Projeto Leia Mulheres

Leia Mulheres

Não me lembro exatamente como fiquei sabendo do projeto Leia Mulheres, mas me lembro de como a proposta me fez olhar a minha estante e buscar na memória as obras que li durante a vida e quantas delas tinham sido escritas por mulheres…

É claro que havia autoras em meio ao meu percurso literário e que foram importantes na formação do meu senso estético e artístico, mas o passo seguinte desta busca foi me fazer reparar na discrepância em relação à quantidade de artistas homens e mulheres.

Era um número gritante, e foi assustador tomar consciência dele.

Desde então, tenho pensado mais minhas escolhas de leitura. E isso não significa que não leio mais homens – alguns deles ainda são meus favoritos rs –, significa que tenho sido mais crítica com minhas leituras e suas influências.

O projeto existe em várias cidades do Brasil, e confesso que, apesar de acompanhar pela internet há algum tempo e até já ter lido alguns dos livros discutidos no grupo de São Bernardo, a primeira vez em que fui num encontro presencial foi somente em setembro.

Ah, apesar do nome do projeto deixar algumas pessoas confusas, os clubes de leitura não são só para mulheres, homens podem ler e participar. O nome refere-se apenas ao conteúdo, que é – evidentemente – ler (obras escritas por) mulheres.

Você pode acompanhar o projeto pelo site que, além da divulgação das agendas dos grupos de leitura, também tem resenhas e outros conteúdos relacionados, ou pelo Facebook, Instagram, Twitter e Pinterest.

Eu achei a experiência enriquecedora e espero poder participar dos próximos encontros!

E você, já participou (ou participa) de algum clube de leitura? Conte-nos sua experiência nos comentários!

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Leia mais no blog:

A Senhora da Magia – As Brumas de Avalon

Clarice Lispector

A mulher desiludida 

Dina Salústio e Graciliano Ramos

Narradores de Javé, de Eliane Caffé

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Língua e Liberdade

A Letra A

Por uma nova concepção de língua materna

Celso Pedro Luft é um renomado autor de dicionários e manuais de Gramática. No entanto, em Língua e Liberdade o que ele defende não são regras gramaticais, mas uma nova concepção do ensino desta matéria.

Luft inicia o livro apresentando O gigolô das palavras, crônica de Luís Fernando Veríssimo. O texto mostra um homem apaixonado pelas palavras e pela língua, mas afirma que, com exceção de algumas, a maioria das regras são dispensáveis.

A partir daí, Luft começa uma discussão para defender um ensino da língua sem repressão e que realmente desenvolva nos alunos suas habilidades de comunicação nas modalidades escrita e falada, mostrando as infinitas possibilidades criativas de ambas e também de suas diferentes aplicações.

Um dos conceitos apresentados pelo autor é “todo falante é um gramático que se ignora”, quer dizer, inconscientemente, todo aquele que é falante de uma língua conhece as “regras” da fala, sabe como usar as palavras para que seja comunicado exatamente aquilo que quer expressar.

Este conhecimento é tácito e o ensino de Gramática na escola deveria cumprir a função de tornar explícito o que o aluno já sabe sobre a língua, apresentando e incentivando novas alternativas de comunicação.

O importante não é saber regras decoradas, mas saber utilizar-se das possibilidades de expressão da língua.

“Não tem importância trazer de cor regras explícitas: não creio que todos os nossos bons escritores fossem aprovados num teste de Português à maneira tradicional, e no entanto, são eles os senhores da Língua.”

Livro: Língua e Liberdade: por uma nova concepção de língua materna

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Praticamente inofensiva

Praticamente inofensiva

Volume Cinco da Série

Chegamos ao final da série. Praticamente inofensiva é o último livro integrante da coleção d’O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas, como já foi dito antes, há um Volume Seis escrito posteriormente…

Epígrafe

A epígrafe do livro (acima) e o primeiro parágrafo do primeiro capítulo já nos dão uma dica do que vem por aí:

Capítulo 1

Seguindo o padrão, esta história também tem clima e enredo diferentes dos anteriores. Acredito que seja o que se distancia mais dos outros, tanto que algumas pessoas nem consideram o Cinco como parte da série, mas apenas como uma história que usa os mesmos personagens.

Pessoalmente, não sei qual eram os planos do autor, porém, em alguns momentos da narrativa, eu tive a impressão não de que seria o fim da série, mas o início de uma nova…

Continuando

Então sim, continuamos a seguir a azarada sina de Arthur Dent pelo universo, as situações nonsenses nas quais Ford Prefect tem um talento especial pra se meter, e é onde não só a Trillian McMillan como a Tricia McMillan voltam para a história… Sim – de novo -, elas são a mesma pessoa.

Aqui, no entanto, temos versões paralelas, cada uma lidando com as consequências de suas escolhas e as duas não muito felizes com elas. É também neste Volume onde estes três personagens se reencontram depois de um (bom) tempo em que cada um viveu a sua vida num canto diferente do universo.

Este livro está tão recheado do humor característico de Douglas Adams quanto os outros, entretanto, este foi o que menos gostei. Talvez pela leitura estar permeada por um sentimento de fim… Expectativa esta que será plenamente correspondida nas últimas páginas…

Capítulo 3

The End

Outra das características que ainda está presente, por exemplo, é a crítica ao nosso modo de vida e, ao mesmo tempo, nos fazendo ver de modo diferente coisas cotidianas:

— Eu sei que astrologia não é uma ciência – disse Gail. – Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou… qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?

— Humm… críquete? Autodepreciação?

— Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. É como assoprar um punhado de poeira de grafite em um pedaço de papel para visualizar os entalhes escondidos. Permite que você veja as palavras que haviam sido escritas sobre o papel que estava por cima e que foi removido. O grafite não é importante. É apenas uma maneira de revelar os entalhes. Então, veja, a astrologia de fato nada tem a ver com a astronomia. Tem a ver com pessoas pensando sobre pessoas.

Ainda que não seja o meu livro favorito da série, ainda vale muito a pena a leitura, pois é daquelas que deixam um gostinho de quero mais. Tanto que estou pensando até mesmo em comprar o Volume Seis, só pra reencontrar os personagens!

Espero que vocês tenham curtido a viagem até aqui:

O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Restaurante no Fim do Universo

A Vida, o Universo e Tudo Mais

Até Mais, e Obrigado pelos Peixes

E não se esqueçam da toalha! 😉

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Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!

Volume Quatro

Volume Quatro da Série

Depois de viajar pelo Universo, sobrevivendo à poesia Vogon e guerras interestelares, Arthur Dent está de volta ao seu planeta natal… Mas a Terra havia sido destruída, então, o que diabos está acontecendo?

[Se quiser ter uma ideia do que aconteceu até aqui, pode começar pelas resenhas dos volumes Um, Dois e Três d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.]

O caminho que vamos percorrer neste Volume Quatro, acompanhando os protagonistas, será para tentar descobrir o que aconteceu com a Terra anterior… se é que houve mesmo destruição.

Nesta busca por respostas, boa parte da ação se passará aqui no planeta azul, que é onde nos deparamos também com um tema novo na série: romance.

É claro que isto faz com que o livro tenha um tom diferente dos outros, assim como cada um dos volumes entre si, porém, Douglas Adams mostra mais uma vez sua habilidade de contador de histórias ao inserir cenas muito bonitas e poéticas num enredo de ficção científica sem cair em clichês fáceis ou descambar para a breguice.

Podem ficar tranquilos, pois as cenas e diálogos absurdos que escancaram quão risível é a nossa sociedade ainda estão lá, com suas tiradas sarcásticas e inteligentes.

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Novos personagens

Somos apresentados a novos personagens, como Fenny, a garota que é introduzida no prólogo, e Rob McKenna – cujas cenas são algumas das partes mais divertidas do livro –, um motorista de caminhão que vive de mau humor, pois o mau tempo (a chuva) sempre o acompanha na estrada, fenômeno que tem uma estranha explicação, mas não tão estranha para o universo d’O Guia do Mochileiro das Galáxias.

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Velhos conhecidos

Obviamente, ainda temos Ford Prefect, tão louco quanto antes, se metendo em confusões desnecessárias e hilárias. É aqui também que conhecemos o texto de sua contribuição para a edição do verbete d’O Guia sobre a Terra: Praticamente inofensiva – que é o nome do próximo volume.

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Ah, o Marvin, nosso androide paranoide preferido, também está de volta, mas não tanto quanto gostaríamos: “Os que querem respostas devem continuar lendo. Outros podem preferir pular direto para o último capítulo, que é bem legal e é onde aparece o Marvin”.

Outra coisa que gostei bastante, e da qual ri muito, foi a parte em que um grande número de pessoas acredita que a destruição da Terra na verdade foi uma alucinação coletiva provocada pela CIA.

Daí que, como é comum com teorias da conspiração, cada um acha um motivo mais louco do que o outro do como e por que a CIA teria feito isso.

Apesar do tom diferente da história, continua sendo uma leitura boa e divertida. É quase impossível se decepcionar num enredo quando o próprio escritor se coloca em pé de igualdade com seus personagens: “Havia um motivo para contar esta história, mas, temporariamente, fugiu da mente do autor”.

No entanto, este ainda não é o final, ainda temos o Volume Cinco na coleção e o E tem outra coisa… – lançado no 30º aniversário de publicação do primeiro livro d’O Guia, foi escrito por Eoin Colfer com autorização da família de Adams.

Nos encontramos no próximo!

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Cadeia de Eventos: Urgente! 5 – Lava Jato e Protestos

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O Brasil na conjuntura política atual

(Ou, por que a situação saiu do controle – Cadeia de Eventos Urgente 05 – Lava Jato e Protestos)

No Dia Internacional das Mulheres do ano de 2015, a presidenta do país veio a público dizer as boas-novas que tratavam da legislação sobre o feminicídio, e, nesse dia, foi vaiada, xingada de vaca, vagabunda, piranha, ameaçada de morte ao som de panelas por pessoas que sequer ouviram o que ela tinha a dizer.

Essas pessoas foram apoiadas por outras também descontentes com o governo atual, com a presidenta, com a vida e com seu partido. Semeadores de ódio brotaram das profundezas pútridas da raiva irracional e uniram-se com os sempre corretos e donos da razão, sommeliers, gourmets, empresários, advogados, a elite dominante e seus filhos, os coxinhas, e tomou conta das ruas, com direito a transporte gratuito e policiais como amigos – e não mais como inimigos; como é o comum em aglomerações de populares. Tudo lindo e tudo belo desde que não se use vermelho.

Tudo isso e muito mais na nossa edição sem muita edição e sem censura, essa edição do Cadeia de Eventos conta com a  presença de Thiago Miani, Bruno Urbanavicius e Diogo Lima. Conteúdo inadequado para crianças e pessoas sensíveis, coxinhas, eleitores do Jair Bolsonaro e afins.

Links:

Brasil visto de fora

Impitimá da Dilma, por que não?

Lista do Janot

Vermelho não pode

Manifestação dos coxinhas

Nosso e-mail: cadeia@cachorrosolitario.com.br

Nosso twitter: twitter.com/cadeiadeeventos

Nosso blog: cachorrosolitario.com.br

Abraço e divirta-se!

Proteção aos animais

arcabrasil.org.br

“Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade.” Leonardo da Vinci

Dia Mundial dos Animais é celebrado no dia 4 de outubro, em homenagem ao nascimento de São Francisco de Assis. Porém, aqui no Brasil, no dia 14 de março, nós também temos o Dia Nacional dos Animais.

Como sugere a homenagem ao Santo, este dia não é apenas para animais domésticos, como cachorros e gatos, mas para toda a vida animal do planeta.

Um dos problemas que nossos irmãos animais, sejam eles domésticos ou silvestres, sofrem neste mundo são os maus-tratos. No Brasil há uma legislação específica para este crime que muitas vezes causa a morte do animal, porém, segundo dados da ARCA Brasil, apenas 10% dos casos são solucionados e/ou punidos.

No site desta instituição, você encontra ainda informações sobre esse tema e também orientações sobre como agir caso seja testemunha desse tipo de crime: Crimes contra animais: denunciar vale a pena!

Denuncie

O número do Disque Denúncia é o 181. E, caso seja necessário, em São Paulo, a Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente fica na Avenida São João, nº 1.247 – 7º andar. Os telefones são os (11) 3331-8969, (11) 3337-5746 e (11) 2996-2112.

 

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Dia Nacional do Livro Didático

Dia Nacional do Livro Didático

Definição de Didático adj. 1 destinado a instruir <livro d.> 2 que facilita a aprendizagem <recursos d.> [Minidicionário Houaiss da língua portuguesa (2001)]

O livro didático seria então aquele livro que ajuda e serve também como ferramenta em nossa aprendizagem.

Livro didático – 4ª série

[Às vezes, nós temos impressão de que livros didáticos são aqueles “chatos” com um monte de teorias e regras abstratas que temos que aprender pra “passar na prova”. Mas não é bem assim. Este livro aqui, por exemplo, eu usei na 4ª série e até hoje o conservo comigo, pois nele há muitas dicas realmente úteis que ajudam na elaboração de textos diversos.]

livro paradidático pode ser um livro “comum”, mas que é utilizado no ensino juntamente com o didático para enfatizar ou abordar alguns temas de forma mais lúdica e/ou mais prática.

Um exemplo de livro paradidático é O caçador de palavras, livro do qual já falei neste post.

Curiosidades/Politicagens:

Proposta proíbe produção de livros didáticos no exterior 

Em 2007, explodiu uma guerra em torno dos livros didáticos… 

[Eu tenho o livro citado na matéria, o Nova História Crítica, do Mario Schmidt, e, particularmente, acho que é um excelente livro de História apenas por permitir que os alunos/leitores vejam uma outra faceta dos fatos que são sempre “mastigados e impostos” pela história oficial.]

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Kevin Johansen – La chanson de prévert

Kevin Johansen

Primeiro, ouçam:

Descobri esse cara por acaso, lendo um post do Lady Comics sobre a Eleanor Davis.

Bom, se você foi curioso e leu o post, provavelmente não viu menção nenhuma a esse tal de Kevin Johansen.

Mas se você leu o post, viu também que lá no meio a Mariamma Fonseca, autora do texto, cita dois outros posts em que ela fala sobre suas desenhistas preferidas, a Lisk Feng e a Tateé.

Como eu gostei MUITO das ilustrações da Eleanor Davis, fui clicando nos links pra ver se ia gostar das outras autoras também. E é claro que eu gostei!

Bom, no post sobre a Tateé, logo no comecinho, pede-se que o leitor coloque pra tocar essa música, La chanson de prévert, na versão do Kevin Johansen [essa música é famosa na voz de seu compositor, Serge Gainsbourg].

E eu não sei se foi a música em si, essa versão, as ilustrações, o post ou se foi tudo isso junto, mas eu achei essa música/versão linda! E fui clicando nas sugestões do YouTube mesmo, ali do lado direito…

Resumindo, passei o dia inteiro ouvindo as músicas do cara e curtindo cada vez mais 🙂

Ainda estou descobrindo esse artista, mas já tem uma música que virou uma das minhas preferidas:

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