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Narradores de Javé – Filme Comentado

Antônio Biá (José Dumont)

Bem, como sabem, ou não, eu me considero uma pessoa das Letras – não por ser formada na matéria, o que sou, mas sim por gostar de tudo que envolva palavra, seja ela falada, escrita, desenhada e por aí vai.

E foi justamente por esse gosto que o filme Narradores de Javé despertou minha curiosidade, apenas pelo título, antes mesmo de saber do que é que se tratava a história.

pôster do filme

Narradores

O filme conta a história do Vale do Javé, que logo ficará submerso pelas águas de uma barragem. Os moradores não são avisados com antecedência, pois eles não têm o registro de posse das terras.

Inconformados com a situação, alguns moradores tentam descobrir um jeito de salvar a cidade, assim, um dos moradores descobre, conversando com os engenheiros responsáveis pela construção, que se a cidade tivesse algo que pudesse ser considerado patrimônio histórico, haveria uma chance de salvarem suas casas da inundação.

Porém, esse patrimônio deveria ser também comprovado em um documento científico.

Nesse ponto já me chamou a atenção o fato de eles considerarem/classificarem como documento científico algo que fosse escrito, à tinta, no papel; contrapondo, de certa maneira, logo no início do filme, a importância da escrita versus oralidade na vida das pessoas daquele povoado.

O povo do Vale do Javé.
O povo do Vale do Javé.

Depois de muita discussão, os moradores chegam à conclusão de que a única coisa de valor que existe na cidade é a sua história – a história da fundação da cidade, que inclui as suas próprias.

Aí, a questão é que na cidade ninguém sabe escrever… a não ser Antônio Biá, o antigo carteiro. Mas os moradores de Javé não confiam nele, pois, há algum tempo, ele usou o seu dom/poder da escrita para manter o seu emprego.

Eu explico: como um carteiro sobrevive numa cidade onde ninguém sabe escrever? Bem, ele mesmo escrevia as cartas, inventava histórias sobre os moradores e as ia mandando, para que o governo visse que aquele Correios era ativo e, assim, ele não perdesse o emprego.

Quando descobriram as histórias cabeludas que o carteiro criava sobre os seus vizinhos, bem, eles ficaram muito bravos: o posto do Correios fechou, Biá perdeu o emprego, os amigos e caiu na bebedeira.

Mas, ainda assim, ele era o único que sabia escrever, então, muito a contragosto e com a desculpa de pagar sua dívida com a cidade pelas falcatruas que cometeu, a missão de reunir o maior número de informação possível para escrever a história do Vale do Javé fica a seu cargo.

O ex-carteiro começa então a percorrer a cidade à procura de depoimentos que o ajudem a compor a história da fundação do Vale do Javé, mas cada morador conta uma história diferente, e não só isso, mas também acrescentando sempre um personagem novo, normalmente um antepassado que teve importância fundamental nessa fundação, pois todos querem fazer parte dessa história, pois todos sabem que as suas histórias estão mesmo naquele Vale…

Palavras

Daí em diante o que se vê no filme são algumas confusões envolvendo a escrita do documento científico, Biá se aproveitando do poder a ele investido pelo uso da palavra escrita etc., e no meio de tudo isso, há uma discussão implícita sobre a importância da escrita e, ao mesmo tempo, sobre o valor da cultura oral.

Enfim, não estou aqui para dar conclusões sobre o assunto, mas posso dizer que quem se interessa pelo poder da palavra, escrita ou falada, vai gostar bastante desse filme e, assim como eu, acho que não chegarão a uma conclusão definitiva sobre o assunto.

Ah, também não vou contar o final do filme, mas vou dizer que não é um final lá muito feliz…

Ficha técnica

Título: Narradores de Javé

Lançamento: 2003

Direção: Eliane Caffé

Atores: José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas, Gero Camilo, entre outros.

Duração: 100 min

Gênero: Drama

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Eleições 2014 – Drops

Urna Eletrônica

Esse Drops é mais uma conversa, um desabafo, sobre minha pesquisa de candidatos a Deputado Estadual e Deputado Federal.

Pois bem, assistindo a alguns pedaços da propaganda eleitoral gratuita, cheguei à conclusão de que se eu quero votar consciente, de verdade, teria que pesquisar mais.

O meu “problema” começou porque eu realmente não queria votar nulo ou em branco ou apenas na legenda de algum partido.

Essa última opção até passou pela minha cabeça, porém, votando apenas num partido, por mais que eu compartilhe de suas ideologias, não significa que a pessoa que vai assumir o cargo (com a ajuda dos votos da legenda) seria uma pessoa em que eu votaria… enfim.

Pesquisa

Comecei pesquisando por candidatos que fossem da minha região ou cidade.

Pra isso usei o Eleições 2014 [fora do ar]. Nesse site, foi só isso que consegui fazer: saber a qual partido o(a) candidato(a) é ligado(a), número na eleição, cidade onde nasceu, etc. Ou seja, só informações “cadastrais”.

Mesmo com essas poucas informações, anotei o nome de alguns e os pesquisei no candidatofichalimpa.com [site fora do ar, passadas as eleições], que retira suas informações do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, por sua vez, tem informações mais completas sobre os candidatos.

Nessa segunda pesquisa risquei alguns nomes da minha lista. Então comecei a pesquisar pelos nomes que sobraram, e aí é que veio a minha decepção maior: pouquíssimos candidatos(as) divulgam suas propostas políticas.

Resultado

Tudo o que os(as) candidatos(as) divulgam são seus nomes e números da urna. . Um ou outro tem página no Facebook – e só com essas mesmas informações de nome e número – e um ou outro [2 dos 18 que sobraram da minha pesquisa] tinha uma página no site do partido onde esclareciam pelo menos os princípios que norteavam a sua atuação política.

                        Conclusão: estou nesse mato sem cachorro.

Não quero votar nos mesmos de sempre, porque não fizeram por merecer que eu repetisse meu voto neles. E os novos não se “mostram”: é quase como se eu tivesse que votar decidindo se “fui ou não com a cara” do(a) candidato(a).

E você, como pretende decidir seu voto?

P.S.: Ouça (ou leia) sobre a “polêmica” do voto nulo nessa edição do podcast Café Brasil.

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Sobre o Barcos, o que eu acho:

Sobre o Barcos, o que eu acho, por Rodrigo Wenzel

1

É um grande jogador, tem o faro do gol e se não fosse ele e o Assunção o Palmeiras tinha sido rebaixado antes do que foi. Não é ídolo, tinha potencial para ser, mas não é.

2

Estava de muito “mimimi” desde o ano passado, nunca disse que ficava, sempre falando que só saia se viesse uma proposta boa para o Palmeiras, que não queria jogar série B, que se jogasse a série B não ia para a seleção argentina, sendo que ele só foi convocado para a seleção argentina porque jogou no Palmeiras e, se não fosse isso, ele jogaria pela seleção do Equador, pois estava em processo de naturalização e desistiu por causa dessa convocação. Ele não queria ficar.

3

O Palmeiras não tem dinheiro, está quebrado, frutos das gestões de Belluzzo e Tirone. O Belluzzo, porque gastou mais do que podia para formar um bom time e o Tirone conseguiu piorar a situação gastando mais do que devia para formar um time que caiu para série B e queria fechar o caixão com a contratação de Riquelme, ainda bem que ele não veio.

4

O Palmeiras não tinha dinheiro para pagar e manter o Barcos, não queria que ele saísse, mas foi necessário. A situação financeira do Palmeiras é complicada, a gente não se pode dar ao luxo de querer ter craques agora: é melhor 4 jogadores bons do que 1 ótimo no momento.

O foco é voltar para a série A e não Libertadores ou títulos. Antes de se ter o ótimo, temos que ter o bom e antes de ter o bom temos que ver o que é possível no momento. O trabalho do Nobre e do Brunoro é tirar o melhor possível no momento atual.

5

O dinheiro recebido vai ajudar a quitar algumas dívidas do clube, desafogando, espero que paguem os salários atrasados do Henrique, se realmente estiverem atrasados, que é o maior nome do time no momento.

6

A ideia da troca em si não é ruim, o Palmeiras precisa de elenco, perdemos muitas peças e não temos reposição.

Nos últimos dias, a diretoria trouxe 6 reforços e tem mais 4 para chegar do Grêmio, totalizando 10, nisso, perdemos Luan e Barcos. Ou seja, teremos 8 jogadores novos. Sinceramente, nunca vi nenhum deles em campo, não sei se são bons ou ruins.

7

O que foi ruim na minha opinião foi o jeito que foi feito, fecharam o negócio sem fechar o que seria recebido. E poderiam vir mais jogadores em definitivo, não todos por empréstimo.

8

Jogadores vem e vão, o amor pelo Palmeiras fica, torço para o Palmeiras, não por jogadores. Hoje, torço muito para o Márcio Gente Boa e nada para o Barcos.

Por Rodrigo Wenzel

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Orkutizando

Orkutizando

Hoje, voltando do trabalho, o busão teve um problema pra passar em determinado ponto por causa do trânsito e iria demorar muito. O motorista abriu as portas e decidi descer 1 ponto e meio antes.

Caminhando pelas ruas, passei em frente a uma pequena lan house, com duas fileiras de 5 ou 6 micros e, lá no fundo, o caixa, estava cheia e me chamou a atenção um sujeito que estava transcrevendo algo de um caderno, possivelmente material escolar para algum trabalho ou algo assim.

Lembro-me de que passei por isso já. Tenho computador faz muito tempo, mas nem sempre eu tive e esse tipo de lugar me ajudou bastante e ajuda até hoje quando quero imprimir ou escanear algo.

O lugar lotado. Mas aqui no bairro tem outras lan houses que quase sempre estão vazias, decadentes, porque hoje muitos têm condições de comprar um micro e ter internet em casa, acho isso espetacular, uma coisa bem democrática.

Porém, tem uma elite (ou classe média que se acha a nova elite) que parece se incomodar muito com situações assim, e, embora alguns tenham o discurso de que têm a intenção de ajudar na formação de uma sociedade mais civilizada, não conseguem enxergar o próprio preconceito.

Quando as pessoas passam a admirar e apoiar alguém que generaliza pessoas com uma condição financeira menor como funkeiros e baderneiros, se cria um problema moral aí.

Se fala em orkutização… como eu odeio esse termo, como me soa pejorativo, como se fosse um tipo de contaminação por parte de pessoas pobres ou não letradas nas redes sociais em geral.

Alguns defendem que isso se refere apenas a um comportamento de quem fica mandando a mesma mensagem (pra mim isso é Spam) ou quem vive de falar/fazer merda (pode ser trolagem ou burrice mesmo! Afinal as pessoas estão aí pra aprender e mudar).

Na verdade, o que esse termo, orkutização, quer dizer (e ele vem atrelado a isso) é simplesmente “Maldita inclusão digital!”.

Eu fico puto da cara com esses filhos da puta que acreditam que são melhores que os outros, que tem mais direitos… apenas porque estudaram em uma escola melhor e tem mais dinheiro???

Ah , vá à merda!!

No final, é o discurso elitista de merda de quem acredita ter um intelecto superior e por essa crença baseada em preconceitos se acha melhor que os outros.

Por mim, eu quebro a bunda desses filhos da puta.

Tenho dito.

Isso e muito mais você encontra no Podcast Cadeia de Eventos:

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A moda é o circo dos vazios

A moda é o circo dos vazios

Ahhhhh, a moda!

To cagando se o Alexandre Egovopis lançou capuz feito em material mais nobre como tendência na SPFW, se uma magrela de maiô bizarro, óculos gigante e toquinha do chavez é a mais nova Top. Nem bunda ela tem!!!

Moda… Acho uma merda. Ouvi um podcast onde as minas reclamavam que não encontravam roupas e tal, achei que era frescura delas… Aí comecei a reparar que nas lojas mais populares só tem calças apertadas que as minas tem que pagar cofrinho!! Claro que ela pode usar uma diferente… Mas vai demorar pra achar, além de ter que pagar mais caro.

Não entendo qual o interesse que essa indústria tem. Não entendo porque não seria interessante pra eles diversificar para mudar, para ter uma clientela maior e não forçar uma tendência idiota qualquer porque um estilista drag fez um desfile de merda.

Concordo que os desfiles deveriam ser uma expressão artística de criatividade, e muitas vezes eles até são isso. Mas não acho certo manter as pessoas limitadas a comprar certos tipos de produtos por causa de meia dúzia de filhos da puta donos de conglomerados que englobam confecções, uma porção da impressa vazia, cabeleireiros afetados, paga paus boiolas em geral e anoréxicas vadias que tem tanto conteúdo quanto… nem sei!!

E nego diz até como é da moda meu penteado de cabelo. Vai à merda! E daí que tá na moda! Quando matar alguém for moda, quem é ligadíssimo no mundo fashion vai matar também. E se dar a bunda vira moda, o que vai ter de maluco saindo do armário (vide anos 70).

É claro que as coisas mudam e evoluem, mas ficar preso à essa merda só vai te levar a um futuro vazio. Tente ser autêntico pô, sendo atual, mas sem se afetar a cada temporada. Se você gosta de boné, usa caralho, mesmo que não for da moda. Consegue entender isso? (Só não use boné tipo Sergio Mallandro igual uns moleques com cara de deficiente mental usam… Cara que raiva… Dá vontade de dar um tapão na cabeça pro boné voar longe e gritar na orelha do puto: “— Toma vergonha na cara, seu merda!!!!”).

E você, o que acha dessa confusão toda? Tem algo que te irrita na moda dos outros? Se tem algo que queira dizer, use seu espaço e seu direito e comente, já é um começo.

Abraço!

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