filme Ensaio sobre a cegueira

Ensaio sobre a cegueira

Filme e livro

Já li alguns livros do Saramago e ele é, definitivamente, um dos meus autores preferidos.

Mesmo assim, demorei um pouco muito pra ler Ensaio sobre a cegueira e acabei assistindo ao filme primeiro.

Impressões

Gostei bastante do filme, mas pensei que, como normalmente acontece, logo que tivesse o livro em mãos, encontraria nele muito conteúdo que não tivesse cabido na adaptação da obra para o cinema.

Mas não foi bem isso o que aconteceu.

“Acho que não ficamos cegos. Acho que sempre fomos cegos. Cegos apesar de conseguirmos ver. Pessoas que conseguem ver, mas não enxergar.”*

Pode até ser que algumas cenas e/ou diálogos tenham ficado de fora do filme, no entanto, a adaptação foi tão bem-feita que, quando li o livro, as imagens do filme e as imagens criadas na minha imaginação se misturaram de tal forma que virou tudo uma coisa só. Diferente do que acontece com adaptações “ruins” em que você pensa “Mas cadê tal coisa?” – quando lê o livro antes, ou “Nossa, agora sim tal coisa faz sentido!” – quando você lê o livro depois.

“Pelas poucas janelas que davam para o pátio interior entrava uma última claridade, cinzenta, moribunda, que declinava rapidamente, já a resvalar para o poço negro e profundo que ia ser esta noite. Tirando a tristeza irremediável causada pela cegueira de que inexplicavelmente continuavam a padecer, os cegos, valha-lhes isso ao menos, estavam a salvo das deprimentes melancolias produzidas por estas e semelhantes alterações atmosféricas, comprovadamente responsáveis de inúmeros actos de desespero no tempo remoto em que as pessoas tinham olhos para ver.”*

E tudo isso quer dizer apenas que Ensaio sobre a cegueira é uma grande obra de ficção, que foi primeiro narrada magistralmente pelas palavras do Saramago, e depois – também magistralmente – pelas imagens do Fernando Meirelles.

Assim, se você não viu o filme, leia o livro, e se você não leu o livro, veja o filme 😉

“… e serenamente desejou estar cega também, atravessar a pele visível das coisas e passar para o lado de dentro delas, para a sua fulgurante e irremediável cegueira.”*

P.S.: Reação do Saramago após assistir ao filme 🙂

*Trechos retirados do livro.

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Autora e editora dos blogs Cachorro Solitário e Cabruuum, integrante do podcast Cadeia de Eventos. Leitora voraz, a curiosidade é o que a move!