguesa. E ninguém ali iria botar azeitona no bacalhau ou na paella de ninguém…

Na famosa carta de Caminha, em nenhum momento, ele cita o nome de Pedro. Só o chama de “Capitão Mor”. Quando retornou a Lisboa, depois do “achamento” das terras, Pedro Álvares se desentendeu com o rei D. Manoel I e caiu em desgraça no reino. Quando ele foi reabilitado (muito tempo depois), já tinha o nome de Cabral, e assim ficou conhecido na História.

Bem, estou fazendo minha parte e relatando as verdades recentemente divulgadas.

História à parte, eu adoro bacalhau, mas gosto mesmo é da paella que minha espanhola prepara.

Adaptado por Darci

La Lunna 8 – MULHERES NEGRAS, A TRIPLA OPRESSÃO: GÊNERO, RAÇA E CLASSE

 No dia 20 de novembro comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do Quilombo Palmares. Além de todas as questões relacionadas ao povo negro, devemos dar especial atenção às mulheres negras. Expostas a uma tripla opressão, as mulheres negras sofrem com o gênero por ser mulher, com a raça por ser negra e, principalmente, com a classe, por pertencer à sociedade capitalista, que oprime e inferioriza a mulher negra.

 

As mulheres negras compõem um grande exército de reserva na sociedade capitalista. Segundo dados do IPEA, são as últimas na escala de renda, as primeiras a serem demitidas, alvo prioritário de violência social, sendo usadas como produto/mercadoria barata. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor. Em comparação às outras mulheres, são as que ingressam mais precocemente no mercado de trabalho, geralmente em profissões que não exigem qualificação técnica ou intelectual. O número de mulheres negras que trabalham como domésticas é sempre maior do que o de mulheres brancas.

 

Além da discriminação no mercado de trabalho, a saúde da mulher negra sofre algumas particularidades, como por exemplo, a anemia falciforme, uma doença hereditária, muito comum nas mulheres negras, originária da África, que se espalhou pelas Américas com o tráfico de escravos. Além da anemia falciforme, outras doenças que afetam particularmente as mulheres negras são os miomas uterinos e a hipertensão arterial. Isso ocorre devido a não inclusão do item raça nos prontuários médicos, o não diagnóstico precoce da anemia falciforme e, principalmente, pela falta de campanhas sobre a saúde da população negra.

 

Os meios de comunicação também contribuem para a desvalorização da mulher negra. A sua imagem geralmente é de símbolo sexual, ignorando toda a manifestação cultural, religiosa e artística da comunidade negra. O Brasil é uma das principais rotas do turismo sexual e do tráfico internacional de mulheres, onde meninas, jovens e mulheres não-brancas, especialmente das regiões norte e nordeste do país, são alvos fundamentais da indústria internacional do sexo. A manipulação da identidade cultural, étnica e racial dessas mulheres é o elemento constitutivo do sexy marketing que suporta o aliciamento e a exploração sexual dessas mulheres.

 

Como vimos as mulheres negras, são as maiores vítimas das desigualdades sociais, da violência, da pobreza, da baixa escolaridade e da divulgação de sua imagem como mercadoria. É importante que essa data seja vista como um passo na construção de uma sociedade onde as diferenças raciais, assim como as de gênero e classe sejam erradicadas e não precise haver datas especiais para lembrarmos que é fundamental aceitar as diferenças.

 

MULHERES NEGRAS, A TRIPLA OPRESSÃO: GÊNERO, RAÇA E CLASSE 

por Elaine Zaragosa

 

Fontes: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada); Gelédes.org.br; IBGE.gov.br; PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio); mulheresnegras.org.


Resultado da Blogagem Coletiva – Brasil

Olá!

15 de novembro

Tivemos blogs 17 inscritos (bem perto dos 20 que eu esperava) para, no dia 15, postar algo sobre o Brasil. 12 13 postaram algo. Eu iria escolher os 5 melhores, mas gostei tanto do conteúdo que acho justo colocar aqui os links para TODOS os posts que vieram a fazer dessa blogagem coletiva algo tão interessante.

Se você ainda não visitou e comentou nos posts de nossos colegar essa é a hora:

O Brasil que queremos – Lado U

Delírios de uma professora (ou o sonho de uma res que seja pública!) – Profe Elaine

O Brasil de Amanhã – Ponderantes

República Imperial – Filosofar é Preciso

Crianças cantam o Hino Nacional Brasileiro – Sakuxeio

O Brasil e a crise de autoridade – Enquanto Esperamos

Os Mapas do Brasil – Cachorro Solitário

Drops Cultural da Banharoli – Sempre pratique cidadania – Contemprartes

Brasil, um sonho de loucos [Blogagem coletiva] – Óculos de Longo Alcance

E viva a República – Dea e o Mundo

Blogagem Coletiva – República, pobre moça – Fio de Ariadne

Se esqueci de  alguém, basta me informar! Agradeço a divulgação e a todos os participantes! Conheci muitos blogs interessantes que pretendo voltar a visitar, e acho que o objetivo de compartilhar algo individual e de qualidade  com o coletivo foi alcançado.

Não tenho ainda os critérios para avaliar com precisão os resultados em termos de números, mas certamente vou participar e também propor outros eventos desse! E você que participou ou não, deixe sua opinião nos comentários!

Abraço!



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