Publicado em Deixe um comentário

Elsa & Fred

Elsa & Fred - Um amor de paixão

Um amor de paixão

Elsa & Fred, de produção argentina e espanhola, é um filme que conta a história de um casal de apaixonados. Um casal de velhinhos.

Elsa é uma senhora que procura aproveitar ao máximo todos os momentos de sua vida e, para isso, inventa algumas histórias sobre si mesma que a tornam mais interessante.

Fred é um recém-viúvo um tanto quanto hipocondríaco que se “esconde” da vida no seu apartamento, tento como companhia seu cachorro Bonaparte.

A produção que utiliza o tempo todo da intertextualidade, pois é cheio de referências ao filme A Doce Vida do diretor italiano Federico Fellini.

Intertextualidade porque o filme coloca-se como obra de arte que, além de fazer referência a uma obra anterior, de certa forma também pode ser visto como uma releitura.

A Doce Vida acompanha as angústias de um homem de meia-idade que conhece uma mulher exuberante pela qual se apaixona. Essa mulher faz-lhe pedidos estapafúrdios que transformam a banalidade de suas vidas.

Elsa & Fred conta-nos de uma velhinha que foi tão bela em sua juventude quanto a atriz do filme italiano, a tal ponto de identificar-se com ela e, por isso, tenta fazer com que a sua vida (e a de Fred), mesmo na velhice, seja tão sublime quanto o filme.

Elsa & Fred é de uma delicadeza extraordinária, em que são expressos de forma surpreendentes sentimentos de carinho e compreensão humana, além de ser um alento a mais para aqueles que acreditam que nunca é tarde para se realizar um sonho.

P.S.:

Como quase todos os bons filmes não hollywoodianos, este também teve uma versão americana:

Publicado em Deixe um comentário

As bicicletas de Belleville

Belleville

As Bicicletas de Belleville (Les Tripletes de Belleville, 2003) é uma animação francesa que caricatura personagens, cenários e situações preenchendo-os de múltiplos significados… Mas, vamos começar do começo.

Pôster

 

O início

Nas cenas iniciais, somos apresentados ao menino Champion e sua avó, Madame Souza. Eles vivem numa área aparentemente afastada do centro urbano, num lugar de paz e tranquilidade, no entanto, o menino parece estar sempre deprimido. O que faz com que sua avó volte sua atenção para os gostos dele, em inúmeras tentativas de fazê-lo alegre novamente.

A certa altura, Souza percebe a fascinação do neto por bicicletas e, a partir daí, não só compra uma pra ele, como vira sua treinadora, já que a paixão pelas duas rodas leva Champion a se tornar um atleta extremamente dedicado.

Durante sua participação numa das etapas da Volta da França, um dos eventos mais importantes do mundo relacionados ao ciclismo, Champion é sequestrado no meio da corrida 😮 Sua vó percebe o sumiço e sai à procura do neto com a ajuda do cachorro da família, Bruno.

O garoto é levado para uma megalópole além do oceano chamada Belleville – que em tudo nos lembra dos Estados Unidos. Daqui pra frente, o filme parece estar fazendo uma crítica ao atual padrão de vida consumista que levamos, usando o American Way of Life como símbolo disso, quando, por exemplo, numa das primeiras imagens do país, mostra a Estátua da Liberdade obesa e, no lugar da tocha e da tábua de leis da verdadeira, a caricatura segura um hambúrguer e um milk-shake.

[Lembrando que a Estátua da Liberdade foi um presente da França para os EUA na ocasião de sua independência, uma das primeiras colônias do mundo a se tornar livre.]

Estátua da Liberdade - As bicicletas de Belleville

À margem da sociedade

Madame Souza segue Champion até Belleville usando o faro de Bruno, mas eles perdem o rastro quando a fumaça dos carros embaralha o olfato do cachorro. Sem dinheiro e sem amigos na metrópole, eles se preparam pra passar a noite embaixo de uma ponte. Aí, sem ter o que comer e sem conseguir dormir, Souza começa a “tirar um som” de um aro de bicicleta e é aí que as trigêmeas de Belleville [Les Tripletes de Belleville 😉 ] aparecem.

As irmãs levam os desabrigados para casa – pois, assim como Souza e Bruno, neste mundo em que o consumismo é o ideal maior, as trigêmeas, que um dia foram cantoras aclamadas, também estão à margem da sociedade por serem velhas e, assim, não serem mais consideradas capazes de produzir, de “contribuir” para o bem comum, sendo postas de lado socialmente.

As trigêmeas de Belleville

Esta, entre muitas outras, é uma das críticas que podemos ler nos sons e imagens da animação. Entretanto, também é um filme de entretenimento, pois, mesmo que não cheguemos nesta camada de interpretação, o filme é divertido pelas situações e personagens caricatos que encontramos no desenrolar da narrativa.

Trilha sonora

Assim, como qualquer filme de animação, As bicicletas abusa da linguagem não verbal por meio das expressões e cores usadas, na forma como os personagens são retratados (as caricaturas em si), usando a trilha sonora como um elemento narrativo etc.

O que a difere um pouco mais de outras animações mais recentes é o fato de ter pouquíssimas falas – o que é um elemento muito interessante, pois a “falta” de falas não atrapalha a evolução ou o entendimento da narrativa, pelo contrário, seu desenvolvimento se dá de maneira muito rica e poética no trabalho de todos os elementos não verbais do filme.

Hollyfood

Elementos estes que são explorados, por exemplo, na forma como é mostrada a passagem de tempo em vários momentos da narrativa, nos sonhos do cachorro Bruno, na mistura de live action e animação ou, ainda, quando os atletas sequestrados (Champion não foi o único) são mostrados em caçambas, sempre há ao fundo um som de relincho como que para ressaltar que não estão sendo tratados como pessoas, mas como animais explorados (e facilmente substituíveis) para algum propósito – de preferência, um que dê lucro.

Há ainda uma maravilhosa cena de perseguição (que provavelmente é a perseguição mais lenta da história do cinema! rs) que nos leva ao final da narrativa ao mesmo tempo em que ri de todos os clichês de filmes de ação de Hollywood.

Se ficou curioso, você pode assistir a animação completa no YouTube e não se esqueça de esperar pela cena pós-créditos 🙂

______________________________

Publicado em Deixe um comentário

Ensaio sobre a cegueira

filme Ensaio sobre a cegueira

Filme e livro

Já li alguns livros do Saramago e ele é, definitivamente, um dos meus autores preferidos.

Mesmo assim, demorei um pouco muito pra ler Ensaio sobre a cegueira e acabei assistindo ao filme primeiro.

Impressões

Gostei bastante do filme, mas pensei que, como normalmente acontece, logo que tivesse o livro em mãos, encontraria nele muito conteúdo que não tivesse cabido na adaptação da obra para o cinema.

Mas não foi bem isso o que aconteceu.

“Acho que não ficamos cegos. Acho que sempre fomos cegos. Cegos apesar de conseguirmos ver. Pessoas que conseguem ver, mas não enxergar.”*

Pode até ser que algumas cenas e/ou diálogos tenham ficado de fora do filme, no entanto, a adaptação foi tão bem-feita que, quando li o livro, as imagens do filme e as imagens criadas na minha imaginação se misturaram de tal forma que virou tudo uma coisa só. Diferente do que acontece com adaptações “ruins” em que você pensa “Mas cadê tal coisa?” – quando lê o livro antes, ou “Nossa, agora sim tal coisa faz sentido!” – quando você lê o livro depois.

“Pelas poucas janelas que davam para o pátio interior entrava uma última claridade, cinzenta, moribunda, que declinava rapidamente, já a resvalar para o poço negro e profundo que ia ser esta noite. Tirando a tristeza irremediável causada pela cegueira de que inexplicavelmente continuavam a padecer, os cegos, valha-lhes isso ao menos, estavam a salvo das deprimentes melancolias produzidas por estas e semelhantes alterações atmosféricas, comprovadamente responsáveis de inúmeros actos de desespero no tempo remoto em que as pessoas tinham olhos para ver.”*

E tudo isso quer dizer apenas que Ensaio sobre a cegueira é uma grande obra de ficção, que foi primeiro narrada magistralmente pelas palavras do Saramago, e depois – também magistralmente – pelas imagens do Fernando Meirelles.

Assim, se você não viu o filme, leia o livro, e se você não leu o livro, veja o filme 😉

“… e serenamente desejou estar cega também, atravessar a pele visível das coisas e passar para o lado de dentro delas, para a sua fulgurante e irremediável cegueira.”*

P.S.: Reação do Saramago após assistir ao filme 🙂

*Trechos retirados do livro.

_____________________________________

Publicado em Deixe um comentário

O Homem que Ri – 1928

homem ri

 

Até hoje vi poucos filmes mudos, o que mais manjo de Expressionismo alemão é aquele clipe doido do Red Hot Chili Peppers:

E, mais recentemente, o filme australiano Babadook, que tem uma certa influência.

Dentre as grandes obras inspiradas nesse estilo cinematográfico, me interessei em O Homem que Ri, adaptação do livro do brilhante escitor francês Victor Hugo, é tido como inspiração para que se criasse um dos maiores vilões de TODOS os tempos, nada mais, nada menos, que o Joker… o Palhaço… o Coringa!

Coringa o homem que ri

Segue abaixo o filme!

Lembrando que em 2012 saiu uma versão “nolanzada” do livro que eu não vi nem verei:

Abraço!

Publicado em 6 comentários

Filme Comentado – Fonte da Vida

Bela

“E se você pudesse viver para sempre?

O diretor Darren Aronofsky é um dos meus preferidos na atualidade. Nesse filme ele demonstra que não é bom apenas contando histórias mundanas, que ele pode sim contar uma bela história de época e uma de fantasia também.

A premiada pelo Oscar no filme “O Jardineiro fiel” e heroína dos filmes de ação da série “A Múmia”, Rachel Weisz, vive a rainha da Espanha, Isabel, e a esposa Izzi do pesquisador Tom, vivido por Hugh Jackman (o eterno Wolverine, em uma atuação brilhante, emocional e muito viva), e serve de âncora para ele, como motivação para ele continuar vivendo, continuar lutando, caminhando, em diversas faces de sua experiência como ser vivo. Ela é, simbolicamente, a Fonte dele.

Esse filme é cheio de simbolismos, a aliança, a tinta preta, a árvore… O amor, a espiritualidade e a morte estão sempre presentes em intensidades diferentes, mostrando a cada momento a nossa fragilidade perante o universo.

A premiada atriz Ellen Burstyn (já trabalhou com esse diretor no espetacular “Réquiem para um Sonho”) vive a Dr. Lillian, que serve como uma ligação ao mundo real para o cientista e até para quem vê o filme.

Antigas profecias maia sobre a criação e o fim da vida se fundem com as lendas judaico-cristãs da criação do Homem.

A realidade muitas vezes se confunde em viagens oníricas, onde as luzes e as estrelas e um livro servem como ponto de ligação que permitem a nós espectadores um passeio por entre as realidades.

São cenas de uma beleza realmente única. Os planos muitas vezes são bem fechados nos detalhes, nas expressões, no pelo do pescoço que se arrepia ao ser beijado.

Uma espécie de pequeno príncipe adulto, um explorador espanhol e um cientista mesclam suas histórias em um deleite de imagens, situações tristes e reviravoltas na trama. É definitivamente um daqueles filmes que nos deixam pensando bastante sobre ele depois de visto.

Trailer:

Elenco: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Marcello Bezina, Alexander Bisping, Ellen Burstyn, Cliff Curtis, Sean Gullette, Mark Margolis.
Direção: Darren Aronofsky
Título: The Fountain (Fonte da Vida)
Feito em: EUA
Gênero: Ação/Drama/Romance/Ficção Científica
Tempo de Duração: 96 minutos aprox
Lançamento: 2006

Da série Filmes que vou ver.

————-