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João das Fábulas – Páginas Viradas

João das Fábulas - Páginas Viradas

Desde pequena eu assistia a filmes de faroeste com meu pai, desde então sempre gostei de ver esse tema retratado em filmes, séries, desenhos etc.

Então, quando vi na banca essa capa, não pensei duas vezes e acabei comprando por impulso, sem nem saber do que se tratava exatamente:

JOAO-DAS-FABULAS-PAGINAS-VIRADAS

Sim, eu já tinha ouvido, lido e visto nas bancas a série Fábulas, mas como não acompanhava, logicamente também não conhecia os personagens que dela fazem parte.

O João das Fábulas é o João do “João e o Pé de Feijão” e a premissa para criar o personagem é: Como alguém que invade a casa de outra pessoa (no caso o Gigante), comete latrocínio (roubo seguido de homicídio) pode ser alguém “confiável“?

Assim, o João que encontramos nessas páginas é um belo de um trambiqueiro com uma moral que se baseia apenas no resultado de realizar suas próprias vontades (o que é ilustrado pelo fato de ele ter vendido a vaca da família, não por uma boa quantia em dinheiro, que seria o seu sustento, mas por feijões mágicos para satisfazer a sua ganância).

A revista João das Fábulas – Páginas Viradas contém duas histórias: A primeira delas se chama 1883 e é a que se passa no velho oeste americano, no ano, óbvio, de 1883. Aqui somos apresentados a João Vela (como é conhecido o “nosso” João nessa época) e seu bando de assassinos e ladrões.

1883

Aqui, João é realmente um cara cruel e sem escrúpulos chegando mesmo a matar um de seus subordinados sem a menor necessidade e sem o menor remorso… E ele justifica seus atos comparando-os aos atos que nós, mundanos, cometemos… (“Mundanos” é como os humanos são chamados pelas fábulas).

Mas aqui também somos apresentados a Bigby Lobo, uma cara misterioso, daquele tipo que só fala o necessário e quando é realmente necessário. Mais para frente na história descobrimos que ele está incumbido de uma missão: Capturar João para que ele pague pelos seus crimes sendo julgado por um tribunal formado por seus semelhantes, ou seja, por outras fábulas.

Fica implícito pelos diálogos entre os dois que eles têm um desavença antiga, o que só faz aumentar a tensão das cenas de batalha e tiroteios.

Lendo sobre a série Fábulas (e sobre a série do João), descobri que Bigby é o Lobo Mau! O que me deixou bastante curiosa para ler a série, mas como a fila de livros e HQs está grande, vai ficando para depois…

João das Fábulas - Páginas Viradas
E começa a porradaria! \o/

Para mim, que gosto de faroeste, é uma boa história: tem o cara mau, tem o cara que caça o cara mau (que não necessariamente é o “mocinho” da história), tiroteios, andanças no deserto, brigas desnecessárias no saloon, enfim, um pouco de tudo com o que me acostumei a ver nos filmes desse gênero! 🙂

Páginas Viradas

A segunda história é a que se chama Páginas Viradas e é, na verdade, a continuação de uma história iniciada nas edições anteriores da série do João das Fábulas.

Nesta hora me senti um pouco desconfortável com isso, porque, em nenhum lugar da capa tem a informação de que se trata de uma continuação…

Talvez eu devesse ter pesquisado antes de comprar? Talvez. Mas mesmo não tendo lido o começo da história, antes de retomar, logo no início da HQ, há um pequeno resumo do que aconteceu até ali, assim, pude ler normalmente a edição que comprei, talvez eu tenha perdido detalhes ou referências das outras edições contidas nesta, mas isto não diminuiu, a meu ver, a qualidade desta que tenho em mãos.

Quem nos narra essa história (e participa dela em certo momento) é a Eliza Parede, como o sobrenome dela já sugere, ela não é uma simples narradora, ela também quebra a quarta parede e conversa o tempo todo com o leitor sobre o que está acontecendo até aquele momento, às vezes lembrando o que aconteceu antes ou o carácter de algum personagem ou dando indícios do que poderia (ou vai) acontecer.

Além do que, todos os personagens nessa “fábula” nos parecem remeter à metalinguagem e a dica está no próprio nome deles: as irmãs Página, o velho Revisor, o “vilão” da história: O Queimador (de livros) etc., etc.

Post scriptum

P.S.: Coloquei a palavra vilão entre aspas porque todos os personagens são ambíguos, não se pode dizer com certeza se alguém é realmente bom ou mau.

Como eu gosto muito de Literatura, leitura, linguagem e afins a ponto de gostar também de ler textos teóricos sobre o assunto, foi muito legal ver uma história em quadrinhos utilizar a metalinguagem de uma forma que não ficou pedante ou intelectualizada, pelo contrário, a história é cheia de humor e você consegue ler o texto em várias camadas de interpretação diferentes, característica que, em minha opinião, representa quase sempre um bom texto!

Fora isso, é uma boa HQ, muito bem escrita e desenhada! Eu recomendo. E isso porque eu não li as edições anteriores! rs

P.S.²: Uma coisa que gostei foi o fato de que, quando aparecem mulheres seminuas ou coisa que o valha, elas aparecem porque realmente aquela cena se encaixa na história, não é nada gratuito, e elas aparecem em poses e em proporções, eu não diria reais, porque, afinal, isso é ficção rs, mas mais de acordo com a proporção com que os personagens masculinos são representados, por exemplo, sem exagerar peitos e bundas ou fazendo-as numa pose humanamente impossível de estar sem ficar com dores ou problemas na coluna.

Robin e João
Robin Página, filha do Revisor e encarregada da Segurança do Asilo Galhadas Douradas (lugar para onde as fábulas são levadas para sumir), num encontro clandestino e não muito recomendado com um dos maiores foras da lei do mundo das Fábulas, João.

 

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