Resposta

Violeta

Venha para casa, Senhora, por favor.
Dalton Trevisan

 

Hoje faz três dias que recebi sua carta. Pra ser sincera, quando vi o remetente, pensei em rasgar, jogar fora de uma vez. Mas li. Depois pensei em não responder. Mas vou.

No começo foi difícil não ter tarefas a cumprir: a salada pra temperar, o jornal por recolher, era como se não soubesse como ter outra vida que não aquela que a mãe prepara a menina pra ter desde novinha.

A única coisa de que sentia falta de casa – sinto dizer isto – não era de você, mas das minhas violetas. Agora que sei que elas estão murchas não tenho mais motivos pra voltar.

Adeus. Não escreva mais.

 

(Escrito há alguns anos, inspirado no conto “Apelo” do escritor paranaense Dalton Trevisan.)

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Leio por curiosidade de descobrir o mundo. Escrevo para compartilhá-lo. Meus textos podem ser encontrados no Cachorro Solitário e no Cabruuum.