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Uivos Filosóficos 7 – A Visão do Amor

Uivos Filosóficos

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A Visão do Amor.

Um camponês semeava batata da melhor qualidade; apenas ele possuía um misterioso tipo de semente. A terra era de bom grado, porém os ladrões furtavam as batatas durante a noite porque a plantação ficava longe de casa. O camponês só tinha um filho, mandou-o vigiar a plantação de madrugada. O jovem enquanto vigiava, cochilou, mas quando abriu os olhos viu as moças que roubavam as batatas. O jovem viu as beldades, e se apaixonou.”

Este conto peruano não é novidade para nenhum ser mortal. O homem vê uma mulher interessante, por algum motivo, se apaixona. A mulher observa atentamente um homem que futuramente vai ser o pai do seu filho.

Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e...
“Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e…”

Vários escritores, poetas, psicanalistas tentaram descrever o amor. Também foi causa de guerras terríveis como a de Troia, ou uma tragédia como Romeu e Julieta. Passamos por um lugar desconhecido, visto que olhamos alguém por cinco segundos, e o coração dispara! Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e… Nos apaixonamos.

A paixão amorosa pode ser regida pela natureza. Enquanto amamos alguém, nem sempre tem um final feliz, pois a vida não é como nos filmes ou novelas. Aquela moça que o homem se apaixona e não é correspondido (não conseguindo seu objetivo), ele fica melancólico, se tranca no quarto, pensamentos suicidas (para os ultra-românticos); pergunta por que existe o amor. Pode ser a ideia de manter a espécie. “é preciso que a natureza ponha no indivíduo uma certa ilusão, em virtude da qual ele veja como o bem próprio o que, na verdade, é apenas o bem da espécie; e assim serve a natureza, enquanto pensa estar obedecendo apenas aos seus desejos. Uma simples quimera, que logo se desfaz, paira diante de seus olhos e faz com que atue.” (Schopenhauer). Logo estamos trabalhando para a espécie, já que a tornamos individual.

O homem demonstra a ânsia de salvar as mulheres quando estão apaixonados, portanto salvar a mulher no dicionário masculino é não abandoná-la.

Meu destino até então era certo,

vi que passava perto de sua morada e queria te ver…

Mas você quase acabou comigo…

Só ri ao pensar no seu sorriso.

Se me visse neste estado deplorável:

finalmente eu te deixaria como nunca antes:

FELIZ.”

(Diogo C. Scooby).

O motivo de nos decepcionarmos com o amor é a ideia do “Belo” de Platão. O mundo das ideias; no início de um amor pensou na garota de todos os modos. Imaginamos saindo com ela ao cinema, beijando-a, apresentando a família, tudo maravilhoso, ouve In my Life dos Beatles e, até as estrelas do céu brilham diferente, mas quando saímos do mundo das ideias, ou seja, voltamos para a realidade, a garota não te dá atenção: um baque. A ideia do Belo se torna belo. A diferença do maiúsculo para o diminutivo é que no mundo das ideias (BELO) tudo é perfeito, porém na realidade esse belo não tem perfeição, é a subjetividade.

Como no conto peruano, quem não já se apaixonou a primeira vista, talvez nunca tenha amado, confesso que não sei como concluir este texto, pois não quero definir o amor, apenas quero senti-lo, quero que venha de um modo inesperado.

Concluo com o soneto 116 de William Shakespeare: “O amor não se transforma de hora em hora, antes se afirma para a eternidade, se isso é falso alguém provou, eu não sou poeta, e ninguém nunca amou”

O Amor se afirma na eternidade

 

Para conhecer mais leia:

Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. Arthur Schopenhauer.

Cinco Lições de Psicanálise: Contribuições a Psicologia do Amor. Sigmund Freud.

Mí casa, Sú casa e Outros Poemas. Diogo C. Scooby.

Contos e Lendas do Peru. Adaptação de Antonieta Dias Moraes.

Professor de Filosofia e escritor. Pensa em ler Shakespeare Eternamente! Cosmólogo de plantão.