Suicida

Eu caminhava por uma avenida, um ônibus vinha em alta velocidade próximo da calçada, era só eu inclinar um pouco a cabeça em direção ao asfalto pouco antes dele passar ao meu lado para eu dar adeus a tudo.

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Há momentos em que dá vontade de pular do alto de um prédio.

Claro que não fiz isso, senão eu não estaria escrevendo agora.

Menos de 1 hora depois, eu curiosa distraidamente dentro de um ônibus pensava em como deixar menos traumatizado quem quer que encontrasse meu corpo morto por mim mesmo.

A cerca de 12 anos eu tenho que me controlar, pouco eu confesso, para não abrir a porta e pular, ao andar no banco do carona de um carro em alta velocidade, todas as vezes que voei de avião tive vontade de abrir a porta e voar/cair.

Remédios ou overdoses ou tiros não me interessam muito, forca é a opção mais popular e barata, pular do alto eu gostaria, mas o estrago seria muito grande!

Há o suicídio aos poucos, aquele do cigarro, da vodca, das noites mal dormidas, do sexo inconsequente.

Com isso há ainda um sentido de responsabilidade (pelos outros) e de auto-proteção (por causa dos outros) que fazem com que a decisão final seja adiada.

E por que não adiar? Quem sabe quem se pode encontrar nos próximos minutos, na manhã seguinte, ou o que pode acontecer nas próximas semanas ou meses…

O problema é quando demora demais pra algo acontecer, aí a força da esperança vai indo embora, na fila das salvações possíveis vem a Fé, mesmo a das igrejas, e, mesmo lá, muitos se apegam, criam grupos, afinidades são moldadas, há a possibilidade de se voltar à vida, desde que se acredite.

Há muitos meios de lutar contra a vontade de se matar, e nem sempre é fácil, mas sempre é possível.

Sei que tem vezes só um abraço ajudaria, ou alguém que diz que a gente é importante de alguma maneira, como o Super fez pra uma moça qualquer, mesmo quando ele mesmo estava ferrado e prestes a morrer:

No filme “A corrente do bem” tem uma cena parecida,quando um viciado em drogas salva a vida de uma mulher que ia pular da ponte, apenas com algumas palavras e um abraço.

Uma música da banda Ludov dizia “As vezes é apenas questão de ouvir… O que os outros tem a dizer”.

E tem algumas vezes que nos falta isso, e as pessoas deixam a vida por acreditar que não tem mais importância pra ninguém, que a falta de atenção de todos com relação a ele é mais importante que o que se acredita sobre si.

Alguns se suicidam por vaidade , como um grande empresário que vai perder tudo e ser preso por maracutaia e prefere se matar, ou ainda por medo de sofrer muito por alguma besteira que fez.

Eu conheço tudo isso, e digo que sempre vale a pena tentar um pouco mais.

Sei que às vezes é foda, sei que sempre vou ver os veículos velozes e lugares altos de uma maneira muito diferente da que você, mas eu prefiro resistir enquanto tiver alguma força para lutar.

Abraço.

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Autor e diretor do blog Cachorro Solitário e apresentador do Podcast Cadeia de Eventos.