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Literatura – Uma visão sobre os Contos de Fadas

 

Joões, Alices, Infância e Literatura

Quando ouvimos falar em contos de fadas geralmente imaginamos histórias infantis voltadas para simples leitura de entretenimento. É um gênero um tanto marginal e esquecido, tido como menor.

Na minha humilde opinião, tudo merece ser analisado mais a fundo. Muito além de princesas e animais míticos, estão escondidos valores e ideais velados, grandes construções literárias e uma parte da base do imaginário coletivo.

Alguns dos contos de fadas que mais marcaram na minha história foram aqueles que por um motivo ou outro precisei ler depois da adolescência. Consegui ver as nuances e pequenos detalhes que tornam a história ainda mais interessante. “O gato de botas”, “João e Maria”, “João e o pé de feijão”, todos eles ressaltando a esperteza como virtude. Nesse prisma, acabam usando algum artifício para levar vantagem. E não é isso que fazemos muitas vezes? É lógico que há quem leve tal postura ao extremo, mas, se não prejudicar ninguém, que mal tem?

Não sei se posso classificar “Alice no país das maravilhas” como leitura infantil. Prefiro pensar nessa obra como um livro que acompanha a vida do leitor. A cada releitura, uma visão diferente, um detalhe antes não percebido. Dá para crescer mentalmente só nessa análise, nessa busca de significados dentro do livro e de si mesmo.

Enfim, fico com a visão de C. S. Lewis, no prefácio de um dos volumes de “As crônicas de Nárnia”:

“Lemos contos de fadas quando criança, depois a vida nos endurece. Quando chegamos a uma certa idade, lembramos daqueles livros empoeirados na estante, os limpamos e nos permitimos sonhar de novo.”

Que tal nos permitirmos sonhar hoje?

por Joyce, do blog e podcast  Os Alfarrábios, colaboradora e amiga das letras.