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Língua e Liberdade

A Letra A

Por uma nova concepção de língua materna

Celso Pedro Luft é um renomado autor de dicionários e manuais de Gramática. No entanto, em Língua e Liberdade o que ele defende não são regras gramaticais, mas uma nova concepção do ensino desta matéria.

Luft inicia o livro apresentando O gigolô das palavras, crônica de Luís Fernando Veríssimo. O texto mostra um homem apaixonado pelas palavras e pela língua, mas afirma que, com exceção de algumas, a maioria das regras são dispensáveis.

A partir daí, Luft começa uma discussão para defender um ensino da língua sem repressão e que realmente desenvolva nos alunos suas habilidades de comunicação nas modalidades escrita e falada, mostrando as infinitas possibilidades criativas de ambas e também de suas diferentes aplicações.

Um dos conceitos apresentados pelo autor é “todo falante é um gramático que se ignora”, quer dizer, inconscientemente, todo aquele que é falante de uma língua conhece as “regras” da fala, sabe como usar as palavras para que seja comunicado exatamente aquilo que quer expressar.

Este conhecimento é tácito e o ensino de Gramática na escola deveria cumprir a função de tornar explícito o que o aluno já sabe sobre a língua, apresentando e incentivando novas alternativas de comunicação.

O importante não é saber regras decoradas, mas saber utilizar-se das possibilidades de expressão da língua.

“Não tem importância trazer de cor regras explícitas: não creio que todos os nossos bons escritores fossem aprovados num teste de Português à maneira tradicional, e no entanto, são eles os senhores da Língua.”

Livro: Língua e Liberdade: por uma nova concepção de língua materna

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Dia Internacional da Língua Materna

Dia Internacional da Língua Materna

O Dia Internacional da Língua Materna foi instituído pela Unesco como uma forma de representar e manter a luta pela diversidade cultural e linguística de vários povos.

A Língua Materna é um dos mais importantes fatores de identidade cultural de um povo, pois é por meio da língua que o indivíduo apre(e)nde o mundo ao seu redor e é por meio dela que expressa o seu mundo.

[Isto me faz lembrar deste texto do Bernardo Soares, heretônimo de Fernando Pessoa, num trecho em que ele diz que “Minha pátria é a língua portuguesa“…]

O dia

O dia 21 de fevereiro foi escolhido para homenagear os estudantes mortos em confronto com a polícia no Dia do Movimento da Língua.

Em 1952, Bangladesh era uma província do Paquistão, nomeada como Paquistão Oriental, e o governo quis impor o Urdu – língua oficial – ao território bengali. Os estudantes então saíram em protesto contra esta medida, defendendo o direito à vida da sua Língua Materna, o Bengali.

Este vídeo foi feito pelo Grupo da Interculturalidade e da Cidadania e perguntou a pessoas de nacionalidades e línguas diferentes qual a importância da Língua Materna para elas:

Já este outro vídeo é um trecho do documentário Línguas – Vidas em Português (2004), de Victor Lopes, nele há depoimentos de pessoas que têm a Língua Portuguesa como Língua Materna, entre eles estão, por exemplo, Mia Couto, José Saramago e João Ubaldo Ribeiro.

Saramago, num momento em que diz que os leitores deveriam ir mais fundo na Língua, conclui que, assim, “[…] a língua passa a ser algo mais que um mero instrumento da comunicação, transforma-se numa, digamos, numa mina inesgotável de beleza e de valor”.

Neste dia, deixo também com vocês esta música do Caetano Veloso em que ele brinca com a riqueza erudita e popular da nossa língua-mãe:

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