Maldade
No instante em que descia a escada, sentiu seu corpo pender para frente, não havia onde se segurar…
Textos criados por mim, sem necessariamente alguma referência externa.
No instante em que descia a escada, sentiu seu corpo pender para frente, não havia onde se segurar…
Um relacionamento de quase dez anos chega ao fim, mas não de repente: os dois escolhem treze meses para se despedir, agora falta só um. Entre recaídas, silêncios e memórias, a história revela a delicadeza de amar mesmo sabendo que o fim já está marcado.
Após decidir parar de fumar, Marcelo guarda a última bituca de cigarro como símbolo do fim de uma versão de si mesmo. Aos poucos, sua casa se transforma em um mausoléu emocional, cheio de objetos, mensagens e pequenas relíquias de amores, despedidas e futuros que nunca aconteceram. Entre paredes pintadas com esperança, janelas carregadas de memória e silêncios domésticos, ele percebe que não estava preservando lembranças — estava tentando impedir o luto. Em uma madrugada chuvosa, cercado por caixas de memórias mortas, Marcelo finalmente entende que sente saudade não apenas de alguém, mas do homem que ele era dentro daquela casa. Um conto melancólico e intimista sobre amor, memória, perda e a difícil arte de deixar o vento entrar novamente.
O Homem Que Colecionava Fins Read More »
— Oxente… — murmurou. O primeiro sinal foi o silêncio das cigarras. Aqui no sertão, silêncio demais nunca é coisa boa. O mundo pode rachar, faltar água, morrer gado, cair governo, mas sempre sobra uma cigarra cantando na quentura da tarde, como se o sol fosse eterno. Quando elas calaram, seu Antero levantou os olhos
Quando o sertão engoliu o mundo Read More »
Ele não sabia que carregava o futuro no peito — apenas sentia o peso. Na aldeia cercada por mata fechada e rios que falavam baixo à noite, diziam que aquele homem tinha um olhar atravessado pelo tempo. Não era velho, mas também não era jovem. Havia nele um tipo de silêncio que não se aprende:
Aquele-Que-Escuta o Tempo Read More »
Era a noite do eclipse neural, quando as realidades paralelas se alinhavam como notas de um acorde maior. Seu corpo, metade raposa ancestral, metade diagrama vivo, começou a levitar em posição de lótus — não como desafio à gravidade, mas como resposta à tristeza do mundo.
AURA FOXY E O SONHO DAS FIBRAS LUMINOSAS Read More »
Neste artigo, o escritor Diogo de Lima revisita o conto “Venha ver o pôr do sol”, de Lygia Fagundes Telles, uma das narrativas mais perturbadoras da literatura brasileira. A análise mistura memória pessoal, reflexão sobre a natureza humana e a lembrança do impacto que o conto causou quando foi lido pela primeira vez, há mais de trinta anos. Entre terror psicológico, ressentimento amoroso e a atmosfera macabra de um cemitério abandonado, o texto revela por que essa história continua sendo um dos finais mais cruéis já escritos na ficção brasileira.
O pôr do sol mais cruel da literatura brasileira Read More »
Em Starlight, um narrador em primeira pessoa transforma a música do Muse em um conto íntimo sobre vício, recaída e a perseguição de uma luz ilusória. A Starlight surge como uma entidade simbólica: uma droga-luz, um farol falso que promete clareza, mas conduz ao afastamento afetivo, ao vazio e à perda de si. Um texto híbrido entre crítica musical e confissão literária, sobre luto, memória e a dor honesta de permanecer.
Starlight – Um conto e uma análise particular da música da banda Muse Read More »
Narrado pelo próprio Orelha, um cachorro comunitário da Ilha, este conto acompanha seu último dia. Da rotina tranquila entre moradores e o mar à quebra abrupta da violência, a história se encerra em um gesto de misericórdia. Um texto sobre pertencimento, perda e o silêncio que permanece quando o amor falha tarde demais.
O Último Dia em que o Mar Me Reconheceu Read More »