OS LARÁPIOS

Falar dos “desmandos” dos políticos já está ficando meio repetitivo, mas, dia desses, vi na internet uma frase que me chamou a atenção. Dizia ela:

Esses políticos larápios, corruptos e nepotistas, além de nos roubar, ainda nos fazem pagar vultosos salários aos seus “chegados”.

Pois é, o conceito dos políticos está tão baixo, que basta pronunciar essas palavras e a primeira coisa que vem à mente dos brasileiros é que tem político envolvido.

Claro! E não poderia ser diferente… Com tantos políticos “passando” a mão no nosso rico dinheirinho, você poderia pensar que essas expressões são verde e amarelas.

Nada disso! Embora por aqui elas tenham encontrado um lugar fértil, a questão é: de onde vêm esses termos?

Os historiadores contam que essas expressões vêm de longe, senão vejamos:

Começamos pela palavra larápio (ladrão, gatuno, pilantra).

Apesar de haver quem conteste, a maioria dos historiadores afirmam que essa palavra vem da Roma Antiga, onde um pretor (juiz) sempre dava ganho de causa para quem o favorecia com os melhores presentes.

Seu nome era Lucius Aulicus Rufilus Appius e assinava as suas injustas sentenças abreviadamente, assim: L. A. R. Appius, ou seja: Larapius.

Agora vamos falar de corrupção (corromper, deteriorar)

Infelizmente essa palavra é que está mais “em moda” neste infeliz país, mas, como as outras, vem de muito longe…

Os antigos romanos já empregavam o advérbio corrupte (corromper, arruinar).

No entanto, por aqui, a corrupção chegou a tal ponto que um estudo da Fiesp apontou o custo disso em aproximadamente dois por cento do PIB. A CNI publicou algo mais alarmante ainda: segundo ela, para cada um real desviado pela corrupção, para a nossa economia custa três reais.

Precisa falar mais?

Agora vamos falar do nepotismo (usar o poder em favor de parentes e amigos).

Por incrível que possa parecer, a palavra “nepotismo” vem do latim “nepos”, que quer dizer: neto ou descendente.

Embora o termo já estivesse sendo utilizado na Roma Antiga (sempre a Roma), ele “criou fama” na época da Renascença, quando os papas tinham grandes poderes e, é claro, “deitaram e rolaram”.

Pra se ter ideia, eles distribuíam cargos “à torta e à direita”, vendiam indulgências, tomavam propriedades dos “infiéis” e tantas outras “barbaridades”.

A coisa chegou a tal ponto que teve um papa que deu o barrete cardinalício a dois sobrinhos e outro nomeou um cardeal, “seu chegado”, com 14 anos de idade.

Nesse item, e por aqui na “terrinha”, a coisa começou no dia do descobrimento do Brasil e, pasmem, ficou muito bem documentado:

Pouca gente sabe ou prestou atenção, mas no final da carta de Caminha ele pede ao rei um emprego para um sobrinho.

Interessante notar que essa atitude do “gajo” acabou por criar outro termo famoso por aqui, ou seja: o pistolão, de “epistola” (carta), ou carta de apresentação.

Pois então, minha gente, para mim, como brasileiro, fica difícil e doloroso dizer isso, mas uma boa parcela dos nossos cidadãos e, principalmente, a maioria dos nossos políticos, não passam de larápios, corruptos e nepotistas.

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SOMOS TODOS ALIENADOS?

Saturnália

(Escrito por Darci Men)

Jingle bells, jingle bells, acabou o papel…

Brincadeira à parte, mas, quando falamos de Natal, temos de respeitar o costume e a crença de cada um, mas, inevitavelmente, fica a pergunta:

– O que efetivamente comemoramos no Natal?

– Ora – você me responderia –, todo mundo sabe que no Natal comemoramos o nascimento de Jesus Cristo!

– Certo! Isto é o que todos dizem. Mas seria isso mesmo?

Deixando de lado as crenças religiosas, os costumes e os apelos comerciais e analisando friamente a questão, chegamos à conclusão de que quase tudo nesse evento deu-se por algum interesse religioso ou comercial. Vejamos:

A data de 25 de dezembro

Não existe nenhuma prova concreta do nascimento de Jesus Cristo nesta data. Uns falam que foi em abril, outros que foi em janeiro, mas ninguém sabe efetivamente a data correta.

Na verdade, 25 de dezembro marca o solstício de inverno, em que se realizava uma grande festa pagã, ou seja, o nascimento anual do Deus Sol (a Saturnália, como era conhecida).

Foi o Papa Júlio I, no ano 350 d.C., quem proclamou o dia 25 de dezembro como data oficial do nascimento de Jesus Cristo. A ideia era substituir a festa pagã por outra cristã. Deu certo!

Os presentes

Existe quem prega que o costume de presentear no Natal veio dos Três Reis Magos que teriam presenteado o menino Jesus logo após o seu nascimento.

Errado! Os três reis, que alguns chamam de simples astrólogos, realmente teriam presenteado Jesus Cristo, mas com outro objetivo, ou seja, como súditos de um rei (um costume normal da época). O fato é que eles acreditavam que a profecia tinha se cumprido e Jesus seria o futuro “Rei dos Judeus”.

Na verdade, o costume de se presentear veio do próprio Papai Noel, que nunca se chamou Noel, mas Nicolau. São Nicolau, por volta de 280 d.C., era bispo de Mira (atual Turquia) e tinha o costume de presentear os pobres no final de cada ano (nada a ver com o advento do nascimento de Cristo).

O nome Papai Noel, ou outro qualquer, assim como o fato de se presentear no Natal, foi criado por pessoas ou entidades interessadas na propagação do evento.

As músicas

A maioria das músicas de Natal foram criadas ou adaptadas com objetivos nitidamente comerciais ou religiosos.

O maior exemplo é a mais famosa delas: o Jingle Bells (Batem os sinos).

Originalmente, essa música foi criada como uma canção para o Dia de Ação de Graças e chamava-se One Horse Open Sleigh (Andar na neve com um trenó puxado por um cavalo).

É interessante ver a tradução do seu refrão original e perceber que não tinha nada a ver com o Natal:

Batem os sinos, batem os sinos

Batem por todo o caminho.

Ó! Que divertido é passear

Num trenó aberto de um cavalo…

Então: você gosta do Natal? Acha importante a confraternização? Os presentes? O espírito natalino?

Ótimo! Continue com a tradição e festeje muito, mas faça isso porque você quer e gosta de fazer, não seja um alienado que faz as coisas porque outros fazem ou porque alguém, alguma entidade ou um belo comercial qualquer lhe mandou fazer.

F E L I Z   N A T A L

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Segunda-feira de manhã

passaro maracatu

O descontrole é grande. Cada piscada traz uma miríade de imagens caóticas, é um alegre e pitoresco carnaval noturno com sons bizarros de pessoas deformadas e sexo interespécies. Vejo – passeando – coloridas plumas, fantasias de fita que lembram o maracatu. Ao longe, uma guerra de sombras com fundo de cores alaranjadas mostra-se no horizonte, onde soldados escalam montanhas cercados por drones em formação de ataque. Olhos verdes destacam-se no rosto de um soldado que me atinge com uma coronhada, uma briga generalizada, a música e as bombas do outro lado do morro lançam torres de fogo em prédios abandonados.

Eu fico indo e vindo dessa dimensão do caos, cada piscada me manda alguns segundos nesse mundo. Aqui, no escritório de mesas brancas, paredes assépticas e vidros com isolamento acústico, as cortinas-pálpebras me puxam para o caos, onde me arrastam por ruas de lama. Um homem gentil de dentes tortos me passa uma garrafa, tento beber a aguardente, mas ela não tem gosto nem forma física, é apenas uma gosma-fumaça ectoplasmática.

Quando ingiro a gosma que flutua no ar, as idas e vindas entre as realidades se tornam frenéticas e confusas, deixando-me com náuseas, impedindo que eu continue a escrever e a ver mais desse local de opressão/comemoração/caos. E quando volto, estou me afogando em lama, lutando contra soldados e percebendo as criaturas-ave-maracatu que tentam me arrastar.

Falta-me o ar, quase não vejo mais nada, ouço as explosões ao longe, a música se foi, afogo-me com dificuldade de respirar, os movimentos difíceis, percebo que vou deixando de existir nesse mundo e volto ao escritório de paredes brancas, com dificuldade de respirar.

Depois apareço em um gramado, está de dia, sinto a grama, olho o céu com azuis impossíveis, consigo ver um vilarejo medieval na base do morro, sobe fumaça, deve haver comida, levanto e começo a flutuar, vou planando naquela direção.

E o voo me eleva ao Vazio. Uma sensação leve de quase não-ser, é agradável, mas estou ancorado por algo imaginário que me faz voltar ao escritório.

Preciso de um café.

Pássaros maracatu e soldados ao longe.

Língua e Liberdade

A Letra A

Por uma nova concepção de língua materna

Celso Pedro Luft é um renomado autor de dicionários e manuais de Gramática. No entanto, em Língua e Liberdade o que ele defende não são regras gramaticais, mas uma nova concepção do ensino desta matéria.

Luft inicia o livro apresentando O gigolô das palavras, crônica de Luís Fernando Veríssimo. O texto mostra um homem apaixonado pelas palavras e pela língua, mas afirma que, com exceção de algumas, a maioria das regras são dispensáveis.

A partir daí, Luft começa uma discussão para defender um ensino da língua sem repressão e que realmente desenvolva nos alunos suas habilidades de comunicação nas modalidades escrita e falada, mostrando as infinitas possibilidades criativas de ambas e também de suas diferentes aplicações.

Um dos conceitos apresentados pelo autor é “todo falante é um gramático que se ignora”, quer dizer, inconscientemente, todo aquele que é falante de uma língua conhece as “regras” da fala, sabe como usar as palavras para que seja comunicado exatamente aquilo que quer expressar.

Este conhecimento é tácito e o ensino de Gramática na escola deveria cumprir a função de tornar explícito o que o aluno já sabe sobre a língua, apresentando e incentivando novas alternativas de comunicação.

O importante não é saber regras decoradas, mas saber utilizar-se das possibilidades de expressão da língua.

“Não tem importância trazer de cor regras explícitas: não creio que todos os nossos bons escritores fossem aprovados num teste de Português à maneira tradicional, e no entanto, são eles os senhores da Língua.”

Livro: Língua e Liberdade: por uma nova concepção de língua materna

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Solidão

Solidão devora

Significado de Solidão

s.f. Estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão. Ermo, lugar despovoado e não frequentado pelas pessoas: retirar-se na solidão. Isolamento moral, interiorização: a solidão do espírito.
Dicio – Dicionário Online de Português

A solidão pode ter muitas causas. Em diversos momentos, pessoas relatam momentos terríveis em que se sentiram sozinhas, presas em armadilhas, em algum meio de transporte, cavernas submersas e até no espaço, apenas aguardando o momento derradeiro da morte iminente, isolados de seus pares por forças da natureza infinitamente superiores, tentando usar cada resto de esperança em dias melhores para conseguir sobreviver mais.

Nós que vivemos em cidades temos outros meios de “pegar solidão”, e muitas ilusões que substituem a esperança do náufrago. Temos amigos online, temos séries, filmes e livros que nos distraem, entretêm e ensinam, mas que também fazem com que nos sintamos partes de algo maior.

Caminhamos por aí conectados em nossos aparelhos, cada vez mais ausentes e egoístas, solitários em meio a multidões, e nem nos damos conta disso, apenas caminhamos entre casa-escola-trabalho, a maior parte do tempo perdido em transportes cheios de pessoas sozinhas.

Nós humanos somos criaturas sociais. Por mais duros ou Asperger que sejamos, um abraço, uma boa conversa, a troca de olhares enquanto uma anedota é contada um pouco antes do riso são importantes, e a privação de coisas simples como estes exemplos pode enlouquecer, pode – como diz a música – transformar um homem bom em mau¹.

O vídeo abaixo é bem ilustrativo em relação a este tema, e é altamente recomendado:

E deixo como reflexão final uma bela canção que, curiosamente, é bem cíclica, parece-se com ondas de solidão que nos invadem de tempos em tempos, talvez pra nos forçar em direção à vida e nos tirar do comodismo e da pasmaceira.

“A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima, irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração”

Claro que muitos apreciam momentos e até vidas inteiras sozinhos, para isto se dá o nome de solitude, a solidão boa, parceira, que traz paz de espírito, calma, júbilo. Todos precisamos disso eventualmente, eu gosto.

Até breve!

¹Please, Please, Please, Let Me Get What I Want – The Smiths

Dica de conteúdo relacionado: http://academiadefilosofia.org/publicacoes/artigos/a-solidao

 

A divina proporção

erro

Dia desses, estava baixando alguns aplicativos em meu computador quando, de repente, como que saindo do nada, na tela do computador apareceu uma lacônica mensagem: erro 1618.

Xinguei quem fez isso, já que não entendia o porquê de tão lacônico e indecifrável recado, e me perguntei: Por que tanta “frieza” com os pobres usuários? E, principalmente, por que não colocam logo qual é o problema, ao invés do lacônico “erro 1618”?

Depois que passou a raiva, fiquei pensando no que fazer, mas aquele número não me saia da cabeça, como se ele não me fosse estranho, fiquei com aquela impressão de já o ter visto em algum lugar, mas não lembrava onde.

Depois de várias tentativas sem sucesso e sem outra opção, abri um site de pesquisa e alguém que já tinha passado por isso, me esclareceu. Era algo tão bobo e simples que me deixou mais irritado ainda, logo soltei mais alguns palavrões – que não vou citar aqui em respeito ao leitor. Esse erro é quando o Windows Installer tenta instalar mais de um programa de uma só vez. Só isso!

Mas aí descobri também porque esse número não me era estranho e fiquei me perguntando: Como não me lembrei disso antes?

Esse número é muito famoso entre os matemáticos, mais precisamente 1,618, pois nada mais é que o número da divina proporção. Ele também é conhecido por outros nomes, tais como: a sequência de Fibonacci, proporção áurea, número de ouro, razão áurea e tantos outros.

Assim que me lembrei da divina proporção, também me veio à mente o nome de alguém que, em minha opinião, era uma das mentes mais brilhantes que já conheci: o Professor Cardoso.

Ele era professor de matemática, mas não se contentava em ensinar só a sua matéria, tudo deveria ter uma explicação mais detalhada, ou seja, o porquê das coisas.

Cardoso, apesar do nome português, era descendente de japoneses e, a exemplo da maioria dos nisseis, era do tipo caladão, mas quando começava a falar todos prestavam atenção, pois sua brilhante sabedoria era notória e extrapolava os muros daquela escola.

Ele era relaxado com suas roupas e aparência pessoal: cabelos desalinhados, sempre com uma calça jeans surrada e uma camiseta de algodão já desbotada pelo tempo. Usava sapatos de couro que há muito tempo pediam uma engraxada e o seu cinto estava tão velho que dava sinais de que iria romper-se a qualquer momento.

Lembro-me bem de sua forma de entrar na sala de aula, pois ele nunca dizia “bom dia” ou “boa noite”, limitava-se a fazer um breve aceno com a mão. O gozado nisso tudo é que todos respondiam da mesma forma, como que saudando um grande herói que entrava.

Sua conduta era sempre a mesma e começava com ele circulando pela sala de aula, de um lado para outro, em absoluto silencio, com as mãos cruzadas atrás, bem ao estilo de Napoleão Bonaparte. Seus passos eram bem largos e firmes, onde o toc-toc dos saltos de couro dos seus sapatos ecoava como um alerta para avisar a todos: a aula vai começar!

Certa vez, estávamos estudando álgebra e uma aluna comentou:

— Professor, eu detesto matemática, se eu descobrisse qual homem a inventou, eu…

O professor Cardoso parou imediatamente o que estava fazendo, foi até a cadeira da aluna e, ora olhando para ela, ora olhando para os demais alunos, começou uma das aulas mais interessantes que eu tive a oportunidade de assistir. Foi naquele dia que comecei a entender o porquê da matemática e não simplesmente a decorar fórmulas.

Claro que agora, após tantos anos, não vou lembrar-me dos detalhes, mas a forma teatral e competente como ele ministrou aquela aula marcou profundamente a todos que ali estavam e, consequentemente, estimulou a curiosidade e facilitou a maneira como todos gravaram tão importante conhecimento.

Vou tentar reproduzir aquela aula, porque, como já disse, foi uma das mais interessantes que já tive.

O professor Cardoso gostava de fazer aquele suspense antes de falar e, sem desviar o olhar da aluna, ficou sem dizer nada por um bom tempo, com aqueles seus olhos “puxados”, mas penetrantes, deixando a pobre coitada toda desconsertada. Ela deve ter-se perguntado “O que eu fiz de errado?” Até que ele, falando alto para que toda a classe ouvisse, perguntou-lhe:

— Quem foi que lhe disse que foi o homem que inventou a matemática? – E já dando a resposta, continuou: – O homem só inventou os símbolos para poder entender a matemática. A matemática foi inventada pela natureza e está em tudo ao seu redor, inclusive em você mesma!

Em seguida, o professor voltou ao seu magistral silêncio, provavelmente para que todos refletissem sobre o que ele acabara de falar. Só se ouvia o toc-toc de seus sapatos enquanto ele circulava pela sala, ora olhando fixamente para um, ora para outro, até que voltou a falar:

— Nós, que vivemos no mundo moderno, somos “bichos de cidade”, praticamente não interagimos com a natureza, mas nem sempre foi assim: antigamente, esta interação era quase completa e foi observando a natureza que o homem começou a perceber a necessidade de entender a matemática.

Após mais uma pequena pausa:

— Vejam, por exemplo, a chamada divina proporção ou proporção áurea, cuja abreviatura é PHI – não confundam com PI, que é outra coisa. O PHI tem esta abreviatura em homenagem ao escultor e construtor Phidias ou Fídias, que usou estas proporções no famoso Partenon Grego. Essa proporção é representada, matematicamente, pelo número 1,618 – arredondado, já que é um número irracional. Esse número, em um retângulo, por exemplo, é o resultado da divisão do lado maior pelo menor.

Esta proporção não é chamada de “divina” por acaso – continuou ele –, ela está presente em inúmeras criações da natureza, desde uma simples concha marítima (Nautilus), numa copa de uma árvore, nos frutos dela: pinha, girassol… nas ondas do oceano, nos átomos, no DNA, na refração da luz, nas vibrações sonoras, nos furacões, nas espirais das galáxias, na população das abelhas de uma colmeia, no corpo humano e em tantas outras coisas.

free-golden-ratio-scheme-vectorAssim – prosseguiu –, a humanidade usa essa proporção como sinônimo de beleza e de perfeição e, copiando a natureza, a utiliza em inúmeras aplicações, tais como: na arquitetura: Partenon, Pirâmides do Egito, Edifício nas Nações Unidas, Igrejas, etc., na pintura: Mona Lisa, Santa Ceia… na música: 5ª Sinfonia de Beethoven… na literatura: Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões… e tantas outras. Até o seu cartão de banco usa essas proporções!

Depois de mais um de seus magistrais silêncios e tantos outros toc-toc dos seus saltos, ele continuou:

— Os pensadores da Antiguidade começaram a criar símbolos para poder entender e registrar tudo isso, ou seja, a simples quantidade de ovelhas, as distâncias, o valor de algo, mas principalmente as proporções da natureza. Pitágoras, por exemplo, descobriu que um dos mais antigos símbolos da humanidade, o pentagrama, era uma proporção divina. Na ocasião, ele descobriu muito mais e teria afirmado: “Tudo é número, pois a natureza segue padrões matemáticos”.

Outro exemplo que merece registro é o Homem Vitruviano – tem este nome em homenagem ao arquiteto romano Marco Vitruvio –, em que Leonardo da Vinci mostra a divina proporção no corpo humano. Galileu Galilei também teria afirmado: “A matemática é o alfabeto no qual Deus escreveu o universo”.

O professor Cardoso esperou algum tempo, como que aguardando alguma pergunta, mas todos naquela sala de aula estavam em absoluto silêncio. Ele então continuou:

— Já Leonardo de Pisa, mais conhecido como Fibonacci, usou um dos mais elementares dons da natureza, que é a procriação, para ilustrar sua tese da sequência matemática. Ele mostrou em seu livro Liber Abaci, publicado em 1202, a proporção divina na criação de coelhos: é sabido que um coelho é capaz de procriar no segundo mês de vida, assim, Fibonacci mostrou que, no primeiro mês, temos um casal de coelhos, no segundo mês, teremos dois casais de coelhos, no terceiro mês, três casais de coelhos, no quarto mês, cinco casais de coelhos, no quinto mês, oito casais de coelhos e assim sucessivamente, ou seja, a quantidade do mês seguinte será sempre a soma dos dois números anteriores: 1, 2, 3, 5, 8, 13…

Esta sequência – continuou ele de forma teatral – ficou mundialmente conhecida como a sequência de Fibonacci e é utilizada até hoje no mercado financeiro, na ciência da computação, em teoria de jogos, em configurações biológicas e tantas outras aplicações.

Já o monge franciscano Luca Pacioli, por sua vez, conhecido como o pai da contabilidade moderna, publicou em 1494 um livro em que, num dos capítulos, está a parte que o deixou famoso: o Tractatus de computis et scripturis (Contabilidade de dupla entrada ou Método das partidas dobradas). Este esquema é a base da contabilidade utilizada até hoje, ele prevê, em linguagem bem simplista, que nada se extingue (um bem, um valor, etc.), mas apenas muda de lugar ou de forma, quer dizer, é o princípio de débito e do crédito, do ativo e do passivo e assim sucessivamente: sai de um lugar e entra em outro.

Agora – continuou ele –, vocês devem estar se perguntando: o que tem a ver contabilidade com a matemática e a proporção divina? Tem tudo a ver! Se examinarmos um balanço ou balancete qualquer, notamos que o total do débito é sempre igual ao do crédito. E sabem por quê? Porque foi copiado da natureza! Vou explicar melhor. Existem registros históricos da utilização desse esquema desde os antigos fenícios e egípcios e, pasmem, também foi copiado da natureza. Ora, é só observar com mais atenção, na natureza nada se extingue, apenas muda de forma ou de lugar: uma semente se transforma em uma árvore, quando ela morre se transforma em alimento para outra planta. O mesmo acontece com a água do mar que evapora até as nuvens, cai em forma de chuva, filtra na terra até os rios e volta para o mar e assim por diante. Sai de um lugar e entra em outro, às vezes modificado, mas nunca extinto.

O professor fez mais uma de suas pausas e, quando todos achavam que tinha terminado, ele voltou com tudo:

— Não acabou não! Tem mais. Muito mais! É preciso entender o fundamento disso tudo e, tanto Fibonacci quanto Pacioli, dois dos principais ícones da matemática, devem grande parte de seus conhecimentos a um pensador “das arábias”. Na verdade, esta pessoa da qual estou falando não era árabe, pois nasceu por volta de 750 d.C., em Khwarizmi (Khiva), atual Uzbequistão, mas ficou famoso quando era membro de uma entidade persa chamada Casa da Sabedoria. Seu nome completo era (respirem fundo) Muhammad Abu Abdullah Ibn Musa Al Khwarizmi (ufa!). Ele foi matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo, escritor e tantas outras coisas mais.

Para saber melhor de quem estamos falando, ele ficou conhecido como o fundador da álgebra. Aliás, o nome álgebra vem de al-jabr, uma de suas operações utilizada para resolver equações quadráticas. O próprio nome do algoritmo vem de Algoritmi, uma espécie de apelido latino do dito cujo (também, com um nome desses!), sem contar que o próprio termo algarismo também vem desse “apelido”. Pois é, o dito cujo, cuja sabedoria inspirou tantos outros homens ilustres, simplesmente baseava suas pesquisas no comportamento da natureza… Pois é, pessoal. – Continuou ele, agora mais pausadamente: – Depois de tudo isso que eu lhes falei, ao invés de dizer que o homem inventou a matemática, fica mais correto dizer que a matemática inventou o homem.

Agora que eu já disse tudo sobre a divina proporção, só tenho que agradecer, uma vez mais, ao professor Cardoso e falar igual às minhas netinhas: “Valeu, Prô!”. Mas ainda não passou a raiva daquele programador!

Se eu fosse para o céu

Chave do céu

Nietzsche, que foi um filósofo consagrado, costumava dizer: “O fato não existe. O que existe é a versão do fato”.

Assim, dia desses, fiquei matutando: Se eu fosse para o céu, o que eu faria?

Mas será que eu mereço ir para o céu? Eu acho que sim, afinal, nunca fiz mal a ninguém, sou cumpridor das leis, bom pai, bom amigo e por aí vai. Apesar de, quando garoto, ter matado alguns passarinhos, isto é, não foram alguns, foram muitos, mas na época quase tudo era pecado, mas matar passarinhos não!

O que eu estou tentando dizer é que o fato em si e o seu conceito de pecado depende da época, do “ângulo” de quem vê e daqueles que tem o poder de julgar o que é certo ou errado. Vou esclarecer melhor:
Nietsche mini saia
Certa vez, em plena aula de religião, o padre me colocou de castigo por olhar as pernas da professora. Era época da minissaia e a professora que, diga-se de passagem, era um deslumbramento, gostava de andar na moda.

Aí eu não me contive e olhei mesmo. Se bem que, devo confessar, eu forcei um pouco a barra e deixei a régua cair para ter um ângulo melhor de visão, mas, e daí? Eu era um macho, isto é, um “machinho”, mas macho, e aquele belo par de pernas pertencia a uma bela fêmea. Portanto, o instinto natural é que me guiou. Que culpa eu tive?

Contei este episódio porque ele mostra como Nietzsche estava certo e, também, a título de comparação, ou seja, olhar as pernocas da professora era pecado, tanto que fui punido, mas nunca ninguém me criticou por matar passarinhos, pelo contrário, da mesma forma que hoje matamos os mosquitos da dengue porque são uma praga, naquela época, o excesso de pássaros destruía as plantações e era considerado uma praga.

Então, eu era uma espécie de “xerife dos sertões”, sempre com o estilingue em um bolso e a munição em outro, ou seja, um herói, não um vilão.

Bem, vamos supor que eu vá para o céu e não se fale mais nisso. A questão agora é que eu teria que passar pelo “Homem da chave”, ele mesmo: São Pedro. O dono das chaves do céu, o príncipe dos apóstolos, o primeiro papa, o protetor dos pescadores e das viúvas, o fazedor de chuvas e sei lá quantos títulos mais.

Então, como eu sou um cara precavido e terei que passar por uma entrevista com o “Homem”, tenho que conhecê-lo melhor:

Seu verdadeiro nome não era Pedro, mas Simão. Pedro vem do grego Petros (pedra) e não passa de um apelido, provavelmente vem de uma passagem bíblica quando Jesus afirmou: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja…”.

Provavelmente vem daí também seu título de primeiro papa, em que, numa passagem bíblica, ele recebeu o título de porteiro do céu, quando Jesus teria afirmado: “Eu te darei as chaves do reino dos céus”.

Ao que consta, sua morte foi mais terrível que a do próprio Cristo, pois foi crucificado de cabeça para baixo pelos soldados do imperador romano Nero, por volta do ano 67/69 da nossa era. Dizem, também, que foi enterrado onde é hoje o Vaticano.

O título de protetor dos pescadores é porque ele foi um deles, apesar de não ter sido bem um pescador. O mais correto seria dizer que ele foi um empresário da pesca, já que possuía uma frota de barcos pesqueiros.

Só não sei por que ele é também conhecido como o protetor das viúvas. Nada de pensar besteiras, apenas curiosidade, se alguém souber me conte.

Já disse que sou um cara precavido, e outra preocupação minha é: Será que tem fila para falar com o “Homem”?

Eu detesto filas! Muitas vezes, deixo de fazer alguma coisa para não ter que enfrentar uma.

Ora, minha preocupação não é nenhum absurdo, basta examinar alguns números: segundo os matemáticos, morrem por hora cerca de 6.200 pessoas, mais de 160.000 por dia e mais de 54 milhões por ano. Se é como dizem, que todos devem passar pelo crivo dele, imaginem o tamanho do seu trabalho!

Bem, vamos imaginar a melhor das hipóteses, que não vai ter fila nenhuma e o “Homem” estará me esperando sentadinho naquela poltrona de nuvem, toda branquinha, confortável e aveludada, com aquela enorme chave pendurada em sua cintura.

Então, ele vai me dizer simplesmente:

— Bem-vindo ao céu, em que posso lhe ser útil?

Aí, eu agradeceria a boa acolhida e tal, e diria:

— Sr. Pedro, se não for pedir muito, gostaria de uma audiência com o “Chefe”.

Ele, com toda certeza, me responderia:

— O “Chefe” é muito ocupado, fale comigo.

Eu, como sou meio abusado e, também, porque estou “necessitado”, insistiria:

— Sr. Pedro, com o devido respeito, devo insistir. Sem desmerecer a sua autoridade que, até onde sei, é uma espécie de subchefe, o que eu tenho a dizer é muito importante e necessita ser levado diretamente ao “Chefe”.

Vamos imaginar novamente a melhor das hipóteses, e ele, meio contrariado, vai dizer:

— Está bem, vou dar um jeito. Mas seja breve, pois, como já disse, ele é muito ocupado.

E lá vou eu, todo humilde, embaraçado e trêmulo, na presença do Todo-Poderoso, expor o meu problema:

— Senhor, insisti em lhe falar porque o meu problema é muito grave e, também, porque me disseram que o Senhor é brasileiro. Então – continuaria eu todo receoso, mas firme –, como o Senhor deve saber muito bem, a “terrinha” é maravilhosa, linda por natureza, não tem catástrofes naturais, tem espaço e terra fértil de sobra, um povo acolhedor e ordeiro, isto é, tem algumas exceções e aqueles que não gostam de trabalhar, outros são malandros etc. e tal, mas, em que pese essa dificuldade, isso não é o maior dos problemas, tanto é que, não é sobre isso que quero lhe falar…

Pois é, Senhor – continuaria, firme e esperançoso –, o grande problema da “terrinha” são os políticos! Eles estão destruindo toda essa maravilha e é sobre isso que vim lhe falar. Assim, se o Senhor é mesmo brasileiro, peço-lhe, humildemente, para iluminar a mente do nosso povo, fazendo com que tenham mais atenção ao elegerem os políticos e, se não for pedir muito, poderia nos dar uma mãozinha e ajudar a nos livrarmos dos políticos desonestos. Só isso, Senhor. Obrigado!

Será que ele vai me atender? Espero que sim, do contrário, estaremos perdidos…

Que a paz esteja com todos.

Uma história de amor na Proclamação da República

Proclamacao da republica detalhe

Recebi de um amigo a seguinte mensagem: “Você que gosta da história da Roma Antiga, saiba que o dia 15 de novembro não se comemora só a Proclamação da República do Brasil, mas também se comemora o dia da Deusa Etrusco-Romana Ferônia, que era a Deusa dos Bosques e Florestas. Pelo menos uma vez te ‘passei a perna’, duvido que você já soubesse disso!”

Então, para não “passar em branco” o desafio dele, escrevi-lhe o texto que vou transcrever abaixo:

“Meu caríssimo, desta vez você me deu uma ‘feroniada’. Confesso, eu nunca tinha visto nem ouvido falar da tal de Ferônia, mas e daí? Que importância isso tem? Já que você tocou no assunto da Proclamação da República, você sabia que uma história de amor foi decisiva para a programação da nossa República?

Não? Então eu vou lhe contar:

Acontece que, por volta de 1883, quando o Marechal Deodoro prestava serviços no Rio Grande do Sul, ele conheceu uma viúva muito bela chamada Maria Adelaide, a Baronesa do Triunfo, e por ela se apaixonou.

Só que ela preferiu o gaúcho Gaspar Silveira e uma rivalidade histórica foi criada entre o Marechal Deodoro e o seu rival.

Ambos seguiram seus caminhos, O Marechal, é claro, sem o seu amor, mas a referida rivalidade entre os dois ‘machos’ persistiu e, sempre que podiam, um ‘cutucava’ o outro, enfim, tornaram-se inimigos declarados.

Em 1889, na época da Proclamação, o Marechal Deodoro tinha a mais alta patente do Exército e, tinha também, muita influência e prestígio nos meios militares; e o Gaspar Silveira, por sua vez, era um influente político da Corte.

Quando os militares do quartel da Praça da Aclamação se amotinaram (na atual Praça da República, no Rio de Janeiro), os interessados na mudança do governo, ou seja: a Igreja Católica, os militares, os cafeicultores, os maçons, entre outros, todos descontentes com a Monarquia, por um motivo ou por outro, viram uma oportunidade de efetivar o golpe militar, mas, para tanto, eles precisavam do apoio do Marechal Deodoro.

O problema é que o Marechal era um monarquista e, até então, não se envolvera nessa questão. Os tais ‘interessados’ tinham que achar uma maneira de ele mudar de lado e viram em sua rivalidade com o Gaspar Silveira, a essa altura já notória e pública, uma forma disso se concretizar.

Então fizeram chegar aos ouvidos do Marechal uma informação de que seu ‘querido’ rival seria o próximo Presidente do Conselho de Ministros (praticamente quem governava), em substituição ao Visconde de Ouro Preto (outro ‘querido’ inimigo do Marechal), e o pior: Que já estava pronta a ordem de prisão dele.

O que de fato aconteceu?

Nunca se comprovou se essas informações que o Marechal recebeu eram verdadeiras ou não, mas o fato é que ela surtiu o efeito desejado pelos republicanos, pois o velho Marechal, mesmo doente, no dia 15/11/1889, montou em seu cavalo e foi até a Praça da Aclamação (onde estavam os amotinados) e, em um gesto teatral, ainda montado em seu cavalo, retirou o seu chapéu militar e gritou: Viva a República! (Esta cena ficaria imortalizada no quadro de Benedito Calixto).

"Proclamação da República" de Benedito Calixto - 1893

“Proclamação da República” (1893). Óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Outro fato interessante é que este gesto ficou conhecido na história como o da Proclamação da República, quando na verdade foi apenas uma demonstração da adesão do Marechal à causa republicana.

A Proclamação propriamente dita ocorreu no dia seguinte quando o Marechal assumiu a presidência do governo provisório. Provisório mesmo, porque seu primeiro ato foi determinar um referendo popular para que o povo aprovasse ou não, por meio de voto, a nova forma de governo.

E, mais interessante ainda, esse governo provisório ‘só’ durou 104 anos, porque somente em 1993 ocorreu o plebiscito referendando, definitivamente, essa forma de governo (este é o Brasil!).

Portanto, diante destes fatos, podemos dizer que o Marechal Deodoro foi mais ou menos ‘usado’ e impulsionado pelo seu coração apaixonado.

Você sabia disso, meu caro?”

Que a Paz esteja com todos,

Darci Men.

O mico

Mico

Quando se fala em mico, logo vem à mente o mico-leão-dourado, aquele bichinho simpático e belo das florestas brasileiras.

Mas o que eu quero falar aqui é no sentido pejorativo, ou seja: “pagar um mico”, um vexame, uma cena cômica, cafona ou coisa parecida.

Quem já não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Certamente você que está lendo já passou! Nessas horas dá vontade de cavar um buraco no chão e enfiar-se nele! Mas ao invés de lamentações dessas ocorrências, vamos rir delas que é bem melhor.

Hino Nacional às avessas

Vanusa - Hino NacionalA cantora Vanusa que o diga, quando, em março de 2009, foi convidada a cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo, nunca imaginou o mico que pagaria. Acabou cantando o Hino de “trás pra frente”. Ela alegou que foi um medicamento… Será?

Inspetor atrapalhado

No banco onde eu trabalhava tinha um inspetor que era conhecido por sua arrogância.

Certa vez ele foi designado para inspecionar uma agência no interior do estado de São Paulo. Chegou à agência bem cedo, segurou sua credencial na mão direita no estilo dos agentes do FBI e foi dizendo para o gerente da agência:

– Sou inspetor e vou fazer uma auditoria na agência, vamos começar conferindo o dinheiro no cofre.

Imagem: http://likeanerd.pop.com.br/technobabbling-inspetor-bugiganga/.

O gerente acompanhou-o até o cofre e colocou todo o dinheiro que estava lá em cima da mesa.

Depois de mais de uma hora contando, o inspetor falou ao gerente:

– Me traga o A-536. [Planilha que registrava a entrada e saída de dinheiro da agência.]

O gerente, mostrando surpresa, perguntou:

– A-536? O que é isso?

O inspetor ficou uma fera:

– “O que é isso” digo eu! Você, um gerente do Banco Mercantil de São Paulo, não sabe o que é o A-536?

O gerente, meio atrapalhado, respondeu:

– Nunca fui gerente do Banco Mercantil, sou gerente do Banco Moreira Salles e já faz mais de cinco anos.

Só aí ambos entenderam que o atrapalhado inspetor tinha entrado na agência do banco errado.

Futebol ou balé

Fonte: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/com-rendimento-ruim-jogador-e-punido-e-obrigado-a-treinar-fantasiado-de-fada/?cHash=4d3c969df3af46a8fb163ca5b230345f.

Mico mesmo pagou o Jairo, jogador do Figueirense, de Santa Catarina.

Ele foi eleito o pior jogador do “rachão” e teve que comparecer ao treino seguinte com um deslumbrante vestido cor-de-rosa.

Égua assanhada

Certa vez eu e meus irmãos fomos almoçar na casa da minha mãe. Conversa vai, conversa vem, toma uma cervejinha aqui e tantas outras ali, ficamos naquela “descompressão” de não-sei-o-que-fazer, até que alguém viu uma égua pastando tranquilamente em um terreno ao lado, comentando: “Será que é mansa?”

http://ranchosaomiguel.com/wordpress/?p=1314

Eu, todo metido, fui conferir. A princípio ela foi dócil e deixou-se acariciar, mas foi só virar as costas e a danada deu-me uma tremenda mordida nas nádegas deixando meu precioso traseiro todo dolorido.

Tive de sentar de lado por um bom tempo, mas o pior foram as gozações que duram até hoje, fato que ficou conhecido como a “mordida da égua assanhada”.

Minhas mulheres

Antes de vocês pensarem besteiras eu já vou explicando que “minhas mulheres” são minha esposa, minhas duas filhas e minhas três netas.

Bem, elas são especialistas em pagar micos, alguns exemplos:

Dia desses, a minha neta Giulia, de oito anos, voltou da escola toda nervosa:

Fonte: http://mulher.net/2012/10/09/como-introduzir-a-mesada-para-os-filhos/

– Vó, a tia da cantina foi grosseira comigo, eu falei com ela com toda a educação “Tia, a senhora poderia fazer o favor de trocar essa moeda de 50 centavos por outra de 1 real?” Ela respondeu “Você tá doida menina”.

Outro mico espetacular pagou minha esposa Angélica.

No dia 26.01.2010 eu tinha saído bem cedo e quando voltei encontrei-a tomando o café da manhã, nem a tinha cumprimentado pelo seu aniversário que acontecia naquele dia, quando a vi assustada e mais branca do que neve, até que ela falou:

– Pai – há muito tempo ela costuma me chamar de “pai” –, engoli a ponte!

Por um instante fiquei imaginando ela engolindo a Ponte Espraiada, aquela da região do Morumbi, até que ela explicou:

– Engoli a prótese dentária, aquela que o dentista acabou de fixar. E agora?

Fonte: http://www.ndnucleodiagnostico.med.br/servico/raiox#ad-image-1

Resultado: ela foi a um pronto-socorro público ao lado da nossa casa, e a médica tirou uma radiografia e ficou apavorada, foi transportada de ambulância até outro hospital público, retornou de ambulância sem ser atendida e só foi resolver o problema no final do dia no hospital do convênio através de uma endoscopia.

No dia seguinte a caixa de entrada de seu e-mail estava lotada de gozações, e o mínimo que a chamaram foi de “engolidora de pontes”.

Mas hilariante mesmo foi o mico da Aline, minha filha. Na última quarta-feira ela foi convidada para um happy hour, do Citibank, onde trabalha. Ela estava toda empolgada e dizendo que era um local “chique”, com comidas e bebidas de vários países e por aí afora.

Para quem não sabe, happy hour é uma tradição americana que se espalhou pelo mundo e nada mais é que uma festa de fim de expediente para descontrair. A tradução é “hora feliz”, mas não foi nada feliz para a Aline.

Ela não queria dirigir com o sapato de salto alto, então botou uma Havaiana nos pés e foi embora, esquecendo os sapatos em casa.

Quando se deu conta, estava em plena festa, vestida com traje social e de Havaiana.

Fonte: http://www.elo7.com.br/havaianas-tradicional-azul-com-swarovski/dp/2BFC4B

Teve que aguentar todo tipo de gozações e passar o tempo todo escondendo os pés. Era só um fotógrafo chegar por perto e ela já advertia:

– Só do joelho para cima.

Claro que teve quem não obedeceu, e o fato foi devidamente registrado para entrar nos anais daquela comunidade como “A cinderela de havaianas”.

Relatado por Darci Men.

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