Teresas

Teresa
Manuel Bandeira

A primeira vez que vi Teresa 
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo 
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

No poema de Bandeira não há rigor formal: ele é composto por três estrofes, de três versos cada, mas que não seguem um padrão métrico ou rítmico.

O tom com o qual o eu lírico nos fala é coloquial, quase de banalidade, sem os exageros dos românticos, por exemplo.

Nas primeira e segunda estrofes, o eu lírico diz de suas impressões ao ver Teresa (fisicamente): as pernas eram estúpidas, a cara (não face ou rosto) parecia uma perna, e os olhos, velhos. Ele não só descreve o que está vendo, mas faz comparações inusitadas (cara = perna).

Já na terceira estrofe, o eu lírico não vê (“Da terceira vez não vi mais nada”), mas parece que é somente neste momento do não ver que ocorre o encontro com o sentimento amoroso e todo o seu inebriamento (“Os céus se misturam com a terra”).

O “Adeus” de Teresa
Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus.

"Uma noite entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — "Voltarei! descansa!..."
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

No poema de Castro Alves há um rigor maior com relação à forma: são oito estrofes intercaladas por estrofes de cinco versos e estrofes de um verso; os versos são decassílabos e possuem rima final. As estrofes de um verso parecem funcionar no poema como repetição da separação dos amantes, mas também como estribilho do “adeus”.

O eu lírico desse poema se apresenta desde a primeira estrofe como alguém tomado de emoção, sem reflexão sobre suas ações (“Como as plantas que arrasta a correnteza”).

As estrofes de cinco versos contam do encontro amoroso entre o eu lírico e Teresa (com exceção da última em que há o encontro de Teresa, mas com outro), enquanto as estrofes de um verso dizem do adeus.

Teresa, de Bandeira, parece descrever a mulher e, por fim, relatar do seu encontro com o sentimento amoroso; O “Adeus” de Teresa trata do amor romântico – apesar de haver encontro (carnal também) -, mas a separação já está anunciada desde o título.

Os dois poemas possuem três momentos que dialogam: no poema de Bandeira, o olhar primeiro são para as pernas que se relacionam com a valsa, que é a dança do primeiro encontro do poema de Castro Alves; num segundo momento, o eu lírico do primeiro poema volta-se para os olhos de Teresa, enquanto o de Castro Alves concretiza o amor carnal e, finalmente, na terceira estrofe de Bandeira, há o encontro com o sentimento, a emoção, enquanto em Castro Alves, ocorre a separação anunciada desde o início.

*

Leia mais no blog:

O bicho – Manuel Bandeira

Secos & Molhados

Poesia e a descoberta do mundo

Fabricando Poesia

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Arnaldo Antunes

O Silêncio

Música e poesia

Arnaldo Antunes é o que podemos chamar de artista polivalente, pois tem explorado as várias possibilidades da palavra, combinando poesia, som, imagem e movimento, utilizando recursos eletrônicos, gráficos, digitais e musicais…

 … sendo mesmo um dos pioneiros da poesia digital.

Pra quem não o conhece na carreira solo, ele fez parte dos Titãs por dez anos, saindo em 1992.

No começo dos anos 2000, também formou os Tribalistas com Marisa Monte e Carlinhos Brown.

Quem viveu a infância nos anos 1990, regada a muito Castelo Rá-Tim-Bum, teve contato com parte de sua obra nas artes espalhadas pelos episódios. A mais famosa é a música Lavar as mãos:

… mas meu preferido é o poema Tudo:

Podemos citar também suas musicalizações de poemas, como Budismo moderno de Augusto dos Anjos:

… ou a música Socorro, composta por Alice Ruiz:

Por ser um artista tão versátil, certamente você irá encontrar um disco, livro, música, poema ou performance de Arnaldo Antunes que o toque de maneira a sensibilizá-lo para a arte da palavra.

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O tigre e a neve

O tigre e a neve - Olhos do tigre

Olhe-se no espelho que a poesia é você.”

O tigre e a neve (2005) é um filme do diretor italiano Roberto Benigni, que também atua como um dos personagens principais.

O filme conta-nos sobre Attilio (Benigni), um poeta e professor universitário apaixonado, que faz de tudo para conquistar a mulher que ama, Vittoria (Nicoletta Braschi), encarando a realidade sempre de maneira lúdica.

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Guerra e Poesia

Ele é amigo de Fuad (Jean Reno), um poeta iraquiano que resolve voltar para seu país com o início da guerra com os Estados Unidos, como uma forma de apoiar seu povo.

Vittoria está escrevendo um livro sobre Fuad, então resolve segui-lo até o Iraque para entrevistá-lo e fazer pesquisas a seu respeito. No entanto, assim que chega ao Iraque, ela é atingida por um bombardeio e fica gravemente ferida.

Ao saber disso, o poeta-professor tem um forte choque de realidade, pois, fazendo tudo que está ao seu alcance para encontrar sua amada e zelar por sua vida, vai ao Iraque e encontra um país completamente destruído pela guerra: não há mercados, farmácias, estradas etc., e o hospital onde Vittoria está funciona precariamente, quase que só para aliviar a dor dos feridos, nada mais.

Seguindo então as recomendações do médico, Attilio tenta conseguir os suprimentos necessários para curar e manter a vida de Vittoria.

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Com a delicadeza que é característica dos filmes de Benigni, enquanto conta a saga de um homem apaixonado, o filme mostra também todas as mazelas de uma guerra, que só causam tristeza e miséria para o homem – não como individuo, mas como ser humano.

Um estrangeiro na guerra

O filme faz também uma associação interessante ao mostrar a imagem do poeta como alguém avoado e apaixonado pela vida contrastando-o com a tensão e a morte que emanam da guerra. Podemos entender isso como uma tentativa de repetir A vida é bela, mas transportando a metáfora e, talvez, a empatia dos espectadores para o Iraque.

O que reforça este ponto de vista é que, enquanto está em solo árabe, Attilio repete o tempo todo que é italiano, como se a guerra não fosse problema seu ou não pudesse atingi-lo, assim como muitos países/povos agem quando a guerra não é em seu território ou não o afetam diretamente.

Há ainda uma reviravolta no final que nos pega desprevenidos, mostrando que nem o mais apaixonado dos seres humanos é perfeito. Mas quem é?

vittoria

Curiosidades:

O tigre e a neve é o nome do livro que Attilio havia lançado pouco tempo antes de começarmos a acompanhar sua história.

– O filme conta com a participação de Tom Waits, e sua belíssima You Can Never Hold Back Spring.

– Se você ficou curioso, pode assistir ao filme completo aqui.

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Poesia concretista

poesia

Um poema é feito de palavras e silêncios.

Décio Pignatari

No livro Teoria da Poesia Concreta, os poetas Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari reuniram estudos e textos críticos traçando um panorama teórico-estético da poesia até chegar à poesia concreta, enfatizando, é claro, as vanguardas que seriam as precursoras desta nova forma de ver e fazer arte.

Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos

Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos

Vanguardas

Os textos reunidos neste volume foram publicados em jornais e revistas durante os anos de 1950 a 1960 – época considerada a fase heroica do movimento que tentava se explicar e se afirmar.

Os três são os idealizadores e principais expoentes deste movimento literário que afirma ser o único que não foi adaptado do exterior – comparando-se a escolas anteriores como Romantismo, Realismo, Naturalismo e todas as outras, incluindo o próprio Modernismo.

Entre os artistas que são citados como precursores do novo movimento estão alguns dos mais relevantes para a forma como se faz poesia hoje em dia, como Stéphane Mallarmé, Ezra Pound, e. e. cummings – assim mesmo, tudo minúsculo, era como ele assinava o próprio nome –, James Joyce, Vladimir Maiakovski, entre outros, criando um paralelo entre as obras destes vanguardistas com a proposta estética da poesia concreta.

Incluindo, também, em seu arcabouço teórico as teorias da Gestalt, da Semântica Geral e da Semiótica para explicar e exemplificar os conceitos que apresentavam (e representavam) nas formas e conteúdos dos poemas.

A verdade é que as “subdivisões prismáticas da Ideia” de Mallarmé, o método ideogrâmico de Pound, a apresentação “verbivocovisual” joyciana e a mímica verbal de Cummings convergem para um novo conceito de composição, para uma nova teoria da forma – uma organoforma – onde noções tradicionais como princípio-meio-fim, silogismo, verso tendem a desaparecer e ser superadas por uma organização poético-gestaltiana, poético-musical, poético-ideogrâmica da estrutura: POESIA CONCRETA.

Augusto de Campos

O verso

Dentre estas conexões, os concretistas construíram um paralelo entre a poesia e o ideograma chinês, mostrando a superação do verso linear e do discurso lógico tradicional [poema “normal”, como um soneto, por exemplo, em que os versos seguem a ordem de leitura da esquerda pra direita, de cima pra baixo, e seu significado é apreendido pelo conteúdo abstrato das palavras] pelo verso espalhado pela página do livro e pela sua organização analógica visual [poemas que usam as palavras como “objetos”, espalhando-as pela página, assim, a leitura pode seguir padrões diferentes da tradicional e seu significado é apreendido não só pelo conteúdo abstrato das palavras, mas também pelo “desenho” que formam no papel/tela].

Este novo tipo de verso faz com que o leitor enxergue o poema como um todo, absorvendo-o pelos sentidos e não somente pela leitura sintática linear.

Clamavam assim por uma poesia que fosse capaz de transmitir com eficácia os fluxos e refluxos do pensamento, usando poucos (ou nenhum) conectivos entre as palavras, fazendo com que o espaço em branco da página funcionasse como pontuação e ditasse o ritmo da leitura.

Verbivocovisual

O que levou a outra definição da poesia concreta: a verbivocovisualidade:

a palavra tem uma dimensão GRÁFICO-ESPACIAL

uma dimensão ACÚSTICO-ORAL

uma dimensão CONTEUDÍSTICA

agindo sobre os comandos da palavra nessas

3                          dimensões                           3

Haroldo de Campos

Quer dizer, o poema proporcionaria estímulos óticos (visuais), acústicos (sonoros) e significantes (no sentido do conteúdo e das estruturas verbais) todos ao mesmo tempo durante a leitura.

É preciso ainda ter em mente que a poesia concreta é diferente da poesia apenas visual. A poesia visual seria aquela cuja forma se adequa ao conteúdo de forma arbitraria, enquanto que na poesia concreta o visual é o próprio conteúdo e ao mesmo tempo sua estrutura.

Exemplo de poema tradicional:

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto

Exemplo de poema visual:

Um dos caligramas de Apollinaire

Um dos caligramas de Apollinaire

 Exemplo de poema concreto:

Velocidade - poema de Reinaldo de Azeredo

Velocidade – poema de Ronaldo Azeredo

Hoje

É claro que, como toda nova ideia que se propõe a renovar algo que é tido como pronto e acabado, as inovações dos concretistas não foram totalmente aceitas pela “classe poética” da época (e por alguns indivíduos ainda hoje em dia), que os acusou, inclusive, de cometer “terrorismo cultural” – seja lá o que isso quer dizer.

Mas, como responderam os próprios poetas, “É estranho que um pequeno grupo de poetas tenha aterrorizado a poesia brasileira. Ou esta era muito fraca, ou as ideias deles eram muitos fortes”.

No entanto, “gostando” ou não da nova poesia, é possível reconhecer a influência dessa nova estética em muitos poetas atuais e no formato da publicidade nos dias de hoje, por exemplo (já que um dos princípios era a comunicação rápida: o leitor/espectador “bate o olho” e já associa aquela imagem ou conjunto de palavras a algum significado).

Pra quem se interessa por poesia, principalmente os princípios filosóficos e estéticos relacionados a ela, e também por arte em geral, é uma leitura muito interessante, já que nos textos o trio de poetas faz um percurso entre várias manifestações artísticas, associando-as ao nosso modo de vida contemporâneo, explicitando assim uma das vocações da arte que é ser uma manifestação das angústias e esperanças de cada tempo.

Livro: Teoria da poesia concreta: textos críticos e manifestos 1950-1960

Secos & Molhados

Secos & Molhados

Sempre ouvi falar de Secos & Molhados e claro que eu conheço – e adoro! – o Ney Matogrosso, mas ouvir, ouvir mesmo a banda só aconteceu quando encontrei este disco naquelas bancas de CDs promocionais das lojas Americanas.

E ele se tornou um dos meus favoritos logo na primeira vez que o ouvi! Chegou um momento que eu já deixava o repeat no automático de tanto que eu ouvia!

Infelizmente, emprestei pra alguém e esse alguém não me devolveu mais 🙁 O que me consola é que tenho o MP3 das músicas e pensar que talvez a pessoa não tenha devolvido porque gostou do disco! 😀

Uma das coisas que me fez gostar dessa banda é o fato de várias letras serem, na verdade, poemas musicados!

Destas músicas-poemas, uma das minhas preferidas [todas são minhas preferidas :p ] é As andorinhas, porque parece que OUVINDO a música, eu estou VENDO os fios dos postes tornarem-se uma pauta musical! Ou o contrário! rs

As andorinhas de Antônio Nobre*

—Nos
—fios
—ten
sos

—da
—pauta
—de me-
tal

—as
— an/
do/
ri/
nhas
—gri-
tam

—por
—fal/
ta/
—de u-
ma
—cl’a-
ve
—de
—sol

*Título original do poema. Antônio Nobre foi um poeta português.

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O bicho – Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manuel Bandeira – Rio, 27 de dezembro de 1947)

Não lembro quando foi a primeira vez que li este poema, mas ainda me lembro de como fiquei impressionada… Tão simples e tão forte. É quase como levar um tapa na cara ao mesmo tempo em que se ouve alguém dizer “Acorda! Olha como está o mundo ao seu redor!”

É claro que li – e ouvi! – muitos outros poemas do Manuel Bandeira, todos marcados por um sentimento meio melancólico de se viver nesse mundo em que as pessoas não enxergam o ser humano ao seu lado a ponto de ver um bicho onde há um homem passando fome.

O meu bicho

Este autor foi com certeza um dos que me inspirou a escrever poemas, como este aqui, por exemplo:

Observo o menino que trabalha.

O que resta-lhe da infância são os sonhos

e mais alguns poucos anos.

Esquecera-se como é sorrir

porque nunca brincou.

Não sabe o menino

o que é final feliz.

Esse poema já sofreu muitas modificações desde a primeira vez em que o coloquei num papel. Talvez eu ainda o mude, mais do que escrever, eu estou sempre reescrevendo…

Ainda assim, esta versão foi usada pelo Diogo C. Scooby na 1ª edição da LATIDObr.

E você, tem algum artista do qual compartilhe os mesmos “sentimentos do mundo”?

Poesia e a descoberta do mundo

A rosa

Sempre vejo por aí comentários sobre a Literatura dizendo que ela é uma fuga e um alívio para a realidade dura (de merda rs) que enfrentamos nos nossos dias sobre Terra…

Acho essas frases feitas interessantes e ambíguas porque, pra mim, apesar da leitura ser uma espécie de casulo em que você se distancia da realidade, ao mesmo tempo foi uma das coisas que me ajudaram a entender melhor o mundo, a sociedade e as pessoas, as relações humanas enfim.

E o meu caminho pela leitura começou pela poesia e não pela prosa, como é o mais comum. E o livro que me despertou para o mundo [real] e para o mundo das Letras foi o A Rosa do Povo, do Carlos Drummond de Andrade.

Ele é um dos meus autores mais queridos; quando fico muito tempo sem ler algo dele, e retomo a leitura de um poema conhecido, sinto como se estivesse reencontrando um velho amigo, pois conheço aquele jeito de falar, de se expressar, aquelas ideias e aquele sentimento de que ele te entende e você a ele, como se fôssemos cúmplices nessa vida besta:

Poesia…

A Rosa do Povo é um livro de poemas que eu acho fantástico! [Essa provavelmente é a voz da fã falando, mas o livro é bom mesmo! 🙂 ].

Alguns poemas têm um clima pesado, outros um tom desiludido… Muitos estudiosos dizem que é o retrato de como as pessoas estavam se sentindo num mundo que estava vendo ainda os acontecimentos da 2ª Guerra Mundial.

Foi a leitura desse livro, por exemplo, que fez com que me interessasse por História, para saber o que tinha acontecido, o que era essa Guerra e por que as pessoas estavam tão sorumbáticas no mundo…

Minha edição de A Rosa do Povo.

Minha edição de A Rosa do Povo.

[P.S.: Li esse livro no começo da adolescência, lá pelos 12 ou 13 anos, e a escola que eu frequentava não era lá essas coisas em questão de ensino…]

… e a descoberta do mundo

E foi assim, com um livro de poemas me levando a um de História, que me levou a um de Filosofia, que me levava a um de crônicas e contos, que me remetia a um outro de prosa, que eu fui conhecendo mais do mundo em que vivo e mais das pessoas com quem vivo.

Para mim, a leitura pode até ter servido de fuga da realidade em alguns momentos, mas foi a maior responsável por abrir as cortinas e mostrar o mundo como o vejo hoje.

Quem se interessar pelos poemas e prosas do Drummond, tem esse site muito legal do Projeto Memória e vários outros pela Internet a fora rs.

Você também pode procurar livros dele nas bibliotecas públicas [foi onde encontrei e li quase todos os livros dele], enfim, para um leitor curioso e apaixonado pelas letras e pelo mundo-livro oportunidades de lê-los é o que não falta.

Boas leituras e boa semana!

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Transformações

Transformações - poema

lolita-pain

Onde está o chão?

Onde está minha lucidez?

Onde está meu livre arbítrio?

Onde foram parar meus sentidos?

Meus sentimentos onde estão?

Estão todos despedaçados por você!

Minha alma sugada por você!

Minha lucidez arrancada por você!

Você me tirou tudo e sem ao menos pedir

Sem ao menos que eu percebesse

Quando dei por mim

Já estava lhe amando!

Tinha lhe entregue os códigos de acesso ao meu eu interior.

E você! Aproveitou-se disso para trazer o caos, o desespero, a angustia e a dor!


Lolita-pain

QUERO POSSUIR TUA ALMA

BEBER DO TEU SANGUE

COMER DA TUA CARNE

ME FARTAR DO TEU GOZO

 

Sair do meu corpo e penetrar no teu

Costurar minha pele na tua

Ser um só.

Acordo todos os dias em busca de algo

Algo que não tenho

Algo que me faz sentir esse enorme vazio

Algo que já tive e perdi

Algo que já possuí e escapou

Busco desesperadamente, alucinadamente

Percorro todos os becos

Vielas, ruas e avenidas.

Atravesso pelo tempo em busca de algo que não sei ao certo o que é.

Algo que me falta e consome!

Viajo nos séculos atrás desse algo.

Várias vidas nessa busca solitária e infindável por algo…

Algo como o amor.

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by Lolita Pain

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