O mico

Mico

Quando se fala em mico, logo vem à mente o mico-leão-dourado, aquele bichinho simpático e belo das florestas brasileiras.

Mas o que eu quero falar aqui é no sentido pejorativo, ou seja: “pagar um mico”, um vexame, uma cena cômica, cafona ou coisa parecida.

Quem já não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Certamente você que está lendo já passou! Nessas horas dá vontade de cavar um buraco no chão e enfiar-se nele! Mas ao invés de lamentações dessas ocorrências, vamos rir delas que é bem melhor.

Hino Nacional às avessas

Vanusa - Hino NacionalA cantora Vanusa que o diga, quando, em março de 2009, foi convidada a cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo, nunca imaginou o mico que pagaria. Acabou cantando o Hino de “trás pra frente”. Ela alegou que foi um medicamento… Será?

Inspetor atrapalhado

No banco onde eu trabalhava tinha um inspetor que era conhecido por sua arrogância.

Certa vez ele foi designado para inspecionar uma agência no interior do estado de São Paulo. Chegou à agência bem cedo, segurou sua credencial na mão direita no estilo dos agentes do FBI e foi dizendo para o gerente da agência:

– Sou inspetor e vou fazer uma auditoria na agência, vamos começar conferindo o dinheiro no cofre.

Imagem: http://likeanerd.pop.com.br/technobabbling-inspetor-bugiganga/.

O gerente acompanhou-o até o cofre e colocou todo o dinheiro que estava lá em cima da mesa.

Depois de mais de uma hora contando, o inspetor falou ao gerente:

– Me traga o A-536. [Planilha que registrava a entrada e saída de dinheiro da agência.]

O gerente, mostrando surpresa, perguntou:

– A-536? O que é isso?

O inspetor ficou uma fera:

– “O que é isso” digo eu! Você, um gerente do Banco Mercantil de São Paulo, não sabe o que é o A-536?

O gerente, meio atrapalhado, respondeu:

– Nunca fui gerente do Banco Mercantil, sou gerente do Banco Moreira Salles e já faz mais de cinco anos.

Só aí ambos entenderam que o atrapalhado inspetor tinha entrado na agência do banco errado.

Futebol ou balé

Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/com-rendimento-ruim-jogador-e-punido-e-obrigado-a-treinar-fantasiado-de-fada/?cHash=4d3c969df3af46a8fb163ca5b230345f.

Mico mesmo pagou o Jairo, jogador do Figueirense, de Santa Catarina.

Ele foi eleito o pior jogador do “rachão” e teve que comparecer ao treino seguinte com um deslumbrante vestido cor-de-rosa.

Égua assanhada

Certa vez eu e meus irmãos fomos almoçar na casa da minha mãe. Conversa vai, conversa vem, toma uma cervejinha aqui e tantas outras ali, ficamos naquela “descompressão” de não-sei-o-que-fazer, até que alguém viu uma égua pastando tranquilamente em um terreno ao lado, comentando: “Será que é mansa?”

http://ranchosaomiguel.com/wordpress/?p=1314

Eu, todo metido, fui conferir. A princípio ela foi dócil e deixou-se acariciar, mas foi só virar as costas e a danada deu-me uma tremenda mordida nas nádegas deixando meu precioso traseiro todo dolorido.

Tive de sentar de lado por um bom tempo, mas o pior foram as gozações que duram até hoje, fato que ficou conhecido como a “mordida da égua assanhada”.

Minhas mulheres

Antes de vocês pensarem besteiras eu já vou explicando que “minhas mulheres” são minha esposa, minhas duas filhas e minhas três netas.

Bem, elas são especialistas em pagar micos, alguns exemplos:

Dia desses, a minha neta Giulia, de oito anos, voltou da escola toda nervosa:

Fonte: http://mulher.net/2012/10/09/como-introduzir-a-mesada-para-os-filhos/

– Vó, a tia da cantina foi grosseira comigo, eu falei com ela com toda a educação “Tia, a senhora poderia fazer o favor de trocar essa moeda de 50 centavos por outra de 1 real?” Ela respondeu “Você tá doida menina”.

Outro mico espetacular pagou minha esposa Angélica.

No dia 26.01.2010 eu tinha saído bem cedo e quando voltei encontrei-a tomando o café da manhã, nem a tinha cumprimentado pelo seu aniversário que acontecia naquele dia, quando a vi assustada e mais branca do que neve, até que ela falou:

– Pai – há muito tempo ela costuma me chamar de “pai” –, engoli a ponte!

Por um instante fiquei imaginando ela engolindo a Ponte Espraiada, aquela da região do Morumbi, até que ela explicou:

– Engoli a prótese dentária, aquela que o dentista acabou de fixar. E agora?

Fonte: http://www.ndnucleodiagnostico.med.br/servico/raiox#ad-image-1

Resultado: ela foi a um pronto-socorro público ao lado da nossa casa, e a médica tirou uma radiografia e ficou apavorada, foi transportada de ambulância até outro hospital público, retornou de ambulância sem ser atendida e só foi resolver o problema no final do dia no hospital do convênio através de uma endoscopia.

No dia seguinte a caixa de entrada de seu e-mail estava lotada de gozações, e o mínimo que a chamaram foi de “engolidora de pontes”.

Mas hilariante mesmo foi o mico da Aline, minha filha. Na última quarta-feira ela foi convidada para um happy hour, do Citibank, onde trabalha. Ela estava toda empolgada e dizendo que era um local “chique”, com comidas e bebidas de vários países e por aí afora.

Para quem não sabe, happy hour é uma tradição americana que se espalhou pelo mundo e nada mais é que uma festa de fim de expediente para descontrair. A tradução é “hora feliz”, mas não foi nada feliz para a Aline.

Ela não queria dirigir com o sapato de salto alto, então botou uma Havaiana nos pés e foi embora, esquecendo os sapatos em casa.

Quando se deu conta, estava em plena festa, vestida com traje social e de Havaiana.

Fonte: http://www.elo7.com.br/havaianas-tradicional-azul-com-swarovski/dp/2BFC4B

Teve que aguentar todo tipo de gozações e passar o tempo todo escondendo os pés. Era só um fotógrafo chegar por perto e ela já advertia:

– Só do joelho para cima.

Claro que teve quem não obedeceu, e o fato foi devidamente registrado para entrar nos anais daquela comunidade como “A cinderela de havaianas”.

Relatado por Darci Men.

_________________

Clube dos Autores – Livros com descontos!

Darci Men - Kanata

O Clube dos Autores é um site em que você pode publicar o seu livro de forma gratuita, quer dizer, os livros ficam disponíveis no catálogo do site e são impressos conforme há demanda.

É uma boa forma de você realizar o sonho de ver seu livro impresso e sem grandes custos!

Uma coisa bem legal também é que você, como autor, pode decidir a margem de lucro que terá por venda, barateando ou aumentando o valor da impressão ou do download, já que você tem as opções de ter o livro na versão impressa e/ou o e-book.

Autores da casa 🙂

Nós aqui do Cachorro Solitário temos dois autores com livros publicados por lá: O Darci Men, com o seu recém-lançado O Mistério da Kanata; e o Diogo C. Scooby com o seu O Lado Escuro.

Bom, o Clube dos Autores está com uma promoção de Verão: Os livros impressos estão com um desconto de 25% dos dias 13 a 20 de janeiro!

Aproveite e faça uma visita ao site quem sabe você descobre autores, livros e histórias fantásticas que poucos conhecem, ou mesmo se anima a publicar o seu primeiro livro! 😉

Boa leitura e boas compras!

__________________________________

PORTUJURÊS

Portujurês,Darci Men

Escrito por Darci Men

Você caro leitor, fala e escreve o Português? Espero que sim! Afinal, estamos no Brasil, cuja língua oficial é o Português.

Então me responda, você conhece os termos: “sodalício”, “axiológico”, “crivo”, “probatório”, “vértice”, “patrono”, “exordial”, “colendo”, “subsunção”, “vênia” e “infirmar”?

Não? Você deve estar se perguntando: “Que raio de língua é essa?” Eu respondo com uma única palavra: PORTUJURÊS!

Estas palavras foram ditas pelos Ministros do STJ durante o julgamento do “Mensalão”. Claro que são palavras da Língua Portuguesa, mas a questão é por que a comunidade do Judiciário insiste tanto em usar termos que ninguém usa, só eles! Chegamos ao absurdo de manter um tradutor de plantão para informar o que foi dito no tribunal. Qual o objetivo disso? Eis a questão!

Você deve estar se perguntando: “Mas Darci, esta não é hora de criticar o STJ que nunca em sua história teve tanto prestígio já que foram capazes de condenar gente da poderosa máquina do governo e, nunca em sua história, tantos brasileiros acompanharam um julgamento.”

Sim, é verdade, e devemos “tirar o chapéu” para o STF, com exceção de dois Ministros, que só faltaram colocar a estrela do PT em suas sagradas togas, o Tribunal, como um todo, foi fantástico, com destaque absoluto para o Ministro Joaquim Barbosa.

Assim, se o Tribunal foi ótimo, perdeu uma excelente oportunidade de marcar mais um ponto e em ter deixado de lado o chamado “Portujurês”, eu explico por que: Ora, o julgamento é público e nada mais justo e correto que o público entenda o que foi dito e julgado!

Nos tribunais regionais e distritais acontece a mesma coisa! Quem ainda não se deparou com um despacho do judiciário e ficou se perguntando: “Qual foi a decisão? O que ele quis dizer?”

Então eu volto a perguntar: Por que tudo isso? Qual o objetivo?

Portanto, eu acho que os Sodalícios, Patronos e Meirinhos deveriam ter a subsunção que ser egrécio e colendo não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não se infirmar? Com a devida vênia, acho isso totalmente axiológico.

 

TRADUZINDO A ÚLTIMA PARTE:

Portanto, eu acho que os Tribunais, Advogados e Oficiais de Justiça deveriam aceitar que ser distinto e altamente respeitável não é sinônimo de escrever ou falar palavras que os “pobres mortais” não entendem, ou será que assim agem para não diminuir sua autoridade? Com a devida permissão, acho isso totalmente incontestável.

Que a paz esteja com todos!

——————-

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

uma mulher no trono papal

Segundo a Mitologia Grega, a primeira mulher veio ao mundo como castigo dos Deuses. Chamava-se Pandora e junto com ela veio a famosa caixa que não poderia ser aberta… mas ela abriu e, consequentemente, trouxe inúmeras desgraças.

Não ficou claro se ela abriu só a caixa ou “abriu mais alguma coisa”, mas o recado machista ficou bem definido…

Também relacionado à Grécia Antiga, vem outro exemplo de machismo:

Segundo os historiadores, em 393 d. C., o Imperador romano Teodósio (347-395), que era cristão, aboliu os Jogos Olímpicos que já existiam há mais de um milênio. Apesar de tais Jogos serem exclusivos dos homens, ele alegou que o evento estava ligado ao paganismo, exaltava o corpo humano e atentava contra a masculinidade.

Outro exemplo de machismo ocorreu na Idade das trevas, mais precisamente por volta de 855 da nossa era.

Segundo a lenda, uma jovem de nome Joana ou Joanne, extremamente inteligente e culta, teria chegado ao Papado com o nome de João VII.

Na época era proibido as mulheres estudarem, então ela “vestiu-se” de homem e foi galgando todos os cargos da Igreja: Monge, Padre, Bispo, Cardeal e finalmente Papa.

Certamente ela era muito inteligente senão não teria chegado aonde chegou. Mas, acima de tudo, ela era um ser humano e uma mulher e como tal acabou se apaixonando por um guarda suíço do Vaticano e dando suas “furunfadas”, acabou por engravidar.

Claro que ela escondeu isso enquanto pôde, mas um dia em uma das intermináveis e cansativas procissões, acabou dando a luz ao bebê em plena rua.

Resultado: a pobre coitada acabou amarrada ao rabo de um cavalo e arrastada até a morte.

Em outra ocasião, em 1859, quando Charles Darwin publicou o seu famoso trabalho “A Origem das Espécies”, sugerindo que o homem descendia dos macacos, foi um verdadeiro alvoroço. A Igreja queria “crucificá-lo” e mesmo a sociedade científica demorou em aceitar suas ideias.

Um de seus colegas, para ironizá-lo, teria dito: “Se ele afirmasse que a mulher descende de um macaco, ‘vá lá’, mas dizer que o homem descende do macaco é demais.”

O que eles não sabiam, e sabemos agora, é que descendemos de poeira estelar e bactérias há “trocentos” bilhões de anos atrás. Mas ainda tem gente que não acredita nisso e é perfeitamente normal que isso ocorra. É difícil alterar os ensinamentos “aculturados” durante anos e anos.

Estes fatos históricos, sendo totalmente verdadeiros ou não, demonstram como tem sido machista a humanidade. Resquícios desse machismo ainda existem em todos nós e é manifestado de várias maneiras.

Assim, cresci aprendendo que o homem, ou seja, o “cabra macho”, não chora, não lava louças, em sua casa quem manda é ele e por aí vai…

Dia desses a minha mulher veio com a seguinte conversa:

— Você tem que fazer o exame da próstata e já marquei com o médico.

Aquilo foi uma terrível notícia, eu sabia que tinha que fazê-lo, mas sabe como é: homem que é homem… Então respondi a ela:

— O que?! Ir lá para o cara meter o dedo no meu “fiofó”? Nem pensar!

Então, como na minha casa quem manda sou eu, adivinhe: fui!

Mas considerando aquele ditado que diz: Integridade é dizer a verdade a si mesmo e Honestidade é dizer a verdade aos outros, e como esse assunto é de interesse geral, vou contar como foi.

Já na véspera quando falei aos amigos a minha terrível missão, começaram as gozações:

— Relaxa, você vai acabar gostando e pedir para voltar – Disse um.

— Trate de levar um espelho retrovisor, nunca se sabe o que o médico vai enfiar lá… – disse outro.

— Cara, isto é como aquela peça de teatro: Trair e coçar, é só começar! – Afirmou outro. E tantas outras piadinhas do gênero.

No fatídico dia fiquei pensando: “Darci, você já passou por tantas situações difíceis nessa vida, não é um mísero dedinho que vai te assustar. Mas e se for um ‘dedão’?”

Bem, lá fui eu e, é claro, levei minha mulher, pois precisava de um apoio moral nesse assustador momento.

O simpático Doutor, já com idade avançada, lá pelos seus 60 anos ou mais, começou com inúmeras perguntas. Fiquei pensando: “Por que tantas perguntas? Por que ele não vai logo aos ‘finalmentes’ e acaba logo com essa agonia de uma vez?”

Depois de inúmeras anotações, ele encostou-se à cadeira, fez uma pausa “estratégica” que parecia uma eternidade, olhou-me fixamente e disse:

— Bem, pelo que você me disse, sua saúde é ótima, então o que o senhor vem fazer em meu humilde consultório em uma tarde de sexta-feira, tão linda e ensolarada? – E já dando a resposta completou com um sorriso maroto: — Já sei! Quer experimentar o meu dedo? Já que está aqui, vamos para a sala ao lado.

Lá chegando já foi dando ordens:

— Deita aí na cama e baixe as calças.

Nessa altura dos acontecimentos, não aguentando mais, falei:

— Doutor, me deixa ver direito essa tua mão, afinal, cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém!

— Não se preocupe – respondeu ele, mostrando-me as suas mãos e continuando: — Veja, são pequenas e não tem nenhum anel ou aliança, vai ser moleza!

— É moleza porque não é no seu! – eu respondi.

Minha mulher que estava na sala ao lado ouvindo a conversa perguntou:

— Posso assistir?

Respondemos em coro:

— Nãaaao!!

A partir daí recuso-me a contar detalhes, mas dá para imaginar…

Depois dessa a época do machismo “já era”. Será?

Pois é, “assim caminha a humanidade”.

Que a paz esteja com todos.

Darci Men

Sua Majestade, O Computador

Computador antigo

Escrito por Darci Men

“A maior chance de uma catástrofe humana de grandes proporções acontecer não está em eventos da natureza, tais como: enchentes, vulcões, meteoros e etc., nem nas previsões apocalípticas do incrível povo Maia e nem ainda de uma guerra nuclear. A grande catástrofe seria uma pane generalizada dos computadores.”

Li por acaso esta frase de autoria de um tal de Russev, um búlgaro que se apresentou como um parente distante da nossa presidente Dilma Rousseff.

A princípio pensei comigo: “Este cara está doido! Computador basta desligar da tomada e fica mais ‘murcho’ que pau de velho, quer dizer, depende do velho…!”

computador antigo

Mas será isso mesmo? Pensando melhor, o problema está no contrário disso, ou seja, quando ele deixa de funcionar ou funciona mal!

Logo me lembrei do famoso “Bug do Milênio”: a passagem do ano 1999 para 2000.

Na época, os computadores tinham pouco espaço para armazenar dados e os programadores usavam as datas com apenas seis dígitos, assim: dd/mm/aa e aí estava o problema, já que o ano 2000 terminava em “00”, mais os anos 1800, 1900 e etc. também, então, como os computadores iriam identificar a data correta?

A questão quase chegou a um pânico generalizado, todas as empresas e governos de todo o mundo começaram uma corrida contra o tempo para reprogramar seus computadores.

Para alegria dos programadores de plantão, foram gastos milhões e milhões de dólares nessa tarefa.

Mesmo assim, as previsões eram catastróficas: alardeavam panes generalizadas nos setores de energia, telefones, bolsas de valores, bancos, aviões caindo e por aí vai…

Eu mesmo tive que pagar a minha parte: na madrugada do dia 01/01/2000, dia do meu aniversário, quando todos comemoravam um réveillon especial da passagem do milênio, eu, e mais uma centena de funcionários fazíamos testes e mais testes nos computadores.

Felizmente tudo deu certo, mas ficou o alerta.

Dia desses, já no final do expediente, estava eu atrasado com os serviços do dia, “trocentas” coisas para fazer e inúmeras contas para pagar via internet, quando a energia deu uma “piscadela”.

Foi o suficiente para o computador desligar e, mesmo com a volta da energia, não queria “abrir” novamente.

Depois de inúmeras tentativas a paciência se esgotou e tive vontade de dar um belo pontapé naquela caixa preta insensível, mas não podia fazer isso, dependia dele!

Cheguei a lembrar de uma frase que minhas netinhas costumam falar nessas horas: “Meu amor, minha vida, minha privada entupida.” 

Aquilo era um pesadelo, estava quase desistindo quando fiz uma última e desesperada tentativa: olhei fixamente para aquela caixa preta, com seus leds “piscolando”, passei a mão carinhosamente sobre seu dorso gelado e falei, quase suplicando:

— Magnânima Majestade, ajude esse seu servo flagelado, funcione, por favor!

E não é que o danado atendeu as minhas preces e voltou a funcionar.

Que a paz esteja com todos e que fiquem livres da tirania dos computadores.

Amém.

A morte do meu pior inimigo

A morte do meu pior inimigo, por Darci Men

por Darci Men

Estávamos reunidos naquele hotel para um workshop de quatro dias.

Éramos ao todo 20 pessoas, todos gerentes de várias empresas áreas e o objetivo era discutir temas relacionados ao nosso cargo, tais como: Liderança, Relacionamento Interpessoal, Produtividade e coisas do gênero.

No segundo dia, logo pela manhã, encontramos afixado na entrada do auditório o seguinte comunicado:

“LAMENTAMOS COMUNICAR QUE FALECEU HOJE UMA PESSOA MUITO PRÓXIMA A TODOS NÓS. PORTANTO TODOS DEVEM PERMANECER EM SILÊNCIO NO AUDITÓRIO E AGUARDAR INSTRUÇÕES”.

Entre todos os presentes a pergunta era:

— Quem morreu? Alguém sabe alguma coisa?

Ninguém sabia! O tempo foi passando e a ansiedade de todos aumentando, pairava no ar aquele clima tenso, preocupado e até desesperado de uns.

Só depois de 30 minutos entrou um dos monitores e quase um tumulto se formou, todos perguntando ao mesmo tempo:

— O que aconteceu? Quem Morreu?

O monitor então falou:

— Calma pessoal, vocês logo saberão. O caixão está na sala ao lado. Vocês poderão vê-lo, mas a visitação será efetuada de um em um para evitar tumulto. 

Assim foi feito e aquela espera parecia uma eternidade, cada um que retornava
daquela sala voltava em silêncio e com o semblante “pesado” como se tivesse sido atingido pela mais grave tragédia.

Por mais que os outros perguntassem, nenhum deles falava o que tinha visto, aumentando ainda mais a ansiedade dos demais.

Fui um dos últimos a entrar naquela sala. O clima era de “arrepiar”: a sala quase na penumbra, só com as luzes das velas, o ar impregnado com o odor das velas e o perfume de flores e um som ambiente com uma música funesta dava aquela sensação característica dos velórios.

O caixão de uma cor marrom escura bem no centro da sala, apoiado por suportes ornamentados, estava fechado e com apenas um grande visor em sua cabeceira, estava cercado por diversos pedestais com velas acessas e, em todo canto da sala, enormes corroas e
vasos de flores.

Confesso que “gelei”, mas fui em frente e quando olhei pelo visor do caixão a enorme surpresa: dentro do caixão estava o meu próprio rosto, fechei os olhos e abri novamente, apesar da pouca luz, não havia dúvidas, era eu.

Voltei o corpo e na minha cabeça várias perguntas: “Estou morto? Estou sonhando?”.

Naquela altura dos acontecimentos, fiquei sem saber o que fazer e virei para os lados procurando ajuda de alguém, mas estava sozinho naquela sala. Queria olhar novamente dentro daquele caixão, mas alguma coisa me impedia.

Depois de algum tempo criei coragem e olhei novamente e só então é que compreendi: naquele visor, ao invés de um vidro transparente, existia um espelho.

Ao sair da sala um monitor me orientou a retornar ao auditório e não contar a
ninguém o que tinha visto.

Depois do retorno do último visitante ao “defunto” é que nos foi esclarecido o motivo de tudo aquilo, ou seja:

— O OBJETIVO DESTA ENCENAÇÃO É PARA VOCÊS REFLETIREM E NUNCA ESQUECEREM QUE O PIOR INIMIGO DE VOCÊS NÃO É O SEU CHEFE, SEU PATRÃO, SEU VIZINHO, O MOTORISTA DO CARRO AO LADO OU QUALQUER OUTRA PESSOA. O SEU PIOR INIMIGO É VOCÊ MESMO, PORTANTO DEIXE PARA SEMPRE NAQUELE CAIXÃO O SEU LADO NEGATIVO.

—————–

A sombra do burro

A sombra do burro
Relatado por Darci Men

Demóstenes (384-322 a. C.) foi o maior orador ateniense.

Certa vez, promovendo uma assembleia pública em Atenas para tratar de altos interesses da pátria, Demóstenes viu-se em apuros pela turba impaciente, que fazia menção de retirar-se sem ouvi-lo.

Então, elevando a voz, disse que tinha uma história interessante a contar. Obteve, assim, silêncio e atenção, e começou:

— Certo jovem, precisando ir de sua casa até Megara durante o verão, alugou um burro, mas, antes de sair, o sol ficou a pino, muito quente, tanto o moço como o dono do animal alugado, queriam usar à sombra do burro e começaram a discutir quem ficaria com o lugar. Dizia o dono do animal que apenas alugara o burro e não sua sombra, e o outro afirmava que, quando pagou o aluguel do burro, pagara também o de sua sombra, pois tudo quanto pertencia ao burro lhe fora alugado com ele…

A esta altura, Demóstenes levantou-se e fez menção de retirar-se.

A multidão logo protestou desejosa de ouvir o resto da história. Foi então que o prodigioso orador, erguendo-se em toda a sua altura, encarou com firmeza o auditório, dizendo:

— Atenienses! Que espécie de homens sois que insistem em saber a história da sombra de um burro e recusas tomar conhecimento dos fatos mais graves que vos dizem respeito?

Só então pôde fazer o discurso que pretendia, para um auditório envergonhado e atento, que, afinal, ficou sem saber o fim da história da sombra do burro.

Até hoje os oradores usam deste expediente quando necessitam atenção da plateia.

Algo parecido aconteceu comigo.

Certa vez fui designado para dar uma palestra sobre segurança patrimonial e pessoal para funcionários de agências do Banco onde trabalhava.

Acontece que o organizador do evento designou-me para falar após a palestra do Professor Marins, um catedrático em comunicação e o homem foi fantástico, e no “Cofee Break” (parada para o café) que seguiu a sua apresentação todos comentavam a sua atuação.

Aí percebi a “roubada” em que tinha entrado: tinha de falar de um assunto chato, não era especialista nisso e falaria logo após aquele show do Professor Marins, e fiquei pensando: “Tenho que apresentar alguma coisa especial ou estou perdido!”

Por sorte lembrei-me de algo que tinha visto nos jornais da época e acabei “salvando o dia”, comecei a palestra nos seguintes termos:

“Pessoal, falar de segurança após esse show do Professor Marins, me fez sentir como o 8º marido da Elizabeth Taylor na noite de núpcias, ele deve ter pensado: ‘O que vou fazer agora para satisfazer essa mulher!’”

Todos aplaudiram e a partir daí tudo ficou mais fácil e no final da palestra o próprio Professor Marins fez questão de me cumprimentar.

_____________

A Lenda do Aparecido

A lenda do Aparecido
Escrito por Darci Men

    Naquela tarde de dezembro de 1974, em uma estrada de terra cheia de buracos e perigos, Seu Quitério, como era conhecido, dirigia sua Perua Rural com todo o cuidado.

Estava feliz e preocupado ao mesmo tempo.

Feliz porque, ao seu lado, juntamente com sua esposa Rosa, estava a sua bela filha Elisabete, a Beta, de 22 anos, depois de um longo período estudando na Faculdade da capital, finalmente ela retornava para sua casa, uma fazenda de gado nos confins da região sul da Selva Amazônica.

Preocupado porque ainda tinha que percorrer mais de 300 km por aquela estrada esburacada e deserta, no meio de uma floresta densa e perigosa, onde a casa mais próxima ficava a, pelo menos, 20 km, além disso, aquela era uma época de chuvas na região e as nuvens escuras e ameaçadoras mostravam que não demorariam a cair e o que mais o preocupava era o horário, pois a noite já estava chegando, tornando a viagem mais perigosa ainda.

As mulheres conversavam animadamente, cada uma contando as suas novidades, enquanto Seu Quitério, já com 50 anos, permanecia calado, alternando suas preocupações com as lembranças da sua vida atribulada e vencedora.

Ele tinha vindo do sul do país e, ao contrário da maioria daqueles que se aventuraram por aquelas bandas, tinha vencido todos os obstáculos e era agora uma pessoa muito respeitada na região, não só pelas muitas propriedades que possuía, mas, principalmente, porque era um trabalhador incansável, justo e honesto.

O casal só teve dois filhos, mas o primeiro, um menino alegre, contraiu uma doença grave e faleceu antes de completar 12 anos.

Seu Quitério, então, não mediu esforços para que a filha Beta estudasse na melhor Faculdade da região e agora ela retornava para casa formada em Medicina e já faziam planos de montar uma clínica médica, tão carente por aqueles lados.

De repente um imenso clarão surgiu no horizonte e os três ocupantes daquele veículo ficaram quietos e amedrontados. Logo Dona Rosa perguntou:

— O que foi isso Quitério? Foi um raio?

— Não sei não Rosa. – Respondeu Quitério, com ar de preocupação. — Raios fazem barulho e não ouvi nada! Muito estranho!

O instante seguinte foi mais inexplicável ainda, parecia que o tempo tinha parado: os pássaros não voavam nem cantavam, as árvores não balançavam e até o vento parecia não soprar mais.

Continue Reading…

Maria Louca

Maria Louca, por Darci Men

Escrito por Darci Men

Sentado na varanda da sua velha casa, em uma cadeira improvisada e amarrada com cipó da floresta, seu Nhonhô, como é conhecido por todos da região, apreciava o “vai e vem” de máquinas, caminhões e pessoas em direção as obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em plena floresta Amazônica.

Seu Nhonhô é o típico “barranqueiro”, como são conhecidos os moradores das margens dos rios amazônicos, mas com uma particularidade única: em uma região inóspita, onde a expectativa de vida é de, no máximo, 60 anos, aquele senhor ainda lúcido tem o dobro ou mais disso.

Ninguém, nem mesmo ele, sabe direito sua idade, quando lhe perguntaram se tem algum documento para ver sua idade, o velho ancião respondeu:

— Não tem não, sinhô. Perdi quando era moço, minha canoa aborcou – virou – no Rio Mamoré, perto do Forte.

Com o corpo “arcado” pelo tempo, a pele enrugada e as mãos trêmulas, mas com uma lucidez de fazer inveja às pessoas que o rodeavam, ele comentava com seu sotaque único e uma voz rouca e cansada:

— Apois pessoar, tanta bandaieira assim eu só vi nos tempo da “Maria Louca”. – Aponta o seu dedo trêmulo para um capão de mato e continua: — Ela vinha por aquele córgo – riacho –, toda cheia de trique-trique e não tinha arma viva que não parava pra ver ela passá, até o prégo – macaco prego – parava de brinca na castanhera – Castanheira (árvore típica da região).

As pessoas presentes se entreolharam, como se perguntando: “Quem é essa tal de Maria Louca?” Alguém logo esclareceu:

— Não se trata de D. Maria I, mãe de D. João VI, que também tinha esse apelido, nem tampouco de uma mulher. Maria Louca, ou Mad Maria, na versão mais sofisticada do escritor Márcio de Souza e também de uma mini-série da Rede Globo, era o apelido das locomotivas da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Esse apelido, que no sul do Brasil é carinhoso (Maria Fumaça), lá é pejorativo mesmo, devido às grandes dificuldades encontradas para a construção e operação da estrada e, principalmente, ao grande número de mortes na sua construção, gerando também outros apelidos, tais como: Estrada da Morte, Estrada do Diabo e assim por diante.

Demonstrando a incrível lucidez daquele ancião, que ouvia atentamente a conversa, ele comentou:

— Esta floresta não é de brincadeira seu moço, já venceu muita gente grande e continua braba. Meu pai, que era um caboclo valente e conhecia essa mata como ninguém, morreu quando abria picada – caminho no meio do mato – para a Estrada da Maria Louca.

Alguém logo perguntou:

— Ele morreu de malária, seu Nhonhô ?

Milhares de trabalhadores morreram disso na época da construção da estrada.

— Não, sinhô. – respondeu o ancião — Uma onça pegô ele, mas ela morreu primeiro! – afirmando com orgulho: — Meu pai furô ela todinha com a faca.

Ouvindo essas histórias e vendo o atual abandono dessa estrada, vem a pergunta: “O que levou o governo brasileiro a gastar milhões em uma obra ‘faraônica’, ‘ligando o nada a lugar nenhum’ (estima-se que na época foram gastos o equivalente a 28 toneladas de ouro), ao custo de tantas vidas e considerada uma das maiores do mundo para a época, inclusive comparada com a construção do Canal do Panamá?”

A resposta parece simples: Questão econômica. Mas foi só isso?

Na época, praticamente todo transporte da região era efetuado através dos rios, mas naquele local especificamente existia um problema: as grandes cachoeiras do Rio Madeira (onde atualmente estão em construção as Usinas Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio).

Isto inviabilizava o transporte fluvial de um produto com alto preço no mercado internacional e abundante na região, o látex (ou borracha).

Era necessário encontrar uma maneira de transportar essa riqueza e, em 1.867, o Imperador D. Pedro II criou uma comissão para estudar a viabilidade de construir a estrada que foi logo descartada devido as dificuldades.

Mais de cinco anos depois, uma empresa inglesa, a Public Works, assumiu o “risco” de fazê-la, mas devido as dificuldades, principalmente as doenças, abandonou o projeto menos de um ano depois, sem construir um metro sequer.

O contrato foi transferido para outra empresa inglesa, a Reed Bross. E Co., que também não construiu nada e a questão foi parar nos tribunais, anulando-se o contrato em janeiro de 1877.

No ano seguinte, em 1878, novo contrato foi firmado com a empresa americana Phillip e Thomas Collins, que criou a Madeira Mamoré Railway, especialmente para construir a estrada. No mesmo ano, a empresa teve um de seus navios a vapor naufragado, o Metrópolis, matando 80 pessoas e perdendo todo o material que transportava.

No ano seguinte, o próprio Collins foi atacado por índios e sobreviveu por pura sorte; sua empresa faliu com apenas sete quilômetros de trilhos assentados. Tudo foi abandonado novamente.

Nesse período ocorreu a guerra entre a Bolívia e o Chile, tendo a primeira perdido o temad mariarritório que dava aceso ao Oceano Pacífico, passando a depender do transporte fluvial para o Oceano Atlântico através dos rios amazônicos: Mamoré, Madeira e Amazonas. Mas as já mencionadas cachoeiras do Rio Madeira eram o grande problema, sem contar a floresta densa, os índios, as doenças e, principalmente, os conflitos com os brasileiros da fronteira.

Em 1.899 ocorreu a chamada Revolução Acreana e, para evitar uma guerra de maiores proporções, os governos brasileiro e boliviano assinaram em 17.11.1903, o “Tratado de Petrópolis”, tendo o governo boliviano cedido o território do Acre que lhe pertencia em troca do governo brasileiro construir a Estrada de Ferro de 366 km, ligando Guajará-Mirim, no Rio Mamoré, ao Porto de Santo Antonio, no Rio Madeira (Atual Porto Velho).

A concorrência para o novo contrato foi vencida pelo engenheiro brasileiro Joaquim Catramby, que nada mais era que um “testa de ferro” do mega investidor americano Percival Farguar, este, um polêmico empresário com vários projetos no Brasil e no mundo.

A obra foi alardeada no mundo inteiro como o mais ambicioso projeto do século, mas acabou sendo ofuscada pela construção do Canal do Panamá, que foi efetuada na mesma época.

A construção da estrada durou de 1.909 à 1912, envolvendo mais de 20.000 trabalhadores do mundo inteiro.

Nesse período ocorreram greves, tumultos e muitas mortes (mais de 1.500, sem contar os desaparecidos), intrigas palacianas entre o empresário Faguar e o ministro Juvenal de Castro, do então presidente Marechal Hermes da Fonseca (contrário a construção da estrada) e muitos gastos que levaram à falência da Companhia. (Esse período é demonstrado na minissérie Mad Maria, da Globo).

Mais incrível ainda: assim que a estrada ficou pronta, o preço da borracha despencou, a Bolívia encontrou outro caminho via Argentina, o canal do Panamá passou a operar e fazer concorrência e a operação da ferrovia (o mais ambicioso projeto do século) tornou-se deficitária.

Em julho de 1931, o governo brasileiro assumiu o controle da Ferrovia e, em 1966, depois de 54 anos de prejuízos, foi desativada e substituída por uma rodovia e todo o seu acervo abandonado.

Em 1972 a maior parte desse acervo foi vendida como sucata para uma empresa de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

Realmente a Maria Louca merece o apelido que ganhou. Hilariante, não acham?

Seu Nhonhô, em sua simplicidade, falou uma grande verdade: a Floresta Amazônica não é para brincadeiras e já derrubou muita “gente grande”, que o digam Henry Ford (Fodlândia), Daniel Ludwig (Projeto Jari), Percival Farguar, entre outros que a desafiaram e perderam, sem contar os governos do Brasil, que investiu milhões em troca de um monte de ferro velho e da Bolívia que cedeu território em troca de nada.

——-

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...