Podcast Apokalipson 07 – Educação Básica

Essa é mais uma edição do podcast Apokalipson, do blog Cachorro Solitário. Você encontra este podcast no seu agregador favorito: apple podcast, google podcast, Spotfy. Se você estiver ouvindo e tiver algo a nos dizer, comente; se gostou, compartilhe.

Eu, Bárbara Coelho (@barbacoe) recebo hoje os professores Michele, Karol e Luan para falarmos sobre a educação básica durante a pandemia.

Dicas da semana:

Vídeo:
Quando sinto que já sei
Livros:
https://g.co/kgs/yPe12q – A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir

https://g.co/kgs/ecCRGH – A alegria de ensinar

https://g.co/kgs/4jyiF2 – O Mundo Assombrado pelos demônios

Músicas usadas na edição com licensa Creative Commons: Free Music Archive

Música final, BNegão e os seletores de frequencia – Enxugando Gelo – https://www.youtube.com/watch?v=ad_iwSaFDLM

Dia Nacional do Livro Didático

Dia Nacional do Livro Didático

Definição de Didático adj. 1 destinado a instruir <livro d.> 2 que facilita a aprendizagem <recursos d.> [Minidicionário Houaiss da língua portuguesa (2001)]

O livro didático seria então aquele livro que ajuda e serve também como ferramenta em nossa aprendizagem.

Livro didático – 4ª série

[Às vezes, nós temos impressão de que livros didáticos são aqueles “chatos” com um monte de teorias e regras abstratas que temos que aprender pra “passar na prova”. Mas não é bem assim. Este livro aqui, por exemplo, eu usei na 4ª série e até hoje o conservo comigo, pois nele há muitas dicas realmente úteis que ajudam na elaboração de textos diversos.]

livro paradidático pode ser um livro “comum”, mas que é utilizado no ensino juntamente com o didático para enfatizar ou abordar alguns temas de forma mais lúdica e/ou mais prática.

Um exemplo de livro paradidático é O caçador de palavras, livro do qual já falei neste post.

Curiosidades/Politicagens:

Proposta proíbe produção de livros didáticos no exterior 

Em 2007, explodiu uma guerra em torno dos livros didáticos… 

[Eu tenho o livro citado na matéria, o Nova História Crítica, do Mario Schmidt, e, particularmente, acho que é um excelente livro de História apenas por permitir que os alunos/leitores vejam uma outra faceta dos fatos que são sempre “mastigados e impostos” pela história oficial.]

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O bullying e o aprendizado

O bullying e o aprendizdo, por Etson Delegá

Essa é especial para os meninos: que me perdoe a patrulha do politicamente incorreto, mas a trollagem é uma das melhores coisas da vida.

Em tempos de discussões tão acirradas sobre o bullying, eu vejo que nesse processo de criarmos uma consciência tão excessivamente cuidadosa com a formação da autoestima dessa juventude, algumas coisas importantes são perdidas no caminho.

Hoje em dia não consigo esconder um sorriso cada vez que ando pela faculdade e vejo um garoto dando um pescotapa no amigo. Significa que certas tradições ainda se mantêm. Acreditem ou não, meninas, isso nos faz muito bem.

Fui adolescente nos anos 1990, numa época em que bullying era uma expressão que nem existia. A expressão, mas não o ato. O bullying era comum e não há como negar: em muitos casos, era puro sadismo social.

O que confunde muita gente é quem nem toda “zoeira” era bullying, nem toda trollagem tinha a intenção de humilhar. Muitas vezes, era justamente o contrário. Se pegassem uma máquina do tempo e voltassem ao verão de 1994, veriam que eu e os distintos cavalheiros que são hoje meus padrinhos de casamento, amigos de longa data e pessoas do meu mais íntimo convívio social, vivíamos nos batendo.

Ninguém vinha à escola de calça de moletom e ficava impune – sempre tinha alguém para baixar suas calças em locais públicos; ninguém soltava piada sem graça sem tomar um monte de tapas na cabeça; ninguém arrotava alto e esquecia de encostar o polegar na testa; amarrar o tênis perto dos amigos era sempre uma tortura, porque não paravam um minuto de te desequilibrar. Tinha o “passar a jaca”, o tapa com a ponta dos dedos no saco, o dedo molhado no ouvido, a pasta de dente na cara durante os cochilos, o puxão de orelha nos aniversários…

Certos dias, nossa rotina parecia um episódio dos três patetas, só que com muito mais patetas.

A zoeira, de modo geral, é um jogo. Você zoa seu amigo, ele te zoa. Quem zoa mais, ganha. Quem fica sem resposta, perde. Simples assim. É verdade que, como tudo que é competição na vida, é fácil se deixar levar pela vontade de vencer e começar a quebrar regras. E isso inevitavelmente acontecia.

Em muitos momentos a trollagem perdia os limites e alguém ficava bastante ofendido, e com razão.

A questão é que isso nunca foi privilégio das brincadeiras de mau gosto entre adolescentes. Conviver é assumir o risco de magoar as pessoas que a gente ama, algumas vezes intencionalmente, mas muitas vezes sem querer.

Atire a primeira pedra quem nunca magoou os pais ou avós ou cônjuges com algo que disse e depois se arrependeu. Acontece. É um ajuste natural que faz parte do processo de convivência. Demorei anos para entender isso, mas é um fato da vida: infelizmente não se pode aproximar-se de verdade de um ser humano sem assumir esses riscos.

Foi com meus amigos que percebi que esse é um risco que vale a pena correr. Quando se supera essa fase das ofensas, quando se aprende a perdoar (e evitar, quando necessário) o mau dito, as amizades se consolidam de verdade.

Você deixa de apenas rir dos seus amigos e com seus amigos, e aprende a rir de si mesmo. E quando a gente aprende a rir de si mesmo, é sinal que a autoestima está em alta. E com autoestima saudável tudo fica melhor. Até as piadas.

Vem também a confiança. Os xingamentos se abstraem e perdem o seu sentido pejorativo original: você chama o seu amigo negro de negão e ele sabe que não é racismo, ele te chama de corno e você sabe que ele não acha sua mulher infiel, vocês dois chamam aquele seu amigo homossexual de bichona e ele sabe que vocês não estão destilando homofobia; e chamam o outro amigo heterossexual de viadinho, e ele sabe que não estão desconfiando de sua opção sexual.

Todos os significados e contextos ofensivos estigmatizados milenarmente nos mais escabrosos palavrões são convertidos simplesmente em um “Seu troll do caralho!” ou então um “Seu bundão, que disse que ia encontrar a gente na balada e não foi!”. Você não se ofende mais porque sabe, no âmago mais profundo da sua alma, que seu amigo jamais teria a intenção de te ofender: vocês viveram juntos, cresceram juntos, apoiaram uns aos outros nos momentos mais difíceis de suas vidas.

Enfim, são pessoas que conquistaram a duras penas o direito de se chamarem de filho da puta de vez em quando.

Quando se chega nessa fase, descobre-se que todas as histórias lendárias de amizade verdadeiras, a lealdade dos mosqueteiros, a união dos cavaleiros da Távola Redonda, não são de todo ficção. Pelo menos em termos de relações, aquilo tudo é possível. Basta saber o exato momento de deixar o mimimi de lado e começar a rir quando tomar um pescotapa daquele seu colega.

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Dez bons conselhos de meu pai

Viva - capítulo 2

Dez bons conselhos de meu pai é um livro que você vai encontrar, dependendo da livraria, na seção de Administração financeira e orçamentária ou na de Autoajuda/Mentalismo.

Dependendo da forma como você absorva e ponha em prática os conselhos do livro, os dois podem ser considerados certos.

Confesso que esse não é o tipo de leitura que me atrai (nem administração nem autoajuda rs), mas ganhei esse livro quando trabalhei numa livraria, desde então ele ficou na minha fila de livros e quando chegou a vez dele eu pensei: “Já que ele já está aqui, por que não?”

Gustavo Cerbasi é um autor conhecido no meio da Educação Financeira, faz palestras por todo o Brasil, e o seu livro mais conhecido é o Casais inteligentes enriquecem juntos, que serviu de inspiração para o filme brasileiro Até que a sorte nos separe.

Livro

Neste livro, Cerbasi reuniu dez conselhos que ele pensa terem uma importância fundamental para o seu sucesso profissional e pessoal.

Sim, pessoal também, pois ele deixa bem claro em muitas passagens do livro que não adianta nada você trabalhar loucamente e enriquecer se não tiver tempo para relaxar e aproveitar os frutos do seu trabalho.

[Não é à toa que o subtítulo do livro é: Que me ajudaram muito a prosperar]

Algumas vezes esses conselhos não são bem conselhos, mas sim atitudes que ele via os seus “pais” tomando diante de algumas situações da vida.

Digo “pais” porque em sua maioria os conselhos são de seu pai biológico, mas temos também um tio, o avô materno e o técnico do time de natação – pessoas que, segundo o autor, exerceram em alguns momentos de sua vida o exemplo de “pai” para ele.

Como disse antes, não sou muito fã desse tipo de leitura, mas não digo que o livro tenha me desagradado, acho que foi uma experiência válida.

A linguagem que o autor utiliza é a mais clara e simples possível – simples no sentido bom da palavra –, pois a proposta do livro/autor é atingir e ajudar o máximo de pessoas possíveis, principalmente aquelas que não têm conhecimentos mais profundos da área financeira.

No entanto, Dez bons conselhos de meu pai não é um livro que se apegue às finanças propriamente, mas sim às atitudes e comportamentos para que você desenvolva a disciplina necessária para atingir algum objetivo, seja ele profissional ou estritamente financeiro.

Meus quatro pais

Aqui Gustavo Cerbasi apresenta-nos cada um de seus “pais”.

Conselho pra vida

O “Bom Conselho Número 2″, por exemplo, aprendido com o pai dele, Tommaso Cerbasi: “Viva. Não permita que o trabalho tome conta de sua vida”.

Nesse capítulo o autor fala de uma atitude que aprendeu a tomar em vida fazendo justamente o contrário do que o pai fazia. Conta que seu pai era um workaholic daquele tipo que acaba descontando um pouco do estresse do trabalho na família ou que diz coisas como “Quando me aposentar, terei tempo para descansar e aproveitar.”, mas que tomou um susto quando, em certa altura da vida, sua saúde ficou fragilizada e teve que fazer um transplante renal.

Aí, ele diminuiu o ritmo e começou realmente a aproveitar os “pequenos prazeres da vida”.

Depois de relatar algumas situações e consequências que esse comportamento do pai teve nele como filho, o autor divide o capítulo em “O conselho que meu pai daria a você“, onde descreve o “conselho” que veio dessa situação para a prática na vida como “Não deixe para viver no futuro” esperando por uma aposentadoria que talvez não venha, ou seja, viva, aproveite a vida.

Todos os capítulos/conselhos seguem essa estrutura, por isso, muitas vezes me parece muito mais um relato autobiográfico do que “autoajuda” mesmo, pois ele conta situações vividas por ele, por seus “pais” ou por ambos e diz como esse exemplo de vida tornou-se em conselho que tornou-se uma prática em sua vida.

Se você ficou curioso pra conhecer mais do autor ou dos seus conselhos, um dos caminhos é ler um de seus livros, o outro é entrar no site dele: Mais dinheiro.

[Como vocês podem ver, o nome do site é bem sugestivo rs]

Ah, e se quiserem trocar experiências de leitura comigo, podem me adicionar lá no Skoob. 🙂

 

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La Lunna – BARBÁRIE: Universitária expulsa da faculdade por usar roupa curta

No dia 22 de outubro de 2009, nas dependências da Uniban (Universidade Bandeirante), em São Bernardo do Campo, uma aluna do curso de Turismo precisou sair escoltada por policiais, em pleno horário de aula, por estar trajando roupas “inadequadas” para aquele ambiente. A universidade em coro se expressava com palavras de ordem do tipo: “Puta! Puta!”.

Em alguns países do Oriente Médio, em especial no Irã, as mulheres sofrem na pele o machismo e a discriminação camuflados por uma suposta sociedade teocrática. Só para citar alguns exemplos: o testemunho de uma mulher em juízo vale metade do que o testemunho de um homem; a mulher tem direito à metade de uma herança que seus irmãos recebem; a mulher precisa pedir permissão ao marido para trabalhar fora ou deixar o país; as mulheres raramente são promovidas a altos cargos e, apesar de seu alto índice de educação, elas perfazem apenas 14% do número de funcionários públicos.

Mas, principalmente, quanto a seu modo de vestir, todas as mulheres, até mesmo as estrangeiras, devem usar véu. As autoridades iranianas preferem que as mulheres usem um chador, que cobre todo o corpo, ou uma combinação de uma proteção total da cabeça, conhecida como hijab, e um longo casaco chamado manto.

Poderíamos citar uma série de atrocidades referente à conduta da mulher no Irã, mas esses exemplos já são suficientes para demonstrar o quanto seus direitos ainda precisam ser conquistados. O Irã é apenas um dos exemplos, em países como o Afeganistão, a mulher adúltera é apedrejada até à morte.

No Brasil, em contrapartida, a mulher tem alguns direitos assegurados há mais ou menos três décadas. A Constituição Federal de 1988 garantiu, na forma da lei, a igualdade entre os gêneros , assim, no que se refere à sociedade conjugal, os direitos são exercidos igualmente por homens e mulheres.

É lamentável que, em pleno século 21, existam “universitários”, pessoas que deveriam, ao menos, respeitar as diferenças, pregar a igualdade e lutar contra o preconceito, agindo de forma tão selvagem, disseminando uma violência gratuita, completamente oposta ao progresso tecnológico, científico e artístico de nosso país. Colocando-se sob o artifício do bom senso, propagaram uma mentalidade machista e ultrapassada, julgando, punindo e hostilizando a garota. E o mais interessante é que todos os dias os meios de comunicação expõem imagens de mulheres praticamente nuas, mas essas são consideradas “atrizes” em nosso país.

Atitudes como essas devem abrir reflexões do tipo: São esses médicos, dentistas e advogados que queremos para os nossos filhos?

                                                                                                                                                                                                           por Elaine Zaragosa

Fonte: Walel Bastos. Direitos da mulher no Irã, 2009.

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La Lunna – A situação da mulher trabalhadora da educação

O mito da mulher educadora como aquela que é “naturalmente” paciente e amorosa, responsável por criar e educar, sobrevive ao longo da história. Mas, ao mesmo tempo, examinando a realidade, constatamos que as coisas não acontecessem bem assim. A categoria dos profissionais da educação é composta majoritariamente por mulheres, sendo que no ensino pré-escolar no Brasil é de 94,8%, no ensino fundamental e médio é de 92,6% e no ensino superior as mulheres são minorias. A situação das mulheres trabalhadoras da educação passa por uma dupla opressão: a desvalorização da mulher e a desvalorização do magistério.

Na rede estadual, as professoras têm os mais baixos salários, muitas vezes possuindo mais escolaridade que os homens, segundo dados do IBGE (2008), para as mulheres que possuem nível superior completo, o rendimento é cerca de 60% do rendimento dos homens, indicando que mesmo com grau de escolaridade mais elevado as discrepâncias salariais entre homens e mulheres não diminuem. O mesmo ocorre com a questão do trabalho doméstico que a mulher tem que desempenhar depois de um dia exaustivo de trabalho sem nenhuma remuneração. É muito comum nas redes estadual e municipal, a mulher acumular dois ou três cargos para que o salário seja melhor. A Síndrome de burnout é frequente entre as professoras estaduais, a cada ano aumenta o número de licenças médicas causadas por doenças psicológicas adquiridas no local de trabalho.

 

Assim como a situação dos trabalhadores em geral, as mulheres, profissionais da educação, precisam lutar por uma escola pública de qualidade, melhores salários e condições de trabalho. Mas onde as trabalhadoras da educação poderiam garantir estes direitos? Os sindicatos, por sua própria estrutura burocrática, sempre foram um meio de propagação do machismo, tornando-se privilégio dos homens serem os membros de direção, dirigentes de mesa, os que dão a palavra. Para que este quadro se modifique, é importante ganhar a consciência das mulheres para a sua opressão, somente assim, a mesma sentirá vontade de se organizar e lutar pelos seus direitos como ser político.

 

Nesse sentido, é necessário construir um movimento de mulheres que abarque todas estas reivindicações, tanto das trabalhadoras da educação quanto das demais trabalhadoras. Um movimento que faça a mulher perceber que o capitalismo, apoiado na desigualdade entre gêneros, utiliza a mulher como mão de obra barata, como exército de reserva para prolongar a opressão e evitar o avanço da conscientização.

Fontes: IBGE e Neoliberalismo e crise da educação pública (Ilaese – Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos).

 

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