A Senhora da Magia – As Brumas de Avalon

A Senhora da Magia

 “… um país governado por sacerdotes é um país cheio de tiranos na Terra e no Céu.” (Morgause)

Morgana é quem nos guiará através das tramas que levaram a que fosse conhecida como Morgana, a Fada (ou Morgana das Fadas) e à ascensão e queda de seu irmão Artur como Grande Rei de toda a Bretanha.

Apesar de estar diretamente envolvida na história, Morgana é uma boa narradora já que parece ter uma percepção excepcional, muito sensível ao que acontece ao seu redor desde tenra idade.

Esta será uma marca desta série de livros: os acontecimentos que regeram a vida das pessoas do reino pela visão das mulheres que ali estiveram presentes como sujeitos e agentes das mudanças.

PrólogoAsBrumasDeAvalon

As Brumas de Avalon

A narração propriamente dita começa no verão em Tintagel. Aqui, somos apresentados à Igraine, esposa do Duque Gorlois, irmã de Viviane – Grande Sacerdotisa do Lago – e mãe de Morgana – futura Senhora do Lago.

Por Igraine nos é apresentado o primeiro contraste entre as estruturas do cristianismo nascente e da Velha Religião, pois, apesar de não ter se aprofundado nos mistérios da Ilha Sagrada – Avalon, ela é muito mais instruída e culta do que o padre responsável pela Cornualha, por exemplo, mas para o qual tem que mostrar respeito e silêncio por ter se casado com um homem cristão.

O contraste não se dá apenas pela diferença de instrução e “importância social”, mas também pelo grau de liberdade que as mulheres da Ilha têm e que as mulheres cristãs não têm. Na verdade, mesmo os homens parecem ser tolhidos em pensamentos e ações pelas restrições do cristianismo.

Nesta mesma casa, conhecemos Morgause, a caçula das três irmãs que descendem da linhagem real de Avalon, e que terá um papel importante nos destinos do reino, atuando sempre nas sombras.

Numa conversa entre as três irmãs, também participa o Merlim – pai de Igraine, mas não de Morgause e Viviane. E aqui percebemos como as mulheres de Avalon são livres para exercer sua sexualidade sem amarras (é claro que isso inclui a liberdade sexual dos homens também). Enfatizando mais uma vez a liberdade frente às censuras cristãs.

Por isso, muitas vezes, as mulheres (sacerdotisas) da Ilha de Avalon são chamadas de bruxas e feiticeiras, não por suas visões e “poções”, mas por suas atitudes. Negando-se a serem as mulheres submissas e recatadas que o cristianismo pregava.

Esta será uma característica constante do enredo. Os personagens, por suas ações e palavras, espelham as diferenças filosóficas entre o cristianismo e a Velha Religião. Normalmente, colocando a Velha como uma crença que celebra a vida e sua plenitude, e o Cristo como um ser triste que pesa a vida com a morte.

Um bom exemplo de como este contraste se faz presente mesmo quando não se está referindo a ele objetivamente é a relação entre Igraine e Gorlois. Em muitas situações, eles parecem representar Ceridwen e Cristo respectivamente. Ceridwen, apesar de ícone de uma velha tradição, parece jovial pela sua celebração à vida e liberdade que confere aos seus crentes. Já o Cristo, mesmo representando uma religião nascente, com todas as suas restrições e noções de pecado parece ter nascido como um velho monge intransigente.

No entanto, esta aparente liberdade também guarda os seus dogmas. Quando Morgana fala de seus anos como “noviça” na Ilha, por exemplo, tudo o que ela diz é

“— O que não é óbvio é secreto.”

Numa outra cena, Galahad (Lancelote) fala como vê a mãe, Viviane, enquanto Sacerdotisa e, por isso, como representante da Deusa na Terra:

“— Ela é grande, terrível e bela, e só se pode amá-la, adorá-la e temê-la.”

Ainda naquela mesma conversa, é revelado como Viviane e o Merlim tramam para que o próximo rei seja um que consiga fazer com que a velha e a nova religião convivam pacificamente. Para isso, planejam sua vida mesmo antes de seu nascimento…

“— Você acha que a nossa feitiçaria pode fazer coisas além da vontade de Deus, minha filha?”

Esta fala de Merlim demonstra como ele realmente acreditava que a convivência pacífica entre as duas religiões seria possível. Mas nada é tão simples quanto parece, pois, além da missão de unir estas diferentes crenças, Artur – o rei predestinado – também teria a missão de unir todos os pequenos reinos da Bretanha para que conseguissem impedir de uma vez por todas as invasões saxãs, contras as quais lutavam há muitas décadas e lutariam por muitas ainda mais.

Intrigas permearão toda a saga, sejam elas tramadas nos corredores do castelo de Camelot ou nas terras ensolaradas de Avalon – todos tentando desesperadamente defender o seu quinhão, seja por um ideal ou ganância.

Livro 1 – A Senhora da Magia

Capa - Livro 1 - As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia

Com relação ao título, apesar de, em certo ponto da história, Morgana ser chamada de Senhora do Lago, esta Senhora da Magia pode ser entendido como Morgana – representando um último suspiro de uma religião que está morrendo – ou como Viviane – última grande sacerdotisa desta crença.

Ler este volume foi como presenciar os últimos lampejos de força de uma religião antiga – que veio de uma mais antiga ainda – e os esforços de seus seguidores mais fiéis na tentativa de mantê-la viva e, talvez, com parte da grandeza e vigor que possuiu um dia.

Leia mais no blog:

A Grande Rainha – As Brumas de Avalon (Livro 2)

O Gamo-Rei – As Brumas de Avalon (Livro 3)

O Prisioneiro da Árvore – As Brumas de Avalon (Livro 4)

Projeto Leia Mulheres

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Dez bons conselhos de meu pai

Viva - capítulo 2

Dez bons conselhos de meu pai é um livro que você vai encontrar, dependendo da livraria, na seção de Administração financeira e orçamentária ou na de Autoajuda/Mentalismo.

Dependendo da forma como você absorva e ponha em prática os conselhos do livro, os dois podem ser considerados certos.

Confesso que esse não é o tipo de leitura que me atrai (nem administração nem autoajuda rs), mas ganhei esse livro quando trabalhei numa livraria, desde então ele ficou na minha fila de livros e quando chegou a vez dele eu pensei: “Já que ele já está aqui, por que não?”

Gustavo Cerbasi é um autor conhecido no meio da Educação Financeira, faz palestras por todo o Brasil, e o seu livro mais conhecido é o Casais inteligentes enriquecem juntos, que serviu de inspiração para o filme brasileiro Até que a sorte nos separe.

Livro

Neste livro, Cerbasi reuniu dez conselhos que ele pensa terem uma importância fundamental para o seu sucesso profissional e pessoal.

Sim, pessoal também, pois ele deixa bem claro em muitas passagens do livro que não adianta nada você trabalhar loucamente e enriquecer se não tiver tempo para relaxar e aproveitar os frutos do seu trabalho.

[Não é à toa que o subtítulo do livro é: Que me ajudaram muito a prosperar]

Algumas vezes esses conselhos não são bem conselhos, mas sim atitudes que ele via os seus “pais” tomando diante de algumas situações da vida.

Digo “pais” porque em sua maioria os conselhos são de seu pai biológico, mas temos também um tio, o avô materno e o técnico do time de natação – pessoas que, segundo o autor, exerceram em alguns momentos de sua vida o exemplo de “pai” para ele.

Como disse antes, não sou muito fã desse tipo de leitura, mas não digo que o livro tenha me desagradado, acho que foi uma experiência válida.

A linguagem que o autor utiliza é a mais clara e simples possível – simples no sentido bom da palavra –, pois a proposta do livro/autor é atingir e ajudar o máximo de pessoas possíveis, principalmente aquelas que não têm conhecimentos mais profundos da área financeira.

No entanto, Dez bons conselhos de meu pai não é um livro que se apegue às finanças propriamente, mas sim às atitudes e comportamentos para que você desenvolva a disciplina necessária para atingir algum objetivo, seja ele profissional ou estritamente financeiro.

Meus quatro pais

Aqui Gustavo Cerbasi apresenta-nos cada um de seus “pais”.

Conselho pra vida

O “Bom Conselho Número 2″, por exemplo, aprendido com o pai dele, Tommaso Cerbasi: “Viva. Não permita que o trabalho tome conta de sua vida”.

Nesse capítulo o autor fala de uma atitude que aprendeu a tomar em vida fazendo justamente o contrário do que o pai fazia. Conta que seu pai era um workaholic daquele tipo que acaba descontando um pouco do estresse do trabalho na família ou que diz coisas como “Quando me aposentar, terei tempo para descansar e aproveitar.”, mas que tomou um susto quando, em certa altura da vida, sua saúde ficou fragilizada e teve que fazer um transplante renal.

Aí, ele diminuiu o ritmo e começou realmente a aproveitar os “pequenos prazeres da vida”.

Depois de relatar algumas situações e consequências que esse comportamento do pai teve nele como filho, o autor divide o capítulo em “O conselho que meu pai daria a você“, onde descreve o “conselho” que veio dessa situação para a prática na vida como “Não deixe para viver no futuro” esperando por uma aposentadoria que talvez não venha, ou seja, viva, aproveite a vida.

Todos os capítulos/conselhos seguem essa estrutura, por isso, muitas vezes me parece muito mais um relato autobiográfico do que “autoajuda” mesmo, pois ele conta situações vividas por ele, por seus “pais” ou por ambos e diz como esse exemplo de vida tornou-se em conselho que tornou-se uma prática em sua vida.

Se você ficou curioso pra conhecer mais do autor ou dos seus conselhos, um dos caminhos é ler um de seus livros, o outro é entrar no site dele: Mais dinheiro.

[Como vocês podem ver, o nome do site é bem sugestivo rs]

Ah, e se quiserem trocar experiências de leitura comigo, podem me adicionar lá no Skoob. 🙂

 

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A mulher desiludida

A Mulher Desiludida - Simone de Beauvoir

Neste livro Simone de Beauvoir apresenta-nos em três novelas, três mulheres que se dão conta do envelhecimento e, com ele, da morte próxima.

As histórias escritas na forma de diário nos deixam muito próximos dessas mulheres que, poderiam ser nossas mães, irmãs, amigas ou nós mesmas.

Mas como saber e como evitar que estas narrativas cheias de frustrações e desenganos saiam da ficção e se tornem parte da realidade?

Simone de Beauvoir era uma escritora feminista, iniciando a discussão com o livro O Segundo Sexo, onde examinava a condição da mulher através da biologia, do marxismo e da psicanálise, chegando a conclusão de que a alienação das mulheres não é de ordem biológica, mas cultural. Sua atuação pelo movimento feminista tornou-a um emblema, um ícone desta causa no século XX. 

Em A Mulher Desiludida (título original: La Femme Rompue), a autora volta seu olhar para aquelas mulheres que fracassaram: tanto como donas de casa tradicionais como na “libertação” que o feminismo preconizava. Mostrando a condição das mulheres numa sociedade dominada pelo patriarcado.

Apesar de todos os pressupostos filosóficos da autora, A Mulher Desiludida não é um livro ideológico e este é o grande mérito de Simone: por meio de sua sensibilidade, tornou a história dessas mulheres fracassadas em grande literatura.


Referência: 

BEAUVOIR, Simone de. A Mulher Desiludida. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2003.

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