Solidão

Solidão devora

Significado de Solidão

s.f. Estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão. Ermo, lugar despovoado e não frequentado pelas pessoas: retirar-se na solidão. Isolamento moral, interiorização: a solidão do espírito.
Dicio – Dicionário Online de Português

A solidão pode ter muitas causas. Em diversos momentos, pessoas relatam momentos terríveis em que se sentiram sozinhas, presas em armadilhas, em algum meio de transporte, cavernas submersas e até no espaço, apenas aguardando o momento derradeiro da morte iminente, isolados de seus pares por forças da natureza infinitamente superiores, tentando usar cada resto de esperança em dias melhores para conseguir sobreviver mais.

Nós que vivemos em cidades temos outros meios de “pegar solidão”, e muitas ilusões que substituem a esperança do náufrago. Temos amigos online, temos séries, filmes e livros que nos distraem, entretêm e ensinam, mas que também fazem com que nos sintamos partes de algo maior.

Caminhamos por aí conectados em nossos aparelhos, cada vez mais ausentes e egoístas, solitários em meio a multidões, e nem nos damos conta disso, apenas caminhamos entre casa-escola-trabalho, a maior parte do tempo perdido em transportes cheios de pessoas sozinhas.

Nós humanos somos criaturas sociais. Por mais duros ou Asperger que sejamos, um abraço, uma boa conversa, a troca de olhares enquanto uma anedota é contada um pouco antes do riso são importantes, e a privação de coisas simples como estes exemplos pode enlouquecer, pode – como diz a música – transformar um homem bom em mau¹.

O vídeo abaixo é bem ilustrativo em relação a este tema, e é altamente recomendado:

E deixo como reflexão final uma bela canção que, curiosamente, é bem cíclica, parece-se com ondas de solidão que nos invadem de tempos em tempos, talvez pra nos forçar em direção à vida e nos tirar do comodismo e da pasmaceira.

“A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima, irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração”

Claro que muitos apreciam momentos e até vidas inteiras sozinhos, para isto se dá o nome de solitude, a solidão boa, parceira, que traz paz de espírito, calma, júbilo. Todos precisamos disso eventualmente, eu gosto.

Até breve!

¹Please, Please, Please, Let Me Get What I Want – The Smiths

Dica de conteúdo relacionado: http://academiadefilosofia.org/publicacoes/artigos/a-solidao

 

A Voz que desaparece

A voz

A primeira vez que não consegui falar foi depois de engasgar com um pouco de coca-cola com gelo. Tossi, faltou o ar, me concentrei em respirar pelo nariz, manter a calma, até que a garganta voltou a funcionar. Quer dizer, parcialmente. Tentei falar algo para os companheiros de batalha que me acompanhavam em uma invasão por portões de um mundo alienígena, mas minha voz não saía, nenhum dos três conseguia me ouvir, e não era problema do meu microfone, meu Skype não estava no mudo, a voz simplesmente não saía.

Depois, durante o almoço, entre as folhas de alface e a batata frita, meu suco chegou, fui agradecer ao garçom e não pude, fiz apenas um gesto com a mão, um sinal de joinha, e fingi que continuava mastigando, mas a verdade era bem clara. Eu falei e a voz não funcionou.

Seria mais um sinal de que estou deixando de existir? Me transformando em um ser discreto, distante e calado, como na verdade sempre fui, mas agora também fisicamente? O que vem a seguir? Vou encolher, definhar até finalmente deixar de ser?

O que serão de minhas noites de embriaguez e cantoria em videokês baratos? E o podcast cujo retorno venho adiando? Devo concluir e aproveitar cada vez mais antes de desaparecer, ou devo lutar em uma luta quase desesperada para existir enquanto ainda sou? Ou esse meu ser nada ou pouco tem a ver com a maneira com a qual me manifesto? De que adianta a existência por si só, se nos limita a maneira como podemos existir perante o outro?

“A existência que a sociedade impõe às pessoas não se identifica com o que as pessoas são ou poderiam ser em si mesmas.” 

Theodor W. Adorno

A Voz muda

Semana passada durante três dias (in)úteis fiquei sem falar. Fui trabalhar, balbuciei algo como resposta quando me falaram “bom dia”, almocei com colegas respondendo eventualmente algo com murmúrios e gestos, no restaurante a comida é por quilo, bebo sempre o mesmo suco, respondo com um joinha quando me perguntam se é de laranja sem açúcar, só gelo. Reunião de tarde, só fiquei passando slides de um Power Point reciclado do mês anterior, com números contábeis atualizados. Nada a dizer, eu não conduzia a reunião, apenas estava lá. E faria falta se não estivesse? Não sei esta resposta, mas sei que sentia que não, sentia-me inútil e prestes a desaparecer, e que isso pouco importaria pra alguém, inclusive pra mim mesmo.

Já me calei diante de injustiças, deixei de opinar por não querer me envolver em brigas ou polêmicas, decidi não decidir nada, e quando percebi minha capacidade de me manifestar ia embora a cada nova situação.

Sinto como se minha existência não fizesse mais diferença, minha voz se transformando em um sussurro, meu ser se transmutando em algo transparente, perdido e vagante por entre ruas apinhadas de criaturas tão vazias de significado quanto eu. Quase posso ver o teclado através das minhas mãos, que a cada dia ficam mais translúcidas, até chegar o dia em eu não consiga mais agir nesse plano de existência.

“Não poderíamos ser corporais, como de fato somos, se o nosso ser-no-mundo não consistisse fundamentalmente de um já sempre perceptivo estar-relacionado com aquilo que se nos fala a partir do aberto de nosso mundo como o que, aberto, existimos.”

Heidegger

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Dois Grupos – Uivos Filosóficos

Dois grupos, por Etson Delegá

Por Etson Delegá

Depois de muito pensar no mundo, na humanidade, nos problemas do homem moderno (que eu acho que continuam sendo os mesmos problemas de sempre, mas com roupa da moda), acho que cheguei a uma conclusão muito estranha.

A raça humana se divide em dois grupos distintos de comportamento: o grupo dos que pensam e o grupo dos que fazem.

O mundo pertence aos que fazem, mas os que fazem não pensam muito e, quando pensam, pensam porca e apressadamente, porque o negócio deles é fazer e não pensar. Por isso o mundo está na merda em que está.

Os que pensam conhecem bem os problemas e podem até indicar soluções, mas não fazem porra nenhuma, e quando, num esforço titânico, resolvem fazer algo, fazem malfeito, porque o negócio deles é pensar e não fazer.

Por isso existe tão vasta literatura social, política, econômica, filosófica e científica apontando a problemática de nossa civilização e propondo um sem-número de soluções, e mesmo assim o mundo continua na merda em que está.

Vejam exemplos.

O que fizeram Aristóteles, Sócrates e Platão com sua sabedoria? Nada. Toda a aplicação prática da filosofia se deve a outrem que não os filósofos. Maquiável não foi um déspota, Luís XV foi. A coisa mais próxima que Marx fez de uma revolução foram algumas brigas de bar; foi Lênin que pôs a mão no sangue, quer dizer, na massa.

Existe intercâmbio entre os que fazem e os que pensam. Geralmente, quem faz simpatiza com determinada ideia e decide realizá-la, e é via de regra essa ideia ser fruto de um dos que pensam. 

Mas é evidente que existe uma certa falta de diálogo (talvez de entendimento, por melhor dizer) entre os pensadores e os realizadores. É possível que isso seja consequência do desdém que uma categoria costuma sentir pela outra.

De todo modo, o fato é que pensadores e realizadores não falam a mesma língua, e isso é refletido em tudo o que é feito, construído e produzido no mundo.

Na maioria dos casos, se transformam em defeitinhos quase imperceptíveis, idiossincrasias pequenas – afinal de contas: o seu celular funciona, a TV funciona, muitas empresas funcionam, e tudo isso foi concebido a partir de uma ideia e realizado por alguém – entretanto, não seria possível que essa dissonância, quando analisada em larga escala, produzisse a maioria dos conflitos produtivos e conceituais que temos em nosso mundo?

Bem, esse é o meu pensamento fajuto de hoje.

Se você é um realizador, encontre uma utilidade pra isso e mãos à obra! Já se você for um daqueles que pensam, inspire-se nessa enorme besteira que eu escrevi pra desenvolver uma tese e ponha no seu blog, ou publique, ou queime, se quiser.

Abraço a todos.

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As ciências na sociedade atual – Uivos Filosóficos

As ciências na sociedade atual - Uivos Filosóficos, por Eder Vitorino
por Eder Vitorino

O século XIX foi responsável pela descoberta das ciências, artes e da “descoberta do homem” na história chamada de progresso.

A vida dos seres humanos é melhorada (alterada) pelas técnicas das ciências como a sociologia com Karl Marx e Frederich Engels; avanço da física no século XX como a Teoria da Relatividade de Albert Einstein e a física quântica de Max Plank e Niels Bohr e a visão otimista de Auguste Comte que atribui o progresso da humanidade às ciências partindo do princípio: “Saber para prever, prever para prover”.

O desenvolvimento das ciências proporciona o controle científico da sociedade aumentando o desenvolvimento social que, inconscientemente, acaba por nos separar de Deus. Essa mesma ideia de Comte está na bandeira brasileira: ordem e progresso.

A historicidade do homem levou a ideia de que cada sociedade tem sua história ao invés de uma história universal, ou seja, a ideia de que o progresso legitima colonialismos e imperialismos dos chamados “adiantados” para com os mais “atrasados”, justificando a dominação social, cultural e econômica de certos países (sociedades) sobre outros.

A confiança plena no saber científico e na tecnologia afirmava a crença de que era possível dominar e controlar a natureza, a sociedade e os indivíduos.

Acreditava-se que a sociologia poderia organizar racionalmente a sociedade para evitar revoluções, revoltas e desigualdades; a psicologia ensinaria as causas dos comportamentos, emoções e os meios de controlá-las e nos livrar-nos das angústias, medos e loucura para também nos adaptarmos perfeitamente às exigências da sociedade.

No entanto, os acontecimentos do século XX, tais como as duas guerras mundiais, o bombardeio de Hiroshima e Nagazaki; ditaduras nazista e stalinista, guerras da Coreia, do Vietnã, Oriente Médio, Afeganistão, ditaduras sangrentas na América Latina e na África, devastação de mares, poluição do ar e, principalmente, problemas éticos e políticos, fizeram com que a filosofia começasse a desconfiar desse otimismo científico-tecnológico.

As ciências e as técnicas mostram que cada época histórica da humanidade possui sentido e valor próprio que desaparecem em épocas seguintes.

O conceito de que a humanidade pode ser melhorada pela ciência tornou-se realidade apenas para uma minoria e o conceito de “dominante e dominado” no sentido econômico e social foi perdido, assim como a sociologia não evitou revoluções (como a Primavera Árabe) e a psicologia não indicou meios de controlar nossos comportamentos (ainda há pessoas com síndrome do pânico, ansiedade, depressão); o progresso é só para alguns, como os políticos da nossa República, enquanto a população das classes mais baixas não logrou dos avanços, logo, as sociedades são diferentes umas das outras, não havendo transformação contínua e progressiva da humanidade.

Para saber mais, leia:

Filosofia: Marilena Chauí. Aspectos da filosofia contemporânea.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2002.

Suicida

Superman

Eu caminhava por uma avenida, um ônibus vinha em alta velocidade próximo da calçada, era só eu inclinar um pouco a cabeça em direção ao asfalto pouco antes dele passar ao meu lado para eu dar adeus a tudo.

supelman, allstar, suicida
Há momentos em que dá vontade de pular do alto de um prédio.

Claro que não fiz isso, senão eu não estaria escrevendo agora.

Menos de 1 hora depois, eu curiosa distraidamente dentro de um ônibus pensava em como deixar menos traumatizado quem quer que encontrasse meu corpo morto por mim mesmo.

A cerca de 12 anos eu tenho que me controlar, pouco eu confesso, para não abrir a porta e pular, ao andar no banco do carona de um carro em alta velocidade, todas as vezes que voei de avião tive vontade de abrir a porta e voar/cair.

Remédios ou overdoses ou tiros não me interessam muito, forca é a opção mais popular e barata, pular do alto eu gostaria, mas o estrago seria muito grande!

Há o suicídio aos poucos, aquele do cigarro, da vodca, das noites mal dormidas, do sexo inconsequente.

Com isso há ainda um sentido de responsabilidade (pelos outros) e de auto-proteção (por causa dos outros) que fazem com que a decisão final seja adiada.

E por que não adiar? Quem sabe quem se pode encontrar nos próximos minutos, na manhã seguinte, ou o que pode acontecer nas próximas semanas ou meses…

O problema é quando demora demais pra algo acontecer, aí a força da esperança vai indo embora, na fila das salvações possíveis vem a Fé, mesmo a das igrejas, e, mesmo lá, muitos se apegam, criam grupos, afinidades são moldadas, há a possibilidade de se voltar à vida, desde que se acredite.

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O Homem Corrompido

O Homem Corrompido

por Eder Vitorino

O homem e a mulher nasceram no seu estado de bondade, ou seja, naturalmente não se  nasce no estado de maldade, pois o ser humano é corrompido pelo meio apenas quando cresce; diferente dos homens selvagens que vivem na floresta, considerados por Jean Jaques Rousseau como homens bons por viverem apenas daquilo de que precisam ou do que a natureza pode lhe oferecer, ao contrário do homem civilizado que é mais ganancioso desejando sempre mais o que lhe aprouver.

Os valores civis e éticos mudam a cada século, mas as diferenças das classes sociais existem desde os tempos de Rômulo e Remo; passando pela Idade Média com o mercantilismo até chegar à Revolução Industrial na Inglaterra: o início do capitalismo.

A Londres do século XVIII era uma cidade degradada com muita pobreza e violência onde os trabalhadores ficavam nas fábricas mais de vinte horas por dia, e as crianças limpavam chaminés.

Nos séculos XIX e XX, surgiram as greves e as leis por melhores condições de trabalho com a ajuda de sindicatos; assim todo trabalhador teve as horas de trabalho regulamentadas, descanso e férias.

Vieram também os protestos de melhores condições de trabalho para as mulheres, porquanto, as mulheres queriam os mesmos direitos de igualdade dos homens.

Todas as conquistas dos trabalhadores vinham de forma gradativa com o 13º salário e FGTS, porém com o surgimento de muitas indústrias a cidade crescia e houve maior migração do campo para a cidade.

Houve crescimento de desemprego e violência e a ganância dos donos das empresas cresceu por causa do bem maior do capitalismo: o lucro.

Hoje, as mulheres não ganham os mesmos salários que os homens; as empresas contratam muitas firmas terceirizadas para pagar salários abaixo da média, por conseguinte vira frustração dos trabalhadores que têm dificuldade de comprar algum aparelho moderno ou outras coisas além do que necessitam para “se inserir na sociedade”; entretanto a conscientização da inclusão social no emprego é uma nova vitória dos trabalhadores do século XXI.

O homem e a mulher, portanto, no estado natural de bondade sem ser corrompido pelo meio, podem viver civilizadamente pensando no trabalho que, na forma de trabalhar num dia é diferente do outro, dignificando aquilo que faz apesar das dificuldades; respeitando sempre os valores do próximo e o segredo de vencer a frustração é não desejar mais o que lhe aprouver.

Para saber mais, leia:

ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre a origem e as desigualdades entre os homens.

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Uivos Filosóficos – William Shakespeare – parte 2: Defesa de Brutus

Uivos Filosóficos – William Shakespeare – parte 2: Defesa de Brutus

A peça Júlio César foi escrita em 1599, assim neste ano de 2009 faz quinhentos anos que a peça foi escrita.

Conhecemos a história de Júlio César ou na aula de História ou nos filmes, ou seja, Júlio César foi assassinado por Brutus e outros senadores. Brutus, o preferido de César, é o mais lembrado como traidor. E assim aprendemos o modo como César morreu diante de seus conspiradores.

A tragédia histórica de William Shakespeare (1564-1616), a personagem principal não é Júlio César, e sim Brutus, pois Júlio César só faz papel de coadjuvante na peça. Júlio César está na peça para valorizar Brutus no clímax até originar o phatos, ou seja, a necessidade de Brutus no assassinato, traição e suicídio.

O adivinho diz a César que não compareça ao senado; a esposa Calpúrnia é supersticiosa e pede para César mentir. César não teme.

“Os deuses fazem isso para me matar de vergonha a covardia. César deveria transformar-se em uma fera sem coração se ficasse em casa hoje, comandado pelo medo. Não, César vai sair. O perigo sabe muito bem que César é mais perigoso que ele: somos dois leões paridos no mesmo dia, e sou o mais velho e o mais temido. Por isso César vai sair.” (Shakespeare)

Shakespeare caracterizou César como Nietzsche caracterizou Shakespeare: César apenas aceitou a realidade. César aceitou ir ao senado não por intuição, mas aceitou a realidade.

“Quando eu procuro minha mais alta fórmula para caracterizar Shakespeare eu sempre acabo achando apenas essa: a de que ele concebeu o tipo César. Coisas desse tipo a gente não intui – a gente é ou não é. O grande poeta bebe apenas de sua própria realidade.” (Nietzsche)

Shakespeare concebeu um tipo Brutus. Brutus sacrifica o melhor amigo consagrando-o de maneira formidável, não é a ganância que leva Brutus a matar César, e sim o amor a Roma. Os outros senadores mataram por ganância e poder, porém Brutus deu as facadas por sacrifício.

“O grande Júlio não sangrou em nome da justiça. Quem foi o vilão que tocou-lhe o corpo e apunhalou-o se não por justiça. Por que, se não para sustentar ladrões, iria um de nós, que atacamos o mais importante líder deste mundo, contaminar os dedos com propinas infames e vender nossos altos cargos de largas honras por tanto vil metal quando pudesse as suas munhecas agarrar. Eu preferiria ser um cachorro e latir para a lua que ser esse romano.” (Shakespeare)

Brutus e Hamlet não têm nada de diferente; ambos sofreram pelo mesmo motivo. Brutus queria sacrificar César; Hamlet vingar Claudio. A tristeza de Shakespeare comparada com Brutus e Hamlet. A relação da personagem-poeta, Shakespeare, nas horas negras evidentemente que estava prosternado na virtude de Brutus.

Em defesa de Brutus, um não traidor; conspirou porque amava Roma e seus cidadãos. Teve que tirar a tirania de Júlio César. Brutus superou a si mesmo. Fica nas palavras de Marco Antonio diante do corpo de Brutus sobre o grande romano que foi:

“Esse foi o mais nobre dentre todos os romanos. Todos os conspiradores, menos ele, fizeram o que fizeram por inveja ao grande César. Apenas ele, por imbuído de uma ideia honesta em prol do bem-estar geral, conseguiu a união de todos eles. Sua vida magnânima, e os elementos estavam nele tão equilibrados que a Natureza pode erguer-se e dizer a todo o mundo: “Este sim, foi um homem!” (Shakespeare)

William Shakespeare teve de ser abismo. Se Deus criou o homem, Shakespeare criou a alma humana.

Para conhecer mais, leia:

Júlio César. William Shakespeare.

A invenção de Shakespeare. Harold Bloom.

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La Lunna – A liberdade sexual feminina

La Lunna

As questões sobre a sexualidade feminina têm aspectos diferentes em cada época histórica. É inegável que tivemos muitos avanços na manifestação da sexualidade da mulher, principalmente com o surgimento da pílula anticoncepcional. Houve uma verdadeira revolução sexual, permitindo que o sexo não tivesse um único fim, mas que também fosse uma prática prazerosa. Mas será que as mulheres exercem a sua sexualidade livremente?

 

A moral burguesa e a igreja pregam a ideia de que o sexo serve apenas para a procriação, não sendo privilégio da mulher sentir qualquer tipo de prazer, isso estaria reservado somente às mulheres de “vida fácil”. Domesticada desde a infância a desempenhar o papel de esposa e rainha do lar, a mulher, durante muito tempo, não pôde conhecer seu corpo, satisfazer seus desejos ou escolher o seu parceiro sexual. Em algumas sociedades, até hoje, cultiva-se a prática de mutilação do clitóris em mulheres e crianças a partir de 5 anos de idade. Esse ato causa inúmeras consequências à saúde da mulher como choque cardíaco, hemorragias, sangramentos e complicações em órgãos vizinhos, fora as repercussões mentais como depressão, ansiedade e angústia.

 

Atualmente, ainda existe muito preconceito com relação ao comportamento sexual das mulheres. Muitas são chamadas de promíscuas e devassas por não terem um parceiro fixo ou por não enxergarem a sexualidade como um tabu. Não se trata de obter prazer a qualquer custo e sim de ter a liberdade de escolher se quer fazer sexo ou não, de exigir a camisinha e de ter uma relação que não necessariamente esteja vinculada à relação amorosa, mas, principalmente, de conhecer o próprio corpo através da masturbação, sem culpa e com autossatisfação sexual.

 

A erotização do corpo da mulher transmitida nos dias atuais, nas letras de funk, nas roupas e danças, demonstra que o corpo feminino passou a ter valor de mercado. Paralelo a isso, o imperialismo promove a imagem da mulher executiva como modelo de emancipação. Exemplo disso é o famoso seriado de televisão Sex and the city, tido como principal programa de liberação sexual feminina. A série trata da vida de mulheres consumistas e padronizadas no estereótipo de beleza que procuram pelo homem ideal. Imagem que não chega nem perto da nossa sociedade, onde a minoria são executivas independentes.

 

A busca de direitos de igualdade entre os sexos passa necessariamente pela liberdade sexual. Os movimentos feministas devem dar combate cotidiano a todo tipo de opressão, inclusive a sexual. A mulher tem direito de sentir prazer e não se sentir culpada por isso.

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O Dia dos Professores está chegando!

Estamos preparando postagens especiais para o Dia dos Professores.

Pra ir entrando no clima temos um vídeo que demonstra como (na minha opinião) a educação deveria ser.

Claro que outros não concordam, e você ?

Uma das postagens que iremos colocar no ar irá participar da Postagem Coletiva – Professores do Brasil do blog Ponderantes.

Abraço!

 

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