Publicado em Deixe um comentário

Praticamente inofensiva

Praticamente inofensiva

Volume Cinco da Série

Chegamos ao final da série. Praticamente inofensiva é o último livro integrante da coleção d’O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas, como já foi dito antes, há um Volume Seis escrito posteriormente…

Epígrafe

A epígrafe do livro (acima) e o primeiro parágrafo do primeiro capítulo já nos dão uma dica do que vem por aí:

Capítulo 1

Seguindo o padrão, esta história também tem clima e enredo diferentes dos anteriores. Acredito que seja o que se distancia mais dos outros, tanto que algumas pessoas nem consideram o Cinco como parte da série, mas apenas como uma história que usa os mesmos personagens.

Pessoalmente, não sei qual eram os planos do autor, porém, em alguns momentos da narrativa, eu tive a impressão não de que seria o fim da série, mas o início de uma nova…

Continuando

Então sim, continuamos a seguir a azarada sina de Arthur Dent pelo universo, as situações nonsenses nas quais Ford Prefect tem um talento especial pra se meter, e é onde não só a Trillian McMillan como a Tricia McMillan voltam para a história… Sim – de novo -, elas são a mesma pessoa.

Aqui, no entanto, temos versões paralelas, cada uma lidando com as consequências de suas escolhas e as duas não muito felizes com elas. É também neste Volume onde estes três personagens se reencontram depois de um (bom) tempo em que cada um viveu a sua vida num canto diferente do universo.

Este livro está tão recheado do humor característico de Douglas Adams quanto os outros, entretanto, este foi o que menos gostei. Talvez pela leitura estar permeada por um sentimento de fim… Expectativa esta que será plenamente correspondida nas últimas páginas…

Capítulo 3

The End

Outra das características que ainda está presente, por exemplo, é a crítica ao nosso modo de vida e, ao mesmo tempo, nos fazendo ver de modo diferente coisas cotidianas:

— Eu sei que astrologia não é uma ciência – disse Gail. – Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou… qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?

— Humm… críquete? Autodepreciação?

— Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. É como assoprar um punhado de poeira de grafite em um pedaço de papel para visualizar os entalhes escondidos. Permite que você veja as palavras que haviam sido escritas sobre o papel que estava por cima e que foi removido. O grafite não é importante. É apenas uma maneira de revelar os entalhes. Então, veja, a astrologia de fato nada tem a ver com a astronomia. Tem a ver com pessoas pensando sobre pessoas.

Ainda que não seja o meu livro favorito da série, ainda vale muito a pena a leitura, pois é daquelas que deixam um gostinho de quero mais. Tanto que estou pensando até mesmo em comprar o Volume Seis, só pra reencontrar os personagens!

Espero que vocês tenham curtido a viagem até aqui:

O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Restaurante no Fim do Universo

A Vida, o Universo e Tudo Mais

Até Mais, e Obrigado pelos Peixes

E não se esqueçam da toalha! 😉

_______________________________

Publicado em Deixe um comentário

Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!

Volume Quatro

Volume Quatro da Série

Depois de viajar pelo Universo, sobrevivendo à poesia Vogon e guerras interestelares, Arthur Dent está de volta ao seu planeta natal… Mas a Terra havia sido destruída, então, o que diabos está acontecendo?

[Se quiser ter uma ideia do que aconteceu até aqui, pode começar pelas resenhas dos volumes Um, Dois e Três d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.]

O caminho que vamos percorrer neste Volume Quatro, acompanhando os protagonistas, será para tentar descobrir o que aconteceu com a Terra anterior… se é que houve mesmo destruição.

Nesta busca por respostas, boa parte da ação se passará aqui no planeta azul, que é onde nos deparamos também com um tema novo na série: romance.

É claro que isto faz com que o livro tenha um tom diferente dos outros, assim como cada um dos volumes entre si, porém, Douglas Adams mostra mais uma vez sua habilidade de contador de histórias ao inserir cenas muito bonitas e poéticas num enredo de ficção científica sem cair em clichês fáceis ou descambar para a breguice.

Podem ficar tranquilos, pois as cenas e diálogos absurdos que escancaram quão risível é a nossa sociedade ainda estão lá, com suas tiradas sarcásticas e inteligentes.

1474393532d97c7b31150c61e01382b97dfbe5bf8e

Novos personagens

Somos apresentados a novos personagens, como Fenny, a garota que é introduzida no prólogo, e Rob McKenna – cujas cenas são algumas das partes mais divertidas do livro –, um motorista de caminhão que vive de mau humor, pois o mau tempo (a chuva) sempre o acompanha na estrada, fenômeno que tem uma estranha explicação, mas não tão estranha para o universo d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.

147439364999aaec16b42e5430bb31bfbe8b7700e9

Velhos conhecidos

Obviamente, ainda temos Ford Prefect, tão louco quanto antes, se metendo em confusões desnecessárias e hilárias. É aqui também que conhecemos o texto de sua contribuição para a edição do verbete d’O Guia sobre a Terra: Praticamente inofensiva – que é o nome do próximo volume.

147439359736cc8c8a31ee89c5370e3de9628ce270

Ah, o Marvin, nosso androide paranoide preferido, também está de volta, mas não tanto quanto gostaríamos: “Os que querem respostas devem continuar lendo. Outros podem preferir pular direto para o último capítulo, que é bem legal e é onde aparece o Marvin”.

Outra coisa que gostei bastante, e da qual ri muito, foi a parte em que um grande número de pessoas acredita que a destruição da Terra na verdade foi uma alucinação coletiva provocada pela CIA.

Daí que, como é comum com teorias da conspiração, cada um acha um motivo mais louco do que o outro do como e por que a CIA teria feito isso.

Apesar do tom diferente da história, continua sendo uma leitura boa e divertida. É quase impossível se decepcionar num enredo quando o próprio escritor se coloca em pé de igualdade com seus personagens: “Havia um motivo para contar esta história, mas, temporariamente, fugiu da mente do autor”.

No entanto, este ainda não é o final, ainda temos o Volume Cinco na coleção e o E tem outra coisa… – lançado no 30º aniversário de publicação do primeiro livro d’O Guia, foi escrito por Eoin Colfer com autorização da família de Adams.

Nos encontramos no próximo!

_________________________________________

Publicado em Deixe um comentário

A Vida, o Universo e Tudo Mais

Volume Três d'O Guia do Mochileiro das Galáxias

Volume Três da Série

E então chegamos ao Volume Três da Série d’O Guia do Mochileiro das Galáxias (quem quiser ler o que escrevi sobre o 1º e 2º estão aqui e aqui). 

Assim como o Volume Dois é diferente do Volume Um, esse Volume Três é diferente dos outros dois, tanto no tom como, para mim, na temática também. O tom que rege o livro é melancólico e, por que não, parece ser meio desiludido também com o mundo (o Universo) e os seres [não posso dizer “pessoas”, pois, afinal, estamos num Universo com formas de vida muito diferentes da nossa rs]:

“Contudo, no final foram as tardes de domingo que se tornaram insuportáveis: aquela terrível sensação de não ter absolutamente nada para fazer que se instala em torno de 14h55, quando você sabe que já tomou um número mais que razoável de banhos naquele dia, quando sabe que, por mais que tente se concentrar nos artigos dos jornais, você nunca conseguirá lê-los nem colocar em prática a nova e revolucionária técnica de jardinagem que eles descrevem, e quando sabe que, enquanto olha para o relógio, os ponteiros se movem impiedosamente em direção às 16 horas e logo você entrará no longo e sombrio entardecer da alma.

A partir daí as coisas começaram a perder o sentido. Os sorrisos alegres que costumava distribuir durante os funerais dos outros começaram a sumir. Aos poucos, começou a desprezar o Universo em geral e cada um dos seus habitantes em particular.”

Você se depara com esses parágrafos logo no Capítulo 1, imagine o que vem pela frente… E o que temos pela frente é a história de várias guerras que ocorreram no Universo e uma que está prestar a recomeçar, e que os nossos amigos dos outros volumes, os personagens principais, tentam evitar… talvez não tentem tanto assim rs, mas é em torno desse tema que o livro é desenvolvido. Acredito que por tratar de um “assunto sério” como a guerra (e seus motivos idiotas para acontecerem) é que o livro tenha esse tom mais melancólico. Para vocês terem uma ideia, até mesmo o nosso sempre-animado-e-pronto-para-uma-festa, Zaphod, está enfrentando, nesse terceiro volume, uma crise de identidade, uma depressão, enfim, o cara não está legal…

[P.S.: Não vou falar muito sobre a(s) guerra(s) para não dar spoiler para quem não leu ainda 🙂 ]

Volume Três da Série

POP

O Volume Três é o menos engraçado até agora; os sarcasmos e ironias ainda estão lá, mas, como disse antes, o tom é bem diferente dos outros. Mas há uma cena em que eu ri bastante [aqui acho que pode ser considerado spoiler por alguns, mas vamos lá], que é a cena em que Ford procura algo que ele diz ser um POP, Problema de Outra Pessoa:

“— Um o quê? – perguntou.

— Um POP.

— Um P…?

— … OP.

— E isso seria?

— Um Problema de Outra Pessoa.

— Ah, que bom – disse Arthur, relaxando. Não tinha ideia do que se tratava, mas o assunto parecia ter terminado. Não tinha.

— Lá – disse Ford, apontando novamente para os gigantescos outdoors e olhando para o campo.

— Onde?

— Ali! – disse Ford.

— Estou vendo – disse Arthur, que não estava.

— Está? – disse Ford.

— O quê? – disse Arthur.

— Você está vendo – disse Ford, pacientemente – o POP?

— Achei que você tinha dito que era problema de outra pessoa.

— Exato.

Arthur assentiu lentamente, cuidadosamente e com uma cara de total imbecilidade.

— E quero saber – disse Ford – se você consegue vê-lo.

— Quer mesmo?

— Sim.

— E com o que – disse Arthur – ele se parece?

— E como diabos vou saber, seu burro? – gritou Ford. — Se você consegue vê-lo, você é quem tem que me dizer.”

E a conversa vai ficando cada vez mais maluca e mais engraçada quando você descobre como funciona o conceito de POP, inclusive, em alguns momentos acho que vou tentar aplicá-lo na minha vida… 😉

E vamos para o Volume Quatro!

 

_______________________________________

Publicado em 1 comentário

O Restaurante no Fim do Universo

Introdução. O Restaurante no Fim do Universo

Volume Dois da Série

Chegamos ao Volume Dois da Série d’O Guia do Mochileiro das Galáxias e agora que você já leu o primeiro livro [espero 🙂 ] posso dizer que os nomes das continuações, O Restaurante no Fim do Universo, A Vida, O Universo e Tudo Mais, Até Mais, e Obrigado pelos Peixes e Praticamente Inofensiva, aparecem todos no Volume Um da série (que termina com os personagens dizendo que estão com fome e vão dar uma passada no Restaurante no Fim do Universo), mas nunca de maneira forçada, tanto que só percebi isso quando peguei o Volume Dois para ler.

Na capa do Volume Dois temos ainda o céu/espaço estrelado como fundo e a frente vemos um sol, uma guitarra, uma colher, um garfo e uma cabeça de vaca (ou boi), que logo encontraremos no Restaurante do Fim do Universo.

Sim, até o sol de certa forma encontraremos no Restaurante, mas, para não dar spoiler, vou deixar que descubram o porquê na leitura de vocês. 😉

Volume Dois da Série

Continuando

A primeira coisa que notei é que o ritmo da história está um pouco diferente, apesar de os capítulos ainda serem curtos, parecem um pouco mais longos, talvez porque aqui você fica boa parte do tempo sem saber o que realmente está acontecendo, assim como os personagens principais.

Isso também acontece algumas vezes no primeiro, mas lá, parece que só o Arthur está perdido, então, mesmo sem sabermos o que está realmente acontecendo não nos sentimos tão “perdidos” como nesse segundo. 

Ainda temos os “parênteses” do Guia do Mochileiro das Galáxias nos dando informações sobre planetas e lendas do Universo, mas aqui essa interrupção não parece tão natural quanto no primeiro.

É claro que as ironias e sátiras ao nosso mundo e modo de vida ainda estão lá, se encaixando perfeitamente na história e nos fazendo rir e pensar ao mesmo tempo, quando, por exemplo, nos é mostrada uma passagem do Guia com informações básicas sobre o Universo e diz que a população é zero, pois o Universo é tão imensamente vasto que os poucos mundos habitados não são suficientes para que sejam considerados nessas estatísticas…

Aí você pensa: “Somos mesmo menos do que um grãozinho de areia no Universo…” e então acho que começamos a não dar tanta importância a coisas que não são tão importantes…

Enfim…

Uma das partes que eu adorei nesse livro foi quando nos é descrito um pouco sobre o Manual das 1001 Formações de Tempos Gramaticais para Viajantes Espaço-Temporais. Como eu fiz Letras, nem preciso dizer o quanto ri lembrando dos livros e aulas de Gramática em que tudo aquilo parecia só ter lógica dentro de uma lógica interna maluca…

Mas não vou discorrer aqui sobre isso, deixemos esse tipo de discussão para um outro post, basta saberem que piadas com linguagem e “pensamento acadêmico” sempre me fazem rir…

Ah, lembram que eu comentei sobre a série de TV d’O Guia? Então, os episódios 5 e 6 se referem a acontecimentos que se passam no Volume Dois, e a série acaba no 6, ou seja, estou curiosa para saber o que vem por aí nos outros volumes da série.

Tentei não contar muitos detalhes, spoilers, desse livro, pois, assim como eu, acredito que ainda tenha gente por aí que não leu O Guia completo, mas se vocês leram e quiserem trocar ideias ou apenas conversar sobre os livros, podem me adicionar lá no Skoob ou podem entrar lá no grupo do Cachorro Solitário no Facebook ou curtir a página do blog ou deixe seu comentário aqui no blog, enfim, opções não faltam, fiquem à vontade: sintam-se em casa. 🙂

 

____________________________________

Publicado em 1 comentário

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Guia do Mochileiro das Galáxias

Volume Um da Trilogia de Cinco

Sempre ouvi falar sobre esse livro, mas nunca tinha lido, não por falta de curiosidade, mas de tempo, já que tinha – e tenho ainda – vários (muitos rs) outros livros e revistas na fila para ler. Mas nessa semana de folga de fim de ano de 2013 resolvi começar a ler a trilogia de cinco (que são seis, mas depois falamos sobre isso rs).

Bem, a curiosidade já começa pela capa, onde vemos os desenhos de um trator e uma cabeça de robô triste sobre um fundo de céu/espaço estrelado e, no canto direito, o aviso sobre fundo laranja: “Não entre em pânico”. A edição que tenho é da Editora Sextante. É uma edição simples, mas bem cuidada: o livro é leve, o que, para mim que leio no ônibus no caminho para o trabalho, é ótimo! A única coisa que me incomodou foram alguns erros de revisão, mas foram pouquíssimas vezes, então dá para passar.

Não entre em pânico
O Guia do Mochileiro das Galáxias
Volume Um da Trilogia de Cinco

Impressões

Começando a leitura encontramos Arthur Dent tentando salvar a sua casa de uma demolição que será feita para a construção de um desvio, projeto do qual ele só teve notícia no dia anterior:

“— O senhor teve um longo prazo a seu dispor para fazer quaisquer sugestões ou reclamações, como o senhor sabe – disse o Sr. Prosser.

— Um longo prazo? – exclamou Arthur. — Longo prazo? Eu só soube dessa história quando chegou um operário na minha casa ontem. Perguntei a ele se tinha vindo para lavar as janelas e ele respondeu que não, vinha para demolir a casa. É claro que não me disse isso logo. Claro que não. Primeiro lavou uma das janelas e me cobrou cinco pratas. Depois é que me contou.

— Mas, Sr. Dent, o projeto estava à sua disposição na Secretaria de Obras há nove meses.

— Pois é. Assim que eu soube fui até lá me informar, ontem à tarde. Vocês não se esforçaram muito para divulgar o projeto, não é verdade? Quer dizer, não chegaram a comunicar às pessoas nem nada.

— Mas o projeto estava em exposição…

— Em exposição? Tive que descer ao porão pra encontrar o projeto.

— É no porão que os projetos ficam em exposição.

— Com uma lanterna.

— Ah, provavelmente estava faltando luz.

— Faltavam as escadas, também.

— Mas, afinal, o senhor encontrou o projeto, não foi?

— Encontrei, sim – disse Arthur. — Estava em exibição no fundo de um arquivo trancado, jogado num banheiro fora de uso, cuja porta tinha a placa: Cuidado com o leopardo.”

Preciso dizer o quanto ri depois de ler essa passagem? E isso logo nas primeiras páginas do livro!

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o tipo de livro com o qual você se diverte e enquanto você dá risada também percebe a crítica as nossas instituições e burocracia… Nesse ponto me lembrei de O Processo, de Franz Kafka, no qual o personagem principal certa amanhã acorda e é avisado de que está preso, enfrentando um processo longo e surreal tentando descobrir do que está sendo acusado para tentar se defender… Mas é claro que a atmosfera na história de Kafka é muito mais carregada, chegando a causar – em mim, pelo menos, quando li esse livro – uma angústia muitas vezes até física! No Guia nós temos um clima bem mais irônico e satírico, mais leve, mas não se engane, esse aparente ar de simplicidade traz embutido várias críticas a nossa sociedade e modo de vida.

Assim, Douglas Adams mostra como é habilidoso em criar situações inusitadas e improváveis que fazem todo sentido como também é habilidoso na construção do texto em si, como por exemplo o fato de se terem capítulos curtos intercalando a história dos personagens principais com trechos do Guia do Mochileiro das Galáxias, assim, além de tornar a leitura mais dinâmica, também vamos descobrindo algumas coisas sobre outros mundos de outras galáxias conforme Arthur Dent vai percorrendo o índice do Guia. Adams também parodia, de certa forma, as estruturas “pré-fabricadas” de se contar uma história:

“— Aqueles baques, o que foi aquilo?

— Não sei.

Esperaram mais alguns segundos.

— Eu vou lá ver – disse Ford. Olhou para os outros e acrescentou: — Será que ninguém vai dizer: Não, você não, deixe que eu vou?

Os outros três sacudiram a cabeça.

— Nesse caso… – disse ele, e levantou-se.

Por um momento, não aconteceu nada.

Então, alguns segundos depois, continuou a não acontecer nada. Ford olhou para a fumaça espessa que saía do computador destruído.

Cuidadosamente, saiu do esconderijo.

Continuou não acontecendo nada.”

Então…

Aparte essas questões críticas de conteúdo e estilo, como uma boa obra literária, pode ser lido e interpretado em várias camadas de significação diferentes, inclusive na camada do divertimento, pois confesso que me diverti muito lendo esse livro! 🙂

Sei que muita gente já conhece o livro (ou viu o filme, que é um pouquinho diferente do livro… rs), mas não vou me aprofundar muito nos detalhes da história para não estragar o prazer da descoberta da leitura, então, quem quiser saber a resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais, terá que ler o livro! :p

*Trailer: O Guia do Mochileiro das Galáxias (2005) — Eu fiquei na dúvida entre esse trailer aqui e este outro, pois eu achei a narração do José Wilker muito boa!

 E não esqueça a toalha!

________________________________________