Projeto Leia Mulheres

Leia Mulheres

Não me lembro exatamente como fiquei sabendo do projeto Leia Mulheres, mas me lembro de como a proposta me fez olhar a minha estante e buscar na memória as obras que li durante a vida e quantas delas tinham sido escritas por mulheres…

É claro que havia autoras em meio ao meu percurso literário e que foram importantes na formação do meu senso estético e artístico, mas o passo seguinte desta busca foi me fazer reparar na discrepância em relação à quantidade de artistas homens e mulheres.

Era um número gritante, e foi assustador tomar consciência dele.

Desde então, tenho pensado mais minhas escolhas de leitura. E isso não significa que não leio mais homens – alguns deles ainda são meus favoritos rs –, significa que tenho sido mais crítica com minhas leituras e suas influências.

O projeto existe em várias cidades do Brasil, e confesso que, apesar de acompanhar pela internet há algum tempo e até já ter lido alguns dos livros discutidos no grupo de São Bernardo, a primeira vez em que fui num encontro presencial foi somente em setembro.

Ah, apesar do nome do projeto deixar algumas pessoas confusas, os clubes de leitura não são só para mulheres, homens podem ler e participar. O nome refere-se apenas ao conteúdo, que é – evidentemente – ler (obras escritas por) mulheres.

Você pode acompanhar o projeto pelo site que, além da divulgação das agendas dos grupos de leitura, também tem resenhas e outros conteúdos relacionados, ou pelo Facebook, Instagram, Twitter e Pinterest.

Eu achei a experiência enriquecedora e espero poder participar dos próximos encontros!

E você, já participou (ou participa) de algum clube de leitura? Conte-nos sua experiência nos comentários!

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Leia mais no blog:

A Senhora da Magia – As Brumas de Avalon

Clarice Lispector

A mulher desiludida 

Dina Salústio e Graciliano Ramos

Narradores de Javé, de Eliane Caffé

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Under the Shadow

Djinn

Com muitas variações no título em português, Sob as sombras, Sob a sombra e mesmo À sombra do medo, Under de Shadow chegou ao Brasil em janeiro deste ano pela Netflix.

O longa, escrito e dirigido pelo estreante Babak Anvari, é uma produção conjunta entre Reino Unido, Irã, Jordânia e Qatar, e recebeu grande destaque nos festivais de Sundance e Toronto After Dark de 2016, ano de seu lançamento.

Começamos a história acompanhando Shideh (Narges Rashidi) em sua tentativa de voltar aos estudos de Medicina, que se vê frustrada por um agente do governo que usa seu passado na militância política durante a Revolução Iraniana como motivo da recusa.

O ano é 1988, o último do conflito Irã-Iraque, um dos mais longos do século 20.

Então, quando Iraj (Bobby Naderi), médico formado, é chamado pelo governo a atuar no front, Shideh se vê incompreendida pelo marido em sua frustração e, ao mesmo tempo, sozinha em sua responsabilidade em cuidar da filha do casal, Dorsa (Avin Manshadi).

Mãe e filha

Mãe e filha vivem uma rotina de quase confinamento intercalada com as constantes corridas até o abrigo do prédio sempre que os alarmes da cidade soam, avisando que mais um dos ataques diários está vindo.

Num destes bombardeios, um míssil atinge o teto do último andar do prédio onde moram, deixando rachaduras por todo o edifício, inclusive no teto da sala do apartamento de Shideh.

Apesar de não ter explodido, o míssil parece ter trazido consigo o mal em muitas formas. Dorsa começa a ter dificuldades pra dormir e uma febre que não tem motivo aparente, mas que também não vai embora, e lhe traz – é o que sua mãe acredita – alucinações.

No entanto, uma vizinha diz a Shideh que há a presença de um Djinn entre elas.

Isolamento

A partir daí, o isolamento de mãe e filha vai crescendo conforme a tensão no filme vai aumentando, fica difícil – pra nós e para as personagens – saber o que é real e o que não é.

Neste drama de terror e suspense, nos deparamos o tempo todo com os percalços que uma mãe encontra pra criar seus filhos num ambiente habitado pelo medo constante – da guerra e do sobrenatural.

Também presenciamos as consequências da Revolução para as mulheres.

Numa cena em que Shideh corre assustada para a rua com a filha e é presa por não estar com roupas adequadas. O crime, passível de ser castigado com chibatadas, é por não estar usando o chador – que, ironicamente, é a vestimenta do Djinn que as assombra.

Apesar dos simbolismos de crítica social, misturando os medos reais com os sobrenaturais, Under the Shadow não perde o foco da trama.

Anvari constrói as personagens com consistência, então acompanhamos a guerra e a sociedade pela subjetividade delas, principalmente da mãe, de modo que, quando o terror acontece, ele não é gratuito, você se importa, pois ele tem o seu peso e o seu significado.

Mais:

Confira uma entrevista (em inglês) com o diretor Babak Anvari.
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Podcast Comentado – Ponto G

Mulher Maravilha aquarela podcast ponto g

Cachorro Solitário comenta – Podcast

Neste mês de março, nada melhor que divulgar trabalhos de excelência feitos por mulheres. Dessa vez o assunto é Podcast.

Na primeira edição do Podcast Comentado, Diogo Scooby apresenta o Ponto G, falando sobre suas características e nos dando um gostinho com trechos de dois programas.

Atenção:

Não se esqueça de assinar o canal no YouTube pra não perder as próximas edições 😉 

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Apresentação e edição: Diogo Scooby

Produção: Eduardo Leandro

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Ms. Marvel

ms marvel nada normal kamala

Ms. Marvel Nada Normal

A editora Marvel nos apresenta uma personagem que me fez questionar: Quem é Kamala Khan?

Diogo Scooby comenta suas impressões sobre Ms. Marvel – Nada Normal (vol. 1), HQ na qual acompanhamos uma adolescente com seus ídolos e neuras se transformando numa divertida heroína 😀

Confira:

Não se esqueça de assinar o canal no YouTube pra não perder as próximas edições 😉

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Apresentação e edição: Diogo Scooby

Produção: Eduardo Leandro

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As bicicletas de Belleville

Belleville

As Bicicletas de Belleville (Les Tripletes de Belleville, 2003) é uma animação francesa que caricatura personagens, cenários e situações preenchendo-os de múltiplos significados… Mas, vamos começar do começo.

Pôster

 

O início

Nas cenas iniciais, somos apresentados ao menino Champion e sua avó, Madame Souza. Eles vivem numa área aparentemente afastada do centro urbano, num lugar de paz e tranquilidade, no entanto, o menino parece estar sempre deprimido. O que faz com que sua avó volte sua atenção para os gostos dele, em inúmeras tentativas de fazê-lo alegre novamente.

A certa altura, Souza percebe a fascinação do neto por bicicletas e, a partir daí, não só compra uma pra ele, como vira sua treinadora, já que a paixão pelas duas rodas leva Champion a se tornar um atleta extremamente dedicado.

Durante sua participação numa das etapas da Volta da França, um dos eventos mais importantes do mundo relacionados ao ciclismo, Champion é sequestrado no meio da corrida 😮 Sua vó percebe o sumiço e sai à procura do neto com a ajuda do cachorro da família, Bruno.

O garoto é levado para uma megalópole além do oceano chamada Belleville – que em tudo nos lembra dos Estados Unidos. Daqui pra frente, o filme parece estar fazendo uma crítica ao atual padrão de vida consumista que levamos, usando o American Way of Life como símbolo disso, quando, por exemplo, numa das primeiras imagens do país, mostra a Estátua da Liberdade obesa e, no lugar da tocha e da tábua de leis da verdadeira, a caricatura segura um hambúrguer e um milk-shake.

[Lembrando que a Estátua da Liberdade foi um presente da França para os EUA na ocasião de sua independência, uma das primeiras colônias do mundo a se tornar livre.]

Estátua da Liberdade - As bicicletas de Belleville

À margem da sociedade

Madame Souza segue Champion até Belleville usando o faro de Bruno, mas eles perdem o rastro quando a fumaça dos carros embaralha o olfato do cachorro. Sem dinheiro e sem amigos na metrópole, eles se preparam pra passar a noite embaixo de uma ponte. Aí, sem ter o que comer e sem conseguir dormir, Souza começa a “tirar um som” de um aro de bicicleta e é aí que as trigêmeas de Belleville [Les Tripletes de Belleville 😉 ] aparecem.

As irmãs levam os desabrigados para casa – pois, assim como Souza e Bruno, neste mundo em que o consumismo é o ideal maior, as trigêmeas, que um dia foram cantoras aclamadas, também estão à margem da sociedade por serem velhas e, assim, não serem mais consideradas capazes de produzir, de “contribuir” para o bem comum, sendo postas de lado socialmente.

As trigêmeas de Belleville

Esta, entre muitas outras, é uma das críticas que podemos ler nos sons e imagens da animação. Entretanto, também é um filme de entretenimento, pois, mesmo que não cheguemos nesta camada de interpretação, o filme é divertido pelas situações e personagens caricatos que encontramos no desenrolar da narrativa.

Trilha sonora

Assim, como qualquer filme de animação, As bicicletas abusa da linguagem não verbal por meio das expressões e cores usadas, na forma como os personagens são retratados (as caricaturas em si), usando a trilha sonora como um elemento narrativo etc.

O que a difere um pouco mais de outras animações mais recentes é o fato de ter pouquíssimas falas – o que é um elemento muito interessante, pois a “falta” de falas não atrapalha a evolução ou o entendimento da narrativa, pelo contrário, seu desenvolvimento se dá de maneira muito rica e poética no trabalho de todos os elementos não verbais do filme.

Hollyfood

Elementos estes que são explorados, por exemplo, na forma como é mostrada a passagem de tempo em vários momentos da narrativa, nos sonhos do cachorro Bruno, na mistura de live action e animação ou, ainda, quando os atletas sequestrados (Champion não foi o único) são mostrados em caçambas, sempre há ao fundo um som de relincho como que para ressaltar que não estão sendo tratados como pessoas, mas como animais explorados (e facilmente substituíveis) para algum propósito – de preferência, um que dê lucro.

Há ainda uma maravilhosa cena de perseguição (que provavelmente é a perseguição mais lenta da história do cinema! rs) que nos leva ao final da narrativa ao mesmo tempo em que ri de todos os clichês de filmes de ação de Hollywood.

Se ficou curioso, você pode assistir a animação completa no YouTube e não se esqueça de esperar pela cena pós-créditos 🙂

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Kevin Johansen – La chanson de prévert

Kevin Johansen

Primeiro, ouçam:

Descobri esse cara por acaso, lendo um post do Lady Comics sobre a Eleanor Davis.

Bom, se você foi curioso e leu o post, provavelmente não viu menção nenhuma a esse tal de Kevin Johansen.

Mas se você leu o post, viu também que lá no meio a Mariamma Fonseca, autora do texto, cita dois outros posts em que ela fala sobre suas desenhistas preferidas, a Lisk Feng e a Tateé.

Como eu gostei MUITO das ilustrações da Eleanor Davis, fui clicando nos links pra ver se ia gostar das outras autoras também. E é claro que eu gostei!

Bom, no post sobre a Tateé, logo no comecinho, pede-se que o leitor coloque pra tocar essa música, La chanson de prévert, na versão do Kevin Johansen [essa música é famosa na voz de seu compositor, Serge Gainsbourg].

E eu não sei se foi a música em si, essa versão, as ilustrações, o post ou se foi tudo isso junto, mas eu achei essa música/versão linda! E fui clicando nas sugestões do YouTube mesmo, ali do lado direito…

Resumindo, passei o dia inteiro ouvindo as músicas do cara e curtindo cada vez mais 🙂

Ainda estou descobrindo esse artista, mas já tem uma música que virou uma das minhas preferidas:

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Guillaume Grand – L’amour est laid

Guillaume Grand - detalhe capa CD

Como hoje é sexta-feira, resolvi postar uma música que toda vez que ouço me dá vontade de dançar:

Descobri essa música “flanando” no YouTube. Não sei muita coisa desse cantor… Pra falar a verdade, só sei que ele é francês, que é cantor e compositor e que gosto das músicas dele 🙂

Ah, o videoclipe que a mulher do clipe de L’amour est laid vê na TV é o primeiro que vi dele:

Se quiserem mais detalhes sobre o Guillaume Grand podem acessar o site dele ou a sua página no Facebook.

Bom, espero que gostem das músicas ou que pelo menos saiam mais animados p’ras baladas de sexta à noite 😉

 

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Farejando 02 – Bruno Aleixo, o Ewok Lusitano

 

Bruno Aleixo é um Ewok (que na TV aparece com cara de cachorro por questões de direitos autorais) português com ascendência brasileira, ele é apresentador de um talk show televisivo, e hoje faz sucesso na internet com vídeos de suas aventuras.

Bruno Aleixo

Aleixo Na Escola – 08

Aqui vemos essa criatura inusitada no ambiente escolar nos idos de 1964.

Aleixo no Brasil – 02

As aventuras do cara-de-cachorro-e-urso no Brasil. O que achei mais engraçado foi a abertura bem no estilo das novelas da Globo, e o “seu Jaca” é uma figura.

Esse personagem foi criado pelos humoristas do grupo GANA (Guionistas e Argumentistas Não-Alinhados), que tem esse e outros projetos muito divertidos. Eu recomendo ao menos uma visita!


Site oficial Programa do Aleixo.

Canal de vídeos do grupo.

Abraço!

 

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