Guia do Mochileiro das Galáxias

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Volume Um da Trilogia de Cinco

Sempre ouvi falar sobre esse livro, mas nunca tinha lido, não por falta de curiosidade, mas de tempo, já que tinha – e tenho ainda – vários (muitos rs) outros livros e revistas na fila para ler. Mas nessa semana de folga de fim de ano de 2013 resolvi começar a ler a trilogia de cinco (que são seis, mas depois falamos sobre isso rs).

Bem, a curiosidade já começa pela capa, onde vemos os desenhos de um trator e uma cabeça de robô triste sobre um fundo de céu/espaço estrelado e, no canto direito, o aviso sobre fundo laranja: “Não entre em pânico”. A edição que tenho é da Editora Sextante. É uma edição simples, mas bem cuidada: o livro é leve, o que, para mim que leio no ônibus no caminho para o trabalho, é ótimo! A única coisa que me incomodou foram alguns erros de revisão, mas foram pouquíssimas vezes, então dá para passar.

Não entre em pânico
O Guia do Mochileiro das Galáxias
Volume Um da Trilogia de Cinco

Impressões

Começando a leitura encontramos Arthur Dent tentando salvar a sua casa de uma demolição que será feita para a construção de um desvio, projeto do qual ele só teve notícia no dia anterior:

“— O senhor teve um longo prazo a seu dispor para fazer quaisquer sugestões ou reclamações, como o senhor sabe – disse o Sr. Prosser.

— Um longo prazo? – exclamou Arthur. — Longo prazo? Eu só soube dessa história quando chegou um operário na minha casa ontem. Perguntei a ele se tinha vindo para lavar as janelas e ele respondeu que não, vinha para demolir a casa. É claro que não me disse isso logo. Claro que não. Primeiro lavou uma das janelas e me cobrou cinco pratas. Depois é que me contou.

— Mas, Sr. Dent, o projeto estava à sua disposição na Secretaria de Obras há nove meses.

— Pois é. Assim que eu soube fui até lá me informar, ontem à tarde. Vocês não se esforçaram muito para divulgar o projeto, não é verdade? Quer dizer, não chegaram a comunicar às pessoas nem nada.

— Mas o projeto estava em exposição…

— Em exposição? Tive que descer ao porão pra encontrar o projeto.

— É no porão que os projetos ficam em exposição.

— Com uma lanterna.

— Ah, provavelmente estava faltando luz.

— Faltavam as escadas, também.

— Mas, afinal, o senhor encontrou o projeto, não foi?

— Encontrei, sim – disse Arthur. — Estava em exibição no fundo de um arquivo trancado, jogado num banheiro fora de uso, cuja porta tinha a placa: Cuidado com o leopardo.”

Preciso dizer o quanto ri depois de ler essa passagem? E isso logo nas primeiras páginas do livro!

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o tipo de livro com o qual você se diverte e enquanto você dá risada também percebe a crítica as nossas instituições e burocracia… Nesse ponto me lembrei de O Processo, de Franz Kafka, no qual o personagem principal certa amanhã acorda e é avisado de que está preso, enfrentando um processo longo e surreal tentando descobrir do que está sendo acusado para tentar se defender… Mas é claro que a atmosfera na história de Kafka é muito mais carregada, chegando a causar – em mim, pelo menos, quando li esse livro – uma angústia muitas vezes até física! No Guia nós temos um clima bem mais irônico e satírico, mais leve, mas não se engane, esse aparente ar de simplicidade traz embutido várias críticas a nossa sociedade e modo de vida.

Assim, Douglas Adams mostra como é habilidoso em criar situações inusitadas e improváveis que fazem todo sentido como também é habilidoso na construção do texto em si, como por exemplo o fato de se terem capítulos curtos intercalando a história dos personagens principais com trechos do Guia do Mochileiro das Galáxias, assim, além de tornar a leitura mais dinâmica, também vamos descobrindo algumas coisas sobre outros mundos de outras galáxias conforme Arthur Dent vai percorrendo o índice do Guia. Adams também parodia, de certa forma, as estruturas “pré-fabricadas” de se contar uma história:

“— Aqueles baques, o que foi aquilo?

— Não sei.

Esperaram mais alguns segundos.

— Eu vou lá ver – disse Ford. Olhou para os outros e acrescentou: — Será que ninguém vai dizer: Não, você não, deixe que eu vou?

Os outros três sacudiram a cabeça.

— Nesse caso… – disse ele, e levantou-se.

Por um momento, não aconteceu nada.

Então, alguns segundos depois, continuou a não acontecer nada. Ford olhou para a fumaça espessa que saía do computador destruído.

Cuidadosamente, saiu do esconderijo.

Continuou não acontecendo nada.”

Então…

Aparte essas questões críticas de conteúdo e estilo, como uma boa obra literária, pode ser lido e interpretado em várias camadas de significação diferentes, inclusive na camada do divertimento, pois confesso que me diverti muito lendo esse livro! 🙂

Sei que muita gente já conhece o livro (ou viu o filme, que é um pouquinho diferente do livro… rs), mas não vou me aprofundar muito nos detalhes da história para não estragar o prazer da descoberta da leitura, então, quem quiser saber a resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais, terá que ler o livro! :p

*Trailer: O Guia do Mochileiro das Galáxias (2005) — Eu fiquei na dúvida entre esse trailer aqui e este outro, pois eu achei a narração do José Wilker muito boa!

 E não esqueça a toalha!

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Autora e editora dos blogs Cachorro Solitário e Cabruuum, integrante do podcast Cadeia de Eventos. Leitora voraz, a curiosidade é o que a move!