Podcast Apokalipson 06 – É o fim do mundo todo dia da semana

Nesta edição, Diogo Scooby (@diogocscooby), Bárbara Coelho (@barbaracoe), a arqueóloga e pesquisadora Kelly Brandão e diretamente da Itália Manu, se reunem para falar sobre os possíveis fins de mundo. Invasões alienígenas, religiões, vulcões, meteoros, máquinas ou o próprio ser humano, quem pode nos levar ao fim? 

Além disso dicas culturais para passar o tempo durante a pandemia.

Apokalipson é o podcast sobre variedades do blog Cachorro Solitário (www.cachorrosolitario.com.br).

Podcast Apokalipson 05 – “Futuro” Pronto

Nesta edição do podcast Apokalipson, Barbara Coelho se une ao Professor Etson Delegá (Thunder), ao fotógrafo Eduardo Leandro e à correspondente internacional diretamente da Itália Emanuela Barbosa (Manu) para fazer um exercício de futurologia durante a pandemia. A Itália está um pouco em nosso futuro, mas será que é pouco, ou nosso futuro tomará outras cores?
E ainda dicas da semana pra passar bem nesse período nefasto.

Ou

Podcast Apokalipson 04 – Solidão – Antes, agora e depois da quarentena

Esta é mais uma edição do podcast Apokalipson, do blog Cachorro Solitário.
Diogo Scooby (@diogoscooby), Bárbaro Coelho (@barbaracoe) e Eduardo Leandro (@eduleandrosp) recebem as terapeutas Tatiana Jentsch e Ana Carol (@anacarolpsicologa) para falar sobre solidão durante a pandemia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 a cada 10 pessoas no Brasil tem algum distúrbio de ordem mental, e esse número parece ser ainda maior entre os jovens, cerca de 1 a cada 5. Esses dados são de 2019, e é claro que são subdimensionados, já que sabemos que a maioria das pessoas nunca foi e nem será diagnosticada, seja por questões ligadas ao tabu, seja por questões financeiras ou geográficas.

Agora, em tempos de pandemia, as pessoas precisam de ainda mais suporte nessas questões do que no finado “normal”.

Para quem já vivia isolado ou solitário, talvez nada ou pouco mudou, mas muitas pessoas não estão acostumadas a esse isolamento. O que fazer nesse caso? Como lidar?

Comentado no podcast:
https://setorsaude.com.br/os-surpreendentes-efeitos-da-solidao-e-o-impacto-na-saude/ – Pesquisa

https://vimeo.com/watch – Curtas

Grupo WhatsApp Apoio Emocional: 

https://chat.whatsapp.com/CIycm8OZuz1Cv5txsHKyG4

Telefones úteis:

Disque 100 – (denúncia de violência contra a criança e o adolescente)

180 – (denúncia de violência contra a mulher)

188 – CVV 

Contatos:

Ana Carolina – (11) 99443-0842

(Psicoterapeuta)

Instagram – @anacarolpsicologa


Tatiana – (11) 94951-3526

(Terapia cognitivo-comportamental)

tjentsch@gmail.com

Música final: https://freemusicarchive.org/music/Madame_Rrose_Selavy/

All audio tracks including the opening theme are under Creative Commons Licence, for more reference, check the link bellow. https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Teresas

Teresa
Manuel Bandeira

A primeira vez que vi Teresa 
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo 
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

No poema de Bandeira não há rigor formal: ele é composto por três estrofes, de três versos cada, mas que não seguem um padrão métrico ou rítmico.

O tom com o qual o eu lírico nos fala é coloquial, quase de banalidade, sem os exageros dos românticos, por exemplo.

Nas primeira e segunda estrofes, o eu lírico diz de suas impressões ao ver Teresa (fisicamente): as pernas eram estúpidas, a cara (não face ou rosto) parecia uma perna, e os olhos, velhos. Ele não só descreve o que está vendo, mas faz comparações inusitadas (cara = perna).

Já na terceira estrofe, o eu lírico não vê (“Da terceira vez não vi mais nada”), mas parece que é somente neste momento do não ver que ocorre o encontro com o sentimento amoroso e todo o seu inebriamento (“Os céus se misturam com a terra”).

O “Adeus” de Teresa
Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus.

"Uma noite entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — "Voltarei! descansa!..."
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

No poema de Castro Alves há um rigor maior com relação à forma: são oito estrofes intercaladas por estrofes de cinco versos e estrofes de um verso; os versos são decassílabos e possuem rima final. As estrofes de um verso parecem funcionar no poema como repetição da separação dos amantes, mas também como estribilho do “adeus”.

O eu lírico desse poema se apresenta desde a primeira estrofe como alguém tomado de emoção, sem reflexão sobre suas ações (“Como as plantas que arrasta a correnteza”).

As estrofes de cinco versos contam do encontro amoroso entre o eu lírico e Teresa (com exceção da última em que há o encontro de Teresa, mas com outro), enquanto as estrofes de um verso dizem do adeus.

Teresa, de Bandeira, parece descrever a mulher e, por fim, relatar do seu encontro com o sentimento amoroso; O “Adeus” de Teresa trata do amor romântico – apesar de haver encontro (carnal também) -, mas a separação já está anunciada desde o título.

Os dois poemas possuem três momentos que dialogam: no poema de Bandeira, o olhar primeiro são para as pernas que se relacionam com a valsa, que é a dança do primeiro encontro do poema de Castro Alves; num segundo momento, o eu lírico do primeiro poema volta-se para os olhos de Teresa, enquanto o de Castro Alves concretiza o amor carnal e, finalmente, na terceira estrofe de Bandeira, há o encontro com o sentimento, a emoção, enquanto em Castro Alves, ocorre a separação anunciada desde o início.

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Leia mais no blog:

O bicho – Manuel Bandeira

Secos & Molhados

Poesia e a descoberta do mundo

Fabricando Poesia

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Podcast Apokalipson 03 – Animais

No podcast Apokalipson de hoje, Bárbara, recebe Scooby e Thunder apresentando as notícias do reino animal mais apokalípticas do momento!

Lobisomens mexicanos e outros transmorfos existem? 

Animais retomando o que é seu?

Super-ratos em Diadema?

Tudo isso e muito mais nessa edição do podcast Apokalipson, do blog Cachorro Solitário.

Notícias:

Lobisomem aterroriza México – https://mysteriousuniverse.org/2020/04/wolfman-accused-of-terrorizing-a-mexican-town-during-lockdown/

Animais dominam o mundo – https://noticias.r7.com/internacional/bichos-ganham-as-ruas-durante-quarentena-humana-03042020

Resgate de animais – https://meusanimais.com.br/resgate-de-animais-durante-a-quarentena/

Dicas:

Quadrinhos online grátis – http://www.wendygamestudio.com.br/coronaconbr/ 

Ajude o Zoo – https://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/zoologico-de-sao-paulo-lanca-campanha-amigos-do-zoo/

Podcast Apokalipson 01 – De Rondônia até Roma

Nesta edição, Diogo Scooby (@diogoscooby) recebe o fotógrafo Eduardo Leandro (@eduleandrosp), a personal trainer Bárbara Coelho (@barbaracoe), a arqueóloga e pesquisadora Kelly Brandão e a profissional da área de turismo, diretamente de Roma, Manu (@ma.nu_b) para falar sobre a situação atual durante a pandemia e dicas para passar bem durante esse tempo de crise.

Arte da capa: @etsondelega

Apokalipson é o podcast sobre variedades do blog Cachorro Solitário.

OS LARÁPIOS

Falar dos “desmandos” dos políticos já está ficando meio repetitivo, mas, dia desses, vi na internet uma frase que me chamou a atenção. Dizia ela:

Esses políticos larápios, corruptos e nepotistas, além de nos roubar, ainda nos fazem pagar vultosos salários aos seus “chegados”.

Pois é, o conceito dos políticos está tão baixo, que basta pronunciar essas palavras e a primeira coisa que vem à mente dos brasileiros é que tem político envolvido.

Claro! E não poderia ser diferente… Com tantos políticos “passando” a mão no nosso rico dinheirinho, você poderia pensar que essas expressões são verde e amarelas.

Nada disso! Embora por aqui elas tenham encontrado um lugar fértil, a questão é: de onde vêm esses termos?

Os historiadores contam que essas expressões vêm de longe, senão vejamos:

Começamos pela palavra larápio (ladrão, gatuno, pilantra).

Apesar de haver quem conteste, a maioria dos historiadores afirmam que essa palavra vem da Roma Antiga, onde um pretor (juiz) sempre dava ganho de causa para quem o favorecia com os melhores presentes.

Seu nome era Lucius Aulicus Rufilus Appius e assinava as suas injustas sentenças abreviadamente, assim: L. A. R. Appius, ou seja: Larapius.

Agora vamos falar de corrupção (corromper, deteriorar)

Infelizmente essa palavra é que está mais “em moda” neste infeliz país, mas, como as outras, vem de muito longe…

Os antigos romanos já empregavam o advérbio corrupte (corromper, arruinar).

No entanto, por aqui, a corrupção chegou a tal ponto que um estudo da Fiesp apontou o custo disso em aproximadamente dois por cento do PIB. A CNI publicou algo mais alarmante ainda: segundo ela, para cada um real desviado pela corrupção, para a nossa economia custa três reais.

Precisa falar mais?

Agora vamos falar do nepotismo (usar o poder em favor de parentes e amigos).

Por incrível que possa parecer, a palavra “nepotismo” vem do latim “nepos”, que quer dizer: neto ou descendente.

Embora o termo já estivesse sendo utilizado na Roma Antiga (sempre a Roma), ele “criou fama” na época da Renascença, quando os papas tinham grandes poderes e, é claro, “deitaram e rolaram”.

Pra se ter ideia, eles distribuíam cargos “à torta e à direita”, vendiam indulgências, tomavam propriedades dos “infiéis” e tantas outras “barbaridades”.

A coisa chegou a tal ponto que teve um papa que deu o barrete cardinalício a dois sobrinhos e outro nomeou um cardeal, “seu chegado”, com 14 anos de idade.

Nesse item, e por aqui na “terrinha”, a coisa começou no dia do descobrimento do Brasil e, pasmem, ficou muito bem documentado:

Pouca gente sabe ou prestou atenção, mas no final da carta de Caminha ele pede ao rei um emprego para um sobrinho.

Interessante notar que essa atitude do “gajo” acabou por criar outro termo famoso por aqui, ou seja: o pistolão, de “epistola” (carta), ou carta de apresentação.

Pois então, minha gente, para mim, como brasileiro, fica difícil e doloroso dizer isso, mas uma boa parcela dos nossos cidadãos e, principalmente, a maioria dos nossos políticos, não passam de larápios, corruptos e nepotistas.

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Quebrado

Lobo triste

Parece que tem algo quebrado em minha mente

Não consigo respirar.

O suor frio corre pelas minhas costas, dá pra sentir meu coração acelerado, há uma carga elétrica em volta de mim, sei disso pois, quando fui pegar um copo de plástico para beber água, ele foi atraído quando aproximei minha mão trêmula.

Não consigo respirar.

Tento me concentrar em algo, ler costuma me acalmar – tentar desenhar algo ou assistir uma aula seria bom, mas essa tentativa exige muito esforço, a mente quer gritar, quer que eu chore, parte de mim está com muito medo de morrer, parte de mim quer morrer e acabar logo com isso.

Não consigo respirar.

Esse estado de luta constante é cansativo, e tem uma tristeza que cresce, uma espécie de solidão, de não ter com quem falar, olhar ao redor e ver dezenas de pessoas que não me veem, como se eu não existisse, a importância de meu ser é diluída pelas ruas por onde passo.

Não consigo respirar.

Racionalmente eu posso saber que tenho amigos, esposa, familiares que me querem bem, mas eu não me sinto à vontade comigo mesmo, me acho uma farsa, uma caricatura bizarra de quem eu poderia ser.

“Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha”

Clarisse – Legião Urbana

Não consigo respirar.

Quando durmo meu corpo não quer respirar, aí eu acordo em seguida e esse loop se repete, mesmo eu não estando fisicamente doente, acordo às 3 da madrugada e não durmo mais, e no dia seguinte me arrasto pela vida como um zumbi sem alma, tentando apenas atravessar as horas.

A terapia ajuda, longas horas de conversa tentando desvendar e talvez arrumar partes da minha mente quebrada. Não tive grandes traumas, não aconteceu nada demais nesse dia comum, mas é claro que tem algo errado, e vou continuar lutando contra essa parte de mim que me faz querer ser menos.

Essas crises de ansiedade podem ser bem fortes algumas vezes, eu recorro a podcasts ou textos sobre meditação, andei consumindo muito conteúdo budista, de auto-hipnose e mindfulness que tem me ajudado a entender essa fera que me devora por dentro fazendo o simples fato de respirar algo muito complicado de se lidar.

Com calma, com a mente limpa e contando, com foco no meu corpo e no que está ao meu redor eu finalmente consegui respirar.

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