Dois Grupos – Uivos Filosóficos

Dois grupos, por Etson Delegá

Por Etson Delegá

Depois de muito pensar no mundo, na humanidade, nos problemas do homem moderno (que eu acho que continuam sendo os mesmos problemas de sempre, mas com roupa da moda), acho que cheguei a uma conclusão muito estranha.

A raça humana se divide em dois grupos distintos de comportamento: o grupo dos que pensam e o grupo dos que fazem.

O mundo pertence aos que fazem, mas os que fazem não pensam muito e, quando pensam, pensam porca e apressadamente, porque o negócio deles é fazer e não pensar. Por isso o mundo está na merda em que está.

Os que pensam conhecem bem os problemas e podem até indicar soluções, mas não fazem porra nenhuma, e quando, num esforço titânico, resolvem fazer algo, fazem malfeito, porque o negócio deles é pensar e não fazer.

Por isso existe tão vasta literatura social, política, econômica, filosófica e científica apontando a problemática de nossa civilização e propondo um sem-número de soluções, e mesmo assim o mundo continua na merda em que está.

Vejam exemplos.

O que fizeram Aristóteles, Sócrates e Platão com sua sabedoria? Nada. Toda a aplicação prática da filosofia se deve a outrem que não os filósofos. Maquiável não foi um déspota, Luís XV foi. A coisa mais próxima que Marx fez de uma revolução foram algumas brigas de bar; foi Lênin que pôs a mão no sangue, quer dizer, na massa.

Existe intercâmbio entre os que fazem e os que pensam. Geralmente, quem faz simpatiza com determinada ideia e decide realizá-la, e é via de regra essa ideia ser fruto de um dos que pensam. 

Mas é evidente que existe uma certa falta de diálogo (talvez de entendimento, por melhor dizer) entre os pensadores e os realizadores. É possível que isso seja consequência do desdém que uma categoria costuma sentir pela outra.

De todo modo, o fato é que pensadores e realizadores não falam a mesma língua, e isso é refletido em tudo o que é feito, construído e produzido no mundo.

Na maioria dos casos, se transformam em defeitinhos quase imperceptíveis, idiossincrasias pequenas – afinal de contas: o seu celular funciona, a TV funciona, muitas empresas funcionam, e tudo isso foi concebido a partir de uma ideia e realizado por alguém – entretanto, não seria possível que essa dissonância, quando analisada em larga escala, produzisse a maioria dos conflitos produtivos e conceituais que temos em nosso mundo?

Bem, esse é o meu pensamento fajuto de hoje.

Se você é um realizador, encontre uma utilidade pra isso e mãos à obra! Já se você for um daqueles que pensam, inspire-se nessa enorme besteira que eu escrevi pra desenvolver uma tese e ponha no seu blog, ou publique, ou queime, se quiser.

Abraço a todos.

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A ciência na sociedade atual – Trabalho e Economia

A ciência na sociedade atual – Trabalho e Economia, por Eder Vitorino
por Eder Vitorino

O trabalho é uma atividade produtiva, porque é atividade mental ou física para produzir os bens que necessitamos; transforma o homem intelectualmente ou fisicamente e muda a forma da sociedade.

O aperfeiçoamento da agricultura desenvolveu várias atividades produtivas como artesanato, comércio, domesticação de animais e abriu caminho para o surgimento da propriedade privada, separando os homens entre proprietário e não proprietário, propiciando a divisão da sociedade em classes.

Com esse avanço agrícola, foi somado à possibilidade de produzir mais alimentos também o trabalho de prisioneiros de guerra. Este fato tornou as guerras ainda mais viáveis para os vencedores, pois antes não tinham alimento suficiente para sustentar seus prisioneiros.

Assim como o homem aprendeu a domesticar animais, também aprendeu a “domesticar” o homem, tornando-o escravo.

O economista e filósofo escocês Adam Smith (1723-1790) diz que o valor da mercadoria depende do trabalho, conhecimento necessário em técnicas e tempo para realizá-lo, assim, quanto mais tempo e trabalho utilizados, maior será o valor cobrado pela mercadoria produzida.

Smith preocupava-se com a capacidade produtiva do trabalhador acreditando que a especialização e a divisão do trabalho aumentavam a produtividade e beneficiavam tanto assalariados quanto capitalistas.

O seu livro A riqueza das nações foi uma contribuição extremamente importante para o estudo da economia.

Para o filósofo, o que importava era concentrar a renda, aumentar a produtividade e a oferta de trabalho para o desenvolvimento da sociedade; cabendo somente aos capitalistas a oferta de bens e serviços para atender as necessidades dos indivíduos.

O pensamento econômico resume-se então a dizer que o trabalho é um dos requisitos para determinar o valor da mercadoria.

Portanto, a propriedade privada é o que garante a sobrevivência de todos, infelizmente a desigualdade social e a divisão do trabalho (patrão versus empregado) fazem parte da natureza humana.

O papel dos capitalistas é controlar a propriedade sem a intervenção do governo contando com o esforço coletivo em benefício do aumento da produtividade, funcionando tal qual nosso sistema econômico.

“A ciência e a sociedade atual” é uma série de artigos para entender as relações sociológicas, filosóficas, históricas e políticas no desenvolvimento das ações humanas até os dias atuais.

Para saber mais, leia:

SMITH, Adam. A Riqueza das Nações.

MELO, José Wagner de; SILVA, Edimar Araújo. EJA HIstória.

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As ciências na sociedade atual – Uivos Filosóficos

As ciências na sociedade atual - Uivos Filosóficos, por Eder Vitorino
por Eder Vitorino

O século XIX foi responsável pela descoberta das ciências, artes e da “descoberta do homem” na história chamada de progresso.

A vida dos seres humanos é melhorada (alterada) pelas técnicas das ciências como a sociologia com Karl Marx e Frederich Engels; avanço da física no século XX como a Teoria da Relatividade de Albert Einstein e a física quântica de Max Plank e Niels Bohr e a visão otimista de Auguste Comte que atribui o progresso da humanidade às ciências partindo do princípio: “Saber para prever, prever para prover”.

O desenvolvimento das ciências proporciona o controle científico da sociedade aumentando o desenvolvimento social que, inconscientemente, acaba por nos separar de Deus. Essa mesma ideia de Comte está na bandeira brasileira: ordem e progresso.

A historicidade do homem levou a ideia de que cada sociedade tem sua história ao invés de uma história universal, ou seja, a ideia de que o progresso legitima colonialismos e imperialismos dos chamados “adiantados” para com os mais “atrasados”, justificando a dominação social, cultural e econômica de certos países (sociedades) sobre outros.

A confiança plena no saber científico e na tecnologia afirmava a crença de que era possível dominar e controlar a natureza, a sociedade e os indivíduos.

Acreditava-se que a sociologia poderia organizar racionalmente a sociedade para evitar revoluções, revoltas e desigualdades; a psicologia ensinaria as causas dos comportamentos, emoções e os meios de controlá-las e nos livrar-nos das angústias, medos e loucura para também nos adaptarmos perfeitamente às exigências da sociedade.

No entanto, os acontecimentos do século XX, tais como as duas guerras mundiais, o bombardeio de Hiroshima e Nagazaki; ditaduras nazista e stalinista, guerras da Coreia, do Vietnã, Oriente Médio, Afeganistão, ditaduras sangrentas na América Latina e na África, devastação de mares, poluição do ar e, principalmente, problemas éticos e políticos, fizeram com que a filosofia começasse a desconfiar desse otimismo científico-tecnológico.

As ciências e as técnicas mostram que cada época histórica da humanidade possui sentido e valor próprio que desaparecem em épocas seguintes.

O conceito de que a humanidade pode ser melhorada pela ciência tornou-se realidade apenas para uma minoria e o conceito de “dominante e dominado” no sentido econômico e social foi perdido, assim como a sociologia não evitou revoluções (como a Primavera Árabe) e a psicologia não indicou meios de controlar nossos comportamentos (ainda há pessoas com síndrome do pânico, ansiedade, depressão); o progresso é só para alguns, como os políticos da nossa República, enquanto a população das classes mais baixas não logrou dos avanços, logo, as sociedades são diferentes umas das outras, não havendo transformação contínua e progressiva da humanidade.

Para saber mais, leia:

Filosofia: Marilena Chauí. Aspectos da filosofia contemporânea.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2002.

A Espiritualidade e a Sinuca

A espiritualidade e a sinuca

Filmaço que mostra uma ótima e civilizada partida de sinuca.

Aí se vê uma pitada de ironia divertida e peculiar que permeia todo o filme!

Passou na TV Cultura (@tvcultura) e curti demais, é um filme divertido, meio galhofa de propósito e que permite a gente pensar!!! Pra mim tá ótimo.

Não quero falar mais nada, só quero que se surpreenda com o filme “A Espiritualidade e a Sinuca”.

Abraço!

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O Homem Corrompido

O Homem Corrompido

por Eder Vitorino

O homem e a mulher nasceram no seu estado de bondade, ou seja, naturalmente não se  nasce no estado de maldade, pois o ser humano é corrompido pelo meio apenas quando cresce; diferente dos homens selvagens que vivem na floresta, considerados por Jean Jaques Rousseau como homens bons por viverem apenas daquilo de que precisam ou do que a natureza pode lhe oferecer, ao contrário do homem civilizado que é mais ganancioso desejando sempre mais o que lhe aprouver.

Os valores civis e éticos mudam a cada século, mas as diferenças das classes sociais existem desde os tempos de Rômulo e Remo; passando pela Idade Média com o mercantilismo até chegar à Revolução Industrial na Inglaterra: o início do capitalismo.

A Londres do século XVIII era uma cidade degradada com muita pobreza e violência onde os trabalhadores ficavam nas fábricas mais de vinte horas por dia, e as crianças limpavam chaminés.

Nos séculos XIX e XX, surgiram as greves e as leis por melhores condições de trabalho com a ajuda de sindicatos; assim todo trabalhador teve as horas de trabalho regulamentadas, descanso e férias.

Vieram também os protestos de melhores condições de trabalho para as mulheres, porquanto, as mulheres queriam os mesmos direitos de igualdade dos homens.

Todas as conquistas dos trabalhadores vinham de forma gradativa com o 13º salário e FGTS, porém com o surgimento de muitas indústrias a cidade crescia e houve maior migração do campo para a cidade.

Houve crescimento de desemprego e violência e a ganância dos donos das empresas cresceu por causa do bem maior do capitalismo: o lucro.

Hoje, as mulheres não ganham os mesmos salários que os homens; as empresas contratam muitas firmas terceirizadas para pagar salários abaixo da média, por conseguinte vira frustração dos trabalhadores que têm dificuldade de comprar algum aparelho moderno ou outras coisas além do que necessitam para “se inserir na sociedade”; entretanto a conscientização da inclusão social no emprego é uma nova vitória dos trabalhadores do século XXI.

O homem e a mulher, portanto, no estado natural de bondade sem ser corrompido pelo meio, podem viver civilizadamente pensando no trabalho que, na forma de trabalhar num dia é diferente do outro, dignificando aquilo que faz apesar das dificuldades; respeitando sempre os valores do próximo e o segredo de vencer a frustração é não desejar mais o que lhe aprouver.

Para saber mais, leia:

ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre a origem e as desigualdades entre os homens.

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Judas Iscariotes: O Herói

http://mwatkins.deviantart.com/art/judas-kiss-18134810

por Eder Vitorino

As festas religiosas celebram o nascimento e a morte daquele que foi o maior filósofo que já existiu: Jesus Cristo.

Ninguém lembra os seus ensinamentos em vida junto com os apóstolos; não são somente os milagres e ressurreição que devem ser lembrados, mas também as suas parábolas, pois deveriam ser concebidos para a alma, e não apenas para malhar o boneco de Judas Iscariotes.

Judas Iscariotes é, foi, e será lembrado por trair o seu melhor amigo pelo preço de trinta moedas de prata.

Nem um dos maiores poetas de todos os tempos o perdoou: “A alma que mais sofre – explicou meu guia – é a de Judas Iscariotes sendo devorado por Satã, agitando as pernas em seu queixo em fogo e já com a cabeça do lado de dentro” (Dante Aliguieri, Inferno).

Tudo mudou quando foi encontrado no Egito, no final dos anos setenta, um misterioso códice chamado Peuaggelion Nioudas na língua copta (o grego antigo), que significa “O Evangelho de Judas”.

O evangelho que conta a história de Jesus no ponto de vista de Judas, diferente daquele que é contado nos quatro evangelhos do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Nos evangelhos os autores são discrepantes nos detalhes da traição. Marcos não esclarece o motivo da traição; Mateus apenas esclarece que Judas traiu Jesus por dinheiro e consequentemente se arrependeu e se enforcou. Lucas diz que foi tentado pelo Diabo; João diz que Judas era o próprio Demônio. No livro de Atos escrito por Lucas há uma versão diferente da morte de Judas: “ele caiu de cabeça e seus intestinos arrebentaram”.

Cada um desses apóstolos tinha uma análise sobre Judas.

No Evangelho de Judas, Jesus pede para Judas o trair: “mas tu Judas, suplantarás a todos eles – (isto é, os outros discípulos). Pois sacrificarás o homem que me veste” (Evangelho de Judas).

Jesus pede a Judas que o sacrifique.

evangelho-judasJesus vaticina o que as gerações pensarão sobre a traição, pois lhe diz: “Tu transformarás no décimo terceiro, e serás amaldiçoado pelas outras gerações – e chegarás a governá-las. Nos últimos dias condenarão tua ascensão (partida) à (geração) sagrada (Evangelho de Judas).

Judas tem uma missão especial: sacrificar a forma humana de Jesus: “Pois sacrificarás o homem que me veste”, ou seja, o espírito será libertado. Judas pergunta a Jesus: “O espírito humano morre?” Jesus responde: “É por isso que Deus ordenou a Miguel que desse o espírito às pessoas como empréstimo…”

Judas era o preferido de Jesus: (…) afasta-te dos outros (discípulos), prometendo lhe falar sobre ‘os mistérios da vida'”.

Jesus continua: “Olha, tudo foi contado a ti. Ergue teus olhos e olha para a nuvem e a luz dentro dela e as estrelas que a rodeiam. A estrela que aponta o caminho é a tua estrela”. Assim Judas garante seu lugar no Reino do Céu.Uma bela passagem cosmológica como em Timeus de Platão: “Em Timeus, Platão afirma que cada pessoa tem a sua alma e a sua própria estrela” (O Evangelho Perdido).

Portanto, Judas trai Jesus com o pedido deste e da vontade divina, assim Judas não era um invejoso ou ambicioso. Judas permaneceu fiel e se revela o discípulo mais amado, pois era o único que compreendia o que Jesus dizia.

Chega de malhar Judas, porquanto, não fosse ele, os nossos pecados jamais seriam perdoados e cada um jamais teria a sua própria estrela.

Para conhecer mais leia:

Herbert Krosney. O Evangelho Perdido.

National Geographic. O Evangelho de Judas.

Platão. Timeus.

Dante Alighieri. A Divina Comédia (Inferno).

Música: Judas. Álbum: Mata Virgem (Raul Seixas).

Uivos Filosóficos – William Shakespeare – parte 2: Defesa de Brutus

Uivos Filosóficos – William Shakespeare – parte 2: Defesa de Brutus

A peça Júlio César foi escrita em 1599, assim neste ano de 2009 faz quinhentos anos que a peça foi escrita.

Conhecemos a história de Júlio César ou na aula de História ou nos filmes, ou seja, Júlio César foi assassinado por Brutus e outros senadores. Brutus, o preferido de César, é o mais lembrado como traidor. E assim aprendemos o modo como César morreu diante de seus conspiradores.

A tragédia histórica de William Shakespeare (1564-1616), a personagem principal não é Júlio César, e sim Brutus, pois Júlio César só faz papel de coadjuvante na peça. Júlio César está na peça para valorizar Brutus no clímax até originar o phatos, ou seja, a necessidade de Brutus no assassinato, traição e suicídio.

O adivinho diz a César que não compareça ao senado; a esposa Calpúrnia é supersticiosa e pede para César mentir. César não teme.

“Os deuses fazem isso para me matar de vergonha a covardia. César deveria transformar-se em uma fera sem coração se ficasse em casa hoje, comandado pelo medo. Não, César vai sair. O perigo sabe muito bem que César é mais perigoso que ele: somos dois leões paridos no mesmo dia, e sou o mais velho e o mais temido. Por isso César vai sair.” (Shakespeare)

Shakespeare caracterizou César como Nietzsche caracterizou Shakespeare: César apenas aceitou a realidade. César aceitou ir ao senado não por intuição, mas aceitou a realidade.

“Quando eu procuro minha mais alta fórmula para caracterizar Shakespeare eu sempre acabo achando apenas essa: a de que ele concebeu o tipo César. Coisas desse tipo a gente não intui – a gente é ou não é. O grande poeta bebe apenas de sua própria realidade.” (Nietzsche)

Shakespeare concebeu um tipo Brutus. Brutus sacrifica o melhor amigo consagrando-o de maneira formidável, não é a ganância que leva Brutus a matar César, e sim o amor a Roma. Os outros senadores mataram por ganância e poder, porém Brutus deu as facadas por sacrifício.

“O grande Júlio não sangrou em nome da justiça. Quem foi o vilão que tocou-lhe o corpo e apunhalou-o se não por justiça. Por que, se não para sustentar ladrões, iria um de nós, que atacamos o mais importante líder deste mundo, contaminar os dedos com propinas infames e vender nossos altos cargos de largas honras por tanto vil metal quando pudesse as suas munhecas agarrar. Eu preferiria ser um cachorro e latir para a lua que ser esse romano.” (Shakespeare)

Brutus e Hamlet não têm nada de diferente; ambos sofreram pelo mesmo motivo. Brutus queria sacrificar César; Hamlet vingar Claudio. A tristeza de Shakespeare comparada com Brutus e Hamlet. A relação da personagem-poeta, Shakespeare, nas horas negras evidentemente que estava prosternado na virtude de Brutus.

Em defesa de Brutus, um não traidor; conspirou porque amava Roma e seus cidadãos. Teve que tirar a tirania de Júlio César. Brutus superou a si mesmo. Fica nas palavras de Marco Antonio diante do corpo de Brutus sobre o grande romano que foi:

“Esse foi o mais nobre dentre todos os romanos. Todos os conspiradores, menos ele, fizeram o que fizeram por inveja ao grande César. Apenas ele, por imbuído de uma ideia honesta em prol do bem-estar geral, conseguiu a união de todos eles. Sua vida magnânima, e os elementos estavam nele tão equilibrados que a Natureza pode erguer-se e dizer a todo o mundo: “Este sim, foi um homem!” (Shakespeare)

William Shakespeare teve de ser abismo. Se Deus criou o homem, Shakespeare criou a alma humana.

Para conhecer mais, leia:

Júlio César. William Shakespeare.

A invenção de Shakespeare. Harold Bloom.

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Uivos Filosóficos 08 – A Busca do Sofrimento.


A busca da felicidade: evitar o sofrimento.

Nos últimos dias você não tem sido agradável com ninguém; o emprego já não te satisfaz assim, e eis o motivo de não estar feliz com o emprego: “não era isto que eu queria, gostaria de trabalhar em algo que eu faça com prazer”.

A mulher por quem está apaixonado não te dá atenção nem para uma conversa.

O mundo vive o capitalismo desenfreado onde todos estão condenados ao consumismo. Karl Marx denunciou a condenação dos proletariados pelos capitalistas, entretanto, hoje, os capitalistas usam Marx a favor deles contra os proletariados tornando assim o sonho de Lênin tão distante, propagando as desigualdades sociais e desilusões na sociedade.

Existem inúmeras razões para o sofrimento, porquanto infelizmente o sofrimento não é valorizado; é patente num momento difícil pensarmos em discorrer sobre a relação entre o prazer e a dor, uma está relacionada à outra.

O pensamento do século IV a. C., para os pessimistas, era: “O melhor seria não ter nascido”. O pensador alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) era um filósofo pessimista. Trouxe o Oriente para o Ocidente influenciado pelo budismo, pois adorava a filosofia oriental, principalmente a antiga.

Schopenhauer analisava se a vida é sofrer, sendo que o sentido da vida de imediato é o sofrimento, porque a dor infinita da necessidade à vida e a receptividade para o prazer é limitado. Na filosofia budista, a dor e a sensação da dor aos extremos não são miséria nem luxo, se enfrenta o sofrimento com o sofrimento; o iluminado é o Buda até alcançar o não sofrer: Nirvana ao pé da letra.

A sensação de dor, em casos longínquos pode levar ao pensamento suicida. Ora, o suicida na verdade não quer morrer, apenas quer se livrar dos problemas; existem diversos graus de sofrimento.

Friedrich Nietzsche (1844-1900), outro pensador alemão analisava de forma diferente. Nietzsche já foi um admirador de Schopenhauer, só que a vida o levou para outro campo de sabedoria, pois era otimista. Na vida temos que ver as coisas por todos os ângulos, é a relação de forças que atuam entre nós: a vontade de poder. Nietzsche já tentou o suicídio, por ventura o pensamento suicida para ele era um bálsamo. Zaratustra, um personagem do seu livro, uma vez caminhando pela floresta resolveu descansar e dormiu sob uma figueira, logo veio uma víbora e o picou. Quando a víbora percebeu que picou Zaratustra ficou transtornada e ele a pediu para reabsorver o veneno, Zaratustra falou-lhe que o “despertou a tempo, pois o meu caminho era longo”. Nós não podemos recusar a dor, nada acontece no mundo sem relações. O conhecimento é interpretação quando você se diz: eu sou uma interpretação. O mundo é relação de força e pensar é sentir. Quando está pensando já está sentindo.

No navio da vida em uma tempestade, o capitão deve treinar-se; o sofrimento dá o primeiro sinal, então é preciso preparar-se para o perigo. O belicoso sofrimento chega e a tempestade nos dá os melhores ensinamentos, isso torna o homem ou a mulher heroico, por conseguinte, use o sofrimento como apreciação, aprenda a transformar obstáculos em estímulos.

Evitar o sofrimento: não buscar a felicidade.

A Busca do Sofrimento.

Para conhecer mais leia:

Schopenhauer, Arthur. O mundo como vontade e representação. 

Schopenhauer, Arthur. Parerga e Paraliponema.

Niezstche, Friedrich. A Gaia Ciência.  

Niezstche, Friedrich. Assim falou Zaratustra.

Uivos Filosóficos 7 – A Visão do Amor

Uivos Filosóficos

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A Visão do Amor.

Um camponês semeava batata da melhor qualidade; apenas ele possuía um misterioso tipo de semente. A terra era de bom grado, porém os ladrões furtavam as batatas durante a noite porque a plantação ficava longe de casa. O camponês só tinha um filho, mandou-o vigiar a plantação de madrugada. O jovem enquanto vigiava, cochilou, mas quando abriu os olhos viu as moças que roubavam as batatas. O jovem viu as beldades, e se apaixonou.”

Este conto peruano não é novidade para nenhum ser mortal. O homem vê uma mulher interessante, por algum motivo, se apaixona. A mulher observa atentamente um homem que futuramente vai ser o pai do seu filho.

Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e...

“Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e…”

Vários escritores, poetas, psicanalistas tentaram descrever o amor. Também foi causa de guerras terríveis como a de Troia, ou uma tragédia como Romeu e Julieta. Passamos por um lugar desconhecido, visto que olhamos alguém por cinco segundos, e o coração dispara! Os olhares se cruzam, um momento mágico, surge uma química e… Nos apaixonamos.

A paixão amorosa pode ser regida pela natureza. Enquanto amamos alguém, nem sempre tem um final feliz, pois a vida não é como nos filmes ou novelas. Aquela moça que o homem se apaixona e não é correspondido (não conseguindo seu objetivo), ele fica melancólico, se tranca no quarto, pensamentos suicidas (para os ultra-românticos); pergunta por que existe o amor. Pode ser a ideia de manter a espécie. “é preciso que a natureza ponha no indivíduo uma certa ilusão, em virtude da qual ele veja como o bem próprio o que, na verdade, é apenas o bem da espécie; e assim serve a natureza, enquanto pensa estar obedecendo apenas aos seus desejos. Uma simples quimera, que logo se desfaz, paira diante de seus olhos e faz com que atue.” (Schopenhauer). Logo estamos trabalhando para a espécie, já que a tornamos individual.

O homem demonstra a ânsia de salvar as mulheres quando estão apaixonados, portanto salvar a mulher no dicionário masculino é não abandoná-la.

Meu destino até então era certo,

vi que passava perto de sua morada e queria te ver…

Mas você quase acabou comigo…

Só ri ao pensar no seu sorriso.

Se me visse neste estado deplorável:

finalmente eu te deixaria como nunca antes:

FELIZ.”

(Diogo C. Scooby).

O motivo de nos decepcionarmos com o amor é a ideia do “Belo” de Platão. O mundo das ideias; no início de um amor pensou na garota de todos os modos. Imaginamos saindo com ela ao cinema, beijando-a, apresentando a família, tudo maravilhoso, ouve In my Life dos Beatles e, até as estrelas do céu brilham diferente, mas quando saímos do mundo das ideias, ou seja, voltamos para a realidade, a garota não te dá atenção: um baque. A ideia do Belo se torna belo. A diferença do maiúsculo para o diminutivo é que no mundo das ideias (BELO) tudo é perfeito, porém na realidade esse belo não tem perfeição, é a subjetividade.

Como no conto peruano, quem não já se apaixonou a primeira vista, talvez nunca tenha amado, confesso que não sei como concluir este texto, pois não quero definir o amor, apenas quero senti-lo, quero que venha de um modo inesperado.

Concluo com o soneto 116 de William Shakespeare: “O amor não se transforma de hora em hora, antes se afirma para a eternidade, se isso é falso alguém provou, eu não sou poeta, e ninguém nunca amou”

O Amor se afirma na eternidade

 

Para conhecer mais leia:

Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. Arthur Schopenhauer.

Cinco Lições de Psicanálise: Contribuições a Psicologia do Amor. Sigmund Freud.

Mí casa, Sú casa e Outros Poemas. Diogo C. Scooby.

Contos e Lendas do Peru. Adaptação de Antonieta Dias Moraes.

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