Quebrado

Lobo triste

Parece que tem algo quebrado em minha mente

Não consigo respirar.

O suor frio corre pelas minhas costas, dá pra sentir meu coração acelerado, há uma carga elétrica em volta de mim, sei disso pois, quando fui pegar um copo de plástico para beber água, ele foi atraído quando aproximei minha mão trêmula.

Não consigo respirar.

Tento me concentrar em algo, ler costuma me acalmar – tentar desenhar algo ou assistir uma aula seria bom, mas essa tentativa exige muito esforço, a mente quer gritar, quer que eu chore, parte de mim está com muito medo de morrer, parte de mim quer morrer e acabar logo com isso.

Não consigo respirar.

Esse estado de luta constante é cansativo, e tem uma tristeza que cresce, uma espécie de solidão, de não ter com quem falar, olhar ao redor e ver dezenas de pessoas que não me veem, como se eu não existisse, a importância de meu ser é diluída pelas ruas por onde passo.

Não consigo respirar.

Racionalmente eu posso saber que tenho amigos, esposa, familiares que me querem bem, mas eu não me sinto à vontade comigo mesmo, me acho uma farsa, uma caricatura bizarra de quem eu poderia ser.

“Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha”

Clarisse – Legião Urbana

Não consigo respirar.

Quando durmo meu corpo não quer respirar, aí eu acordo em seguida e esse loop se repete, mesmo eu não estando fisicamente doente, acordo às 3 da madrugada e não durmo mais, e no dia seguinte me arrasto pela vida como um zumbi sem alma, tentando apenas atravessar as horas.

A terapia ajuda, longas horas de conversa tentando desvendar e talvez arrumar partes da minha mente quebrada. Não tive grandes traumas, não aconteceu nada demais nesse dia comum, mas é claro que tem algo errado, e vou continuar lutando contra essa parte de mim que me faz querer ser menos.

Essas crises de ansiedade podem ser bem fortes algumas vezes, eu recorro a podcasts ou textos sobre meditação, andei consumindo muito conteúdo budista, de auto-hipnose e mindfulness que tem me ajudado a entender essa fera que me devora por dentro fazendo o simples fato de respirar algo muito complicado de se lidar.

Com calma, com a mente limpa e contando, com foco no meu corpo e no que está ao meu redor eu finalmente consegui respirar.

Pai

Pai, por Diogo Scooby

Faz cerca de um mês que recebi uma ligação durante o horário de trabalho. Atendi meio alarmado, já que raramente alguém me liga durante a tarde. Era uma tia minha.

Apreensiva, me comunicou que havia ocorrido um grave acidente com meu pai. Informei-me sobre sua localização, avisei-a da minha, arrumei minhas coisas e fui direto para o Hospital Mário Covas, em Santo André, cidade vizinha.

Ao chegar lá, encontrei alguns familiares e minha mãe, aí fiquei sabendo de mais detalhes.

Ele caiu de um andaime, quase 8 metros de altura (cerca de 3 andares).

Fratura exposta na perna esquerda, alguns diziam na tíbia, outros no fêmur… E não sentia as pernas.

Estava fazendo exames e logo iria pra cirurgia. Mas, para alívio de todos, fora algumas escoriações, ele estava bem, lúcido, fez até piadas. Eu não quis vê-lo antes da operação.

No dia seguinte, visitei-o.

Conversamos, e parecia que ele estava muito bem! Tirando algumas ferragens na perna e o fato de ter que ficar deitado o tempo todo, senti muito alívio por ver que meu pai ainda estava ali, conversando, se alimentando, desperto e vivo. Bem vivo!

Quando voltei do hospital fiquei feliz por não estar voltando de um cemitério.

A perna foi fraturada e operada em 3 locais, e uma vértebra foi danificada na queda.

Nesse período, ele passou mais 4 vezes pelo centro cirúrgico, se recuperando bem de cada longa cirurgia e dos efeitos abaladores da anestesia geral.


Mesmo com algumas pequenas complicações, correu tudo bem. Alguns períodos emocionalmente mais difíceis, como o Natal, o Ano Novo, os aniversários do meu irmão, do meu pai e da minha mãe, com ele ausente pela primeira vez na vida, foram superados com calma…


Ontem o vi, está quase sentado, os braços continuam fortes, as pernas precisam de cuidado e muita fisioterapia, estão livres das ferragens externas que ajudaram na cura, mas que atrapalhavam sua mobilidade.


Agora é hora da recuperação, serão meses de batalha, mas ele aguenta, é forte, resistente, tem um corpo que se cura rápido e bem, e agora está cheio de metal nos ossos, assim como alguns personagens de quadrinhos.


Em breve, ele retorna pra casa, local em que ele faz muita falta, mas é bom saber que voltará! Uma nova etapa começa. E estamos todos preparados.


Agradeço a todos que se preocuparam, os que se manifestaram e os que preferiram ficar observando o caso com mais discrição.

Abraço a todos!

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Não consigo mais escrever

Não consigo mais escrever, por Diogo Scooby

Não consigo escrever.

A maior parte do Escrever é técnica e ela se aperfeiçoa com treino e o treino na escrita é o escrever é o ato em si e se não consigo, não treino, não melhoro, definho em meus sentimentos, me perco em minhas torrentes alucinógenas de pensamentos desordenados e atemporais quase como se meus miolos se preparassem para um possível colapso mental.

Não posso permitir isso.

As palavras precisam ser ordenadas e direcionadas para um bem maior, para me libertar do que me faz ser quem eu sou e me fazer livre de mim mesmo, simples e egoísta, sem me importar em um primeiro momento em criar textos com pretensão alguma de livrar ou ensinar alguém além de mim mesmo.

Tomo a caneta, o lápis passeia pela folha, os dedos deslizam quase em união com o pensamento da superfície… é o momento onde a mente está calma e quase nada, a não ser o ato da escrita em si, existe.

Eu daria uma dica pra mim mesmo, sempre digo para escrever, mas as redes sociais e os programas de comunicação tomam minhas inspirações e letras e as jogam em uma torrente plural de ideias e iconografias sem dono e fugaz, dia após dia após hora e um apanhado de minutos fazendo com que tudo faça parte da comunidade do que é ser humano.

É o que vai sobreviver, esse aglomerado semicaótico de informações e delírios hedonistas, ou nem tanto, mas massificados em sua pureza ou repetição. Isso realmente não tem a mínima importância.

Me resta então o alívio que fica ao se livrar de palavras sem sentido, mas com alguma substância.

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Obrigações que deveriam não ser mas são

Obrigações que deveriam não ser mas são, por Diogo Scooby

(dog.ma)

sm.
1. Rel. Ponto básico de doutrina religiosa, considerado certo e indiscutível: o dogma da Santíssima Trindade.
2. Fig. Qualquer doutrina que se apresenta como verdade indiscutível e portanto deve ser aceita sem contestação
3. Ideia ou preceito apresentados como irrefutáveis
4. Em religiões, doutrina que se apoia na autoridade de sua fonte, que deve prevalecer sobre qualquer dúvida dos fiéis
5. Hist. Na Grécia antiga, decisão de autoridade, o soberano ou assembleia
[F.: Do gr. dógma, pelo lat. dogma.]

Virou um dogma pra mim ultimamente… só consigo dormir mesmo se estiver irrefutavelmente bêbado.

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Realidades em mim

poesia

Há horas em que minha mente
Funciona muito mais rápido
Do que sou capaz de lidar
E fico doente, demente

Não consigo dormir por pensar demais
Sem ter com quem falar, posso gravar.
Ou escrever, mas não quero.

Só quero paz, silêncio.

Minha mente:

35 microcápsulas de realidade identificáveis no momento:
5 de músicas em volumes diferentes, 8 imagens ligadas a sexo que não param e mudam, 3 de família, 3 de amigos, 2 de trabalho, 2 de amor, 1 de política, 1 de quadrinhos, 2 de filmes, 1 de um videogame que joguei de tarde, 3 de dor, 2 de desconfortos físicos e 2 barulhos urbanos.

Tudo junto em ondas diversas nem sempre controláveis e abafáveis com ruídos externos se revezando em células e organismos de intensidades de atenção, roubando minha paz e meus pensamentos, limitando o que eu poderia e deveria ser agora…

Só quero paz, silêncio…

por Diogo
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Medos – O Estranho, o Bizarro, o Inesperado

Medos - O Estranho, o Bizarro, o Inesperado

por Diogo C. Scooby

Meio paranoico… machuquei o pé e já acho que vão descobrir um câncer qualquer em mim e me matar em alguns meses, como aconteceu com o Bob Marley. Não tenho medo de bandido, nem de polícia, mas médicos me assustam.

Veja o trailer desse estranho filme e vai saber do que estou falando.

Centopeia Humana – Trailer

É um filme muito bizarro. Não recomendo ninguém a ver.

A recomendação vai para o belíssimo e assustadoramente bizarro filme:

Vagina Dentada – Trailer – Versão 2.0 feita por fãs

Mas o que eu me mijava de medo quando era criança era a série “Acredite se quiser”. Cemitérios antigos persas, sacrifícios e maldições em pirâmides, pessoas bizarras… Eu com 7 ou 8 anos sofria, mas não desgrudava os olhos da TV; e via escondido sempre que podia!

Já na abertura me arrepiava! O Estranho, o Bizarro, o Inesperado!

Acredite se quiser

Abraço!

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Oh Sit Down

Oh Sit Down - James

Letra

Oh Sit Down – James

I’ll sing myself to sleep
A song from the darkest hour
Secrets I can’t keep
Inside of the day
Swing from high to deep
Extremes of sweet and sour
Hope that God exists
I hope I pray

Drawn by the undertow
My life is out of control
I believe this wave will bear my weight
So let it flow

Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy

Now I’m relieved to hear
That you’ve been to some far out places
It’s hard to carry on
When you feel all alone
Now I’ve swung back down again
It’s worse than it was before
If I hadn’t seen such riches
I could live with being poor
Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy

Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they’re touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me
Love, in fear, in hate, in tears

Down
Down

Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy

Oh sit down
Sit down next to me
Sit down, down, down, down, down
In sympathy

Down

Tradução

Sente-se

Eu canto pra dormir
Uma canção da hora mais negra
Segredos que não posso manter
Dentro do dia
Mudando do êxtase à depressão
Extremos do doce e do amargo
Espero que Deus exista
Eu espero e rezo por isso

Arrastado pela correnteza
Minha vida está fora de controle
Acredito que essa onda me sustentará
Então deixo fluir

Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Agora estou aliviado em ouvir
Que você esteve em alguns lugares distantes
É difícil continuar
Quando nos sentimos tão sozinhos
Agora estou entre extremos de novo
É pior do que foi antes
Se eu não tivesse visto tantas riquezas
Poderia viver com o fato de ser pobre
Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade

Aqueles que sentem o cheiro da tristeza
Sentem-se perto de mim
Aqueles que acreditam ser um pouco loucos
Sentem-se perto de mim
Aqueles que se acham ridículos
Sentem-se perto de mim
Com amor, com medo, com ódio, com lágrimas (2x)

Sente-se
Sente-se perto de mim
Sente-se
Por caridade, sente-se…

pé-cachorro

Milo sentado perto de meu pé zoado e prestando atenção na rua.

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Eu só conhecia essa música dessa banda, ela ficou na minha cabeça hoje e resolvi compartilhar com você, pois acho a letra muito bonita. Ouvi outras músicas da banda e é uma boa banda meu! JAMES, rock inglês de altíssima qualidade e recomendado.

Fonte da tradução:http://letras.terra.com.br/james/19608/traducao.html

Abraço.

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Sonho – Ônibus

Troleibus-sao-bernardo-do-campo

O ônibus andava por um destino comum a mim, olhei pela janela e vi parte do centro da minha cidade passando, uma lua ao fundo, olhei para o meu lado e vi uma amiga antiga, ela falava algo sobre os Beatles, eu só olhava pra ela e estava tão feliz em poder ter alguém assim do meu lado que nem pensava em nada, apenas vivia o momento, só que isso foi tão exagerado que acabei esquecendo de prestar atenção ao que ela falava, então não lembro de uma palavra.

Um professor meu aparece com um cachecol verde, conversamos, mas o que me deixa atento é que estamos em um outro banco do ônibus, agora do lado direito, meu braço em torno dela, ela confortavelmente se encaixando em meu corpo (minha mão esquerda entre sua cintura e sua bunda, vai brincando nessa área) e conversamos com ele sobre algo, o que me marca é a risada minha e dela.

Passando no paço da minha cidade o ônibus segue, passamos de novo pela mesma parte que foi no começo do sonho, eu percebo aí que é sonho.

Aparece uma carteira perdida do professor que sumiu, uso-a pra conversar com a garota que está sentada no meu colo e que sinto levemente o cheiro de seu pescoço, beijo de leve, mesmo sabendo que não é real, pergunto:

– Viu de quem era essa carteira?
– Hã… Não… De novo…

Abro a carteira e só vejo documentos meus ali… O pouco de ilusão que eu tinha vai se dissolvendo, não consigo mais sustentar o sonho.

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