Projeto Leia Mulheres

Leia Mulheres

Não me lembro exatamente como fiquei sabendo do projeto Leia Mulheres, mas me lembro de como a proposta me fez olhar a minha estante e buscar na memória as obras que li durante a vida e quantas delas tinham sido escritas por mulheres…

É claro que havia autoras em meio ao meu percurso literário e que foram importantes na formação do meu senso estético e artístico, mas o passo seguinte desta busca foi me fazer reparar na discrepância em relação à quantidade de artistas homens e mulheres.

Era um número gritante, e foi assustador tomar consciência dele.

Desde então, tenho pensado mais minhas escolhas de leitura. E isso não significa que não leio mais homens – alguns deles ainda são meus favoritos rs –, significa que tenho sido mais crítica com minhas leituras e suas influências.

O projeto existe em várias cidades do Brasil, e confesso que, apesar de acompanhar pela internet há algum tempo e até já ter lido alguns dos livros discutidos no grupo de São Bernardo, a primeira vez em que fui num encontro presencial foi somente em setembro.

Ah, apesar do nome do projeto deixar algumas pessoas confusas, os clubes de leitura não são só para mulheres, homens podem ler e participar. O nome refere-se apenas ao conteúdo, que é – evidentemente – ler (obras escritas por) mulheres.

Você pode acompanhar o projeto pelo site que, além da divulgação das agendas dos grupos de leitura, também tem resenhas e outros conteúdos relacionados, ou pelo Facebook, Instagram, Twitter e Pinterest.

Eu achei a experiência enriquecedora e espero poder participar dos próximos encontros!

E você, já participou (ou participa) de algum clube de leitura? Conte-nos sua experiência nos comentários!

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Leia mais no blog:

A Senhora da Magia – As Brumas de Avalon

Clarice Lispector

A mulher desiludida 

Dina Salústio e Graciliano Ramos

Narradores de Javé, de Eliane Caffé

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Dia Internacional das Mulheres

Dia Internacional das Mulheres - greve das mulheres

RESISTÊNCIA E LUTA DAS TRABALHADORAS

por Elaine Zaragosa

O Dia Internacional da Mulher comemora no ano de 2010, os cem anos de sua celebração. Embora existam controvérsias entre pesquisadores a respeito da origem do 8 de março, esta data simboliza a luta de 129 operárias têxteis de uma fábrica de tecido em Nova York, que morreram carbonizadas por seus patrões após reivindicarem melhores condições de vida e trabalho.

Sensibilizada com a situação dessas mulheres, Clara Zetkin, propôs em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres, na Dinamarca, o Dia Internacional da Mulher.

Clara Zetkin, sempre lutou para que a questão feminina fosse assunto de debate dentro do movimento operário. Lutou entre outras coisas, pelo sufrágio feminino, por melhores condições de trabalho das mulheres nas fábricas e, principalmente, por uma organização específica das operárias. Por esse motivo, a questão das mulheres existe apenas para as mulheres do proletariado, da pequeno-burguesia e da intelectualidade.

Segundo Clara, as mulheres da alta burguesia podem desenvolver as suas habilidades e individualidades livremente, se assim quiserem. E quando são submissas ao marido o são apenas economicamente, então quer lutar contra o homem de sua classe. A mulher pequeno-burguesa quer alcançar a liberdade econômica, por isso tem aspirações feministas.

Por seu lado, as intelectuais não são mais do que proletárias mentais. Buscam além da libertação econômica, a espiritual e a cultural. Para Clara Zetkin, a questão feminina surge a partir da necessidade de exploração do capital que busca força de trabalho mais barata e surge a partir daí a mulher proletária. Esta não tem como desenvolver a sua individualidade e a sua subjetividade. A sua luta não pode ser contra o homem de sua classe, pelo contrário, a sua luta deve ser junto ao homem de sua classe e contra a sociedade capitalista. O objetivo final de sua luta não é obter a possibilidade de concorrência com o homem.

Clara tira destas suas reflexões, algumas ideias para a organização política das mulheres trabalhadores e da pequeno-burguesia intelectualizada. A principal delas é a seguinte: na luta das mulheres a importância prioritária deve ser dada a questões que permitam unificá-la ao movimento operário, desenvolvendo assim a consciência de classe das trabalhadoras.

Ainda hoje, cem anos depois, as mulheres continuam sofrendo com as opressões. Sendo tratadas como objetos sexuais, vitimadas pela violência doméstica, são elas, as maiores vítimas da crise econômica.

Segundo dados oficiais de órgãos como ONU, OIT, UNICEF e Banco Mundial, as mulheres somam 70% dos 1,3 bilhões de pobres absolutos do mundo; o trabalho não remunerado da mulher no lar representa um terço da produção econômica mundial (ONU). Das mulheres em idade de trabalhar (fora do lar), apenas o fazem 54% contra 80% dos homens (OIT). As mulheres desempenham a maior parte dos trabalhos mal pagos e menos protegidos (OIT). As mulheres ganham entre 20% e 30% menos que os homens (OIT). No nível da educação, 2/3 dos 876 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Ao cumprir os 18 anos as garotas têm em média 4,4 anos menos de educação que os homens da mesma idade. Dos 121 milhões de crianças não escolarizadas no mundo, 65 milhões são meninas. (ONU, Unicef).

No nível da saúde, a cada ano morrem no mundo mais de meio milhão de mulheres como consequência da gravidez e do parto, o que está diretamente relacionado ao nível de pobreza.

dia-internacional-da-mulherNos países coloniais e semicoloniais, a taxa de mortalidade materna é de 1 a cada 48 partos. Em países europeus, como a Espanha, morrem 3,9 mulheres a cada 100 mil. Na Espanha 98% das mulheres recebem assistência durante a gravidez e o parto. Nos países coloniais e semicoloniais 35% das mulheres não recebem atenção pré-natal; quase 50% dão à luz sem assistência especializada.

As últimas estatísticas indicam que há mais mulheres que homens infectadas pelo vírus HIV. Mulheres trabalhadoras e pobres continuarão morrendo, enquanto as clínicas clandestinas ganham fortunas graças à legislação repressiva que impede que o aborto seja realizado nos hospitais de forma gratuita e nas melhores condições médicas.

E esta deplorável situação chega à sua máxima expressão quando vemos os dados sobre a violência contra a mulher. A cada ano, pelo menos 2 milhões de meninas entre 5 e 10 anos são vendidas e compradas no mundo como escravas sexuais. A cada duas horas, uma mulher é apunhalada, apedrejada, estrangulada ou queimada viva para “salvar” a honra da família.

Situações como essas, evidenciam que não somente o 8 de março, mas cotidianamente, a luta das mulheres seja lembrada como uma luta de toda a classe trabalhadora por melhores condições de vida, trabalho e dignidade a todos.

Fontes: Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) – Secretaria Internacional da Mulher

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O que as mulheres realmente querem

Esse post é uma homenagem à todas as minhas amigas, as mulheres que fazem de nossa vida algo tão brilhante. É de uma agência dinamarquesa chamada Uncle Grey para o polêmico site de comércio eletrônico Fleggaard.

Confesso que não me agradaram nem um pouco as imagens e pulei vários minutos, mas o final, onde o zepellin mostra o que elas REALMENTE querem, é emocionante (hehe).

Aí está minhas amigas:

O que as mulheres querem:

Vi no Ads of the World .

Esse post foi criado especialmente para @pfabiane e Priscila. 🙂

Abraço!

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Update. Como o youtube tirou a “versão feminina” dessa propaganda que eu coloquei no primeiro comentário, decidi colocar ele aqui. 🙂