Língua e Liberdade

A Letra A

Por uma nova concepção de língua materna

Celso Pedro Luft é um renomado autor de dicionários e manuais de Gramática. No entanto, em Língua e Liberdade o que ele defende não são regras gramaticais, mas uma nova concepção do ensino desta matéria.

Luft inicia o livro apresentando O gigolô das palavras, crônica de Luís Fernando Veríssimo. O texto mostra um homem apaixonado pelas palavras e pela língua, mas afirma que, com exceção de algumas, a maioria das regras são dispensáveis.

A partir daí, Luft começa uma discussão para defender um ensino da língua sem repressão e que realmente desenvolva nos alunos suas habilidades de comunicação nas modalidades escrita e falada, mostrando as infinitas possibilidades criativas de ambas e também de suas diferentes aplicações.

Um dos conceitos apresentados pelo autor é “todo falante é um gramático que se ignora”, quer dizer, inconscientemente, todo aquele que é falante de uma língua conhece as “regras” da fala, sabe como usar as palavras para que seja comunicado exatamente aquilo que quer expressar.

Este conhecimento é tácito e o ensino de Gramática na escola deveria cumprir a função de tornar explícito o que o aluno já sabe sobre a língua, apresentando e incentivando novas alternativas de comunicação.

O importante não é saber regras decoradas, mas saber utilizar-se das possibilidades de expressão da língua.

“Não tem importância trazer de cor regras explícitas: não creio que todos os nossos bons escritores fossem aprovados num teste de Português à maneira tradicional, e no entanto, são eles os senhores da Língua.”

Livro: Língua e Liberdade: por uma nova concepção de língua materna

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Solidão

Solidão devora

Significado de Solidão

s.f. Estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento: os encantos da solidão. Ermo, lugar despovoado e não frequentado pelas pessoas: retirar-se na solidão. Isolamento moral, interiorização: a solidão do espírito.
Dicio – Dicionário Online de Português

A solidão pode ter muitas causas. Em diversos momentos, pessoas relatam momentos terríveis em que se sentiram sozinhas, presas em armadilhas, em algum meio de transporte, cavernas submersas e até no espaço, apenas aguardando o momento derradeiro da morte iminente, isolados de seus pares por forças da natureza infinitamente superiores, tentando usar cada resto de esperança em dias melhores para conseguir sobreviver mais.

Nós que vivemos em cidades temos outros meios de “pegar solidão”, e muitas ilusões que substituem a esperança do náufrago. Temos amigos online, temos séries, filmes e livros que nos distraem, entretêm e ensinam, mas que também fazem com que nos sintamos partes de algo maior.

Caminhamos por aí conectados em nossos aparelhos, cada vez mais ausentes e egoístas, solitários em meio a multidões, e nem nos damos conta disso, apenas caminhamos entre casa-escola-trabalho, a maior parte do tempo perdido em transportes cheios de pessoas sozinhas.

Nós humanos somos criaturas sociais. Por mais duros ou Asperger que sejamos, um abraço, uma boa conversa, a troca de olhares enquanto uma anedota é contada um pouco antes do riso são importantes, e a privação de coisas simples como estes exemplos pode enlouquecer, pode – como diz a música – transformar um homem bom em mau¹.

O vídeo abaixo é bem ilustrativo em relação a este tema, e é altamente recomendado:

E deixo como reflexão final uma bela canção que, curiosamente, é bem cíclica, parece-se com ondas de solidão que nos invadem de tempos em tempos, talvez pra nos forçar em direção à vida e nos tirar do comodismo e da pasmaceira.

“A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima, irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração”

Claro que muitos apreciam momentos e até vidas inteiras sozinhos, para isto se dá o nome de solitude, a solidão boa, parceira, que traz paz de espírito, calma, júbilo. Todos precisamos disso eventualmente, eu gosto.

Até breve!

¹Please, Please, Please, Let Me Get What I Want – The Smiths

Dica de conteúdo relacionado: http://academiadefilosofia.org/publicacoes/artigos/a-solidao

 

O observador de formigas

formiga com espada contra formigas

Sempre que chego aqui me acontece uma espécie de rearranjo mental, em que o que até bem pouco era um problemão, transmuta-se em algo semelhante em tamanho, alcance e mobilidade a uma formiga insignificante perdida entre outras formigas.

É assim que meu pensamento caminha quando observo as pessoas deslizando por ruas em geral.

Eventualmente, elas se tornam numerosas a ponto de incomodar. Claro que posso pisá-las, mas eu as deixo andando por aí, em busca de alimento, em busca de algo que dê algum sentido à sua vidinha desgraçada. Não sei por que não piso em todas, ou arranjo algum veneno poderoso vendido ilegalmente em depósitos de material para construção ou pet shops de fundo de quintal.

Temo que elas possam se juntar e vir morder meus pés, fazendo com que eu fique me coçando, e isso é realmente irritante.

Lembro de ter visto um filme quando criança em que uma horda de formigas assassinas aterrorizam uma cidade, devorando pessoas.

Este tipo de coisas só acontecem em filmes, ou em revoluções.

negrinho do pastoreio formiga fantasmaAh! Tem a história do negrinho do pastoreio também, que foi deixado, por seu patrão malvado, em um formigueiro para ser devorado e depois virou uma espécie de entidade sobrenatural em busca de vingança contra o canalha que o havia matado (não me lembro se era sim, mas gosto de imaginar a história com o menino sendo devorado por formigas místicas de um antigo cemitério indígena, voltando dos mortos com poderes de formigas fantasmagóricas).

E agora aqui estou, quase saindo de um buraco da minha existência, onde me enfiei por meses, sem rumo, sem uma luz que me indicasse o melhor caminho a seguir.

Aliás, houve algumas luzes, mas levaram a armadilhas. Decidi confiar então em meus ouvidos e instintos, e nos aromas. Agora sim consigo sentir um pouco melhor as belezas do mundo que se apresenta ao meu redor.

Claro que tudo pode não passar de ilusão. Minha mente cansada do escuro, da solidão, rompeu com a sanidade e criou algo para me fazer viver mais, do desespero criou-se a vida, e, mesmo sabendo da farsa, continuo porque é melhor assim do que a dor da existência nula.

Então crio um mundo, e acabo enchendo-o de pessoas-formigas só pra ter aquele movimento, aquele vai e vem, mas só eu sei que apenas algumas delas são realmente importantes. Só não sei quem são.

 

A Voz que desaparece

A voz

A primeira vez que não consegui falar foi depois de engasgar com um pouco de coca-cola com gelo. Tossi, faltou o ar, me concentrei em respirar pelo nariz, manter a calma, até que a garganta voltou a funcionar. Quer dizer, parcialmente. Tentei falar algo para os companheiros de batalha que me acompanhavam em uma invasão por portões de um mundo alienígena, mas minha voz não saía, nenhum dos três conseguia me ouvir, e não era problema do meu microfone, meu Skype não estava no mudo, a voz simplesmente não saía.

Depois, durante o almoço, entre as folhas de alface e a batata frita, meu suco chegou, fui agradecer ao garçom e não pude, fiz apenas um gesto com a mão, um sinal de joinha, e fingi que continuava mastigando, mas a verdade era bem clara. Eu falei e a voz não funcionou.

Seria mais um sinal de que estou deixando de existir? Me transformando em um ser discreto, distante e calado, como na verdade sempre fui, mas agora também fisicamente? O que vem a seguir? Vou encolher, definhar até finalmente deixar de ser?

O que serão de minhas noites de embriaguez e cantoria em videokês baratos? E o podcast cujo retorno venho adiando? Devo concluir e aproveitar cada vez mais antes de desaparecer, ou devo lutar em uma luta quase desesperada para existir enquanto ainda sou? Ou esse meu ser nada ou pouco tem a ver com a maneira com a qual me manifesto? De que adianta a existência por si só, se nos limita a maneira como podemos existir perante o outro?

“A existência que a sociedade impõe às pessoas não se identifica com o que as pessoas são ou poderiam ser em si mesmas.” 

Theodor W. Adorno

A Voz muda

Semana passada durante três dias (in)úteis fiquei sem falar. Fui trabalhar, balbuciei algo como resposta quando me falaram “bom dia”, almocei com colegas respondendo eventualmente algo com murmúrios e gestos, no restaurante a comida é por quilo, bebo sempre o mesmo suco, respondo com um joinha quando me perguntam se é de laranja sem açúcar, só gelo. Reunião de tarde, só fiquei passando slides de um Power Point reciclado do mês anterior, com números contábeis atualizados. Nada a dizer, eu não conduzia a reunião, apenas estava lá. E faria falta se não estivesse? Não sei esta resposta, mas sei que sentia que não, sentia-me inútil e prestes a desaparecer, e que isso pouco importaria pra alguém, inclusive pra mim mesmo.

Já me calei diante de injustiças, deixei de opinar por não querer me envolver em brigas ou polêmicas, decidi não decidir nada, e quando percebi minha capacidade de me manifestar ia embora a cada nova situação.

Sinto como se minha existência não fizesse mais diferença, minha voz se transformando em um sussurro, meu ser se transmutando em algo transparente, perdido e vagante por entre ruas apinhadas de criaturas tão vazias de significado quanto eu. Quase posso ver o teclado através das minhas mãos, que a cada dia ficam mais translúcidas, até chegar o dia em eu não consiga mais agir nesse plano de existência.

“Não poderíamos ser corporais, como de fato somos, se o nosso ser-no-mundo não consistisse fundamentalmente de um já sempre perceptivo estar-relacionado com aquilo que se nos fala a partir do aberto de nosso mundo como o que, aberto, existimos.”

Heidegger

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Praticamente inofensiva

Praticamente inofensiva

Volume Cinco da Série

Chegamos ao final da série. Praticamente inofensiva é o último livro integrante da coleção d’O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas, como já foi dito antes, há um Volume Seis escrito posteriormente…

Epígrafe

A epígrafe do livro (acima) e o primeiro parágrafo do primeiro capítulo já nos dão uma dica do que vem por aí:

Capítulo 1

Seguindo o padrão, esta história também tem clima e enredo diferentes dos anteriores. Acredito que seja o que se distancia mais dos outros, tanto que algumas pessoas nem consideram o Cinco como parte da série, mas apenas como uma história que usa os mesmos personagens.

Pessoalmente, não sei qual eram os planos do autor, porém, em alguns momentos da narrativa, eu tive a impressão não de que seria o fim da série, mas o início de uma nova…

Continuando

Então sim, continuamos a seguir a azarada sina de Arthur Dent pelo universo, as situações nonsenses nas quais Ford Prefect tem um talento especial pra se meter, e é onde não só a Trillian McMillan como a Tricia McMillan voltam para a história… Sim – de novo -, elas são a mesma pessoa.

Aqui, no entanto, temos versões paralelas, cada uma lidando com as consequências de suas escolhas e as duas não muito felizes com elas. É também neste Volume onde estes três personagens se reencontram depois de um (bom) tempo em que cada um viveu a sua vida num canto diferente do universo.

Este livro está tão recheado do humor característico de Douglas Adams quanto os outros, entretanto, este foi o que menos gostei. Talvez pela leitura estar permeada por um sentimento de fim… Expectativa esta que será plenamente correspondida nas últimas páginas…

Capítulo 3

The End

Outra das características que ainda está presente, por exemplo, é a crítica ao nosso modo de vida e, ao mesmo tempo, nos fazendo ver de modo diferente coisas cotidianas:

— Eu sei que astrologia não é uma ciência – disse Gail. – Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou… qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?

— Humm… críquete? Autodepreciação?

— Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. É como assoprar um punhado de poeira de grafite em um pedaço de papel para visualizar os entalhes escondidos. Permite que você veja as palavras que haviam sido escritas sobre o papel que estava por cima e que foi removido. O grafite não é importante. É apenas uma maneira de revelar os entalhes. Então, veja, a astrologia de fato nada tem a ver com a astronomia. Tem a ver com pessoas pensando sobre pessoas.

Ainda que não seja o meu livro favorito da série, ainda vale muito a pena a leitura, pois é daquelas que deixam um gostinho de quero mais. Tanto que estou pensando até mesmo em comprar o Volume Seis, só pra reencontrar os personagens!

Espero que vocês tenham curtido a viagem até aqui:

O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Restaurante no Fim do Universo

A Vida, o Universo e Tudo Mais

Até Mais, e Obrigado pelos Peixes

E não se esqueçam da toalha! 😉

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Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!

Volume Quatro

Volume Quatro da Série

Depois de viajar pelo Universo, sobrevivendo à poesia Vogon e guerras interestelares, Arthur Dent está de volta ao seu planeta natal… Mas a Terra havia sido destruída, então, o que diabos está acontecendo?

[Se quiser ter uma ideia do que aconteceu até aqui, pode começar pelas resenhas dos volumes Um, Dois e Três d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.]

O caminho que vamos percorrer neste Volume Quatro, acompanhando os protagonistas, será para tentar descobrir o que aconteceu com a Terra anterior… se é que houve mesmo destruição.

Nesta busca por respostas, boa parte da ação se passará aqui no planeta azul, que é onde nos deparamos também com um tema novo na série: romance.

É claro que isto faz com que o livro tenha um tom diferente dos outros, assim como cada um dos volumes entre si, porém, Douglas Adams mostra mais uma vez sua habilidade de contador de histórias ao inserir cenas muito bonitas e poéticas num enredo de ficção científica sem cair em clichês fáceis ou descambar para a breguice.

Podem ficar tranquilos, pois as cenas e diálogos absurdos que escancaram quão risível é a nossa sociedade ainda estão lá, com suas tiradas sarcásticas e inteligentes.

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Novos personagens

Somos apresentados a novos personagens, como Fenny, a garota que é introduzida no prólogo, e Rob McKenna – cujas cenas são algumas das partes mais divertidas do livro –, um motorista de caminhão que vive de mau humor, pois o mau tempo (a chuva) sempre o acompanha na estrada, fenômeno que tem uma estranha explicação, mas não tão estranha para o universo d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.

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Velhos conhecidos

Obviamente, ainda temos Ford Prefect, tão louco quanto antes, se metendo em confusões desnecessárias e hilárias. É aqui também que conhecemos o texto de sua contribuição para a edição do verbete d’O Guia sobre a Terra: Praticamente inofensiva – que é o nome do próximo volume.

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Ah, o Marvin, nosso androide paranoide preferido, também está de volta, mas não tanto quanto gostaríamos: “Os que querem respostas devem continuar lendo. Outros podem preferir pular direto para o último capítulo, que é bem legal e é onde aparece o Marvin”.

Outra coisa que gostei bastante, e da qual ri muito, foi a parte em que um grande número de pessoas acredita que a destruição da Terra na verdade foi uma alucinação coletiva provocada pela CIA.

Daí que, como é comum com teorias da conspiração, cada um acha um motivo mais louco do que o outro do como e por que a CIA teria feito isso.

Apesar do tom diferente da história, continua sendo uma leitura boa e divertida. É quase impossível se decepcionar num enredo quando o próprio escritor se coloca em pé de igualdade com seus personagens: “Havia um motivo para contar esta história, mas, temporariamente, fugiu da mente do autor”.

No entanto, este ainda não é o final, ainda temos o Volume Cinco na coleção e o E tem outra coisa… – lançado no 30º aniversário de publicação do primeiro livro d’O Guia, foi escrito por Eoin Colfer com autorização da família de Adams.

Nos encontramos no próximo!

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Como conheci Machado de Assis

Machado de Assis jovem

Sempre ouço muitas pessoas – que gostam de ler – dizendo que não gostam de Machado de Assis por causa do trauma escolar de serem obrigados a ler algum de seus livros (e, muitas vezes, ouvir o professor fazendo um discurso de que “é difícil, mas é importante ter lido”…).

Pra mim, esse negócio de “é difícil, mas tem que ler” sempre foi mais um repelente do que um incentivo à leitura, então entendo perfeitamente o sentimento.

Sorte minha que meu primeiro contato com este autor foi diferente 🙂

Eu tive uma professora de Educação Artística na 5ª série que incentivava qualquer tipo de arte.

Bem, certo dia, durante uma das últimas aulas do ano, ela escreveu uma lista de livros na lousa: livros que ela tinha lido, gostado e pensou que nós poderíamos gostar também.

A Obra de Machado de Assis

Brás Cubas

Como nessa época eu já estava começando minha carreira de “rata de biblioteca”, anotei todos os títulos, mas um deles me chamou atenção: “Memórias póstumas e Brás Cubas”.

Até esse momento, eu não fazia ideia de quem era esse cara e o nome do livro me chamou atenção porque eu não sabia o que significava a palavra “póstuma”, então não entendi o nome do livro rs

Minha curiosidade só aumentou depois de consultar um dicionário: era um livro sobre a vida de alguém que tinha morrido ou a vida de alguém depois de morto?

Qual não foi minha surpresa ao abrir o livro emprestado da biblioteca pública e dar de cara com esta dedicatória:

Assim, pude aproveitar o cinismo do Brás Cubas – personagem – e a escrita cheia de ironias e sarcasmos de Machado de Assis – autor – sem a pressão do “tem que ler porque cai no vestibular”.

Depois disso, fui lendo outros romances e contos do autor, todos diferentes entre si, mas ainda com aquela marca da escrita que tinha feito eu me divertir tanto ao ler o “Memórias”.

Simão Bacamarte, o alienista

E assim fui indo, até que na faculdade me deparei com uma professora de Literatura que também escreveu uma lista de livros na lousa, mas, dessa vez, eram só livros do Machado para que fizéssemos um trabalho de análise.

Como o único da lista que eu não tinha lido ainda era “O Alienista”, foi ele o meu escolhido.

E, aí, nós fomos surpreendidos novamente! 😀

O Alienista” na verdade é um conto, mas, como ele é “grande”, existem algumas edições em que ele é publicado como “romance”, quer dizer, um livro todo só pra ele.

Foi uma edição dessas que eu li e, cara, já se passaram alguns anos, eu já reli algumas vezes e continuo acreditando que esta é uma das melhores – e surpreendentes – histórias que eu já li, e possivelmente lerei, na vida.

O Alienista

Onde acha?

Se você ficou curioso, ou decidiu dar uma segunda chance pro cara, neste site do MEC, em Obra Completa, pode-se baixar suas obras, pois estão em domínio público 😀

P.S.: “O Alienista” foi publicado originalmente no livro de contos “Papéis Avulsos”.

P.S.2: Em 2001, foi lançado o filmeMemórias póstumas de Brás Cubas“. Eu achei uma ótima adaptação e o Reginaldo Faria está incrível como narrador-defunto!

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Soundtracks

Fita k7 - Soundtracks

Para quem adora cinema, como eu, sabe que a trilha sonora faz MUITA diferença – para o bem ou para o mal – num filme.

Então, fiz uma lista das trilhas de que mais gosto conforme as músicas vieram à minha cabeça, quer dizer, não é uma lista do melhor para o pior ou vice-versa. É apenas uma lista 🙂

1. Círculo de fogo (2013)

– ou Pacific Rim pra quem prefere o título original

A trilha toda é excelente e acompanha muito bem o filme. O tema principal é ÍNCRIVEL e é uma das músicas que mais toca no meu MP3.

Pra quem ficou curioso em ouvir mais, no YouTube há várias listas com as músicas. Aqui, você encontra uma delas.

2. Guardiões da Galáxia (2014)

A trilha neste filme faz parte do enredo – literalmente. Um dos personagens principais, o Peter Quill (Chris Pratt), ouve em seu walkman uma fita k7 com uma seleção de músicas intitulada Awesome Mix Vol 1, com nomes como David Bowie, The Runaways, Marvin Gaye, entre muitas outras sonzeiras! Você encontra a trilha completa aqui

Mas foi com o Jackson 5 e a dancinha do baby Groot que a galera eu pirou no cinema :p

3. Cinema Paradiso (1988)

A trilha deste filme foi composta pelo compositor e maestro italiano Ennio Morricone. A música tema do filme é uma obra de arte à parte, só de ouvi-la, lágrimas vêm aos meus olhos…

Aqui, ouvimos as outras composições dessa trilha emocionante.

4. Três homens em conflito (1966)

– ou O bom, o mal e o feio pra quem prefere a tradução ao pé da letra

E, por falar em Ennio Morricone… ele também compôs a trilha desse clássico do western, a famosa “música do assobio”:

Morricone compôs trilhas para diversos filmes. Eu o conheci pelas trilhas que fez para alguns spaghetti western, o famoso bang-bang à italiana do diretor Sergio Leone.

Também encontramos diversos “covers” dessa música internet a fora, mas, particularmente, acho esta da Ukulele Orchestra fenomenal:

E, aqui, a trilha completa do filme.

5. De volta para o futuro (1985)

De volta para o futuro definitivamente é um dos meus filmes preferidos. Aliás, eu gosto muito dos três filmes – Parte II (1989) e Parte III (1990). E, como não poderia deixar de ser, a música tema que acompanha toda a trilogia está nesta lista: tem esta versão da Lisbon Film Orchestra e também a música conduzida pelo seu autor 🙂

As músicas Back in time e The power of love, da banda Huey Lewis and The News, também são referência nesse filme. No entanto, acredito que a música que mais seja lembrada quando falamos de De volta para o futuro seja Johny B. Goode, por causa, é claro, da performance de Marty McFly (Michael J. Fox) com a Marvin Berry and the Starlighters:

Aqui, a trilha completa.

Bônus

Sobrenatural (Supernatural)

Esta série estreou no ano de 2005 e, desde então, tem nos brindado com uma trilha sonora rock’n’roll. São bandas variadas como AC/DC, Survivor – com direito a esta cena pós-crédito 😀 – e Bon Jovi, além de muitos outros clássicos como Creedence Clearwater Revival e até um episódio intitulado Crossroad blues em que, na abertura, usam a música e a lenda sobre Robert Johnson:

Mas a música que marca a série é Carry on my wayward son da banda norte-americana Kansas.

Algumas trilhas da série podem ser encontradas em playlists espalhadas pelo YouTube.

E, é isso, espero que gostem das trilhas 🙂

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