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A morte do meu pior inimigo

A morte do meu pior inimigo, por Darci Men

por Darci Men

Estávamos reunidos naquele hotel para um workshop de quatro dias.

Éramos ao todo 20 pessoas, todos gerentes de várias empresas áreas e o objetivo era discutir temas relacionados ao nosso cargo, tais como: Liderança, Relacionamento Interpessoal, Produtividade e coisas do gênero.

No segundo dia, logo pela manhã, encontramos afixado na entrada do auditório o seguinte comunicado:

“LAMENTAMOS COMUNICAR QUE FALECEU HOJE UMA PESSOA MUITO PRÓXIMA A TODOS NÓS. PORTANTO TODOS DEVEM PERMANECER EM SILÊNCIO NO AUDITÓRIO E AGUARDAR INSTRUÇÕES”.

Entre todos os presentes a pergunta era:

— Quem morreu? Alguém sabe alguma coisa?

Ninguém sabia! O tempo foi passando e a ansiedade de todos aumentando, pairava no ar aquele clima tenso, preocupado e até desesperado de uns.

Só depois de 30 minutos entrou um dos monitores e quase um tumulto se formou, todos perguntando ao mesmo tempo:

— O que aconteceu? Quem Morreu?

O monitor então falou:

— Calma pessoal, vocês logo saberão. O caixão está na sala ao lado. Vocês poderão vê-lo, mas a visitação será efetuada de um em um para evitar tumulto. 

Assim foi feito e aquela espera parecia uma eternidade, cada um que retornava
daquela sala voltava em silêncio e com o semblante “pesado” como se tivesse sido atingido pela mais grave tragédia.

Por mais que os outros perguntassem, nenhum deles falava o que tinha visto, aumentando ainda mais a ansiedade dos demais.

Fui um dos últimos a entrar naquela sala. O clima era de “arrepiar”: a sala quase na penumbra, só com as luzes das velas, o ar impregnado com o odor das velas e o perfume de flores e um som ambiente com uma música funesta dava aquela sensação característica dos velórios.

O caixão de uma cor marrom escura bem no centro da sala, apoiado por suportes ornamentados, estava fechado e com apenas um grande visor em sua cabeceira, estava cercado por diversos pedestais com velas acessas e, em todo canto da sala, enormes corroas e
vasos de flores.

Confesso que “gelei”, mas fui em frente e quando olhei pelo visor do caixão a enorme surpresa: dentro do caixão estava o meu próprio rosto, fechei os olhos e abri novamente, apesar da pouca luz, não havia dúvidas, era eu.

Voltei o corpo e na minha cabeça várias perguntas: “Estou morto? Estou sonhando?”.

Naquela altura dos acontecimentos, fiquei sem saber o que fazer e virei para os lados procurando ajuda de alguém, mas estava sozinho naquela sala. Queria olhar novamente dentro daquele caixão, mas alguma coisa me impedia.

Depois de algum tempo criei coragem e olhei novamente e só então é que compreendi: naquele visor, ao invés de um vidro transparente, existia um espelho.

Ao sair da sala um monitor me orientou a retornar ao auditório e não contar a
ninguém o que tinha visto.

Depois do retorno do último visitante ao “defunto” é que nos foi esclarecido o motivo de tudo aquilo, ou seja:

— O OBJETIVO DESTA ENCENAÇÃO É PARA VOCÊS REFLETIREM E NUNCA ESQUECEREM QUE O PIOR INIMIGO DE VOCÊS NÃO É O SEU CHEFE, SEU PATRÃO, SEU VIZINHO, O MOTORISTA DO CARRO AO LADO OU QUALQUER OUTRA PESSOA. O SEU PIOR INIMIGO É VOCÊ MESMO, PORTANTO DEIXE PARA SEMPRE NAQUELE CAIXÃO O SEU LADO NEGATIVO.

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Contista, Cronista, escritor e poeta, não necessariamente nessa ordem.