A BATALHA DA MADRUGADA

Naquela madrugada, eu dormia como um anjo e me imaginava no melhor dos mundos.
Repentinamente, tudo mudou!
Acordei com minha esposa me sacudindo, quer dizer, acho que acordei. Bem, leia mais e vai entender…
– Pai, acorda, pai… – dizia ela naquele seu jeito todo especial de me chamar.
– O que foi? – respondi eu, bocejando e tentando entender o que estava acontecendo.
– Levanta daí – insistiu ela –, tem um rato na casa.
Pensei comigo mesmo “Então é isso! Só me faltava essa! Levantar agora para ir atrás de um mísero ratinho invasor? Que chance eu tenho de pegar um ratinho em plena noite?”.
Fiquei indeciso por algum tempo: “Levantar ou não levantar, eis a questão!”.
Não levantei, porém a consciência pesou e fiquei pensando “Está certo!”, continuei raciocinando, “Ele invadiu meu território e minha propriedade. Mas, pensando bem, e, até onde sei, ainda não existe nenhuma associação de ratos do tipo MRST (Movimento dos Ratos Sem Teto). Portanto, deve ser um ‘desgarrado’ qualquer que perdeu o rumo e foi parar justo na minha casa”.
Confesso que estava indeciso sobre o que fazer, mas aquela cama quentinha e aconchegante falou mais alto, então eu me ajeitei melhor na cama e falei:
– Deixa o bichinho em paz e venha dormir, ir atrás dele a esta hora da noite é perda de tempo. Ele é muito esperto e não vamos conseguir pegá-lo. Amanhã nós colocamos uma armadilha ou coisa parecida.
Ela continuou insistindo:
– Vamos, levanta daí! Eu não consigo dormir com um rato circulando por aí.
Fiquei com dor na consciência e quase levantei, mas, novamente, a danada da cama quentinha falou mais alto.
Ela insistiu mais algumas vezes até que desistiu, quer dizer, desistiu de mim, não do rato! Ouvi-a arrastando móveis pra lá e pra cá à caça do bichinho.
Mais uma vez, a consciência pesou e eu já estava levantando quando pairou um estranho silêncio. Recuei e fiquei tentando ouvir algo que me informasse o que estava acontecendo, até que soou o inconfundível ruído do telefone discando (naquela época, os telefones tinham um barulhento disco de chamada).
Foi então que pensei “O que ela vai fazer agora? Chamar a polícia?”. Não, logo concluí. “Deve ser outra coisa… Será que já existem empresas especializadas em caçar ratos na madrugada ao estilo daquele filme ‘Os caça-fantasmas’?”
Por um instante, imaginei um furgão estacionando em frente à minha casa, com as sirenes ligadas e enormes letreiros escritos “Caça ratos. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta”. Ou seria: o seu rato de volta?
Não era nada disso! Ela ligou para irmã, que morava ao lado. Ouvi-a dizendo:
– Venha me ajudar, tem um rato aqui em casa, e o preguiçoso do meu marido não quer nem saber.
Fiquei pensando “Não acredito! Ela foi incomodar a irmã essa hora da noite. Duvido que ela venha ajudá-la”.
Queimei a língua! Não demorou quase nada e a irmã chegou.
“E agora?”, pensei comigo mesmo, “Vou dar uma de ‘João sem braço’ e assistir de camarote pra ver o que acontece. Vai ser divertido ver como elas vão caçar o bichinho”. Por um breve momento, lembrei-me daquele slogan dos sindicalistas: as irmãs unidas, jamais serão vencidas…
Ouvi a conversa delas na cozinha e, por um instante, me veio à mente aquelas cenas de filmes de guerra em que os generais discutem a estratégia da batalha:
– Eu fico com essa vassoura e você com o rodo. Eu vou lá afugentá-lo e, quando ele sair, você o acerta, tubo bem?
– Claro! – respondeu a outra, toda confiante. – Aqui ele só passa se for por cima do meu cadáver!
Nessa altura, lembrei-me ainda da Primeira Guerra Mundial, quando, na Batalha de Verdun, o general francês Pétain disse uma frase que ficou famosa: “On ne passe pas” (Aqui não se passa).
Bem, tive de admitir: o estado de confiança das duas “guerreiras” era impressionante! Não sei se era meu estado sonolento, mas juraria ter ouvido o rufar dos tambores e a marcha dos soldados em direção à terrível batalha! E que batalha!
– Olha ele ali! Pega! Acerta ele! – Gritava uma e os canhões não paravam de cuspir fogo, quer dizer, os rodos não paravam de bater aqui e acolá: plá, pam, pum, vaaap…
– Droga, você deixou o danado escapar! – gritava a outra – Cuidado! Está atrás de você!
Até que algo pesado caiu e um silêncio sepulcral tomou conta do recinto. Fiquei pensando “O que aconteceu agora? Intervenho ou não? Vão acabar destruindo a minha casa!”.
Não tive resposta e pensei “Será que elas liquidaram o bichinho?”. Por um instante, imaginei as duas guerreiras em uma emocionante cena ao lado do corpo inerte do infeliz…
E que cena mais comovente… Digna de colocar o cinema de Hollywood no chinelo. Juro que vi as duas guerreiras, com os peitos estufados, em posição de sentido e fazendo a continência, prestando, assim, as últimas homenagens ao valoroso inimigo morto.
Dei com os burros n’água e não foi nada disso! O barulho que eu tinha ouvido não foi o de uma cacetada certeira, como eu tinha imaginado, mas apenas o de um velho móvel que caiu. Quanto ao silêncio, não passou de uma pequena pausa para recobrar as forças. Não demorou muito e ouvi uma delas chamando a outra para retomar a batalha:
– Vamos! O que você está esperando?
– Tô cansada! – respondeu a outra – Me deixa tomar um fôlego.
Senti que o ânimo já não era mais o mesmo, pois aquela trégua não estava no script. “Acho que desistiram!”, pensei comigo mesmo, “Finalmente vou poder dormir”.
Enganei-me novamente! Mal tive tempo de respirar e a batalha voltou com mais intensidade ainda!
Eram móveis arrastados de um lado pra outro, pancadaria aqui e acolá, gritos estridentes e sons horripilantes. Os canhões, ou melhor, as “vassouras voadoras” a todo vapor: plá, pam, pum, vaaap…
De repente, ouvi um potente grito de guerra. Ou seria um grito de pavor? Fiquei na dúvida! Em qualquer caso, eu garanto: era de fazer inveja àqueles filmes de Alfred Hitchcock! “O que será que aconteceu agora?”, fiquei me perguntando. Logo descobri…
– Que foi? – perguntou uma delas – Acertou ele?
– Não, sua tonta! – respondeu a outra, toda chateada – Não vê que eu acertei o meu próprio pé!
Fiquei imaginando a cena, em câmara lenta, em um desses televisores de alta resolução:
Primeiro, aparece o ratinho voando sobre o pé dela. Era possível observar suas perninhas e seu enorme rabo balançando no ar e o seu olhar de terror vendo o rodo passar a milímetros da sua cabeça, indo acertar em cheio o dorso do pé da infeliz. O impacto foi tão grande, que o rodo chegou a rodopiar em seu próprio eixo, parecendo uma hélice de avião sendo ligada. Enquanto isso, a guerreira olhava desesperada para o seu próprio pé, não acreditando no que tinha acontecido! Nesse exato instante, a câmera foca no rosto dela e a expressão de dor e raiva ao mesmo tempo é assustadora! Seu grito ecoa tão forte que a imagem treme e fica desfocada. Meu Deus, que garganta!
– Para mim, chega! – comentou a pobre coitada, massageando o dolorido pé ferido.
Enquanto isso, eu criticava a mim mesmo, pois já imaginava que algo assim aconteceria. Mas, e o rato? O que teria acontecido com ele? Fiquei me perguntando.
Não tive resposta. Depois de raciocinar um pouco, concluí que ele tinha fugido. No entanto, pela ferocidade das duas guerreiras, o bichinho deve estar correndo até agora!
Elas alardearam por aí que tinham vencido a batalha, mas eu acho que o ratinho deve estar dizendo a mesma coisa, porém, com toda certeza, ele vai pensar duas vezes antes de invadir meu território porque na minha casa as irmãs unidas, jamais serão vencidas…
Fim

O mico

Mico

Quando se fala em mico, logo vem à mente o mico-leão-dourado, aquele bichinho simpático e belo das florestas brasileiras.

Mas o que eu quero falar aqui é no sentido pejorativo, ou seja: “pagar um mico”, um vexame, uma cena cômica, cafona ou coisa parecida.

Quem já não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Certamente você que está lendo já passou! Nessas horas dá vontade de cavar um buraco no chão e enfiar-se nele! Mas ao invés de lamentações dessas ocorrências, vamos rir delas que é bem melhor.

Hino Nacional às avessas

Vanusa - Hino NacionalA cantora Vanusa que o diga, quando, em março de 2009, foi convidada a cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo, nunca imaginou o mico que pagaria. Acabou cantando o Hino de “trás pra frente”. Ela alegou que foi um medicamento… Será?

Inspetor atrapalhado

No banco onde eu trabalhava tinha um inspetor que era conhecido por sua arrogância.

Certa vez ele foi designado para inspecionar uma agência no interior do estado de São Paulo. Chegou à agência bem cedo, segurou sua credencial na mão direita no estilo dos agentes do FBI e foi dizendo para o gerente da agência:

– Sou inspetor e vou fazer uma auditoria na agência, vamos começar conferindo o dinheiro no cofre.

Imagem: http://likeanerd.pop.com.br/technobabbling-inspetor-bugiganga/.

O gerente acompanhou-o até o cofre e colocou todo o dinheiro que estava lá em cima da mesa.

Depois de mais de uma hora contando, o inspetor falou ao gerente:

– Me traga o A-536. [Planilha que registrava a entrada e saída de dinheiro da agência.]

O gerente, mostrando surpresa, perguntou:

– A-536? O que é isso?

O inspetor ficou uma fera:

– “O que é isso” digo eu! Você, um gerente do Banco Mercantil de São Paulo, não sabe o que é o A-536?

O gerente, meio atrapalhado, respondeu:

– Nunca fui gerente do Banco Mercantil, sou gerente do Banco Moreira Salles e já faz mais de cinco anos.

Só aí ambos entenderam que o atrapalhado inspetor tinha entrado na agência do banco errado.

Futebol ou balé

Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/com-rendimento-ruim-jogador-e-punido-e-obrigado-a-treinar-fantasiado-de-fada/?cHash=4d3c969df3af46a8fb163ca5b230345f.

Mico mesmo pagou o Jairo, jogador do Figueirense, de Santa Catarina.

Ele foi eleito o pior jogador do “rachão” e teve que comparecer ao treino seguinte com um deslumbrante vestido cor-de-rosa.

Égua assanhada

Certa vez eu e meus irmãos fomos almoçar na casa da minha mãe. Conversa vai, conversa vem, toma uma cervejinha aqui e tantas outras ali, ficamos naquela “descompressão” de não-sei-o-que-fazer, até que alguém viu uma égua pastando tranquilamente em um terreno ao lado, comentando: “Será que é mansa?”

http://ranchosaomiguel.com/wordpress/?p=1314

Eu, todo metido, fui conferir. A princípio ela foi dócil e deixou-se acariciar, mas foi só virar as costas e a danada deu-me uma tremenda mordida nas nádegas deixando meu precioso traseiro todo dolorido.

Tive de sentar de lado por um bom tempo, mas o pior foram as gozações que duram até hoje, fato que ficou conhecido como a “mordida da égua assanhada”.

Minhas mulheres

Antes de vocês pensarem besteiras eu já vou explicando que “minhas mulheres” são minha esposa, minhas duas filhas e minhas três netas.

Bem, elas são especialistas em pagar micos, alguns exemplos:

Dia desses, a minha neta Giulia, de oito anos, voltou da escola toda nervosa:

Fonte: http://mulher.net/2012/10/09/como-introduzir-a-mesada-para-os-filhos/

– Vó, a tia da cantina foi grosseira comigo, eu falei com ela com toda a educação “Tia, a senhora poderia fazer o favor de trocar essa moeda de 50 centavos por outra de 1 real?” Ela respondeu “Você tá doida menina”.

Outro mico espetacular pagou minha esposa Angélica.

No dia 26.01.2010 eu tinha saído bem cedo e quando voltei encontrei-a tomando o café da manhã, nem a tinha cumprimentado pelo seu aniversário que acontecia naquele dia, quando a vi assustada e mais branca do que neve, até que ela falou:

– Pai – há muito tempo ela costuma me chamar de “pai” –, engoli a ponte!

Por um instante fiquei imaginando ela engolindo a Ponte Espraiada, aquela da região do Morumbi, até que ela explicou:

– Engoli a prótese dentária, aquela que o dentista acabou de fixar. E agora?

Fonte: http://www.ndnucleodiagnostico.med.br/servico/raiox#ad-image-1

Resultado: ela foi a um pronto-socorro público ao lado da nossa casa, e a médica tirou uma radiografia e ficou apavorada, foi transportada de ambulância até outro hospital público, retornou de ambulância sem ser atendida e só foi resolver o problema no final do dia no hospital do convênio através de uma endoscopia.

No dia seguinte a caixa de entrada de seu e-mail estava lotada de gozações, e o mínimo que a chamaram foi de “engolidora de pontes”.

Mas hilariante mesmo foi o mico da Aline, minha filha. Na última quarta-feira ela foi convidada para um happy hour, do Citibank, onde trabalha. Ela estava toda empolgada e dizendo que era um local “chique”, com comidas e bebidas de vários países e por aí afora.

Para quem não sabe, happy hour é uma tradição americana que se espalhou pelo mundo e nada mais é que uma festa de fim de expediente para descontrair. A tradução é “hora feliz”, mas não foi nada feliz para a Aline.

Ela não queria dirigir com o sapato de salto alto, então botou uma Havaiana nos pés e foi embora, esquecendo os sapatos em casa.

Quando se deu conta, estava em plena festa, vestida com traje social e de Havaiana.

Fonte: http://www.elo7.com.br/havaianas-tradicional-azul-com-swarovski/dp/2BFC4B

Teve que aguentar todo tipo de gozações e passar o tempo todo escondendo os pés. Era só um fotógrafo chegar por perto e ela já advertia:

– Só do joelho para cima.

Claro que teve quem não obedeceu, e o fato foi devidamente registrado para entrar nos anais daquela comunidade como “A cinderela de havaianas”.

Relatado por Darci Men.

_________________

Clube dos Autores – Livros com descontos!

Darci Men - Kanata

O Clube dos Autores é um site em que você pode publicar o seu livro de forma gratuita, quer dizer, os livros ficam disponíveis no catálogo do site e são impressos conforme há demanda.

É uma boa forma de você realizar o sonho de ver seu livro impresso e sem grandes custos!

Uma coisa bem legal também é que você, como autor, pode decidir a margem de lucro que terá por venda, barateando ou aumentando o valor da impressão ou do download, já que você tem as opções de ter o livro na versão impressa e/ou o e-book.

Autores da casa 🙂

Nós aqui do Cachorro Solitário temos dois autores com livros publicados por lá: O Darci Men, com o seu recém-lançado O Mistério da Kanata; e o Diogo C. Scooby com o seu O Lado Escuro.

Bom, o Clube dos Autores está com uma promoção de Verão: Os livros impressos estão com um desconto de 25% dos dias 13 a 20 de janeiro!

Aproveite e faça uma visita ao site quem sabe você descobre autores, livros e histórias fantásticas que poucos conhecem, ou mesmo se anima a publicar o seu primeiro livro! 😉

Boa leitura e boas compras!

__________________________________

PORTUJURÊS

Portujurês,Darci Men

Escrito por Darci Men

Você caro leitor, fala e escreve o Português? Espero que sim! Afinal, estamos no Brasil, cuja língua oficial é o Português.

Então me responda, você conhece os termos: “sodalício”, “axiológico”, “crivo”, “probatório”, “vértice”, “patrono”, “exordial”, “colendo”, “subsunção”, “vênia” e “infirmar”?

Não? Você deve estar se perguntando: “Que raio de língua é essa?” Eu respondo com uma única palavra: PORTUJURÊS!

Estas palavras foram ditas pelos Ministros do STJ durante o julgamento do “Mensalão”. Claro que são palavras da Língua Portuguesa, mas a questão é por que a comunidade do Judiciário insiste tanto em usar termos que ninguém usa, só eles! Chegamos ao absurdo de manter um tradutor de plantão para informar o que foi dito no tribunal. Qual o objetivo disso? Eis a questão!

Você deve estar se perguntando: “Mas Darci, esta não é hora de criticar o STJ que nunca em sua história teve tanto prestígio já que foram capazes de condenar gente da poderosa máquina do governo e, nunca em sua história, tantos brasileiros acompanharam um julgamento.”

Sim, é verdade, e devemos “tirar o chapéu” para o STF, com exceção de dois Ministros, que só faltaram colocar a estrela do PT em suas sagradas togas, o Tribunal, como um todo, foi fantástico, com destaque absoluto para o Ministro Joaquim Barbosa.

Assim, se o Tribunal foi ótimo, perdeu uma excelente oportunidade de marcar mais um ponto e em ter deixado de lado o chamado “Portujurês”, eu explico por que: Ora, o julgamento é público e nada mais justo e correto que o público entenda o que foi dito e julgado!

Nos tribunais regionais e distritais acontece a mesma coisa! Quem ainda não se deparou com um despacho do judiciário e ficou se perguntando: “Qual foi a decisão? O que ele quis dizer?”

Então eu volto a perguntar: Por que tudo isso? Qual o objetivo?

Portanto, eu acho que os Sodalícios, Patronos e Meirinhos deveriam ter a subsunção que ser egrécio e colendo não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não se infirmar? Com a devida vênia, acho isso totalmente axiológico.

 

TRADUZINDO A ÚLTIMA PARTE:

Portanto, eu acho que os Tribunais, Advogados e Oficiais de Justiça deveriam aceitar que ser distinto e altamente respeitável não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não diminuir sua autoridade? Com a devida permissão, acho isso totalmente incontestável.

Que a paz esteja com todos!

——————-

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

uma mulher no trono papal

Segundo a Mitologia Grega, a primeira mulher veio ao mundo como castigo dos Deuses. Chamava-se Pandora e junto com ela veio a famosa caixa que não poderia ser aberta… mas ela abriu e, consequentemente, trouxe inúmeras desgraças.

Não ficou claro se ela abriu só a caixa ou “abriu mais alguma coisa”, mas o recado machista ficou bem definido…

Também relacionado à Grécia Antiga, vem outro exemplo de machismo:

Segundo os historiadores, em 393 d. C., o Imperador romano Teodósio (347-395), que era cristão, aboliu os Jogos Olímpicos que já existiam há mais de um milênio. Apesar de tais Jogos serem exclusivos dos homens, ele alegou que o evento estava ligado ao paganismo, exaltava o corpo humano e atentava contra a masculinidade.

Outro exemplo de machismo ocorreu na Idade das trevas, mais precisamente por volta de 855 da nossa era.

Segundo a lenda, uma jovem de nome Joana ou Joanne, extremamente inteligente e culta, teria chegado ao Papado com o nome de João VII.

Na época era proibido as mulheres estudarem, então ela “vestiu-se” de homem e foi galgando todos os cargos da Igreja: Monge, Padre, Bispo, Cardeal e finalmente Papa.

Certamente ela era muito inteligente senão não teria chegado aonde chegou. Mas, acima de tudo, ela era um ser humano e uma mulher e como tal acabou se apaixonando por um guarda suíço do Vaticano e dando suas “furunfadas”, acabou por engravidar.

Claro que ela escondeu isso enquanto pôde, mas um dia em uma das intermináveis e cansativas procissões, acabou dando a luz ao bebê em plena rua.

Resultado: a pobre coitada acabou amarrada ao rabo de um cavalo e arrastada até a morte.

Em outra ocasião, em 1859, quando Charles Darwin publicou o seu famoso trabalho “A Origem das Espécies”, sugerindo que o homem descendia dos macacos, foi um verdadeiro alvoroço. A Igreja queria “crucificá-lo” e mesmo a sociedade científica demorou em aceitar suas ideias.

Um de seus colegas, para ironizá-lo, teria dito: “Se ele afirmasse que a mulher descende de um macaco, ‘vá lá’, mas dizer que o homem descende do macaco é demais.”

O que eles não sabiam, e sabemos agora, é que descendemos de poeira estelar e bactérias há “trocentos” bilhões de anos atrás. Mas ainda tem gente que não acredita nisso e é perfeitamente normal que isso ocorra. É difícil alterar os ensinamentos “aculturados” durante anos e anos.

Estes fatos históricos, sendo totalmente verdadeiros ou não, demonstram como tem sido machista a humanidade. Resquícios desse machismo ainda existem em todos nós e é manifestado de várias maneiras.

Assim, cresci aprendendo que o homem, ou seja, o “cabra macho”, não chora, não lava louças, em sua casa quem manda é ele e por aí vai…

Dia desses a minha mulher veio com a seguinte conversa:

— Você tem que fazer o exame da próstata e já marquei com o médico.

Aquilo foi uma terrível notícia, eu sabia que tinha que fazê-lo, mas sabe como é: homem que é homem… Então respondi a ela:

— O que?! Ir lá para o cara meter o dedo no meu “fiofó”? Nem pensar!

Então, como na minha casa quem manda sou eu, adivinhe: fui!

Mas considerando aquele ditado que diz: Integridade é dizer a verdade a si mesmo e Honestidade é dizer a verdade aos outros, e como esse assunto é de interesse geral, vou contar como foi.

Já na véspera quando falei aos amigos a minha terrível missão, começaram as gozações:

— Relaxa, você vai acabar gostando e pedir para voltar – Disse um.

— Trate de levar um espelho retrovisor, nunca se sabe o que o médico vai enfiar lá… – disse outro.

— Cara, isto é como aquela peça de teatro: Trair e coçar, é só começar! – Afirmou outro. E tantas outras piadinhas do gênero.

No fatídico dia fiquei pensando: “Darci, você já passou por tantas situações difíceis nessa vida, não é um mísero dedinho que vai te assustar. Mas e se for um ‘dedão’?”

Bem, lá fui eu e, é claro, levei minha mulher, pois precisava de um apoio moral nesse assustador momento.

O simpático Doutor, já com idade avançada, lá pelos seus 60 anos ou mais, começou com inúmeras perguntas. Fiquei pensando: “Por que tantas perguntas? Por que ele não vai logo aos ‘finalmentes’ e acaba logo com essa agonia de uma vez?”

Depois de inúmeras anotações, ele encostou-se à cadeira, fez uma pausa “estratégica” que parecia uma eternidade, olhou-me fixamente e disse:

— Bem, pelo que você me disse, sua saúde é ótima, então o que o senhor vem fazer em meu humilde consultório em uma tarde de sexta-feira, tão linda e ensolarada? – E já dando a resposta completou com um sorriso maroto: — Já sei! Quer experimentar o meu dedo? Já que está aqui, vamos para a sala ao lado.

Lá chegando já foi dando ordens:

— Deita aí na cama e baixe as calças.

Nessa altura dos acontecimentos, não aguentando mais, falei:

— Doutor, me deixa ver direito essa tua mão, afinal, cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém!

— Não se preocupe – respondeu ele, mostrando-me as suas mãos e continuando: — Veja, são pequenas e não tem nenhum anel ou aliança, vai ser moleza!

— É moleza porque não é no seu! – eu respondi.

Minha mulher que estava na sala ao lado ouvindo a conversa perguntou:

— Posso assistir?

Respondemos em coro:

— Nãaaao!!

A partir daí recuso-me a contar detalhes, mas dá para imaginar…

Depois dessa a época do machismo “já era”. Será?

Pois é, “assim caminha a humanidade”.

Que a paz esteja com todos.

Darci Men

Sua Majestade, O Computador

Computador antigo

Escrito por Darci Men

“A maior chance de uma catástrofe humana de grandes proporções acontecer não está em eventos da natureza, tais como: enchentes, vulcões, meteoros e etc., nem nas previsões apocalípticas do incrível povo Maia e nem ainda de uma guerra nuclear. A grande catástrofe seria uma pane generalizada dos computadores.”

Li por acaso esta frase de autoria de um tal de Russev, um búlgaro que se apresentou como um parente distante da nossa presidente Dilma Rousseff.

A princípio pensei comigo: “Este cara está doido! Computador basta desligar da tomada e fica mais ‘murcho’ que pau de velho, quer dizer, depende do velho…!”

computador antigo

Mas será isso mesmo? Pensando melhor, o problema está no contrário disso, ou seja, quando ele deixa de funcionar ou funciona mal!

Logo me lembrei do famoso “Bug do Milênio”: a passagem do ano 1999 para 2000.

Na época, os computadores tinham pouco espaço para armazenar dados e os programadores usavam as datas com apenas seis dígitos, assim: dd/mm/aa e aí estava o problema, já que o ano 2000 terminava em “00”, mais os anos 1800, 1900 e etc. também, então, como os computadores iriam identificar a data correta?

A questão quase chegou a um pânico generalizado, todas as empresas e governos de todo o mundo começaram uma corrida contra o tempo para reprogramar seus computadores.

Para alegria dos programadores de plantão, foram gastos milhões e milhões de dólares nessa tarefa.

Mesmo assim, as previsões eram catastróficas: alardeavam panes generalizadas nos setores de energia, telefones, bolsas de valores, bancos, aviões caindo e por aí vai…

Eu mesmo tive que pagar a minha parte: na madrugada do dia 01/01/2000, dia do meu aniversário, quando todos comemoravam um réveillon especial da passagem do milênio, eu, e mais uma centena de funcionários fazíamos testes e mais testes nos computadores.

Felizmente tudo deu certo, mas ficou o alerta.

Dia desses, já no final do expediente, estava eu atrasado com os serviços do dia, “trocentas” coisas para fazer e inúmeras contas para pagar via internet, quando a energia deu uma “piscadela”.

Foi o suficiente para o computador desligar e, mesmo com a volta da energia, não queria “abrir” novamente.

Depois de inúmeras tentativas a paciência se esgotou e tive vontade de dar um belo pontapé naquela caixa preta insensível, mas não podia fazer isso, dependia dele!

Cheguei a lembrar de uma frase que minhas netinhas costumam falar nessas horas: “Meu amor, minha vida, minha privada entupida.” 

Aquilo era um pesadelo, estava quase desistindo quando fiz uma última e desesperada tentativa: olhei fixamente para aquela caixa preta, com seus leds “piscolando”, passei a mão carinhosamente sobre seu dorso gelado e falei, quase suplicando:

— Magnânima Majestade, ajude esse seu servo flagelado, funcione, por favor!

E não é que o danado atendeu as minhas preces e voltou a funcionar.

Que a paz esteja com todos e que fiquem livres da tirania dos computadores.

Amém.

A morte do meu pior inimigo

A morte do meu pior inimigo, por Darci Men

por Darci Men

Estávamos reunidos naquele hotel para um workshop de quatro dias.

Éramos ao todo 20 pessoas, todos gerentes de várias empresas áreas e o objetivo era discutir temas relacionados ao nosso cargo, tais como: Liderança, Relacionamento Interpessoal, Produtividade e coisas do gênero.

No segundo dia, logo pela manhã, encontramos afixado na entrada do auditório o seguinte comunicado:

“LAMENTAMOS COMUNICAR QUE FALECEU HOJE UMA PESSOA MUITO PRÓXIMA A TODOS NÓS. PORTANTO TODOS DEVEM PERMANECER EM SILÊNCIO NO AUDITÓRIO E AGUARDAR INSTRUÇÕES”.

Entre todos os presentes a pergunta era:

— Quem morreu? Alguém sabe alguma coisa?

Ninguém sabia! O tempo foi passando e a ansiedade de todos aumentando, pairava no ar aquele clima tenso, preocupado e até desesperado de uns.

Só depois de 30 minutos entrou um dos monitores e quase um tumulto se formou, todos perguntando ao mesmo tempo:

— O que aconteceu? Quem Morreu?

O monitor então falou:

— Calma pessoal, vocês logo saberão. O caixão está na sala ao lado. Vocês poderão vê-lo, mas a visitação será efetuada de um em um para evitar tumulto. 

Assim foi feito e aquela espera parecia uma eternidade, cada um que retornava
daquela sala voltava em silêncio e com o semblante “pesado” como se tivesse sido atingido pela mais grave tragédia.

Por mais que os outros perguntassem, nenhum deles falava o que tinha visto, aumentando ainda mais a ansiedade dos demais.

Fui um dos últimos a entrar naquela sala. O clima era de “arrepiar”: a sala quase na penumbra, só com as luzes das velas, o ar impregnado com o odor das velas e o perfume de flores e um som ambiente com uma música funesta dava aquela sensação característica dos velórios.

O caixão de uma cor marrom escura bem no centro da sala, apoiado por suportes ornamentados, estava fechado e com apenas um grande visor em sua cabeceira, estava cercado por diversos pedestais com velas acessas e, em todo canto da sala, enormes corroas e
vasos de flores.

Confesso que “gelei”, mas fui em frente e quando olhei pelo visor do caixão a enorme surpresa: dentro do caixão estava o meu próprio rosto, fechei os olhos e abri novamente, apesar da pouca luz, não havia dúvidas, era eu.

Voltei o corpo e na minha cabeça várias perguntas: “Estou morto? Estou sonhando?”.

Naquela altura dos acontecimentos, fiquei sem saber o que fazer e virei para os lados procurando ajuda de alguém, mas estava sozinho naquela sala. Queria olhar novamente dentro daquele caixão, mas alguma coisa me impedia.

Depois de algum tempo criei coragem e olhei novamente e só então é que compreendi: naquele visor, ao invés de um vidro transparente, existia um espelho.

Ao sair da sala um monitor me orientou a retornar ao auditório e não contar a
ninguém o que tinha visto.

Depois do retorno do último visitante ao “defunto” é que nos foi esclarecido o motivo de tudo aquilo, ou seja:

— O OBJETIVO DESTA ENCENAÇÃO É PARA VOCÊS REFLETIREM E NUNCA ESQUECEREM QUE O PIOR INIMIGO DE VOCÊS NÃO É O SEU CHEFE, SEU PATRÃO, SEU VIZINHO, O MOTORISTA DO CARRO AO LADO OU QUALQUER OUTRA PESSOA. O SEU PIOR INIMIGO É VOCÊ MESMO, PORTANTO DEIXE PARA SEMPRE NAQUELE CAIXÃO O SEU LADO NEGATIVO.

—————–

A sombra do burro

A sombra do burro
Relatado por Darci Men

Demóstenes (384-322 a. C.) foi o maior orador ateniense.

Certa vez, promovendo uma assembleia pública em Atenas para tratar de altos interesses da pátria, Demóstenes viu-se em apuros pela turba impaciente, que fazia menção de retirar-se sem ouvi-lo.

Então, elevando a voz, disse que tinha uma história interessante a contar. Obteve, assim, silêncio e atenção, e começou:

— Certo jovem, precisando ir de sua casa até Megara durante o verão, alugou um burro, mas, antes de sair, o sol ficou a pino, muito quente, tanto o moço como o dono do animal alugado, queriam usar à sombra do burro e começaram a discutir quem ficaria com o lugar. Dizia o dono do animal que apenas alugara o burro e não sua sombra, e o outro afirmava que, quando pagou o aluguel do burro, pagara também o de sua sombra, pois tudo quanto pertencia ao burro lhe fora alugado com ele…

A esta altura, Demóstenes levantou-se e fez menção de retirar-se.

A multidão logo protestou desejosa de ouvir o resto da história. Foi então que o prodigioso orador, erguendo-se em toda a sua altura, encarou com firmeza o auditório, dizendo:

— Atenienses! Que espécie de homens sois que insistem em saber a história da sombra de um burro e recusas tomar conhecimento dos fatos mais graves que vos dizem respeito?

Só então pôde fazer o discurso que pretendia, para um auditório envergonhado e atento, que, afinal, ficou sem saber o fim da história da sombra do burro.

Até hoje os oradores usam deste expediente quando necessitam atenção da plateia.

Algo parecido aconteceu comigo.

Certa vez fui designado para dar uma palestra sobre segurança patrimonial e pessoal para funcionários de agências do Banco onde trabalhava.

Acontece que o organizador do evento designou-me para falar após a palestra do Professor Marins, um catedrático em comunicação e o homem foi fantástico, e no “Cofee Break” (parada para o café) que seguiu a sua apresentação todos comentavam a sua atuação.

Aí percebi a “roubada” em que tinha entrado: tinha de falar de um assunto chato, não era especialista nisso e falaria logo após aquele show do Professor Marins, e fiquei pensando: “Tenho que apresentar alguma coisa especial ou estou perdido!”

Por sorte lembrei-me de algo que tinha visto nos jornais da época e acabei “salvando o dia”, comecei a palestra nos seguintes termos:

“Pessoal, falar de segurança após esse show do Professor Marins, me fez sentir como o 8º marido da Elizabeth Taylor na noite de núpcias, ele deve ter pensado: ‘O que vou fazer agora para satisfazer essa mulher!’”

Todos aplaudiram e a partir daí tudo ficou mais fácil e no final da palestra o próprio Professor Marins fez questão de me cumprimentar.

_____________

A Lenda do Aparecido

A lenda do Aparecido
Escrito por Darci Men

    Naquela tarde de dezembro de 1974, em uma estrada de terra cheia de buracos e perigos, Seu Quitério, como era conhecido, dirigia sua Perua Rural com todo o cuidado.

Estava feliz e preocupado ao mesmo tempo.

Feliz porque, ao seu lado, juntamente com sua esposa Rosa, estava a sua bela filha Elisabete, a Beta, de 22 anos, depois de um longo período estudando na Faculdade da capital, finalmente ela retornava para sua casa, uma fazenda de gado nos confins da região sul da Selva Amazônica.

Preocupado porque ainda tinha que percorrer mais de 300 km por aquela estrada esburacada e deserta, no meio de uma floresta densa e perigosa, onde a casa mais próxima ficava a, pelo menos, 20 km, além disso, aquela era uma época de chuvas na região e as nuvens escuras e ameaçadoras mostravam que não demorariam a cair e o que mais o preocupava era o horário, pois a noite já estava chegando, tornando a viagem mais perigosa ainda.

As mulheres conversavam animadamente, cada uma contando as suas novidades, enquanto Seu Quitério, já com 50 anos, permanecia calado, alternando suas preocupações com as lembranças da sua vida atribulada e vencedora.

Ele tinha vindo do sul do país e, ao contrário da maioria daqueles que se aventuraram por aquelas bandas, tinha vencido todos os obstáculos e era agora uma pessoa muito respeitada na região, não só pelas muitas propriedades que possuía, mas, principalmente, porque era um trabalhador incansável, justo e honesto.

O casal só teve dois filhos, mas o primeiro, um menino alegre, contraiu uma doença grave e faleceu antes de completar 12 anos.

Seu Quitério, então, não mediu esforços para que a filha Beta estudasse na melhor Faculdade da região e agora ela retornava para casa formada em Medicina e já faziam planos de montar uma clínica médica, tão carente por aqueles lados.

De repente um imenso clarão surgiu no horizonte e os três ocupantes daquele veículo ficaram quietos e amedrontados. Logo Dona Rosa perguntou:

— O que foi isso Quitério? Foi um raio?

— Não sei não Rosa. – Respondeu Quitério, com ar de preocupação. — Raios fazem barulho e não ouvi nada! Muito estranho!

O instante seguinte foi mais inexplicável ainda, parecia que o tempo tinha parado: os pássaros não voavam nem cantavam, as árvores não balançavam e até o vento parecia não soprar mais.

Continue Reading…



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...